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quarta-feira, julho 22, 2026

Eugeniusz Bodo: do galã do cinema polaco ao prisioneiro do GULAG soviético

Atores Eugeniusz Bodo e Helena Grossówna, década de 1930

Ator, encenador, empreendedor polaco Eugeniusz Bodo. O seu nome era Bohdan Eugène Junod; a sua mãe era polaca e o seu pai suíço, que fazia negócios e residia no império russo. Na Polónia entre as guerras, Eugeniusz era um dos principais estrelas de cinema, interpretando charmosos galãs românticos. Viveu em Lviv. Morreu num campo do GULAG soviético.

Um dos seus filmes mais famosos é a comédia de culto «Piętro wyżej» (o título internacional «Vizinhos», 1937). Está disponível em várias versões no YouTube:

A heroína (a bela Helena Grossówna) acaba de entrar, por engano, no apartamento do herói (Eugeniusz Bodo) e, sem se aperceber que está no apartamento de outra pessoa, adormece na sua cama. Entretanto, o herói regressa a casa embriagado, descobre a bela na sua cama e deixa-a galantemente dormir, enquanto ele, vestido com um fato e gravata, vai dormir para a banheira. Naturalmente, acorda de manhã, abre a torneira e vê-se encharcado da cabeça aos pés. Naturalmente, tudo termina com um final feliz.

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A famosa comédia soviética «A Ironia do Destino» (1975) usou o mesmo enredo (troca de apartamentos, herói bêbado, uma bela desconhecida, interpretada até por uma atriz polaca), como o elemento principal do seu trama. 

Em 1939, após o início da II G.M., Bodo encontrou-se em Lviv, na União Soviética. O conceituado músico Henryk Wars organizou a orquestra Lviv Tea-Jazz, que começou a fazer digressões por toda a União Soviética com grande sucesso. Bodo cantava nesse teatro; existem muitos registos dele a cantar em russo, incluindo a tradução russa da famosa canção polaca «Somente em Lviv».

«Tea Jazz-orquestra» de Lviv

Ao mesmo tempo, Bodo tentou, usando o seu passaporte suíço de viajar para a Suíça. Após o início da guerra nazi-soviética, quando o Exército Vermelho já deixou a cidade de Lviv, mas os alemães ainda não entraram nela, dois homens com uniformes da NKVD abordaram Bodo e disseram que tinham um carro e tentariam romper as linhas inimigas para leste, convidando-o a juntar-se a eles. Percorreram estradas rurais durante vários dias e, quando finalmente chegaram ao quartel-general do Exército Vermelho, disseram-lhe que estava, na verdade, preso e enviaram-no para o NKVD.

Entretanto, a partir de 30 de Julho de 1941, sob pressão do seu novo aliado, a Grã-Bretanha, a URSS aceitou assinar um acordo com o governo polaco no exílio em Londres (o Acordo Maisky-Sikorski). De acordo com este acordo, todos os cidadãos polacos presos na URSS e nos territórios por este controlados desde 1939 receberiam amnistia. A partir destes cidadãos, começou a formar-se um exército polaco na Ásia Central soviética, sob a liderança de general Anders. A orquestra de Wars também se juntou ao exército de Anders.
A sua última foto conhecida, prisioneiro dos soviéticos...

Bodo era muito conhecido, e os representantes polacos perguntavam constantemente aos soviéticos sobre o seu destino. Mas estes lhes responderam que Bodo não era cidadão polaco, mas sim suíço, e, por isso, não tinha direito a amnistia. Morreu num campo de concentração soviético nos arredores da cidade de Kotlas, de inanição (fome severa) em outubro de 1943. Durante décadas a URSS desinformava os polacos, afirmando que Eugeniusz Bodo foi assassinado pelos alemães. Somente em 1991, as autoridades soviéticas entregaram aos polacos os documentos a ele relacionados.

Já a atriz Helena Grossówna, chegou a participar na Revolta de Varsóvia de 1944 como tenente, usava o nom de guerre / codinome de «Bystra» (Rápida), foi capturada e presa em campos alemães de prisioneiros de guerra, casou com um oficial polaco, que libertou o campo e viveu uma longa vida na Polónia, falecendo em 1994 aos 90 anos. 

Blogueiro

A ironia do destino, um polaco-suíço que nada de mal fez à URSS e foi um artista aceite e reconhecido na União Soviética, não sobreviveu o GULAG comunista. Enquanto uma combatente, que lutou contra os alemães, de armas nas mãos, sobreviveu um campo de concentração nazi...

sexta-feira, outubro 17, 2025

A face neofascista do «mundo russo» revelada num comboio da Suíça

A Internet cirílica está divulgando e discutindo o vídeo em que um sujeito russo, Aleksandrs Vabiks (42), muito agressivo, provoca, insulta, ameaça e no fim tenta agredir a família ucraniano-helvética, unicamente por que o casal se comunicava em ucraniano. 
A história é resumidamente é a seguinte: um russo (como ele se auto-apresentou) ameaçou matar passageiros de quem ouviu falar ucraniano. Disse publicamente que sozinho «quebraria» o homem que viajava com a sua esposa ucraniana. Depois prometeu chamar seus «amigos» e que estes «apanhariam» a família ucraniana na estação. Mas a realidade foi diferente. Dez minutos depois, o agressor estava apresantando uma queixa, para a polícia suíça, dizendo que havia sido espancado pelo marido da ucraniana, escreve o blogueiro belaruso Dzmitry Hurnievic.

A história completa. A esposa é ucraniana Olena Dudnik, seu marido Gabriel Sharov, um belaruso com cidadania suíça e seu filho de apenas 1 ano e 10 meses estavam viajando de comboio/trem de Interlaken à Spiez na Suíça. Um homem estava sentado ao seu lado e ficou chocado ouvindo a língua ucraniana. Ele se tornou agressivo, gritou que era russo e que «os russos vão matar vocês todos». Insultou, ameaçou, provocou. Tentaram acalmá-lo, mas ele não reagiu. O trataram por «você», e ele continuou a ameaçar. Gritou que era suíço (mas confundiu as palavras e disse que era «porteiro») e que os refugiados ucranianos eram pagos por seus impostos. A propósito, mais tarde descobriu-se que na realidade o agressor era um russo nascido da Letônia. 

A história terminou quando o «russo», aparentemente sentindo que havia chegado o momento de atacar, levantou-se e arrancou o telefone da mão da senhora ucraniana. O marido empurrou o russo para longe. Mas os russos, como se sabe, não desistem, e o agressor decidiu atacar o marido, fisicamente. Mas tudo aconteceu ao contrário. O belaruso, se defendendo, deu uns murros no agressor russo. Até que polícia helvética chegou. 

O russo tentou se esconder no comboio/trem, mas o arrastaram para fora. O que faz aquele que ia causar «derramamento de sangue» alguns minutos atrás? Ele comeu um «pedaço de merda». Apresentou a queixa à polícia, dizendo que foi vítima. Mas antes disso, tentou chantagear o casal, exigindo-lhes o pagamento de 10.000 francos «pelos danos sofridos», prometendo, que recebendo este valor, não iria apresentar a queixa. O belaruso, como antes, simplesmente permaneceu em silêncio e não reagiu. 

Na Internet os diversos «guerreiros de sofá» criticam o belaruso, dzem que ele era um corno, que presenciou alguém insultando a esposa e não fez nada. Gabriel, como cidadão suíço, conhece as leis do seu país. Se tivesse atacado o passageiro agressivo fisicamente, simplesmente após ouvir as os insultos e palavras muito desagradáveis ​​do pirralho do outro lado, perderia a razão. A polícia e o tribunal teriam bases para aceitar a queixa contra ele. Além disso, lutar na presença de uma criança é a coisa para evitar... Gabriel tentou acalmar a situação até o fim. Quando nada funcionou e o seu espaço físico foi violado, ele deu as tapas devidas (a criança já estava do outro lado da carruagem). Gabriel fez tudo dentro da lei. Afinal, sua esposa e seu filho estavam em perigo, e ele tinha o direito à legítima defesa. Ele sabia que seria fácil de provar o sucedido, já que havia uma gravação de vídeo de uma câmera CCTV no vagão. Contenção, coragem, sabedoria e força. Um gatinho!

Por sua vez, o Serviço de Segurança do Estado da Letônia (VDD) abriu um processo criminal contra o cidadão letão Aleksandrs Vabiks, que atacou verbalmente a família ucraniana no comboio/trem na Suíça. O caso se deu em 13 de outubro de 2025.

O processo foi aberto com base no Artigo 78, parágrafo 3, do Código Penal da Letónia, nomeadamente por «cometer atos que visam incitar a inimizade nacional e étnica e o ódio contra ucranianos, se isso estiver associado a violência e ameaças».

Também existem notícias, que Vabiks, na realidade um símples cozinheiro no aeroporto de Berna (residindo na Suíça com a residência do tipo «B») já foi demitido do seu emprego.

A imprensa/mídia letã encontrou Vabiks no registro de inadimplentes com pensão alimentícia. Ele foi identificado por conhecidos e várias pessoas nas redes sociais, que disseram que ele também os havia atacado após ouvir falar em ucraniano. O agressor tem histórico de agressões às mulheres ucranianas com filhos, ou seja, os alvos mais vulneráveis, informa The Insider.

Mais um caso prático em que um representante do chamado «mundo russo» mostra o comportamento bizarro e a cara feia do neofascismo russo, sem nenhuma razão, para esta postura não civilizada e criminosa numa Europa, que começa, lentamente, perceber o perigo russo.

domingo, junho 16, 2024

Os resultados do primeiro dia da Cimeira da Paz na Suíça

A cimeira abriu e atraiu um grande número de participantes, incluindo líderes mundiais e representantes de organizações internacionais. Isto pode, sem dúvida, ser considerado uma vitória para a diplomacia ucraniana, que, desde o início da guerra, estendeu-se não só ao Ocidente, mas também aos países do Sul Global, cuja influência no mundo moderno está a aumentar constantemente. 

A cimeira é uma vitória sobre a propaganda russa, que não conseguiu impedir os países de expressarem a sua posição sobre as políticas revanchistas do Kremlin. 

No contexto da crise da ONU e de outras estruturas internacionais, que perderam efectivamente a sua influência nos processos globais desde o início da guerra contra a Ucrânia, tal reunião tem um grande significado positivo. 

Este é um diálogo entre líderes de países de vários continentes, destacando a sua compreensão da fragilidade e interligação da paz global. 

Há uma possibilidade de que autarquias ao estilo de putin não tenham sucesso no cenário mundial. Ultimatos e exigências de cessão de territórios ricos serão vistos como manifestações de um pensamento abertamente feudal, moralmente ultrapassado e inaceitável no século XXI. 

Na verdade, a reunião na Suíça transformou-se numa discussão aberta sobre as realidades modernas das relações internacionais e as perspectivas da comunidade internacional face ao ressurgimento das ideologias imperiais, do neocolonialismo e da propaganda generalizada demonstrada por regimes como o de putin. 

Devido à agressão russa contra Ucrânia, muitos países já não se sentem seguros e estão preocupados com a perspectiva de a guerra se espalhar. 

Há uma compreensão crescente no mundo de que a rússia não pode parar na Ucrânia e já está a tomar medidas ameaçadoras para desestabilizar a situação económica e sócio-política nos países ocidentais. 

Os países do Sul Global compreendem de forma única o que significa estar no foco dos interesses russos. A pressão sobre a vida política, a pilhagem flagrante dos recursos nacionais sob o disfarce de empresas militares privadas, o incitamento a grupos terroristas contra populações pacíficas e a destruição de estruturas da sociedade civil são as marcas do neocolonialismo russo, cujo peso total a Ucrânia suporta actualmente. 

Foi Ucrânia, que luta contra a agressão russa há três anos, que iniciou uma conversa aberta sobre a pressão das autarquias sobre a ordem mundial e as formas de as neutralizar. Isto dá esperança de que muitos conflitos locais e regionais, que têm atormentado o Sul Global durante décadas, também se tornarão temas de discussão e resolução. 

O mundo moderno não deve basear-se em ultimatos, mas na estrita adesão aos princípios do direito internacional, da boa vizinhança e do respeito mútuo. É exactamente isto que Ucrânia pretende ao iniciar uma reunião global na Suíça.