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| Funerais das vítimas do pogrom de Kielce, 8 de julho de 1946 © PAP/Jerzy Baranowski |
Completa-se hoje o 80º aniversário do pogrom judaico, que ocorreu na cidade polaca/polonesa de Kielce, aos 4 de julho de 1946. Este e vários outros maiores pogroms contra
os judeus na Europa pós-guerra ocorreram apenas na Polónia comunista. Kielce viveu um pogrom clássico, o termo russo, que entrou para todos os dicionários do mundo. Do pogrom de agosto de 1945 em Cracóvia ao mais sangrento em Kielce, o cenário
era sempre o mesmo, os rumores espalhados entre a populaça, baseados no libelo de sangue contra os judeus: «Um menino cristão foi morto por judeus para fins ritualísticos». A Igreja
Católica na Polónia, com o seu antissemitismo inerente, desempenhou o papel mais que sinistro na construção do contexto para esta terrível tragédia. O pogrom em Kielce foi o mais sinistro
precisamente porque um pequeno grupo de sobreviventes judeus do Holocausto se instalou numa casa, onde foram encurralados e assassinados metodicamente, durante horas. Foram mortos não só por polacos comuns, residentes
na cidade, mas também com a participação direta do exército e da polícia polaca (as autoridades polacas chegaram prender 34 militares e oficiais do exército e das forças desegurança e 6 polícias). A Igreja Católica Polaca, representada pelo bispo local Czesław Kaczmarek, de forma singular para a Igreja, apoiou passivamente estes assassinatos e NUNCA os condenou.
Naquele momento histórico a Igreja Católica polaca estava totalmente alinhada com o governo estalinista do Bolesław Bierut no seu ódio aos judeus, sob o lema não pronunciado, mas largamente sentido naquele mesmo
pogrom «vamos terminar o trabalho de Hitler». Apoio estatal total à tragédia. Esta série de pogroms causou um êxodo
em massa de sobreviventes judeus da Polónia em poucos meses. O antigo diretor do Instituto Polaco da Memória Nacional, o atual presidente Karol Nawrocki, deveria estar hoje em Kielce, no 80º aniversário
da tragédia. Levando consigo o primaz Wojciech Polak, para que se ajoelhasse em frente daquela casa e rezasse. Se tivesse a coragem de honrar a memória dos judeus mortos nos
pogroms polacos do pós-guerra.
Pelo menos foi isso que o seu chefe político Kaczynski e o seu antecessor Duda
fizeram. Hoje, exatamente no 80º aniversário da tragédia.
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| A placa memorial em Kielce «em memória dos 42 judeus assassinados» |
Em resultado dos julgamentos pós-pogrom, que se prolongaram até dezembro de 1946, nove pessoas foram condenadas à morte, três a prisão perpétua e outras dez
a sete anos de prisão. As sentenças subsequentes foram muito mais brandas, e dos altos funcionários da polícia e da segurança, apenas três foram julgados, sendo que somente o comandante
do departamento de polícia provincial, Coronel Kuznytsky, foi condenado a um ano de prisão.
No decorrer do pogrom de Kielce morreram mais de 40 pessoas (37/42 judeus, 3 polacos e 35 pessoas ficaram feridos; o número de vítimas nos povoados vizinhos e na linha ferroviária
/ ferrovia não pôde ser determinado com precisão). Pensa-se que este pogrom terá sido o catalisador para a emigração em massa de judeus polacos para a Palestina e à partir de 1948 para o recém-criado Israel, e
de cerca de meio milhão de judeus, que sobreviveram o Holocausto nazi no final da década de 1950, restaram não mais de 30.000 na República Popular da Polónia.
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