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domingo, setembro 02, 2018

Síria: a noite de bombardeamentos desconhecidos

Na noite de 1 à 2 de setembro a aviação desconhecida (possivelmente israelita) bombardeou o aeroporto militar al-Mezzeh nos subúrbios de Damasco e a base militar em al-Kaswa na província de Damasco. Os bombardeamentos visavam as forças xiitas iranianas, cujas baixas, em dois locais, totalizaram cerca de 100 pessoas.

Em resultado do bombardeamento do aeroporto foi destruído armazém de munição e armamento, operado pelas guardas revolucionárias iranianas e pelas forças irregulares xiitas, se fala em mais de 70 militantes mortos. A versão oficial síria, divulgada pela agência SANA foi um bocado previsível: “não houve agressão israelita no aeroporto de al-Mezzeh e a explosão ouvida em Damasco se deu devido à explosão no depósito de munição perto de aeroporto, que foi causada pelo curto-circuito”.
No entanto, as fotos mostram uso dos sistemas da defesa aérea síria. Possivelmente dentro de alguns poderá surgir a versão de que “apesar de que a explosão se deveu ao curto-circuito, a heróica defesa aérea da Síria abateu x aviões israelitas e y Tomohawk americanos”. Pelo menos não se deve ficar espantado se/quando isso acontecer.
Outro ponto atingido pela aviação desconhecida foi a base militar na cidade de al-Kaswa, também usada pelos iranianos, as baixas totalizaram cerca de 35 militantes.

Como escreve o blogueiro militarista russo el-murid, aparecem os sinais de abrandamento ou mesmo de cancelamento do assalto militar sírio (forças iranianas, sírias e russas), contra Idlib. O grupo al-Kuds e uma parte dos mercenários iranianos se retiraram da zona e voltaram ao deserto. Possivelmente a Turquia e os EUA em conjunto (apesar da retórica pública devido às disputas comerciais) conseguiram obrigar Damasco à recuar na sua decisão de solução militar do problema de Idlib.
A situação em Idlib nos finais de agosto de 2018
Também surgem as informações não confirmadas sobre os curtos-circuitos em alguns outros locais militares sírios, em que foram mortos e feridos altos quadros iranianos e sírios. Alegadamente, um dos feridos é irmão do Bashar al-Assad – Maher.

Blogueiro: os leitores assíduos do sputnik gostam de citar este ou aquele general iraniano que sistematicamente promete “aniquilar” Israel ou até “dar lição” aos EUA. No entanto, quando as coisas chegam às vias de facto, sempre surge o mesmo discurso: “foi um curto-circuto totalmente inesperado; estávamos cansados e momentaneamente despreparados; na próxima provocação é que certamente os vamos aniquilar de uma forma muito decisivamente firme”)

quinta-feira, agosto 09, 2018

Ucrânia: mísseis S-300V-1 na parada militar do dia da Independência

No dia 24 de agosto, o centro de Kyiv receberá a parada militar ucraniana. Neste ano Ucrânia demonstrará a modernização nacional do sistema bastante efetivo de defesa antiaérea S-300V-1 (aqueles tambores grandes, transportadas pelas lançadoras com lagartas).
As empresas do complexo industrial militar da Ucrânia conseguiram recuperar não apenas os sistemas de lançamento, mas os próprios mísseis (vamos revelar um segredo – até recentemente os mísseis estavam armazenados algures, num estado bastante inoperacional).
Ler mais
A sua importância reside no facto de possuir a capacidade de se sobrepor aos mísseis de cruzeiro táticos do tipo Iskander e mísseis de cruzeiro Kalibr, estes últimos foram bastante promovidos na campanha das RP no decorrer da intervenção russa na Síria.
A informação exata sobre a quantidade, tipo de mísseis e os locais do seu posicionamento é segredo do estado. Um dos maiores do exército ucraniano, ao par de criação de novos mísseis Vilkha e Neptun. Mais pormenores em breve...

Ver vídeo:

Memórias...
Foto @Facebook Olena Monova
Ucrânia, cidade de Kyiv, avenida central Khreshatyk, 24/08/2014...
No dia 24 de agosto de 2018 e pela primeira vez desde sempre, o slogan Glória à Ucrânia, será o lema oficial das FA da Ucrânia.
Glória à Ucrânia!

terça-feira, julho 31, 2018

Os terroristas russos nas cadeias de Donbas: «empurrados, sanita abaixo»

O nosso blogue já contou vários casos dos terroristas russos presos nas cadeias da Ucrânia. Situação absolutamente normal e bastante lógica. No entanto, cerca de meio milhar de terroristas russos, estão presos nas cadeias dos separatistas de Donbas. Tendência bastante interessante para apreciar e estudar.

por: Georgiy Alexandrov, Novaya Gazeta (Rússia), versão curta.    

O terrorista russo Alexey veio ao Donbas no verão de 2014. Desmobilizado do exército russo, endoutrinado pela TV russa, queria defender o “mundo russo” contra os “fascistas”. Serviu em vários grupos armados ilegais, em 2015, ele e mais dois russos foram detidos pela secreta separatista – “mgb” da dita «dnr».

«Espancaram apenas durante a detenção, — conta Alexey. — Ao colega que tentou exigir os “direitos”, deram tiro na palma da mão […] Acusações eram habituais — porte ilegal de armas, apropriação ilegal dos bens alheios […] No primeiro dia propuseram “resolver tudo amigavelmente” — por 100.000 rublos (1.602 dólares americanos) […] meses depois o preço subiu ao 1 milhão de rublos (16.200 dólares). Dizem que agora “resolução amigável” custa em Donetsk à partir de 50.000 dólares.

[…] Com ajuda dos familiares, o terrorista russo consegui reunir 800.000 rublos (12.840 dólares) […] mas ai os separatistas apresentaram mais uma exigência:

“Antes de libertação devo confessar, gravado de vídeo, todos os meus crimes, incluindo aqueles sobre os quais não gostaria de contar. Foi avisado, qualquer tentativa de exigir “os direitos” – gravação será colocada na Internet e será a base do processo judicial contra mim na Rússia. […] Um sapador me contou que foi liberto na condição de “lavar [seus crimes] com o sangue. […] A sua unidade de punição, afinal era EMP “grupo Vagner” na Síria”.

As consequências do terrorismo

O número exato dos cidadãos russos detidos em “dnr” é desconhecido. Segundo os dados “oficiais” dos separatistas, em 4 anos de conflito eles prenderam mais de 480 russos. Alguns deles foram acusados em … espionagem ao favor da Rússia (!) Neste momento nas cadeias separatistas ainda estão cerca de 150 russos, o destino dos restantes é desconhecido.

«Segundo as leis internacionais, qualquer militante pode ser considerado criminoso, — conta um dos “oficiais” da dita “dnr”. — Desde primavera à outono de 2014 vivíamos no caos total, os comandantes do campo levavam para si e para as suas unidades quaisquer viatura ou outros bens. Os “comandantes dos batalhões” colhiam as propinas em todas as empresas comerciais no território sob o seu controlo — desde quiosques aos salões de beleza, desde minas às fábricas metalúrgicas”. […]

O propagandista russo Roman Manekin, que veio em Donetsk em março de 2014 e desde aí foi raptado por duas vezes, conta que desde outono de 2017 tive a lista de 300 cidadãos russos, presos nas cadeias, controladas pelos separatistas de Donbas. […]

«Empurrados, sanita abaixo»

A “legislação” da dita “dnr” é uma mistura do Código penal da Ucrânia e do CP russo, com uso de algumas normas do CP da Ucrânia Soviética da década de 1960.

Segundo o “decreto” assinado pelo fuhrer dos separatistas de Donetsk, Olexander Zakharchanko, qualquer cidadão pode ser detido por 30 dias. Alguns estão presos há anos, sem apresentação de qualquer acusação. Além de colónias oficias (pertencentes antes de ocupação russo-terrorista) ao Ministério da Justiça da Ucrânia, os separatistas possuem várias cadeias não oficiais, chamadas popularmente de “caves” ou “buracos”.

[…] O russo Vladimir Ustyancev (nom de guerre «Zhuk», literalmente besouro), veio ao Donbas da Sibéria em 2014, comandava a 6ª subunidade do bando ilegal armado “brigada Prizrak”, chegando ao posto de “comandante militar” da cidade de Torez. O terrorista foi condenado, pelos separatistas, aos 21 anos da cadeia do regime severo “sem direito de apelação” (!), por apropriação de viaturas e apartamentos.

[…] Uma fonte na “união dos voluntários de Donbas” (estrutura terrorista russa que enviou ao combates do leste da Ucrânia mais de 10.000 cidadãos russos) diz que até hoje cerca de 500 russos estão nas cadeias da dita “dnr”.

«As autoridades russas não fazem nada para a libertação dos seus cidadãos, — explica o interlocutor. — Eles estão fora da lei. Logo que eles passaram a fronteira [ucraniana], eles simplesmente foram empurrados sanita abaixo».

Rússia não quer saber deles

Os familiares dos terroristas russos escrevem ao Ministério dos Negócios Estrangeiros / das Relações Exteriores russo, suplicando pela ajuda. Em resposta, recebem a explicação de que, caso um cidadão russo for detido na Ucrânia, Rússia lhe daria assistência consular. No caso da dita “dnr” isso já não é possível. Os separatistas respondem aos familiares russos que estes deveriam se dirigir à Comissão de Minsk da resolução do conflito.

As “autoridades” da dita “dnr” recebem uma ordem [russa] não declarada para manter lá o maior número possível dos terroristas russos. Até aplicando às penas perpétuas. Eles devem apodrecer no Donbas, ou, então, visitando “grupo Vagner”, desaparecer silenciosamente na Síria.

As duas histórias elucidativas do terrorista russo e da separatista ucraniana, ambos adeptos do «mundo russo», que foram raptados pelos separatistas de Donbas.

Conta o terrorista russo Vitaly Chernyshev:

[…] Em 2015 o edifício da nossa fundação foi visitado pela [secreta terrorista] MGB. Se apropriaram de vários camiões/caminhões de alimentos, roupas, medicamentos […] levaram os bens no valor de 3 milhões de dólares. Eu fui acusado de espionar ao favor da Rússia. […] Me espancavam, colocaram uma sacola plástica na cabeça, amarravam as mãos atrás das costas (famosa tortura soviética “andorinha”), quebraram as costelas, esmagaram os dedos na perna, partiram os dentes com a coronha da pistola, causaram o traumatismo craniano. […]

A separatista Lyudmila Chaykivska (concubina do Vitaly Chernyshev) por duas vezes foi raptada pelos separatistas de Donbas:

[…] No dia 6 de fevereiro de 2015 […] no mercado central [de Donetsk] levaram os [nossos] bens no valor de alguns centenas de milhares de rublos […] era unidade do [comandante do campo] “Chempion” (Campeão), pertencente ao “ministério da defesa da dita “dnr”.

Me algemaram numa sala com piscina. Fiquei lá por mais de um mês. Estava muito frio. Era levada à casa de banho / ao banheiro duas vezes por dia. Prometiam me separar dos meus filhos para sempre. Éramos içados com as mãos atrás das costas (a famosa forma de tortura medieval chamada cavalete). Os sequestradores estavam interessados em uma questão: “Onde está o dinheiro?” Supostamente, eu deveria receber um grande valor em dinheiro. Na realidade era cerca de 100 mil rublos (1.602 dólares). Mas nas fantasias dos sequestradores, os rublos se transformavam em euros, depois a soma aumentou aos dois milhões.

[…] A separatista soube que estava grávida, apresentou uma declaração médica aos seus sequestradores, mesmo assim foi proibida de receber as roupas quentes e acabou por abortar. Confessou os seus crimes (um dos iniciais era a “espionagem ao favor da Rússia”), foi libertada em novembro de 2016 e se refugiou na Rússia, pedindo o asilo. Recebeu a recusa oficial, pois, como lhe explicaram, a sua vida não corria o perigo na dita “dnr”.

Blogueiro: os apoiantes brasileiros dos terroristas russos (e dos estrangeiros), costumam acusar o nosso blogue de ser “politicamente motivado” (embora não por palavras tão elaboradas), quando chamamos os terroristas brasileiros de terroristas. No entanto, eis a prova provada, os piores russos são condenados pelos piores ucranianos às penas de prisão de até 21 anos e possivelmente até as penas perpétuas. Alguma coisa isso significa e não deve ser coisa boa por parte dos terroristas.

Bónus

Chegou a informação nova sobre dois terroristas mortos na Síria (ambos mercenários da EMP russa “grupo Vagner”), ambos liquidados na famosa limpeza da área em Deir ez-Zor, efetuada pelas forças americanas em 7/02/2018.
Terrorista do "grupo Vagner", cidadão ucraniano Pyotr (Petró) V. Poberezhniy "Umka"
Um dos abatidos é cidadão ucraniano Pyotr (Petró) V. Poberezhniy “Umka”, nascido em 15.10.1976 na cidade de Brianka da região de Luhansk; separatista de Donbas. Outro é cidadão da Armênia, Gevorg Grachyan, participou nas atividades terroristas na Donbas; nascido em 11/11/1980.
Terrorista do "grupo Vagner", cidadão arménio Gevorg Grachyan
God bless America!

terça-feira, julho 17, 2018

Drone sírio Forpost que afinal é um VANT israelita Searcher-2

No dia 10 (ou 11-12) de julho, próximo dos montes Golan, cerca de 10 km dentro do seu território, o Israel abateu o drone sírio. Que afinal era um drone russo Forpost. Ou seja, VANT israelita Searcher-2, cada unidade de qual custa cerca de 6 milhões de dólares.

Pecunia non olet, diziam os romanos, se referindo originalmente ao pagamento pelo uso das suas latrinas públicas (o aparelho caiu dentro do território sírio, dai junto às fotos aparecem paramilitares de sabe-se qual formação)...

sexta-feira, julho 06, 2018

Oficial russo pede clemência por participar na guerra contra Ucrânia

O oficial russo da unidade militar № 32010, Oleg Leontyev, acusado na morte de um recruta, pediu a clemência ao juiz do tribunal militar para poder continuar o serviço, e ir combater na Síria, tal como no passado recente fez na guerra contra Ucrânia.

Isso permitira trazer algum benefício ao Estado. Eu já participei num desses eventos, única coisa, isso aconteceu no território de um país adjacente, onde nós, por assim dizer, não estávamos”, – disse o acusado na sua última palavra, testemunhada e gravada pela Fundação Direito da Mãe, a ONG que representa os interesses da família do soldado morto.

A confissão do oficial, provavelmente é o primeiro caso (feito no tribunal e protocolizado) em que um militar russo no serviço activo confirma a sua participação nos combates no território da Ucrânia.

O recruta de Bryansk, Ilya Gorbunov (1998), morreu em 6 de fevereiro de 2017. Segundo os investigadores russos, o soldado que não estava habilitado à dirigir os equipamentos militares, recebeu a ordem de guiar o blindado, com sistema de travões/freios danificado. O tanque por ele guiado se despistou da ponte gelada e caiu numa ravina, o soldado russo morreu afogado. O seu comandante imediato, Oleg Leontyev, foi acusado de abuso de autoridade, ato que acarretou graves consequências.
O soldado russo morto
É de notar que os militares russos apresentaram aos familiares do malogrado as 4 (Sic!) versões diferentes da morte do soldado. Ao do afogamento era a quarta e última. Após o seu corpo ser entregue à família, foi verificado que este apresentava numerosos hematomas, a cabeça estava muito machucada, tinha marcas nas mãos, como se fossem de cordas. Seu lábio inferior, seu rosto estava completamente quebrado, conta a irmã Maria.

Sabe-se que em Dezembro de 2016 Ilya Gornunov queria vender a sua quota do apartamento (no valor 1.500.000 rublos, cerca de 23.805 dólares). O soldado e mais três colegas foram acusados na conivência do desaparecimento de 68.000 rublos (1.079 dólares) e foram lhe exigidos 17.000 rublos (269,5 dólares), em forma de pagamento desta dívida “solidária”.  

Duas semanas antes da morte de Ilya, um outro soldado raso, seu amigo, foi morto. Alegadamente, ficou envenenado com o gás. Na altura, a procuradoria militar russa nem sequer abriu o inquérito. Após a morte do Ilya Gornunov, os dois casos foram juntados no mesmo processo criminal.

Anualmente a Fundação “Direita da Mão” atende entre 3.000 à 7.000 famílias de militares russos mortos. Muitos casos duram por décadas. Por exemplo, um soldado foi morto em 1989, ainda no exército soviético, e até hoje o estado russo não indemnizou a sua mãe idosa [fonte].

O veredicto do tribunal foi conhecido hoje (dia 6 de Julho de 2018):

O tribunal militar de Naro-Fominsk, nesta sexta-feira, 6 de julho, divulgou o veredicto ao 1º tenente da unidade militar № 32010 Oleg Leontyev, no caso da morte do soldado-recruta Ilya Gorbunov. O juiz, por iniciativa própria, requalificou a acusação ao abrigo do Artigo 286 do Código Penal (abuso de autoridade, ato que acarretou graves consequências) ao Artigo 350 (violação das regras de uso do veículo de combate, que causou a morte de uma pessoa por negligência) e condenou o oficial aos “3 anos de prisão com a pena suspensa de 2 anos”.


O que significa que se nos próximos dois anos o oficial russo não cometer nenhum outro crime (do ponto de vista do Estado russo), ele estará livre e nunca passara pela cadeia. A Fundação “Direito da Mãe” já prometeu recorrer da decisão [fonte].

Bónus

Ivan Chonkin – Russische Gestapo

Ich bin arbeiten… ist arbeiten, arbeiten, ferchtein? – Capitão com as mãos tentou demonstrar algum trabalho, algo como cavar a horta, ou trabalhar com a lima. – Ich bin arbeiten... – Ele começou à pensar como identificar a sua instituição e de repente encontrou a equivalente inesperada: – Ich bin arbeiten in russische Gestapo. – Gestapo – o loiro franziu a testa, percebendo as palavras do entrevistado à sua maneira – kommunisten strelirt, bang-bang? – Ja, ja – voluntariamente confirmou capitão. Und kommunisten, und no partei und todos strelirt, bang-bang – fingindo disparar a pistola, o capitão abanava a sua mão direita. Então depois ele quis dizer aos interrogadores que ele tem uma grande experiência em lidar com os comunistas e que ele, capitão Milyaga, traria um certo benefício de instituições alemãs, mas não sabia como expressar um pensamento tão complexo. (A vida e as aventuras extraordinárias do soldado Ivan Chonkin):

quinta-feira, junho 28, 2018

A disputa pela compensação monetária do mercenário russo morto na Síria

Na Rússia decorreu a primeira disputa judicial sobre a compensação monetária que EMP russa grupo Vagner paga aos seus efetivos feridos e mortos. Os pais de um mercenário morto processaram a viúva que se recusava à partilhar o “bolo” com os sogros por estes “serem velhos e com pouco tempo de vida”, informa o serviço russo da rádio BBC.

O russo Andrei Litvinov vivia na província de Chelyabinsk, trabalhava como estivador-expeditor no supermercado local, depois como o guarda. No verão de 2017 foi para Síria, mas antes disso fez o curso de preparação na base da EMP “grupo Vagner” na localidade de Molkino, na região russa de Krasnodar.
Tanques T-72 no polígono de Molkino na região russa de Krasnodar. 18 de março de 2017
foto: Vitaly Timkiv / TASS / Vida Press
Os pais velhos não sabiam da sua decisão, a segunda esposa sabia e três vezes recebei o salário do marido: «Não tinha dívidas, não tinha créditos por pagar. Podia viver ao seu belo prazer. Mas queria construir um curral e comprar a viatura nova» — conta a mãe.
Mãe com retrato do filho
Andrei Litvinov e pelo menos outros cinco cidadãos russos morreram num único combate no dia 28 de setembro de 2017 nos arredores da cidade de Tais na província de Homs. O seu atestado de óbito diz: «carbonização do corpo». A «carga-200» chegou à Rússia em Outubro, na cidade de Rostov-on-Don a viúva e irmão receberam o caixão, as “medalhas” não oficiais (sem nenhum valor legal) e compensação pela morte do mercenário: 5 milhões de rublos, mais o salário e subsídio de enterro, no total equivalente aos cerca de 83.560,36 dólares americanos.
Atestado de óbito emitido pelo Consulado russo em Damasco
Cerca de 40 dias depois os pais velhos do mercenário abordaram a viúva, exigindo 1 milhão de rublos (cerca de 15.886,00 dólares): “para comprar uma viatura ao marido, construir a cerca, arranjar os nossos dentes e colocar o resto na conta da sua filha do primeiro casamento até a idade adulta”, explica  a mãe, Nadezhda Litvinova. Mas a viúva respondeu: “Vocês são velhos, não tem muito que viver, para que precisam de dinheiro”.

Mãe até se queixou telefonicamente ao “EMP Vagner”. Explicou que a nora ficou com todo o valor e disse aos velhos: “fuck you”.

Em abril de 2018, os pais de Litvinov entraram na justiça russa com uma ação judicial contra a nora – exigindo que os cinco milhões da EMP “grupo Vagner” sejam colocados no “bolo” geral da herança do mercenário, para ser partilhado entre todos os herdeiros. Esta é a primeira vez na história russa que um tribunal tinha que lidar com a “compensação paralela” – as autoridades russas simplesmente não reconhecem oficialmente a existência da EMP “grupo Vagner”.
O comandante da EMP "grupo Vagner" Dmitry Utkin no Kremlin
 
O Comissariado Militar de Chelyabinsk não tem dados
de como os russos param na Síria e como morrem lá...
Na secção do julgamento, que decorreu no dia 22 de junho, os pais do mercenário explicavam que o seu filho trabalhava para uma empresa militar privada (EMP) e combateu na Síria. O juiz pediu para confirmar essa alegação de forma documental e aconselhou aos velhos assistir menos a TV, dado ele próprio não encontrou no registo de entidades jurídicas russas nenhuma EMP “grupo Vagner”. A advogada da viúva explicou que Andrei Litvinov trabalhou na Síria na plantação, “na coleta de frutas e vegetais”, e que os cinco milhões de rublos é apenas um presente que não é obrigatório à compartilhar com outros herdeiros. O tribunal indeferiu a ação dos pais.
Dado que oficialmente a EMP grupo Vagner não existe na Rússia,
a procuradoria militar não investiga a morte dos seus combatentes
Bem, você mesmo acredita que ele foi lá para coletar fruta?” – novamente interferiu a mãe do mercenário falecido. “Considero que sim”, respondeu a advogada. — As pessoas viajam para outros países e mesmo para a África, podem ir ao qualquer país para ganhar dinheiro. Uma pessoa física ou jurídica ofereceu à ela [viúva] este dinheiro. Não é necessariamente por causa de uma morte qualquer”.
Cartoon soviético de 1987. O burocrata ao veterano soviético do Afeganistão:
"Eu não mandei você para lá..."
No fim da secção, após a sua ação for indeferida, os pais do mercenário falecido saíram à vazia rua central que se estende por toda a sua localidade: “chegará a hora, e o governo reconhece que nossos meninos estavam lá e eram verdadeiros patriotas”, diz Nadezhda Litvinova na despedida...

Blogueiro: neste momento não existe a informação sobre a possível participação do Andrei V. Litvinov (07.01.1976 – 28.09.2017) nas atividades terroristas russas no leste da Ucrânia.

domingo, junho 24, 2018

Síria: Irão e Rússia se desentendem, EUA e Israel atuam

Enquanto o mundo está se entretido com a bola, na Síria decorrem os processos, interessantíssimos em todos os aspetos. Os EUA e Israel funcionam como uma espécie de exterminador implacável, enquanto Irão e Rússia se desentendem profundamente.  

No dia 22 de junho nos arredores de Al-Tanf decorreu um combate direto entre o exército do regime sírio e militares americanos. Dois militares sírios foram abatidos, sem baixas à registar do lado americano.
Os americanos publicaram oficialmente a sua exigência de parar quaisquer ações militares na zona sul de desescalonamento. Assad apostou tudo no assalto contra a cidade de Daraa, mas a Rússia não pretende participar nisso, pelo menos até o fim do Campeonato / da Copa, e assim, os sírios estão tentados à usarem as forças da EGRI, situação absolutamente intolerável por parte dos EUA e principalmente pelo Israel.

Mas antes disso, vamos recuar até 15-16 de junho...

As lutas internas entre os militares do regime

Nos dias 15-16 de junho na cidade de Tartus decorreram os combates esporádicos entre a Guarda Republicana síria e Forças Tigre (Qawat Al-Nimr). Os desentendimentos (possivelmente em resultado do conflito interno das alas pró-russa e pró-iraniana das forças sírias), resultaram em 15 mortos e 10 feridos, entre os mortos o comandante da 4ª Divisão mecanizada do EAS major-general Ahmed Milad.
Major-general Ahmed Milad
As áreas sírias que ainda podem ser saqueadas encolheram drasticamente, consequentemente, as lutas entre vários bandos rivais ficam severamente endurecidas. Nem se sabe como se pode controlar toda essa situação...

Os arredores de Daraa: 16/06

Os aviões “desconhecidos” atacaram as forças do regime sírio ao norte da Daraa. Nas vésperas, a coligação/coalização anti-Assad emitiu um comunicado avisando Damasco contra quaisquer ações militares na zona de desescalonamento em Daraa. Hezbollah ficou indignado, a cidade de Daraa está na sua zona de interesses. Coligação/coalizão e Israel estão decididos, caso os proxies iranianos avançarem, serão alvos da sua defesa ativa, isso é, aniquilados com auxílio da artilharia e aviação.
Irão não quer deixar as zonas da Síria sob o seu controlo (toda a parte ocidental e parcialmente a central). Os proxies iranianos se recusam abandonar os locais sob o seu controlo, já foram registados os conflitos entre eles e a polícia militar russa, até agora sem as contabilizar as vítimas mortais.

Abu Camal: 18/06

O regime sírio mandou para a Daraa cerca de 50 blindados e cerca de 30 canhões autopropulsados Msta-S, pertencentes às Forças Tigre. Aviação russa se recusou à participar na operação e Damasco optou por “esperteza militar”: as unidades de Hezbollah e proxies iranianos vestiram uniformes do exército regular do regime sírio.
Na resposta, na área de Abu Camal os aviões “desconhecidos” (possivelmente da Força Aérea de Israel) efetuaram os ataques em larga escala contra os mercenários xiitas, militares sírios e proxies iranianos: se fala entre 38 à algumas centenas de mortos. No vídeo divulgado pelos próprios xiitas se pode ver a destruição maciça e dezenas de crateras profundas.
Bashar al-Assad se arrisca ao máximo. Colocando no sul da Síria, numa pequena área, quase todas as suas forças capazes, no caso de um ataque maciço da coligação/coalizão e/ou da aviação israelita/israelense, a escala de perdas pode ser catastrófica.

Limpeza étnicalight

O coordenador regional da ONU na questão da crise síria, Panos Mumtsis, disse recentemente em Genebra que desde início de 2018 (dados dos primeiro semestre) foi registada a deslocação de 920.000 cidadãos sírios, que de facto, se tornaram refugiados. É a maior taxa desde o início da guerra em 2011. Espera-se que no futuro próximo os deslocados internos se tornem outros 2,5 milhões de pessoas, além dos 4,5 milhões atuais.
Bashar al-Assad executa a política de deportação em massa de cidadãos “desleais” das zonas de ocupação do Irão e da Rússia aos territórios ocupados pela Turquia e pelos Estados Unidos. A maioria dos moradores locais é levada para o Idlib. Seu lugar é gradualmente ocupado por imigrantes de outros países, principalmente xiitas. Acreditando nas estatísticas da ONU, no futuro próximo Assad pretende expulsar do “seu” território cerca de 10% da população síria pré-guerra. Sem contar com 4,5 milhões de sírios que já se tornaram refugiados desde 2011.

Quer o regime do Damasco, quer o Irão estão interessados em mudança populacional do país e na criação de um “cinturão xiita”: deportando e expulsando os sunitas sírios, os substituindo pelos iranianos e xiitas de toda a região. Ao longo prazo é a maneira mais realista de controlar e defender o território sírio leal ao atual regime de Damasco.

No decorrer da guerra atual, Irão e o seu mentor, Qasem Soleimani, tentam “queimar” e dispersar a população marginal e mais desfavorecida iraniana e xiita (a tática muito semelhante usada pela Rússia na guerra russo-ucraniana em curso). Naturalmente, o território precisa de ser conquistado e desprovido da população local.

O Daesh/EI, tentou ao máximo se opor à essa estratégia iraniana, concentrando-se em causar os danos máximos às forças xiitas, mas mesmo as perdas dez vezes superiores nas fileiras xiitas se mostraram insuficiente para parar o seu avanço.

Naturalmente, quer Israel, quer outros países da região estão preocupados com expansão iraniana/xiita. Por um lago, ninguém quer chegar à uma guerra convencional às suas portas, por outro lado ninguém quer permitir a vitória iraniana. Como tal, podemos esperar o uso de força cada vez mais brutalmente persuasiva por parte dos EUA e do Israel, para parar EGRI e Soleimani. 

Conflito Irão – Rússia: “Putin é um canalha burlador”
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No fim do maio de 2018, o Ministro dos Negócios Estrangeiros / das Relações Exteriores russo, Sergey Lavrov, disse que “todos os exércitos estrangeiros devem sair da Síria”. Irão, percebendo muito bem que Moscovo falava do Hezbollah e dos proxies iranianos, respondeu que Rússia interfere cada vez mais ativamente nos assuntos internos da Síria e se as suas ações prejudicarão os interesses do Irão, o Teerão, terá que responder.
O jornal iraniano reformista (!) Ghanoon Daily chama Putin de "canalha burlador"
(edição de 3/06/2018)
Naturalmente Irão não quer saber dos interesses sírios, a sua reação dura foi a resposta às medidas do Kremlin para aniquilar a ala pró-iraniana do regime do Assad e transformá-lo em um fantoche exclusivo do Kremlin. Consequentemente, o Irão não gostou da medida.

Daraa: 19-20/06
Os duelos da artilharia entre as forças pró e anti-Damasco
Começou a operação terrestre. O Exército Livre de Síria e as forças do Assas trocaram o fogo de artilharia. Os proxies iranianos não abandonam a região, aviação e infantaria russa se recusou à participar na operação. As forças de Damasco sofreram primeiras baixas significativas em resultado de já citados duelos de artilharia.
Em Daraa, a situação é agravada pelo facto de que no flanco leste do grupo em avanço está a zona de zona de desescalonamento de Al-Tanf, onde está concentrada a oposição síria moderada e as forças de coligação/coalizão. Houve pelo menos dois episódios, em que as forças americanas da zona atingiram alvos dentro do território sírio, usando sistemas HIMARS. O que naturalmente pode ser repetido mais vezes.

Daraa: 22-21/06

Mais uma vez as aeronaves “desconhecidas” atacaram uma coluna de mercenário pró-Assad nas proximidades da zona de desescalonamento de Al-Tanf. Desta vez, provavelmente, atacou a coligação/coalizão – os xiitas foram informados sobre a proibição dos movimentos de quaisquer unidades armadas dentro da zona de exclusão de 30 km ao redor da zona proibida. Aparentemente, as formações iranianas, como sempre, ignoraram a ameaça, pelo que imediatamente pagaram um preço.
As forças russas continuam à recusar se envolver na operação em Daraa, as forças anti-Assad lançaram cerca de 600 mísseis de sistemas de fogo simultâneo do tipo “Grad”, atingindo a inteira divisão anti-aérea síria, aniquilando quase a totalidade dos seus equipamentos e pessoal. Baixas diárias entre a infantaria pró-Damasco chegam aos 50 combatentes mortos.

Daesh/EI continua ser ativo no deserto, atacando as comunicações e infra-estrutura, se engajando na tradicional guerra de guerrilha.

A oposição moderada síria recebeu dos EUA um número significativo de mísseis manpad portáteis “Stinger” da 2ª geração, capazes de atingir alvos nas altitudes de até 8.000 metros. O facto que desencoraja a participação da aviação russa nestes eventos – existe uma probabilidade bastante alta de perder um avião ou um helicóptero.

Aumenta cada vez mais a possibilidade de os EUA usarem a força definitiva contra o regime sírio. O sul da Síria claramente está em crise e a crise terá que ser resolvida. A guerra da Síria continua no seu 7º ano consecutivo...

segunda-feira, junho 11, 2018

Abatidos em massa: os separatistas e terroristas pró-russos liquidados na Síria

Chegou a informação em bloco sobre uma série de separatistas do leste da Ucrânia e dos terroristas pró-russos, que serviram de carne de canhão aos interesses do “mundo russo” na Donbas e depois na Síria. Morreram num único dia e receberam as “medalhas” não oficiais da EMP “grupo Vagner”.
O mercenário Antipov e separatista Godunov foram sepultados lado ao lado
Muitos destes mercenários são nativos da Ucrânia (mais um sérvio e um moldavo), parte deles participou nas atividades terroristas no leste da Ucrânia. No dia 9 de junho de 2017, na Síria, aparentemente, se deu um incidente grave que resultou na morte dos 5 mercenários pró-russos. As sepulturas de vários deles aparentemente estão localizadas no cemitério na cidade russa de Rostov-no-Don. Como é possível ver na foto em cima, algumas destas sepulturas estão alinhadas umas ao lado de outras.

Nasceu em 18.05.1971 na cidade de Donetsk, separatista, desde 2014 estava engajado nas atividades ilegais armadas no leste da Ucrânia, operador do blindado, participou no assalto do aeroporto de Donetsk (DAP). Numa data ora desconhecida assinou o contrato com a empresa militar privada (EMP) russa “grupo Vagner”, foi liquidado na Síria em 09/06/2017.

Antipov Evgen Yurievich
Nasceu em 11.06.1986 na cidade de Odessa, foi procurado pela sua participação nos motins em Odessa em 2 de Maio de 2014, desde aquela data estava em parte incerta. Numa data ora desconhecida assinou o contrato com a empresa militar privada (EMP) russa “grupo Vagner”, foi liquidado na Síria em 09/06/17. Não há dados sobre a sua participação nas atividades terroristas na Donbas.

Nasceu em 01.09.1995, na cidade de Kharkiv, numa data ora desconhecida assinou o contrato com a empresa militar privada (EMP) russa “grupo Vagner”, foi liquidado na Síria em 09/06/17. Não há dados sobre a sua participação nas atividades terroristas na Donbas.

Nasceu em 30.08.1985, em Moldova, na cidade de Dubăsari, após o serviço militar trabalhou como dançarino e administrador de boates noturnos, depois como “mágico”. Mais tarde viajou para o Cáucaso, onde se converteu ao Islão, desde 2014 tornou-se um membro ativo das formações ilegais armadas (nomeadamente o bando “Pyatnashka”, usando o nom de guerre “Adam” (Adão)), nas ditas repúblicas populares de Donetsk e Lugansk. Numa data ora desconhecida assinou o contrato com a empresa militar privada (EMP) russa “grupo Vagner”, foi liquidado na Síria em 09/06/17.

Dimitrije Sasha Karan (Јојић)
Nasceu em 05.11.1992, na Sérvia, na cidade de Novi Sad, ex-membro de claque de apoio / torcida organizada de hooligans sérvios da extrema-direita “Firma 1989”, participou nas atividades terroristas no leste da Ucrânia. Numa data ora desconhecida assinou o contrato com a empresa militar privada (EMP) russa “grupo Vagner”, foi liquidado na Síria em 09/06/17.

Armyanovsky Sergey Nikolaevich
Nasceu em 03.05.1984, na cidade de Donetsk, separatista, participou nas atividades ilegais armadas no leste da Ucrânia (usando o nom de guerre “Korol” (Rei)). Numa data ora desconhecida assinou o contrato com a empresa militar privada (EMP) russa “grupo Vagner”, foi liquidado na Síria em 02/06/17 (ou seja, 4 dias antes de outros 5 mercenários listados anteriormente).