sexta-feira, julho 03, 2026

Yaroslav Haivas: o ativista da OUN perseguido pelo KGB por 40 anos

Foto do Yaroslav Haivas e sua filha do arquivo do MGB-KGB

MGB-KGB soviético passou décadas a tentar aproximar-se ao Yaroslav Haivas (1912–2004). Em certa altura, era considerado, pelos soviéticos, como uma das figuras mais perigosas do movimento de libertação nacional da Ucrânia. 

Yaroslav Haias, década de 1950 (?)

No final, em 1982, o seu processo foi arquivado, KGB foi obrigado a admitir que era impossível recrutá-lo. Infelizmente, hoje, o seu nome não está devidamente lembrado, mesmo por aqueles, que se interessam pela história ucraniana. 

Quando jovem, juntou-se ao movimento escuteiro ucraniano, Plast, posteriormente à Organização Militar Ucraniana (UVO) e, em seguida, à OUN. Foi um bancário nas instituições ucranianas de crédito na 2ª república polaca, nos meados da década de 1930. Foi preso e encarcerado pelos polacos, liderou os serviços de informação, foi adjunto de Roman Shukhevych no Comité de Autodefesa, durante a II G.M., chefiou o grupo expedicionário da OUN para o leste da Ucrânia e, durante o período mais difícil de 1944-1945, serviu como líder da OUN-M.

Em documentos do KGB desclassificados, os chekistas escreveram sobre ele:

«Pessoas como ele não podiam ser recrutadas, nem persuadidas a abandonar as suas atividades antissoviéticas.»

Informação confidencial sobre Haivas, processo do KGB, 1952

Em 1944, foi procurado pela Gestapo. Yaroslav escapou-lhes saltando de uma janela. A sua mulher e a sua mãe foram enviadas para um campo de concentração pelos nazis, e duas crianças pequenas tiveram de ser resgatadas secretamente. Alguns meses depois, os ativistas ucranianos conseguiram a libertação das duas mulheres, e a família voltou a reunir-se.

Após o fim da II G.M., a luta ucraniana não terminou. O KGB tentou infiltrar-se no seu círculo íntimo durante décadas. Recrutou agentes, criou operações especiais, tentou usar os seus conhecidos e familiares, escreveu artigos difamatórios e procurou até a mais pequena prova comprometedora.

A sua cunhada, Daria Andrianovych-Sytnytska, era agente do MGB,
«Pravdyva» (Verdadeira), vivia em Lviv, faleceu antes de julho de 1952   

Mas, de cada vez, deparava-se com um problema: Haivas tinha uma vasta experiência em trabalho clandestino, inteligência e contra-informação. Sabia ver o perigo onde outros poderiam não o notar.

Mais tarde, Yaroslav Haivas tornou-se secretário executivo do Comité do Congresso Ucraniano da América (UKKA), editou os jornais ucranianos «Svoboda» e «Shlyakh Peremohy» (Caminho da Vitória), escreveu livros e continuou a trabalhar pela causa ucraniana no mundo.

Memórias do Yaroslav Haivas: «Liberdade não tem preço»,
publicadas nos EUA em 1972, PDF, DjVu, 312 pág, ucraniano

Em 1982, o seu processo no KGB foi encerrado. Após décadas de vigilância, os serviços secretos soviéticos admitiram, efectivamente, a sua derrota. Por vezes, a grandeza de uma pessoa é melhor demonstrada não pelas suas condecorações, mas pelos documentos do inimigo. A história de Yaroslav Haivas é exatamente um desses casos.

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