sábado, junho 27, 2026

Instituto Polaco da Memória Nacional na tentativa de demonizar a OUN

Há alguns dias que o Instituto Polaco da Memória Nacional (IPN) tem vindo a conduzir uma campanha de informação que tenta demonizar os «pais-fundadores» do nacionalismo ucraniano. Nas redes sociais são publicadas ilustrações com textos que visam comprovar a natureza supostamente «genocida» das ações da UPA. No entanto, tudo é feito de uma forma surpreendentemente primitiva, escreve o historiador ucraniano Volodymyr Viatrovych.

Estão a tentar encontrar as raízes do «genocídio» na obra de Dmytro Dontsov, mas não encontraram nele uma única citação anti-polaca. Porque, na verdade, não existe nenhuma. Dontsov era um polonófilo, trabalhou e publicou a sua obra legalmente na Polónia nas décadas de 1920 e 1930, e a sua principal obra, «Nacionalismo», foi publicada na Polónia em 1926, numa editora religiosa «Missioner», em Zhovkva [na atual região ucraniana de Lviv].

A citação de Stepan Bandera também não resultou. Eis o que lemos no site polaco do IPN: “A nossa ideia, tal como a entendemos, é tão grandiosa que, quando se trata da sua implementação, para a alcançar, é necessário sacrificar não centenas, mas milhões de vítimas”, disse um dos líderes nacionalistas ucranianos, Stepan Bandera, perante o tribunal em Lviv, em 1936. Estas palavras foram um aviso sombrio do genocídio cometido pelos seus apoiantes apenas sete anos depois”.

Na verdade, Bandera falava sobre a disponibilidade dos ucranianos para sacrificar as suas próprias vidas em nome da liberdade. Referia-se aos seus companheiros da OUN, que foram presos e executados pelas autoridades polacas. A citação completa é a seguinte: “As pessoas que estão constantemente conscientes, no seu trabalho, de que podem perder a vida a qualquer minuto, estaspessoas, mais do que ninguém, sabem valorizar a vida. Conhecem o seu valor. A OUN valoriza muito a vida dos seus membros, mas a nossa ideia é tão grandiosa na nossa compreensão que, quando se tratada sua implementação, não algumas, não centenas, mas milhões de vítimas devem ser sacrificadas para a concretizar.”

Quando a história é substituída por propaganda primitiva, conduzida por uma instituição estatal, e a memória das vítimas é substituída por um culto pseudo-religioso, a sociedade perde a capacidade de avaliar criticamente não só o passado, mas também o presente. Já vimos isso no exemplo dos nossos vizinhos de leste, escreveu Dr. Viatrovych.

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