sábado, maio 16, 2026

As virulências da propaganda russa: o caso Krzysztof Flaczek

Um bom e claro exemplo de como, na prática, funciona a propaganda russa, mentindo e desmentindo à si própria, criando e recriando os «fatos», mudando constantemente as narrativas, se enrolando nas suas próprias versões de mentiras. 

Agosto de 2025: «ex-mercenário polaco é voluntário do batalhão russo» 

Em agosto de 2025, a agência estatal russa de notícias «RIA Novosti» noticiou e depois até publicou a entrevista com o cidadão polaco Krzysztof Josef Flaczek (1978). Alegava-se que Flaczek era voluntário polaco que em 2024 se juntou à Legião Internacional das FAU, defendeu Ucrânia na região de Luhansk. Em novembro de 2024 se perdeu e foi capturado pelos militares russos (as versões da sua captura/deserção diferem) ou então, se entregou, voluntariamente, ao exército russo. Após a sua captura, o homem alegadamente se juntou-se à unidade russa «batalhão Maxim Krivonos», uma unidade semi-virtual e puramente propagandista, que alegadamente agrega ex-militares ucranianos que trairam o seu juramento e manifestaram o desejo de lutar contra Ucrânia. 

Oito meses depois, e sem mais nem menos, os separatistas de Luhansk informaram, com a maior normalidade, que Krzysztof Flaczek, é afinal, um «mercenário polaco» e foi condenado em Luhansk ocupada aos há 13 anos de prisão maior.

Abril de 2026: «mercenário é condenado aos 13 anos da cadeia pesada»

Ninguém diz nada nem sobre o alegadamente «heróico» e realmente invisível «batalhão Maxim Krivonos», nem o que foi feito ao Krzysztof Flaczek nestes oito meses, nem qual foi a razão da propaganda russa mudar a narrativa sobre o caso de forma tão dramaticamente oposta. 

Mais um caso que só poderá ser plenamente desevendado após Ucrânia conseguir a libertação do POW. De qualquer maneira, os militares ucranianos e os estrangeiros que defendem Ucrânia são instruídos numa coisa: no caso da sua captura eles são livres de entregar toda a informação e dizer tudo, que é exigido pelos seus captores russos. À semelhança dos exércitos Ocidentias ou de Israel, o objetivo das FAU é a sobrevivência dos seus efetivos. Ninguém pede aos militares das FAU para serem heróis e nenhum militar é castigado posteriormente, por repetir aquilo que os ocupantes russos exigiram de dizer.

Fonte: TG @kazansky2017  

Uma boa alternativa russa


Já os militares russos, indoctrinados pela propaganda russa, sob o medo irracional das «crueldades ucranianas», são encorrajados, quer pela igreja ortodoxa russa IOR, quer pela propaganda estatal, quer pelo seu comando militar à não se entregar às FAU. Como neste vídeo em que um soldado russo, primeiro, aplica um torniquete na perna ferida, mas desiste rapidamente, para logo à seguida, apontar uma espingarda/rifle à sua própria cabeça e realizar o procedimento de autodesnazificação, também conhecido como «o beijo do putin».

Fonte: TG @kazansky2017

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