PERGUNTA: Então, você, enquanto artista, aderiu ao movimento formalista na arte?
RESPOSTA: Sim, como artista, aderi ao movimento formalista reaccionário.
PERGUNTA: Explique o que é o movimento formalista nas belas-artes e qual a sua essência contrarrevolucionária?
RESPOSTA: Posso estar a ser um pouco vago na minha definição, mas entendo que a essência do movimento formalista nas belas-artes é que se opõe ao realismo socialista e apresenta nas belas-artes conteúdos e formas alheias à realidade soviética, inspirando-se em artistas fascistas ocidentais como Braque e outros. Gostaria de informar a investigação que o movimento formalista nas belas-artes foi subdividido em vários movimentos mais pequenos, como o Futurismo, o Cubofuturismo, o Suprematismo e o grupo Ost.
(…)
PERGUNTA: Diga-me, que obras específicas pintou com distorções contrarrevolucionárias?
RESPOSTA: Pintei várias obras com distorções contra-revolucionárias, como «O paraquedista», «A corça», «O desempregado em Riga», «A menina em kolkhoze» e «A paisagem do kolkhoze» [infelizmente, por enquanto, não foi possível achar as imagens dos dois últimos quadros na Internet, possivelmente foram apreendidos e/ou destruídos pelo NKVD].
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| Quadro «Descida do paraquedista», 1932 |
PERGUNTA: Qual é a essência das suas pinturas com distorções contrarrevolucionárias?
RESPOSTA: Não consigo dizer em pormenor qual é a essência contra-revolucionária de todas as pinturas, por exemplo, a pintura «A menina em kolkhoze». Em vez de retratar uma vida alegre, próspera e feliz numa quinta coletiva, pintei uma realidade difícil, triste e melancólica da quinta coletiva, como no quadro «A menina em kolkhoze». Havia distorções contrarrevolucionárias da mesma ordem noutras pinturas.
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| Quadro «A corça na neve», 1931-32 |
PERGUNTA: Então pintou quadros com distorções contra-revolucionárias enquanto cumpria as tarefas de uma organização nacionalista contra-revolucionária?
RESPOSTA: Sim, admito que, sob as instruções de uma organização nacionalista contrarrevolucionária, realizei trabalhos artísticos com distorções contrarrevolucionárias.
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| Quadro «A menina com a toalha», 1937 |
Do protocolo do último interrogatório de Aleksandrs Rūdolfs Drēviņš pelo oficial operacional do 3º departamento da UNKVD, Danilkov, em 21 de janeiro de 1938 / a ortografia, a pontuação e os sublinhados do original foram preservados /
A 11 de fevereiro de 1938, Aleksandrs Rūdolfs Drēviņš foi condenado à pena capital e fuzilado a 26 de fevereiro de 1938. Tinha apenas 49 anos. Foi sepultado numa vala comum e anónima no polígono de Butovo nos arredores de Moscovo. O seu corpo nunca foi entregue à família. Vários quadros seus sobreviveram somente, porque a sua esposa, a pintora vanguardista russa, Nadezhda Udaltsova, os escondeu no seu próprio estúdio, declarando as como uma obra sua. O artista foi judicialmente reabilitado em 1957 «devido à ausência de crime». Pela primeira vez após a sua morte, os quadros foram mostrados ao público em 1959, em Riga. A sua primeira exposição individual ocorreu apenas em 1971, em Moscovo. Em 2022, um tribunal russo se recusou à devolver os quadros do pintor à sua neta e legítima herdeira...




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