sexta-feira, outubro 26, 2018

Realizador ucraniano Oleg Sentsov, preso na Rússia, vence Prémio Sakharov

Distinção é atribuída pelo Parlamento Europeu. Oleg Sentsov foi condenado à 20 anos de prisão por um tribunal russo. O Parlamento Europeu apoiou uma resolução sobre a libertação imediata do cineasta e outros 158 presos políticos ucranianos, escreve edição online portuguesa DN.pt
Oleg Sentsov no tribunal russo durante o seu julgamento | foto: Sergey Pivovarov/Reuters
O Prémio Sakharov de Direitos Humanos foi atribuído esta quinta-feira ao realizador ucraniano Oleg Sentsov. Oleg Gennadyevich Sentsov, natural da Crimeia, ficou internacionalmente conhecido pelo seu filme Gamer, de 2011. Após a anexação da Crimeia pela federação russa foi preso, em maio de 2014, na sua terra natal e condenado a 20 anos de prisão por um tribunal russo, sob a acusação de conspirar para a prática de atos terroristas. O cineasta e escritor tinha-se oposto à anexação.
As capas, russa e holandesa, do seu filme Gamer
A 14 de maio deste ano entrou em greve de fome, em protesto contra a prisão de 65 presos políticos ucranianos na Rússia.

A União Europeia e os Estados Unidos condenaram a detenção de Sentsov e apelaram à sua libertação, sem sucesso. Em junho deste ano, o Parlamento Europeu apoiou uma resolução sobre a libertação imediata do cineasta e outros 158 presos políticos ucranianos.
Uma das últimas imagens do Oleg Sentsov de dentro da prisão russa, agosto de 2018
Os realizadores de cinema europeus Agnieszka Holland, Ken Loach, Mike Leigh, e Pedro Almodóvar co-assinaram a 10 de Junho de 2014 uma carta da Academia de Cinema Europeu às autoridades russas, exigindo que as acusações contra Sentsov fossem retiradas, e as denúncias de tortura investigadas. O director de cinema iraniano Mohsen Makhmalbaf dedicou a sua aceitação do Prémio Robert Bresson 2015 do Festival de Cinema de Veneza a Sentsov, chamando a condenação de uma “grande injustiça”, e a sentença “um passo para intimidar toda a sociedade russa, especialmente os intelectuais e artistas”.
Um dos cartazes ucranianos à exigir a libertação do Oleg Sentsov
[...] O galardão será atribuído a 12 de dezembro, durante a sessão plenária do Parlamento Europeu. A oposição democrática na Venezuela foi a vencedora do Prémio Sakharov para a Liberdade de Pensamento em 2017.

quinta-feira, outubro 25, 2018

“A Revolução Silenciosa”: a resistência juvenil ao regime opressor comunista

O filme alemão “A Revolução Silenciosa” se passa na ex-RDA em 1956 e recria um facto real, em que os alunos alemães do secundário se revoltam, de forma pacífica e silenciosa, contra o opressivo regime comunista do seu país. Até hoje a história é silenciada pela mainstream mídia...
"A Revolução Silenciosa": nos anos 50, um punhado de alunos
de um liceu da RDA faz frente ao regime comunista

Em 1956, num liceu de uma cidade da RDA, ainda o Muro de Berlim não tinha sido construído, um grupo de alunos finalistas, emocionado e indignado com a repressão soviética do levantamento popular na Hungria, que seguiam indo ao cinema na RFA e ouvindo a rádio ocidental às escondidas, fez um minuto de silêncio por solidariedade numa aula.
O caso tomou proporções de delito de Estado e a maioria dos rapazes e moças da turma “prevaricadora” foram instados à delação, acusados de serem contra-revolucionários e depois expulsos, tendo fugido para a RFA para poderem acabar o liceu. A história é recriada pelo alemão Lars Kraume (“Fritz Bauer-Agenda Secreta”) em “A Revolução Silenciosa”, que evoca e celebra a coragem, a dignidade e a força de carácter desse punhado de adolescentes, retrata o cinzentismo comunista totalitário da ex-RDA e mostra as dolorosas e complexas divisões que a II Guerra Mundial e o retalhar do país em dois causou entre os alemães. 
Ler mais
O elenco juvenil é uniformemente impecável e Kraume fecha o filme com a foto da turma real (fonte).

A denúncia de um caso grave do “neofascismo ucraniano”


https://twitter.com/666_mancer/status/1054999019582316544
Vários propagandistas russos entraram recentemente em êxtase total, foi-lhes revelada uma rara imagem dos “neofascistas nazis ucranianos”, que celebravam o seu casamento com saudações “zieg heil”. Único problema que o casamento realmente foi celebrado na cidade russa de Novokuznetsk...
Monumento do Vladimir Lenine, na rua Lenine, em Novokuznetsk, na Rússia
Os propagandistas russos não queriam desarmar, tentando argumentar que os ucranianos são de tal maneira marvados que poderiam perfeitamente tirar a foto na coração da mãe-Rússia, só para chatear o bom povão antifaxista. Só que não foi, na foto real, os antifaxistas russos seguram a bandeira imperial russa. Os propagandistas russos simplesmente manipularam as cores, para essa parecer com a bandeira ucraniana.
A foto real, de uma colectânea da fotos russas, chamada "As fotos mais horrorosas de casamentos"

Caros leitores e amigos da Ucrânia, cada vez que vocês estão ouvir as histórias dos “neofascistas nazis ucranianos”, saibam, que em 99,99% dos casos estão perante um caso de fake news (que outros nem sequer sabem falsificar de uma forma minimamente credível), em restantes 0,01% dos casos estamos perante a obra dos neonazis russos ou pró-russos…
Mais um casal "antifascista", pousando num parque público, junto à um canhão soviético, que ostenta a estrela vermelha. Possivelmente algures no Cazaquistão, bem longe da Ucrânia. Fotos: timeshola.ru

quarta-feira, outubro 24, 2018

A campa russa do carrasco soviético

https://sapojnik.livejournal.com/2779969.html
Na cidade russa Rostov-on-Don está situada a campa do mais famosos carrasco do NKVD soviético, major-general Vasili Blokhin, cotado por fuzilar pessoalmente entre 35.000 à 50.000 prisioneiros, contando com os militares polacos/poloneses no decorrer do massacre de Katyn.
Aniversário da tragédia de Katyn
Futuro general fuzilou pessoalmente vários prisioneiros famosos, casos do marechal do RKKA Mikhail Tukhachevsky, comandante da 1ª categoria (general do exército) Iona Yakir, líderes comunistas ucranianos, casos do Vlas Chubar e Stanislav Kossior, proeminentes jornalistas, cientistas e escritores soviéticos, caso do Isaac Babel ou Vsevolod Meyerhold, entre outros. Em 1940 Blokhin comandava o assassinato em massa dos militares polacos na aldeia russa de Mednoe (a parte integrante do crime soviético conhecido genericamente como Massacre de Katyn). Pela sua participação no massacre de Katyn, Blokhin foi condecorado, em outubro de 1940, com a ordem militar “Bandeira Vermelha”.
As placas de trânsito: as paragens da esteira da morte
Como podemos ver na foto, a campa do carrasco está bem arranjada, os familiares e/ou fãs trazem as flores vivas. Povo russo ama e valoriza os seus heróis. Entre 35.000 à 50.000 disparos na nuca, usando “Walther” alemão. Não é para qualquer um...

No cemitério de Rostov-on-Don existe três grandes monumentos em memória de vítimas das repressões comunistas soviéticas. Mas debaixo dos monumentos não há campas...

No centro do cemitério está situado o famoso crematório Donskoy. Nas décadas de 1930-1940, durante o dia lá eram queimados, com pompa e circunstância, os bolcheviques famosos da “velha guarda”, falecidos das causas mais ou menos naturais. Nas noites, o mesmo crematório queimava os mesmos bolcheviques não menos famosos, mas que de alguma forma caíram na desgraça do regime e foram dispensadas e expulsas da elite estalinista. Muita gente fuzilada pelo Blokhin está neste mesmo local, neste mesmo cemitério, mas em forma de cinza. O chefe do crematório e a sua equipa/e, queimavam nas noites os corpos dos “inimigos do povo” para de manha, colocar as cinzas nas carrinhas de mão, as espalhando, um pouco aqui e um pouco ali, pelo enorme território do cemitério. Por isso as vítimas do comunismo estão realmente sepultados no cemitério Donskoy, só que não se sabe à onde concretamente.

Os fãs do comunismo naturalmente podem desculpar o carrasco, argumentando que este era apenas um funcionário do estado e executava as ordens superiores (embora este mesmo argumento não serviu aos nazis em Nuremberga). Mas, como podemos ver, o zé povão gosta genuinamente do homem, por isso lhe traz as flores. Como se diz, “tal país, tais heróis”…  

Texto e foto @ Sapojnik

terça-feira, outubro 23, 2018

União Soviética: o país dos sovacos não lavados

https://maxim-nm.livejournal.com/451897.html
Hoje falaremos sobre a higiene pessoal na União Soviética. Comparando com todos os países desenvolvidos da época (ocidentais ou não), a higiene pessoal dos cidadãos soviéticos era bastante deficiente — uma das principais razões foi a pobreza e miséria da sua vida quotidiana.
Cartaz soviético: "Não mete na boca os copos, colheres, garfos, beatas, etc., alheias"
Em muitas cidades, para não mencionar as pequenas vilas as casas não tinham água corrente, nem quente, nem fria. Até o início dos anos 1960 um banheiro em um apartamento era considerado um luxo (nos filmes soviéticos da época se dizia: “ele recebeu um apartamento individual com um banheiro privativo, pode imaginar?!!”), como alternativa existia a possibilidade de tomar banho nos banhos públicos, mas isso custava dinheiro e não podia ser feito diariamente. Pela norma, se usava a mesma camisa e até meias por várias dias, tomavam o banho uma vez por semana.

A imprensa/mídia soviética e o cinema nem sequer tocavam este problema, como se este não existisse. Até hoje, vários fãs da União Soviética seguem as regras da higiene soviética: “URSS, ao menos fazia os melhores mísseis!” – gritam eles, dissimulando o cheirete das meias/peúgas sujas. E sem perceber que está na hora de fazer a barba e trocar de camisa.

No país dos sovacos não lavados

Os soviéticos se lavavam raramente não porque eram uns “porcos”, mas porque nem todos tiveram essa oportunidade. Até o fim da era estalinista (até meados da década de 1950), a maioria dos cidadãos comuns vivia em barracas de operários e apartamentos comunais, os bons apartamentos individuais possuía apenas a elite soviética – ligada ao aparelho estatal ou partidário, cerca de 5-10% da população geral.
O que era a barraca ou apartamento comunal soviético? Apartamento comunal era o antigo grande apartamento “burguês”, que antes do golpe bolchevique de outubro de 1917 pertencia à uma família e após a vitória dos bolcheviques foi entregue aos vários inquilinos, onde uma família, ou um “camarada” importante ocupavam um quarto separado. As barracas eram diversas edificações mais ou menos primitivas, com um corredor e cozinha comum, por vezes com WC fora do edifício, sem água corrente nos quartos. Tudo isso nas cidades, pois nas aldeias, principalmente nas aldeias russas, a vida quotidiana pouco diferia das realidades do século XVIII.
As barracas onde habitavam os soviéticos (16 fotos)
Na década de 1960 na URSS surgiram em massa os apartamentos sociais, mas individuais do tipo “Khrushevka” – mas os seus apartamentos minúsculos nem sempre tinham os banheiros. Em pequenas cidades soviéticas existiam muitos apartamentos sem o banheiro, sem os sanitários, sem água corrente, e de todas as comodidades possuindo apenas o aquecimento central. Do lado de fora, o prédio podia parecer um prédio normal, mas o WC ficava na rua, e as pessoas tinham que tomar banho nos banhos públicos, que não era tão barato para ser feito diariamente.
Os komunalkas: a vida nos apartamentos comunais soviéticos (12 imagens)
Como resultado de tudo isso, os soviéticos tomavam banho bastante raramente, e muitas vezes vestiam as roupas sujas – em primeiro lugar, por causa da pobreza tinham pouca interior, em segundo lugar, lavagem da roupa manual era um evento que exigia algum tempo e esforço. Ainda na década de 1980, os passageiros do transporte público muitas vezes tinham os sovacos malcheirosos. Na década de 1950 isso até era a norma. Quase todas as pessoas no país dos “operários e camponeses” viviam assim.

Higiene na arte soviética

O problema da higiene era praticamente ignorado pelas autoridades soviéticas. Isto é, os cartazes propagandistas diziam que é preciso lavar as mãos antes de comer, mas o facto de as pessoas não tomavam o banho durante semanas também era considerado normal. O governo soviético simplesmente não conseguiu resolver o problema, assegurando a água canalizada quente em todas as casas, porque era necessário construir mísseis, combater no Afeganistão, preparar envenenadores secretos dos dissidentes no exterior – havia muitas coisas importantes, o bem-estar dos cidadãos soviéticos claramente ocupava um dos últimos, senão o último lugar.
Cartaz soviético: "Protegem das moscas a criança e os alimentos"
Os filmes soviéticos da década de 1950, como “Cossacos de Kuban”, mostravam um operador do trator no fim da sua jornada de trabalho com uma camisa branca engomada e uma boca sorridente de dentes brancos – ninguém perguntava onde ele lavava-se, penteava-se, engomava a camisa, escovava os dentes, se ao seu redor tinha apenas a merda estepe virgem?

No filme “A carreira de Dima Gorin”, o seu herói se muda ao Extremo Oriente soviético para trabalhar numa aldeia. Na aldeia não existem chuveiros, nem banheiros, mas após uma jornada o trabalho físico árduo na taiga, todas as moças tiveram seus cabelos arranjados, e os rapazes, depois de despir, exibem as roupa interior novinha e branqinha. Esse modo de vida era compreensível e não causava questionamentos num país onde todos tinham sovacos à feder, e também onde estava na ordem do dia de viver nas cidades durante os meses de verão sem água quente canalizada.

Gagarin, cosmos, tampões e papel higiénico

Até o início da década de 1990 a URSS não produzia os tampões / absorventes femininos em quantidades necessários. Era um tópico “não importante, vergonhoso”. As mulheres soviéticas deviam pensar na vitória do comunismo e não em comodidade das suas partes íntimas. As senhoras eram obrigadas usar tudo o tipo de meios improvisados ​​– gaze, ligaduras, algodão. As vezes era usada uma película de polietileno para evitar os vazamentos, ou então pedaços de pano, cortados em tiras e fervidos em água.
As maravilhas da odontologia soviética (9 fotos)
Até 1968 a União Soviética não produzia o papel higiénico propriamente dito. Em 1961, Gagarin foi ao espaço, e apenas 7 anos depois, os cidadãos soviéticos souberam, que, afinal, além dos foguetes e mísseis existem outras conquistas da civilização como o papel higiénico – antes disso, os cús eram limpos com folhas cortados dos jornais “Pravda” ou “Izvestia”. À princípio, ninguém queria comprar o papel higiénico, mas logo à seguir este se tornou um deficit crónico.
Papel higiénico na URSS: do desconhecimento absoluto ao deficit total
Na URSS não existia a cultura de odontologia normal. O governo soviético apenas podia oferecer aos cidadãos os cartazes “Escovar os dentes pela manhã e à noite”, uma odontologia do século XIX e pó dentífrico, que em duas décadas de uso gastava os dentes até a raiz. Acrescentem a isso alimentação má/ruim e monótona, rica em carboidratos, trabalho árduo e ecologia pobre – e ficará claro por que, aos 30-40 anos de idade, os cidadãos soviéticos frequentemente tinham bocas desdentadas.

Os fãs da higiene soviética

Muitos fãs da URSS até hoje praticam os padrões de “higiene soviética”. Tomam banho uma vez por semana (como recomendavam os livros soviéticos) – dizendo que a lavagem frequente supostamente retira da pela uma importantes “película protetora” (aparentemente – a simples camada de sujeira). Os fãs soviéticos usam as pastas dentífricas mais baratas, ou nem sequer escovam os dentes. Os mais teimosos escovam os dentes com carvão vegetal esmigalhado. Lavam a louça com soda cáustica, “fortalecem” os seus cabelos com o caldo de calêndula e erva-cidreira, não cuidam da pele – argumentando que assim viviam os seus avós na URSS!
Sem perceber que as pessoas na URSS tomavam banho raramente simplesmente por causa da falta de água, e usavam os meios “populares” não por causa da sua alegada super-eficiência, mas simplesmente devido à pobreza e da falta de alternativas.

Fotos: arquivo | Texto: Maxim Mirovich

Na Ucrânia já se vende Fulu Mk1 elétrico por menos de 4.000 dólares

O carro elétrico chinês Fulu Mk1 já é comercializado na Ucrânia por 109.999 UAH (menos de 4.000 dólares ao câmbio de 19 de outubro de 2018).
Fulu Mk1 descarregada no bairro de Podil em Kyiv
O Fulu Mk1 possui dimensões bastante reduzidas: 2450 mm de comprimento; 1230 mm de largura; 1550 mm de altura e apenas 435 kg de peso. Mesmo assim, este milagre da tecnologia têm quatro lugares sentadosos.
As baterias de chumbo garantem a autonomia de 120 km e podem ser recarregadas em apenas 8 horas. O motor elétrico desenvolve 2,2 kWh de potência e permite que a viatura atinge a velocidade máxima de 45 km/h.
Por outro lado, a lei ucraniana não classifica essa viatura como carro propriamente dito, o que significa que Fulu Mk1 nem sequer precisa de registo (embora possui os limites de circulação), mesmo assim, para o dirigir é necessário ter a carta de condução de categoria “B”.
Comprar Fulu Mk1 na Ucrânia
A empresa vendedora de Fulu Mk1 na Ucrânia oferece 12 meses de garantia (sem limites de rodagem) à viatura e 6 meses de garantia às suas baterias.

Fonte | Comprar na Ucrânia

segunda-feira, outubro 22, 2018

A resolução prática do problema de tiroteios nas escolas


Ano 1973, cidade de Delaware nos EUA. Um aluno e um professor estão sentados na entrada da sua escola secundária, após recepção de uma chamada anónima com ameaça de um tiroteio em massa. Após receber a chamada, vários outros alunos e professores foram até as suas viaturas, levaram/pegaram as suas armas e voltaram à escola.
O alegado atirador nunca apareceu.

Algumas décadas depois, graças às políticas liberais dos democratas americanos, os recintos escolares e os campos universitários se tornaram “zonas livres de armas”. Graças à isso, hoje em dia os alunos e os professores americanos já se sentem muito mais seguros. Os progressistas são assim mesmo, sempre à lutar para que o “faxismo” não domine a nossa sociedade…