terça-feira, outubro 16, 2018

Igreja Ortodoxa Russa: entre capitulação, negação e censura

Apesar das declarações recentes da IOR sobre a “total rotura das relações com Constantinopla”, na prática essa “rotura total” será efetuada em forma do fim da “comunhão eucarística”, ou seja, o clero e os fiéis da IOR são proibidos de efetuar a comunhão nos templos da Igreja Ecuménica Ortodoxa. Última proibição semelhante, imposta pela IOR em relação à Estónia, durou cerca de 6 meses... 

Além disso, vocês podem não acreditar, mas é verdade, no texto completo da decisão do Sínodo da IOR de rompimento das relações com Constantinopla, o Deus não foi mencionado uma única vez! (e apenas Jesus Cristo por duas vezes). Apenas a história de disputas entre as duas igrejas, na sua versão moscovita. Que transformaram a fé um negócio lucrativo e estão lutando, com unhas de dentes, pelo direito prioritário de receber as mais-valias das paróquias ucranianas. Paralelamente, implementando a decisão do Conselho de Segurança Nacional da Rússia sobre o seu auto-isolamento.

Naturalmente, no meio do caminho, IOR ataca e maltrata aqueles que são mais fracos e são incapazes de se defender.

No dia 13 de outubro o patriarca da IOR, Ciril, visitou Belarus, para participar no Sínodo da IOR. Na primeira tarde da sua visita, ele realizou o serviço religioso na Catedral do Espírito Santo em Minsk/Mensk. Entre os padres da Igreja Ortodoxa da Belarus (IOB) que foram autorizados a assistir o serviço, estava o sacerdote Alexander (Aliaxander) Shramko, clérigo da paróquia de São Miguel de Minsk.

O padre usa ativamente o Facebook. Nesse dia, ele colocou no seu perfil as fotos do luxuoso Mercedes Benz blindado com a matrícula/placa de registo 0002, usado pelo Ciril na sua chegou à Catedral do Espírito Santo:
Fonte: facebook.com/alexander.shramko 
Além disso, Alexander Shramko tirou as fotos dos guardas que cercavam permanentemente o patriarca dentro e fora do templo, mesmo no decorrer do serviço religioso:

Fonte: facebook.com/alexander.shramko
Padre Alexander também criticou o chefe da IOR por ignorar os crentes na entrada da catedral. “Eles vieram e ficarão na rua a tarde toda, contentando-se com a transmissão na tela. <...> Por que era preciso chegar de carro até aos portões da catedral e, saindo da viatura, nem sequer virar a cabeça? Será que realmente é tão difícil ... caminhar algumas dezenas de passos, acolhendo e abençoando o povo?” — escreveu o padre no Facebook, qualificando que o comportamento do patriarca russo como “desprezo demonstrativo”.

No dia seguinte os guardas do patriarca russo, disseram ao padre belaruso que ele fotografou o patriarca, rebaixou o prestígio deste (Sic!), que Ciril não gosta disso. Pediram inicialmente para não tirar mais fotografias, ao que padre concordou. Mais tarde, Alexander Shramko foi chamado até o Metropolita de Minsk e o chefe da IOB, Pavel que o informou: “Você está proibido de servir à partir de hoje”, — padre Shramko contou à página belarusa tut.by.

Segundo Alexander Shramko, a principal reclamação dos serviçais do patriarca Ciril eram as fotografias da matrícula da viatura do chefe da IOR e dos seus guardas. O padre belaruso foi acusado pela contraparte russa de “desonrar todos, desonrar Belarus, a igreja e o patriarca”, contou padre ao serviço belaruso da Rádio Liberdade.

No dia 14 de outubro, o padre Alexander recebeu a proibição verbal de servir à sua igreja. Em 16 de outubro, ele recebeu o decreto, por escrito, sobre a sua dispensa do posto de clérigo da paróquia São Miguel de Minsk. O documento declara que ele está proibido de servir, de usar a cruz sacerdotal e de abençoar os crentes. Essa decisão é justificada, em particular, pela “violação do juramento sacerdotal, perjúrio e publicação sistemática na imprensa/mídia de mensagens que difamam a Igreja Ortodoxa e semeiam hostilidade e ódio nos corações das pessoas”.
Fonte: facebook.com/alexander.shramko
A proibição será válida por um ano, após o que a Diocese de Minsk considerará a sua retomada ao ministério, isso é, no “caso se arrepender, mudar da sua atitude... provavelmente, isso significa que devo parar de escrever, parar de me expressar”, — disse Alexander Shramko ao Euroradio.
Padre Alexander Shramko
O poeta e editor belaruso Dmytro Strotsev lançou a recolha de assinaturas para a abolição da proibição do ministério para Alexander Shramko. Em carta escrita pelo poeta à Diocese de Minsk, afirma-se que o Padre Alexandre iniciou na sua paróquia a realização de cultos na língua belarusa. O próprio padre Shramko postou no Facebook os números de suas carteiras eletrónicas – caso alguém queira lhe dar apoio financeiro – e disse que aceita ofertas de qualquer trabalho.

E por fim, uma anedota:
Secretamente venerado como deus pela Igreja Ortodoxa Russa, o ditador comunista Estaline...
— Amigos americanos, digam, por favor, como nos, os russos, podemos vencer a pobreza?
Economy. Just economy.
— Muito agradecidos! Vamos usar bastantes ícones.

Fukuyama: as identidades e a política do ressentimento

“Identidades: a exigência de dignidade e a política do ressentimento”, de Francis Fukuyama, chega às bancas em Portugal no dia 16 de outubro, pela editora D. Quixote
O influente cientista político Francis Fukuyama explica como as reivindicações identitárias afetam as sociedades democráticas. Pré-publicamos um capítulo de “Identidades”, o seu novo livro.

Depois de em 2014 ter defendido que as instituições norte-americanas e mundiais estavam em decadência devido a um Estado cada vez mais refém de grupos de interesse poderosos, o cientista político Francis Fukuyama vê agora essa previsão tornar-se realidade com a subida ao poder de políticos anti-sistema, com tendências autoritárias e de nacionalismo económico. Quatro anos depois, o autor norte-americano lança “Identidades: a exigência de dignidade e a política do ressentimento”, um livro que retrata a forma como as exigências de identidade e a lógica do politicamente correto norteiam muito daquilo que se passa na atualidade política internacional. O Observador pré-publica um dos capítulos do livro, com o título “Da identidade às identidades”.
Foto: GettyImages/Observador
Francis Fukuyama, autor, cientista político e economista norte-americano, é uma voz influente na análise política internacional e ganhou notoriedade com o livro “The End of History and the Last Man”, lançado em 1992, onde defendia que a proliferação das democracias liberais e do mercado livre do ocidente era um ponto final na evolução sociocultural da Humanidade. Integrou o Departamento de Política Social da RAND Corporation e o staff de Planeamento de Políticas do Departamento de Estado dos Estados Unidos. Foi professor na Johns Hopkins University e na George Mason University e fez ainda parte do Conselho de Bioética do Presidente dos Estados Unidos entre 2001 e 2004.

segunda-feira, outubro 15, 2018

A verdade sobre comunismo e sobre Holodomor na Ucrânia

https://maxim-nm.livejournal.com/446485.html
O tema histórico que tentam evitar todos os fãs da URSS e das ideologias de esquerda é Holodomor (Grande Fome) na Ucrânia, planeada, organizada e executada por poder central soviético. A fome absolutamente catastrófica decorreu em 1932-33, mas Ucrânia também foi atingida pelas suas ondas menores em 1921-23 e 1946-47. A historiografia oficial soviética mal assinalava estes acontecimentos, a cultura popular soviética, que servia de propaganda do regime, criava diversas obras literárias e cinematográficas, tentando demonstrar a falsa abundância, numa terra profundamente sofrida pela fome, uma acção deliberada do regime comunista soviético.
Slogan: "Avançando ao ataque contra as dificuldade, contra oportunismo da direita"
Hoje eu quero vós falar sobre o Holodomor ucraniano. Parafraseando o epigrafo no monumento em memória do operários polacos da resistência anticomunista de Gdansk: “Aos mortos – como sinal de memória eterna. Aos dirigentes – como sinal de aviso, aos concidadãos – como sinal de esperança de que o mal possa ser derrotado”.

O que é Holodomor?

O Holodomor é o termo usado para descrever a fome em massa de grandes proporções, que ocorreu na Ucrânia, ocupada pelas forças bolcheviques, em 1932-33 e que causou milhões de vítimas civis. A palavra ucraniana Holodomor está incluída em todas as línguas do mundo e não é traduzida, por analogia com a palavra Holocausto. Temos que recordar que, além do mais terrível e conhecido Holodomor de 1932-33, Ucrânia foi atingida por duas outras fomes menores – em 1921-23 e em 1946-47.
O Holodomor foi provocado pelas chamadas “aquisições de grãos” – quando as forças paramilitares soviéticas retiravam, à força, os grãos e mesmo diversos outros alimentos dos camponeses, para enviá-las às cidades e até vendê-las nos mercados ocidentais – com este dinheiro, os poder comunista soviético financiava a sua industrialização, construindo as fábricas civis e militares, fabricando as armas que fornecia aos partidos e depois aos regimes amigos para “libertar o mundo da opressão capitalista”. Os planos estatais de aquisições de grãos eram absolutamente irrealistas e desde logo condenavam os camponeses à fome.

De acordo com os dados da enciclopédia “Britannica”, Holodomor ucraniano de 1932-33 provocou a morte entre 4 à 5 milhões de ucranianos.

Repressões aos insubmissos

O que causou o Holodomor? Na historiografia oficial soviética, como as razões principais da fome em massa na Ucrânia eram apontadas as acções do Comissariado Popular da Agricultura e da liderança de alguns kolkhozes e sovkhozes (fazendas socialistas colectivas), cuja liderança, segundo a propaganda soviética foi “infestada de elementos aleatórios e destruidores”.
Como em geral na União Soviética, culpados sempre são elementos “aleatórios e destruidores”, embora não houvesse nada de “acidental” nas acções estatais – o Holodomor durou cerca de dois anos, e as autoridades soviéticas não poderiam ter ignorado os acontecimentos no terreno. A tese do “desconhecimento” é facilmente derrubada pela existência dos cercos deliberados de várias aldeias famintas, acção efetuada pelas tropas do NKVD, do ministério do interior e dos exército soviéticos, que levavam à morte dos camponeses ucranianos, confinados à estes mesmas zonas de bloqueio.

A causa real do Holodomor foi o massacre bolchevique do campesinato ucraniano insubmisso – os ucranianos se recusavam aderir aos kolkhozes e não desejavam viver de acordo com as leis bolcheviques, por isso o poder comunista da União Soviética decidiu a sua aniquilação pela fome. A mesma coisa, mas em menor escala, ocorreu na própria Rússia e no Cazaquistão, bem como em outras repúblicas da URSS – nas aldeias cercadas pelo exército ou pelo NKVD, os camponeses morriam de fome, os mesmos camponeses que teriam a força moral de dizer ao governo soviético que este poder não é nada popular, e representa a exploração muito pior do que o czarismo russo.

«Tabelas negras» e canibalismo

As aldeias ucranianas mais afectadas pelo Holodomor foram as que não cumpriram com o “plano” de aquisição de grãos – geralmente simplesmente impraticável. Estas aldeias eram colocadas em assim chamadas “tabelas negras” (listas de “não-cumpridores”) – a aldeia era alvo de bloqueio completo por parte do NKVD ou do exército, para lá eram enviados os esquadrões de punição que, entre outras coisas, praticavam a tomada de reféns.
Nós, filhos e filhas do século XXI, nem sequer temos a capacidade intelectual de imaginar o que estava acontecendo nas aldeias bloqueadas e cercadas pelo Exército Vermelho – as famílias inteiras morriam, todas as folhas das árvores tinham sido comidas, nestas aldeias não sobravam os animais domésticos e até mesmo os ratos. Pessoas, enlouquecidas pela fome, foram forçadas à praticar o canibalismo – matando os familiares ou as crianças, ou seus ou dos vizinhos, na esperança de os poderem comer.

Sobrevivente do Holodomor ucraniano, Marfa Tymchenko recorda:

Um vizinho da aldeia contou que uma vez trouxe a comida da cidade [onde a fome praticamente não era sentida] para os seus pais na aldeia, onde também vivia a sua irmã. Entrou na casa, e viu o seu pai e mais dois homens com ele, todos não barbeados, muito escuros. O fogo ardia no fogão, algo estava sendo cozido, ao seu lado, encoberto nos panos ensanguentados estava deitada alguma coisa embrulhada.

            Ele perguntou ao pai: “Onde está a mãe, a irmã?” O pai respondeu: “Já comemos a mãe, sobrou uma parte na panela e irmã acabamos de matar, está naqueles panos”. E um dos homens disse: “Teremos a carne fresca!”
   
São trechos do interrogatório de Vasil Mironovych, que tinha morto suas duas filhas, devido à fome intolerável:
 Em 1932, juntamente com a minha esposa e filho Zahariy, trabalhamos no kolkhoz durante os 400 dias úteis, não faltamos nenhum único dia, pelo que recebemos no outono cerca de 5 kg de milho e 4 kg de farinha, o que durou na minha família por 4-5 dias e para todo o inverno, fiquei sem meios de subsistência. Os filhos mais velhos saíram de casa, eu continuei a trabalhar no kolkhoz, pela que recebia uma vez por dia a comida quente – a sopa borsch de repolho e beterraba, sem pão.

No dia 4 de abril, eu matei a minha filha mais nova – Hrystia, que estava tão exausta que não conseguia mais ficar de pé... O seu corpo, só ossos, eu esquartejei e cozinhei, os comi em dois dias. Eu também dei a carne para comer a minha filha mais velha, Nastya, e no dia 6 de abril, às 5h00 da manhã, eu matei a Nastya. Eu pensei que com isso iria me fortalecer, Nastya mesmo assim, teria morrido de exaustão em um ou dois dias...

Tanto a primeira, como a segunda, eu matei no sono, as tirei da cama, coloquei-as no chão batido de terra e cortei a cabeça com um único golpe de machado... As cabeças e os ossos cortei aos pedaços pequenos e enterrei.
   
Os militares soviéticos iam às casas dos camponeses ucranianos famintos lhes tirar os últimos alimentos, respondendo aos súplicas – “se teremos a pena de vocês, também ficaremos na vossa posição. E nos queremos viver”.

Nas décadas do domínio soviético que se seguiram, toda a memória do Holodomor foi deliberadamente apagada, nenhum livro soviético mencionava a plenitude da tragédia, o máximo que a censura soviética permitia era alguma menção dos “famintos tempos difíceis”, sempre sublinhando que “assim eram os tempos!” Nunca e ninguém mencionava o facto que a culpa não era dos tempos, mas do poder soviético.
O memorial às vítimas do Holodomor em Kyiv  – o monumento de menina sofrida e magra
O Holodomor na Ucrânia gerou um fenómeno terrível, que muitas pessoas hoje chamam de memória apagada – não sobrou literalmente nada e ninguém, nem uma única pessoa, das dezenas de aldeias ucranianas que se extinguiram por completo devido à fome. Ninguém sabe exatamente o que aconteceu ali – não sobrou mais ninguém que pudesse contar o que se passou. Possivelmente as coisas e situações muito mais terríveis aconteceram lá, do que aquelas que são relatadas pelos sobreviventes, devido as condições um pouco menos mortíferos, nos locais da sua própria residência na época.

Em 1933, após o levantamento de bloqueios, os corpos de camponeses ucranianos inchados de fome foram simplesmente retiradas, e novas pessoas, provenientes de outras regiões da URSS [nomeadamente Belarus e Rússia] se estabeleceram nestas aldeias “libertas”. Aos aqueles que não viam os horrores do Holodomor com os seus próprios olhos, era muito mais fácil abraçar a ideia abstracta de construção do comunismo.

Na Ucrânia actual, o Holodomor é considerado um genocídio, e o dia da memória de suas vítimas é recordado solenemente em 25 de Novembro. Em Kyiv, neste dia, os cidadãos acendem as velas, e muitos vêm até o memorial às vítimas do Holodomor – o monumento de menina sofrida e magra – e colocam aos seus pés as maçãs, espigas de trigo e galhos de viburnum, o símbolo da Ucrânia...

Fotos: arquivo | Texto: Maxim Mirovich (Belarus); Tradução a adaptação: Ucrânia em África

O texto serviu de base da intervenção pública da deputada da Assembleia Municipal de Lisboa, Dra. Aline Gallasch-Hall de Beuvink (eleita em outubro de 2017 pela coligação de CDS-PP, PPM e MPT), lida na Conferência internacional “Fomos mortos por sermos ucranianos” (Lisboa, 12 de outubro de 2018).   

domingo, outubro 14, 2018

Na linha da frente na Donbas morreu soldado ucraniana de apenas 19 anos

No dia 14 de outubro Ucrânia celebra solenemente o Dia do Defensor da Ucrânia. Apesar de um certo esquecimento por parte das elites da velha Europa, todos os dias as suas portas são defendidas por homens e mulheres do exército ucraniano.     
No dia 10 de outubro de 2018, a guerra russo-ucraniana ceifou a vida de mais uma defensora da Ucrânia, soldado da 92ª Brigada especial mecanizada da Forças Armadas da Ucrânia (FAU),  Olesya Baklanova de apenas 19 anos, que morreu na linha da frente nos arredores da mina de Butivka, na região de Donetsk, escreve a página ucraniana Novynarnia.

Ucraniana de origem étnica russa, Olesya nasceu em 1999 na região de Luhansk, era soldado voluntário sob contrato nas fileiras das FAU.
Foto: Facebook da Iryna Shuhaylo | ler mais
Olesya Baklanova morreu na linha da frente e no decorrer do seu dever, ela estava num posto de combate, quando foi atingida pelo fogo do franco-atirador inimigo. Neste local da linha da frente as posições ucranianas e das forças russo-separatistas estão separadas por distâncias de apenas cerca de 300 metros.

Um dos companheiros da Olesya, soldado Vychaslav, contou que ela assinou o contrato com FAU mal completou à sua maioridade legal, que na Ucrânia chega aos 18 anos. Queria estar na infantaria, não aceitou ficar na retaguarda mais segura. Passou pelos combates na defesa da vila de Mariinka.

No dia da sua morte, Olesya submeteu ao seu comando imediato o pedido da despensa temporária, ele precisava de se deslocar à Ucrânia livre, participar na corte avaliativa da sua Universidade...

Até o dia 11 de outubro, na linha da frente e no decorrer do seu dever militar morreram 6 defensores da Ucrânia.

A demissão do Ministro da Defesa

O Ministro da Defesa da Ucrânia, general Stepan Poltorak pediu a sua demissão do posto do Ministro, a demissão foi prontamente aceite pelo Presidente da Ucrânia Petró Poroshenko.
Foto: arquivo público
O general do exército Stepan Poltorak apresentou o pedido oficial correspondente e eu o aceitei – da sua demissão do serviço militar. Apreciando a contribuição significativa de Stepan Poltorak na revitalização das Forças Armadas da Ucrânia, sugeri que ele continue a liderar o departamento de defesa como ministro civil”, escreveu o chefe de Estado no seu Twitter.

Segundo a nova lei da Segurança Nacional da Ucrânia, à partir do dia 1 de janeiro de 2019 a posição do Ministro da Defesa terá que ocupar um civil.

Stepan Poltorak é ministro da Defesa da Ucrânia desde 14 de outubro de 2014. Em 2015 ele foi promovido ao general do exército. Na sua despedida Presidente Poroshenko condecorou o general Poltorak com a ordem militar Bohdan Khmelnitskiy do 1º grau, informa a página ucraniana Kharkiv Today.

Blogueiro: o Presidente Petró Poroshenko é um verdadeiro mestre do trolling no bom sentido da palavra. Não duvidamos que poderá ser eleito ao seu segundo mandato em 2019 ainda na 1ª volta / no 1º turno.

Os voos incrivelmente rasantes do Su-27UB ucraniano no Clear Sky 2018

Sukhoi Su-27UB (70 azul) da Força Aérea Ucraniana efetuou um dos voos mais incrivelmente rasantes, no decorrer dos exercícios militares Clear Sky 2018, (NATO/OTAN mais Ucrânia), na base aérea de Starokostiantyniv, no oeste da Ucrânia, informa Defence-blog.
Os pilotos da Força Aérea Ucraniana voam regularmente às baixas altitudes e recebem as notas mais altas nos eventos da aviação internacional.
Os exercícios militares Clear Sky 2018 destinam-se a aumentar o nível de interoperabilidade entre a Força Aérea da Ucrânia com as Forças Aéreas dos EUA e da NATO/OTAN, criar os elementos da gestão conjunta eficaz das operações no ar, elaborar os parâmetros de partilha de inteligência e das capacidades de vigilância, bem como treinar a defesa cibernética focada nas necessidades das forças aéreas.
“Este é o maior exercício nos últimos quatro anos. Envolve mais de cinquenta aeronaves de oito estados membros da OTAN e os nossos aviões da Força Aérea da Ucrânia. O objetivo dos exercícios é aumentar o nível de interoperabilidade de nossas aeronaves de combate com as forças aéreas dos Estados Unidos e de outros estados membros da Aliança”, disse o Presidente ucraniano, Petró Poroshenko, durante sua visita ao Centro Operacional Conjunto da Clear Sky 2018.
Petró Poroshenko também acrescentou: “[Apenas] cinco anos atrás os nossos aviões estavam enferrujando nas bases e pilotos tinham esquecido os céus. Mas hoje, vocês tiveram a oportunidade de ver as habilidades profissionais de nossos pilotos militares, que realizam tarefas difíceis em pé de igualdade com os seus colegas estrangeiros.
Os nossos aviões de ataque, os nossos caças, os nossos bombardeiros, estão em total coordenação com o centro de controlo/e, realizam missões de combate junto com o F-15, F-16 dos membros da NATO/OTAN e receberam as notas mais altas de nossos parceiros. Estamos orgulhosos dos guerreiros ucranianos”, acrescentou Petró Poroshenko.

sábado, outubro 13, 2018

A nova era: a Força Aérea americana em visita histórica à Ucrânia

Os caças americanos F-15C Eagle da 144ª Asa de Combate (Fighter Wing) efetuaram uma aparição histórica nos ceus da Ucrânia, para participar nos exercícios militares Clear Sky 2018, informa Defence-blog.
Clear Sky 2018, um dos maiores exercícios militares da Ucrânia começou em 8 de outubro de 2018, nas bases aéreas de Starokostiantyniv e Vinnytsya e continuará até o dia 19 de outubro.
A força aérea dos EUA se fez presente nestes exercícios com os caças F-15C Eagle da 144ª Asa de Combate, pertencentes à base aérea Fresno da Guarda Nacional de Califórnia, ao lado dos Su-27 e MiG-29 ucranianos.
Os exercícios militares Clear Sky estão focados em cenários de ar-terra, em que são treinadas as missões AI (Interdição Aérea) e CAS (Apoio Aéreo Próximo), bem como as operações de mobilidade aérea, evacuação médica, defesa cibernética e salvamento do pessoal.
O exercício promove a estabilidade e a segurança regionais, ao mesmo tempo melhora as capacidades dos parceiros (NATO/OTAN e Ucrânia) e fomenta a confiança mútua. O treino/treinamento conjunto melhora a interoperabilidade entre os países participantes.
A cooperação militar é como um grande barco em marcha, a equipa/e muda, mas o curso é praticamente o mesmo. Nós mantemos consistentes e desfrutamos de um consistente relacionamento de 25 anos com Ucrânia. Depois de 2014, nós aumentamos a velocidade no curso e agora estamos nos movendo mais rápido em direção aos nossos objetivos comuns, disse o coronel Robert Peters, o chefe do Escritório da Cooperação em Defesa.
“O nosso objetivo é trabalhar com ucranianos, respeitando o seu direito da escolha pró-Ocidente. Como parte disso, nós ajudámo-los a defender a sua soberania e integridade territoriais, através de nossos programas de defesa, frisou coronel Peters.


Forças ucranianas abatem na Donbas mais um drone russo “Orlan-10”

No leste da Ucrânia, na região de Lysychansk, nas proximidades da linha da frente, o helicóptero ucraniano Mi-24 detetou, perseguiu e abateu mais um drone russo “Orlan-10”, informa o serviço de imprensa da OFC.
O drone foi detetado através dos meios técnicos por volta das 8h09 de manha no dia 13 de outubro. Alvo, identificado como drone “Orlan-10”, usado pelas forças armadas russas, voava no espaço aéreo da Ucrânia, efetundo ações de espionagem na área entre as cidades ucranianas Lisichansk – Severodonetsk. A força aérea ucraniana foi colocada na prontidão combativa № 1 e comandante da Operação das Forças Conjuntas, tenente-general Serhiy Naev deu a ordem de uso do Mi-24.
Às 8h45 Mi-24 descolou da sua base, rapidamente alcançou o alvo e apesar de várias manobras de evasão do drone, às baixas atitudes, às 9h58 “Orlan-10” este foi abatido, nas proximidades da vila de Borovske. Já às 10h10 o alvo foi achado e identificado pelas unidades terrestres ucranianas.
O abate do drone russo é uma das consequências diretas dos treinos dos pilotos ucranianos dos Mi-24 em voos rasantes às baixas atitudes. Apesar disso, o inimigo não descansa, perdendo unicamente no dia 13 de outubro e na zona de Lysychansk dois (!) dos seus drones.

Voo de um par de helicópteros ucranianos Mi-8 MT na atual zona de OFC em baixas altitudes:

Glória à Ucrânia!

Blogueiro: o drone russo Orlan-10 é composto, quase exclusivamente, por peças ocidentais (americanas e europeias). Até o janeiro de 2018 as forças russas perderam, no mínimo, 9 unidades de “Orlan-10” nos céus de Donbas (3 caíram devido mal funcionamento interno e 6 foram abatidos pelas forças ucranianas). O preço de um complexo “civil” do “Orlan-10” (2 drones, uma estação de controlo terrestre, dispositivos de lançamento, kit de peças de reposição, software especial, cargas úteis intercambiáveis) é de cerca de 150.000 dólares (aos preços de 2013).

É possível que o drone, ora abatido, foi lançado diretamente à partir do território russo. Isto é indiretamente confirmado por representantes de grupos armados ilegais de Donbas. Assim, o “representante oficial da milícia popular” da dita “lnr”, Andrei Marochko, afirmou que a sua milícia não possui os drones em serviço.

A distância entre a cidade de Lysychansk até a fronteira da federação russa é de cerca de 100 km. “Orlan-10” possui o alcance máximo de voo até 120 km da sua estação de controlo. Ou seja, o aparelho realmente poderia ser lançado à partir do território russo. Se for assim, então é mais uma vitória das forças ucranianas!