Trinta e cinco anos de reestabelecimento da independência da Ucrânia. Trinta e cinco anos desde a adoção da Lei de Proclamação da Independência
da Ucrânia. Os ucranianos preservaram a independência do seu Estado. Sem dúvida alguma, independência da Ucrânia será protegeda. Ucrânia será sempre independente.
Os ucranianos não serão pedras debaixo dos pés dos czares e dos chefões. Os ucranianos não serão moeda de troca nas disputas entre capitais mundiais.
Os ucranianos não se submeterão àquilo em que não acreditam e, definitivamente, não abandonarão o seu sonho – o sonho de viver, o sonho de viver de forma independente, escreveu
o presidente Volodymyr Zelenskiy.
Durante anos, temos observamos como aqueles que profetizaram a morte da Ucrânia, ou prometeram destruí-la, desaparecem, perecem, morrem um a um.
Enquanto Ucrânia vive e viverá.
Feliz Dia da Independência!
Ucrânia celebrou o 35º aniversário da Independência com o primeiro desfile militar do mundo composto inteiramente por sistemas não tripulados. Nas primeiras
horas do dia, dezenas dos VTNT, como os «Termit» e «Rys PRO» desfilaram pela avenida Khreshchatyke e Maydan (praça de Independência), em Kyiv. Pelo rio Dnipro, navegaram drones navais «Magura»,
«Sea Baby» e «Sargan». No céu, sobrevoaram VANT / drones de reconhecimento, ataque e interceptação, junto com alguns caças tripulados.
O evento, não anunciado previamente e sem público, por fazões de segurança, ocorreu ao amanhecer, no centro de Kyiv e o vídeo foi exibido mais tarde durante
as cerimónias oficiais com o presidente Zelensky. Ucrânia foi o primeiro país a criar um ramo militar dedicado exclusivamente a sistemas não tripulados.
Neste dia, é especialmente importante recordar graças a quem a independência da Ucrânia é possível.
O Serviço de Segurança da Ucrânia (SBU) divulgou um vídeo exclusivo da troca de prisioneiros no dia 24 de agosto.
A troca de foi um resultado do trabalho do Centro Conjunto de Coordenação da Busca e Libertação de Prisioneiros de Guerra, do Quartel-General de Coordenação
para o Tratamento de Prisioneiros de Guerra e de outras estruturas autorizadas, que conseguiram a libertação dos 10 militares ucranianos, que até a data eram tidos como MIA.
A vida de cada ucraniano é o valor supremo!
Hoje, como parte de uma etapa especial da troca, estamos a repatriar 10 dos nossos militares – através da Belarus. Militares das Forças Armadas e da Guarda Nacional da Ucrânia.
Defenderam o país na direção de Donetsk. Todos eles eram considerados desaparecidos. E é muito importante que tenhamos conseguido trazê-los de volta, escreveu o presidente Volodymyr Zelenskiy.
Hoje, no dia em que a Ucrânia celebra o 35º aniversário da sua independência, o Reino Unido anunciou novas medidas para apoiar a produção de mísseis
de cruzeiro Storm Shadow/SCALP na Ucrânia. O anúncio foi feito pelo Secretário de Aquisições de Defesa do Reino Unido, Luke Pollard.
Segundo o próprio, trata-se do míssil franco-britânico SCALP, cujo equivalente britânico é o Storm Shadow. As novas medidas deverão permitir à
Ucrânia estabelecer a produção nacional de componentes para mísseis Storm Shadow/SCALP, utilizando a tecnologia franco-britânica transferida.
Um colaborador importante, o major-general Vladimir Lyapkin, da secreta SBU, que traiu Ucrânia e passou a servir os ocupantes russos ainda
em 2014, foi morto na Ucrânia. A sua morte foi anunciada por outro traidor, ex-deputado Oleg Tsarev.
Lyapkin chefiava um dos principais departamentos do SBU, responsáveis pela documentação operacional — escutas telefónicas, vigilância e recolha de informações.
Em 2013-2014, participou na repressão dos protestos de Maydan (Praça de Independência) em Kyiv. Depois, disso fugiu para a rússia, viveu na Crimeia ocupada.
A morte do Lyapkin é confirmada pelo Oleg Tsarev
Em fevereiro de 2022, viajou com Tsarev para Kyiv, num comboio do exército russo, preparado para trabalhar na administração da ocupação. Falhou novamente.
Depois disso, aderiu à unidade militar russa Bars-33, que, aparentemente, e em parte, era composta por aqueles que trairam o seu juramento à Ucrânia, se aliando aos ocupantes russos. Apesar de Oleg Tsarev
afirmar, que Lyapkin conservou a sua patente ucraniana no exército russo, nota-se que na realidade ele ocupava uma posição vários escalões mais baixa do que ao de um major-general.
No final, o traidor simplesmente não sobreviveu à guerra. Recebeu uma condecoração ucraniana bem merecida. Se transformou no adubo das terras negras ucranianas da
região de Kherson.
Ainda não são conhecidos os pormenores da morte do traidor. Sabe-se apenas que juntamente com Lyapkin morreu o coronel Eduard Malov, antigo funcionário do Ministério das
Situações de Emergência da rússia. Malov e Lyapkin, eram colegas dos tempos soviéticos, ambos foram graduados em 1989 pela Escola Superior de Comando de Armas Combinadas de Tashkent, no Uzbequistão. Os dois morreram ou foram liquidados
em 17 de março de 2026. O dia da morte confirma-se pela recente sepultura do coronel Malov, efetuada nos arredores de Moscovo.
Na noite de 10 à 11 de dezembro de 2013, a polícia de choque «Berkut» tentou ocupar a Praça Maydan de Kyiv. Então, o diácono do Mosteiro de São
Miguel das Cúpulas Douradas, Ivan Sydor, recebeu uma bênção do abade e, por quatro horas seguidas, tocou o sino no campanário do mosteiro.
Anteriormente, na noite de 30 de novembro de 2013, as forças leais ao regime do presidente Yanukovych recorreram à dispersão brutal e forçada de ativistas pró-Europa
na Praça da Independência de Kyiv. Alguns dos manifestantes que conseguiram escapar, se protegendo da brutal agressão policial, encontraram o refúgio seguro dentro dos muros do Mosteiro de São
Miguel das Cúpulas Douradas.
Dentro do Mosteiro de São Miguel, inverno de 2013-14
Na noite de 10 à 11 de dezembro de 2013, os sinos do Mosteiro de São Miguel soaram o alarme pela primeira vez em oito séculos, alertando os moradores de Kyiv sobre o avanço
da unidade de forças especiais «Berkut» e uma tentativa de afastar os manifestantes da Praça da Independência. O Mosteiro de São Miguel das Cúpulas Douradas tornou-se um refúgio
seguro para os ativistas e o local da primeira mobilização.
Diácono Ivan Sydor, tocou os sinos da Catedral Mykhaylivskiy de Kyiv por mais de 4 horas. A última vez que os sinos do Mosteiro de São Miguel tocaram assim foi 800 anos antes, em 1240, quando a horda tártaro-mongol do Batu Khan atacou a cidade de Kyiv.
Catedral Mykhaylivskiy (Mosteiro de São Miguel) de Kyiv, construído em 1108-1113, destruído pelo regime comunista na década de 1930, reconstruído na Ucrânia independente em 1997-98
Milhares de habitantes de Kyiv compareceram ao som alarmante dos sinos. O sineiro do mosteiro, Ivan Sydor, começou a tocar o sino. Ele era um estudante de pós-graduação
na Academia Teológica Ortodoxa de Kyiv (na época, a Igreja Ortodoxa Ucraniana do Patriarcado de Kyiv) e tornou-se um dos símbolos da Maydan.
«O principal ponto de confronto foi a barricada na rua Instytutska e, após sua destruição pela «Berkut», a Praça Europeia. A cada hora, o número
de pessoas no centro da capital aumentava – às cinco da manhã, havia cerca de 10 mil manifestantes na Maydan. Algumas horas depois, as forças de segurança tentaram invadir a Câmara Municipal
de Kyiv, mas os manifestantes começaram a lançar/jogar água neles do segundo andar do edifício, usando com mangueiras de incêndio, e um confronto irrompeu na entrada da Administração
Estatal da Cidade de Kyiv. Enquanto isso, a vantagem numérica estava claramente do lado dos ativistas da Maydan, e as forças especiais recuaram sob a crescente pressão popular», escreveu a agência
UkrInform.
Por muitos anos, o Serviço russo para a Proteção da Ordem Constitucional e a Luta contra o Terrorismo (SZKSBТ), também conhecido como 2º Serviço
do FSB, funcionou efetivamente como a versão russa da Gestapo — uma força policial secreta responsável pela repressão e pelo terror internos.
Foram agentes desse mesmo serviço que envenenaram político Alexei Navalny, escritor russo Dmitry Bykov e político e ativista Vladimir Kara-Murza. Agentes do Segundo Serviço
também foram responsáveis por rastrear Boris Nemtsov nas últimas semanas antes de seu assassinato. Além disso, eles estão por trás dos assassinatos do analista político
Nikita Isaev, do jornalista Timur Kuashev e do ativista Ruslan Magomedragimov. Em uma entrevista exclusiva ao The Insider, o ex-oficial do Segundo Serviço do FSB, Alexander Fedotov, revela internamente como o serviço
opera. Fedotov oferece uma visão detalhada de como os envenenadores de Navalny ascenderam na hierarquia e explica como o FSB continua a construir um sistema que mantém vigilância total sobre figuras da
oposição e ativistas, estejam esses inimigos do regime dentro ou fora da rússia.
“Trabalhei no mesmo andar que Girkin”
A estrutura do Segundo Serviço é a seguinte: no topo está o General do Exército Alexei Semyonovich Sedov, com um primeiro-adjunto com a patente de coronel-general.
Abaixo deles, estão quatro diretorias principais: a Diretoria de Proteção da Ordem Constitucional (UZKS), a Diretoria Operacional-Investigativa (ORU), a Diretoria Organizacional-Operacional (OOU) e a Diretoria
de Combate ao Terrorismo (UBT).
A torre «Priboy», literalmente preia-mar, a sede do 2º serviço do FSB em Moscovo
Eu, por exemplo, trabalhava no vigésimo andar. Entre as figuras conhecidas por perto o Sr. Igor Girkin («Strelkov»). Ele trabalhava no departamento que tratava de questões
chechenas e extremismo islâmico. Seu escritório ficava a uma ou duas portas de distância do meu. Frequentemente nos cruzávamos nos corredores. Ele era uma pessoa peculiar — no seu escritório,
um sabre cossaco estava pendurado na parede.
“Na Donbas, Girkin agiu em coordenação com o FSB”
Cerca de seis meses antes dos eventos na Crimeia, Igor Girkin («Strelkov») deixou o FSB. Naquela época, ele trabalhava com o empresário [o oligarca ortodoxo] Konstantin
Malofeev. Girkin é um homem a quem se pode delegar uma tarefa, e ele fará tudo o que estiver ao seu alcance para realizá-la. É claro que, na Crimeia e, posteriormente, em Donbas, Girkin cooperou
com o FSB. Acho que isso facilitou a coordenação com a liderança local, representada por [general Alexander] Tatko.
Coronel do FSB Igor «Strelkov» Girkin, atualmente um prisioneiro
[O operacional do FSB, Igor Girkin e seu grupo iniciaram a intervenção militar clandestina, a chamada «guerra híbrida» no leste da Ucrânia em 2014. Mais
tarde, cidadão russo Girkin, usando o nom de guerre Strelkov, se torna o primeiro «ministro da defesa» da dita «dnr». É responsável direto do abate do Boeing-777 do voo MH-17 sob
os céus da Ucrânia. Atualmente está cumprir a pena numa cadeia russa, por criticar o regime russo à direita, exigindo atacar e aniquilar Ucrânia de uma forma mais brutal, mais impiedosa e muito mais eficiente.]
“Até Sobchak estava sob vigilância”
Os protestos da Praça Bolotnaya [em 2011-2012] não assustaram exatamente as autoridades [russas]. Foram mais uma surpresa — com a quantidade de pessoas dispostas a ir às
ruas e expressar abertamente sua discordância. Foi inesperado. Alguns policiais simpatizaram com os manifestantes. Eu estava entre eles.
Dentro do Serviço, ocorreu uma reorganização. Em vez de seis departamentos, foram criados treze. As pessoas foram divididas em áreas de responsabilidade mais estreitas
para que cada uma pudesse se concentrar mais profundamente em suas tarefas específicas. A vigilância de figuras da oposição se expandiu após os protestos — um círculo mais amplo
de pessoas foi colocado sob controle operacional. O objetivo era identificar aqueles capazes de organizar grandes aglomerações rapidamente.
O futuro todo-o-poderoso putin, no papel do assessor do mayor de São Petersburgo, 1990xx
A vigilância teve como alvo todos os envolvidos em atividades da oposição, sem exceção. Todos foram vigiados. Até Ksenia Sobchak [jornalista, socialité
e alegada afilhada do Putin, que no início da sua carreira era um assessor / moço de recados do seu pai, o político liberal imperialista e mayor de São Petersburgo, Anatoly Sobchak] estava sob observação —
posso afirmar isso com certeza porque recebi pessoalmente relatos sobre ela.
Pessoalmente, não considero Ksenia Sobchak uma figura da oposição em princípio — não se pode esperar que laranjas cresçam de álamos. Ela
era monitorada em termos de seus movimentos: se ela comprasse uma passagem — de comboio/trem ou avião —, isso se tornava imediatamente conhecido. É altamente provável que seus telefones estivessem
sob escuta/grampeados. Mas duvido seriamente que ela tivesse agentes de segurança a seguindo 24 horas por dia, 7 dias por semana. O caso de Sobchak é especial: ela tem conexões diretas com as autoridades
e não é uma figura de oposição de base. Portanto, os materiais coletados sobre ela eram «arquivados» mais do que utilizados ativamente.
“Os envenenamentos de Navalny e outros foram coordenados com Putin”
O FSB prefere eliminar figuras da oposição de maneiras que pareçam morte natural. Ser atingido na cabeça com um tijolo em um beco — mesmo assim é uma
morte violenta. Os golpes deixam marcas visíveis. O veneno, no entanto, muitas vezes é impossível de detectar.
Envenenamentos são de responsabilidade do Segundo — o departamento da “oposição” do UZKS, que opera em conjunto com o [Instituto de Pesquisa Científica]
NII2. Organizar um envenenamento requer entender como uma toxina interage com o corpo humano e o ambiente (evapora mais rápido em ambientes externos), onde aplicá-la (em uma bebida, na pele, nas roupas), qual
dose usar e como calculá-la. Os próprios agentes operativos não têm esse conhecimento, então especialistas das unidades relevantes são chamados.
As decisões sobre envenenamentos são cem por cento coordenadas com Putin, porque tais ações inevitavelmente atraem a atenção internacional. Nada disso
é realizado sem a sua aprovação. Há dois vetores possíveis. O primeiro: a decisão é tomada pessoalmente por Putin e é transmitida. O segundo: uma iniciativa vem de baixo
como uma recomendação — «se isso não for feito agora, os movimentos de protesto podem crescer no futuro ou problemas políticos podem surgir no cenário internacional». Em
ambos os casos, a palavra final pertence a Putin. Ele dá a ordem ou concede a aprovação. O método e o momento, no entanto, são deixados para os executores.
“A anexação da Crimeia foi conduzida pelo General Tatko do FSB, do Segundo Serviço”
Quando os protestos populares começaram em Kyiv, no final de 2013, oficiais do Segundo Serviço do FSB foram enviados para lá. Um papel fundamental foi desempenhado pelo
então Tenente-General Alexander Evgenyevich Tatko, Primeiro Vice-Chefe do Serviço. Em termos de autoridade, Tatko estava acima de Alexei Zhalo, Vice-Chefe do Serviço e Chefe da UZKS. Até onde eu
sei, ninguém estava acima de Tatko lá. Na prática, era ele quem dirigia todos esses processos.
General Alexander Tatko, 1º vice-chefe do 2º Serviço do FSB
Inicialmente, a tarefa era ajudar Viktor Yanukovych a permanecer no poder e lidar com o Maydan — em particular, envolvendo militantes [pró-russos] da «Oplot» de Kharkiv.
Recomendações foram feitas sobre como agir. Mas Yanukovych revelou-se um homem covarde — às vezes, dava ordens para dispersar os manifestantes, apenas para imediatamente chamar as unidades especiais
de volta. No final, ele não conseguiu manter o controlo/e.
Quando ficou claro que Yanukovych não resistiria, a decisão foi tomada em relação à Crimeia. A partir de novembro de 2013, Tatko fez três longas viagens
para lá — cada uma com duração de cerca de um mês, com breves retornos à rússia (por exemplo, durante os feriados de Ano Novo). Após a última viagem, um «referendo»
foi realizado e ele retornou definitivamente ao Moscovo/ou.
Nessa manhã, na cidade de Lviv foi assassinado Andriy Parubiy, ex-chefe do Parlamento da Ucrânia (2016-2019), ex-Secretário do Conselho da Defesa e Segurança (RNBO), vítima de vários
disparos, efetuados por um assassino contratado.
Como chefe do Parlamento (2016-2019)
Andriy Parubiy entrou na política ucraniana bastante cedo, ainda no fim da década de 1980, ainda antes da derrocada do comunismo soviético. Foi ativista de diversas organizações
juvenis ucranianas. Mais tarde, foi um dos líderes da Revolução Laranja (2004-05) e da Revolução da Dignidade (2013-14).
Andriy Parubiy na Maydan de 2014
Andriy Parubiy começou com um dos fundadores e criadores da Associação Juvenil Ucraniana «Spadshyna» (Herança), foi um dos fundadores do Partido Social-Nacional
da Ucrânia (futura VO Svoboda), onde foi o Comissário para o Desenvolvimento da Nação e Presidente da Sociedade de Assistência às Forças Armadas da Ucrânia e da Marinha
«Patriota da Ucrânia».
Jovem Parubiy no tempo do «Patriota da Ucrânia»
Aqui, Andriy «Vovk/Lobo» Parubiy se colocou como uma ponte sobre a qual os activistas da Associação Juvenil Ucraniana «Spadshyna» (Herança)
se atravessaram as colinas durante a sua formação nos Cárpatos, na região de Urych, aldeia de Yamelnytsya. Fotografia de Orest Krukovsky.
Parubiy como o movimento escutista «Spadshyna», maio de 1996
Em 2004, quando a polícia afeta ao regime ao então primeiro-ministro Viktor Yanukovych, bloqueou o movimento das colunas de automóveis e autocarros de Lviv para Kyiv, foi
Parubiy quem não teve medo e obrigou a polícia ceder a passagem, libertando o movimento rumo ao Praça de Independência de Kyiv.
Foi um dos criadores da Revolução da Dignidade, o organizador da Autodefesa de Maidan e, mais tarde, o criador dos primeiros batalhões voluntários que entraram na
luta contra a invasão híbrida da rússia ainda em março de 2014.
Defendendo Kyiv em fevereiro-março de 2022
Pagando tributo aos deputados e funcionários do Parlamento da Ucrânia que morreram em resultado da agressão militar russa
Como Secretário do Conselho de Segurança e Defesa Nacional (27 de fevereiro de 2014 – 7 de agosto de 2014), defendeu Ucrânia durante um dos períodos mais difíceis da história moderna do país. Como
Presidente do Parlamento (2016-2019), ajudou na adopção de documentos programáticos: a Lei da Língua e a Lei da Independência da Igreja Ucraniana. Além de dezenas de leis que contribuíram
para a desrussificação da Ucrânia.
A primeira foto é de maio de 2019. O Presidente do Parlamento da Ucrânia (Rada Suprema), Andriy Parubiy assinou uma lei para garantir o funcionamento da língua ucraniana
como língua oficial.
A segunda foto é de 5 de janeiro de 2019. A cerimónia de assinatura do Tomos pelo Patriarca Ecuménico Bartolomeu. O Presidente da Verkhovna Rada da Ucrânia, Andriy
Parubiy, segura o Tomos nas mãos.
No Parlamento, juntamente com os membros do seu grupo parlamentar «Solidariedade Europeia»
Os russos não o perdoaram por isso. Foi por isso que o mataram.
Obrigado por tudo, Comandante, a sua morte será certamente vingada.
11 anos depois, o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos (TEDH), analisou os eventos em Odessa em 2 de maio de 2014, estabelecendo dois fa(c)tos: a impotência do estado ucraniano e a malícia
do estado russo, que propositalmente fez de tudo para organizar um massacre em massa em Odessa.
Pela primeira vez temos uma decisão de um tribunal internacional que indica claramente o envolvimento da rússia na organização de confrontos e derramamento de sangue
em Odessa.
Vejamos os pontos mais importantes do acórdão:
«334. O Tribunal já estabeleceu o sério envolvimento da federação russa nos eventos que levaram ao chamado “referendo” na Crimeia, bem como seu
diverso apoio às formações separatistas no leste da Ucrânia. O Tribunal também levou em consideração a natureza muitas vezes oculta desse envolvimento».
«336. Várias evidências de vídeo disponíveis publicamente confirmam que o movimento pró-rússia «Kulykove Pole» em Odessa se baseou
fortemente em mensagens de desinformação e da propaganda agressivas e emocionais sobre o novo governo ucraniano e os apoiantes do Maydan, expressas pelas autoridades e pela mídia russas. (...) O tribunal
acredita que tal desinformação e propaganda podem ter influenciado os trágicos eventos nesses casos. A este respeito, ele observa o seguinte fa(c)to indiscutível. Os confrontos de 2 de maio de 2014
em Odessa começaram com um ataque de um grupo de ativistas do movimento anti-Maydan à uma marcha de apoiantes da unidade ucraniana, sob o pretexto de que estes planeavam destruir o acampamento «Kulykove Pole»,
embora os apoiantes da unidade ucraniana não tenham se desviado da rota planeada e não tenham dado um único passo em direção ao «Kulykove Pole».
Militantes pró-rússia em marcha: «Morte aos fascistas | Glória à Rus(sia)»
O Tribunal reconhece a responsabilidade da rússia na organização de protestos e na violência anti-ucraniana em Odessa. Afirma-se que a rússia incitou
o ódio por meio de desinformação e da propaganda, e que os confrontos começaram com um militantes pró-russas e anti-Ucrânia atacando um grupo pró-Ucrânia, e não o contrário,
como alega a propaganda russa.
«337. O Tribunal também considera apropriado observar que, conforme estabelecido pelas autoridades ucranianas e confirmado, pelo menos até certo ponto, pelas declarações
do Sr. Dmytriev (requerimento n.º 59339/17) e pelas provas em vídeo disponíveis publicamente, um dos oficiais superiores da polícia regional (ucraniana), o Sr. Fuchedzhi forneceu várias formas
de apoio ao movimento anti-Maydan em Odessa ou pelo menos conspirou com ativistas anti-Maydan para organizar tumultos em massa. Além disso, embora a revolução de Maydan tenha levado a mudanças nas
autoridades nacionais em alto nível, a composição da polícia, que já havia observado passivamente a violência contra apoiadores e jornalistas de Maydan, em particular em 19 de fevereiro
de 2014, permaneceu a mesma. Nessas circunstâncias, o risco de confrontos violentos poderia surgir, em particular, de um possível conluio entre a polícia e ativistas do movimento anti-Maydan e, portanto,
a capacidade do novo governo ucraniano de administrar esse risco foi significativamente limitada».
Vice-chefe da polícia de Odessa Dmytro Fuchedzhi acompanhando os militantes anti-Ucrânia
Aqui, o Tribunal reconhece que o novo governo ucraniano, surgido após o Maydan não controlou totalmente a situação em Odessa, e a polícia local de Odessa
não obedeceu à liderança do Ministério do Interior da Ucrânia, mas, em vez disso, conspirou com militantes pró-rússia e contribuiu para a violência.
A decisão do tribunal menciona Dmytro Fuchedzhi. Em 2014 era o vice-chefe de polícia na região de Odessa. Em 2 de maio, ele apoiou abertamente militantes armados pró-rússia,
chegando a participar de confrontos ao lado deles. Imediatamente após esses eventos, possivelmente no dia 6 de maio de 2014, ele fugiu para a rússia, participando no esforço de propaganda russa. Na rússia,
ninguém o responsabilizou por sua ação ou a inação no dia 2 de maio.
O tribunal entende que a culpa do governo ucraniano reside no seguinte:
«343. O Governo (da Ucrãnia) não forneceu ao Tribunal quaisquer exemplos de quaisquer medidas operacionais preventivas ou de proteção tomadas. Pelo contrário,
eles admitiram, citando os resultados de investigações internas, que as autoridades policiais ignoraram as informações disponíveis e os sinais de alerta relevantes e se prepararam para uma
partida de futebol de rotina em 2 de maio de 2014. Não houve qualquer esforço para reforçar, quantitativa ou qualitativamente, a força policial que ali estava naquele dia para manter a ordem pública
na cidade».
Os militantes pró-russos armados, protegidos, muitas vezes, pela polícia de Odessa
«344. O Tribunal também não tem conhecimento de quaisquer esforços significativos por parte das autoridades ucranianas para impedir os confrontos depois de terem
sido ou devessem ter sido avisados da sua inevitabilidade em 2 de maio de 2014. Embora a polícia tenha monitorado a reunião de ativistas anti-Maydan desde o início, quando o número
desses ativistas cresceu para aproximadamente de 300 e eles começaram a se mover na direção da marcha da unidade (da Ucrânia), a presença policial aumentou de dez para quarenta policiais,
que estavam simplesmente escoltando os manifestantes anti-Maydan».
O Tribunal está dizendo que o comando regional da polícia de Odessa ignorou todos os avisos de que confrontos sérios eram possíveis na cidade e não impediu
que os militantes pró-russos anti-Ucrânia decidissem atacar apoiantes da Ucrânia. O tribunal culpa o governo ucraniano por isso, embora a decisão do Tribunal afirma, acima, que a polícia local, estava,
na verdade, em conluio com ativistas pró-rússia, agindo nos seus interesses, e não respeitando ao governo ucraniano central.
Polícia de Odessa e os militantes anti-Ucrânia usam as mesmas faixas vermelhas
«346. No geral, embora a capacidade das autoridades ucranianas de impedir os confrontos violentos que ocorreram em Odessa em 2 de maio de 2014 tenha sido indubitavelmente limitada pela
natureza da ameaça e pela situação com a polícia local no momento relevante, não foi demonstrado ao Tribunal que eles fizeram tudo o que poderia ser razoavelmente esperado deles».
Aqui, TEDH não estabeleça qualquer intenção maliciosa por parte do governo da Ucrânia, simplesmente diz que as autoridades ucranianas não exerceram
vigilância suficiente e não previram tal curso de eventos. Ainda hoje não está muito claro o que o governo ucraniano controlava em Odessa em maio de 2014. Na mesma época em Donetsk o governo
central já não controlava mais nada. O poder da autoridade do estado ucraniano entrou momentaneamente em colapso.
«348. O Tribunal observa que a passividade da polícia durante os confrontos é um fa(c)to estabelecido, confirmado por um grande conjunto de evidências incontestáveis.
De fato, a polícia permaneceu passiva quanto ativistas anti-Maydan se aproximavam e atacavam a marcha da unidade (da Ucrânia) sem motivo aparente. A polícia também não respondeu ao primeiro
ferimento fatal de bala infligido a um apoiante da unidade territorial (da Ucrânia), filho do Sr. Ivanov e da Sra. Ivanova (Ihor Ivanov, a primeira vítima mortal ucraniana do dia 2.05.2014). Além disso,
um ativista pró-rússia foi visto atirando em apoiantes da unidade (da Ucrânia) enquanto estava ao lado da polícia e, mais tarde, fugiu do local no mesmo carro que um policial regional de alta patente.
Além disso, alguns policiais usavam fita vermelha nos braços, semelhante à usada por alguns manifestantes anti-Maydan».
Cidadão ucraniano e russo étncio, Ihor Ivanov foi a primeira vítima ucraniana do dia 2.05.2014
O Tribunal confirma mais uma vez que os militantes pró-rússia atacaram primeiro os apoiantes da Ucrânia e que a primeira vítima foi um apoiante da Ucrânia,
e que o seu assassino foi levado do local e escondido pela polícia regional. Ou seja, foi oficialmente confirmado que a violência e os assassinatos foram provocados pelo lado pró-russo, e a polícia
local os ajudou nisso.
«349. Na opinião do Tribunal, a falha da polícia em demonstrar qualquer tentativa significativa de deter a onda inicial de violência dirigida contra os manifestantes
da unidade (da Ucrânia), juntamente com sinais claros de um possível conluio entre a polícia e ativistas anti-Maydan, foi uma das razões, se não a principal, para a onda de violência
retaliatória quando os apoiantes furiosos do Maydan decidiram se vingar».
O Tribunal chama a inação da polícia de Odessa, que permitiu os confrontos, de razão principal para a dura reação dos apoiantes da Ucrânia. Mas
o responsável por isso, Dmytro Fuchedzhi, se encontra na rússia. A rússia não só não o responsabilizou por isso, como também o encobriu.
O que se segue é uma descrição dos eventos à volta do Edifício dos Sindicatos. Aqui novamente o tribunal diz diretamente que a razão para o grande
número de vítimas foi a inação dos bombeiros, que eram então liderados por Volodymyr Bodelan e que este, durante 40 minutos se atrasou para dar a ordem de apagar o fogo. Volodymyr Bodelan hoje é
cidadão da rússia e mais tarde fugiu para lá.
Telhado da Casa dos Sindicatos: os militantes pró-russos atiram os cocketeis Molotoff aos apoiantes da Ucrânia
Os separatistas armados disparam das janelas da Casa dos Sindicatos de Odessa. Em resposta, coquetéis molotov são atirados contra eles. Houve uma batalha campal, em que os separatistas pró-russos pretendiam realizar um massacre dos ucranianos. Contando com a possibilidade de atacar, impunemente os apoiantes desarmados da Ucrânia, como o fizeram alguns dias antes em Donetsk.
«358. De acordo com os regulamentos em curso, cuja adequação não é contestada, o serviço de socorro tinha a obrigação de enviar dois carros
de bombeiros para o «Kulykove Pole» assim que os primeiros telefonemas sobre as tendas em chamas foram recebidos, às 19h31. Após que a situação se deteriorou com um incêndio no
Edifício dos Sindicatos, os esforços necessários de combate a incêndio deveriam envolver a mobilização de seis camiões/nhões de bombeiros, escadas de incêndio, mangueiras
e uma máquina de ventilação. Entretanto, nada foi feito por aproximadamente quarenta minutos após os primeiros telefonemas para o centro de controlo/e, apesar de inúmeras testemunhas continuarem
ligando para os serviços de emergência; seu chefe, o Sr. Bodelan, estava presente no local e observou pessoalmente os eventos, e o corpo de bombeiros estava a apenas 6 minutos de distância. A única
razão para o atraso foi a instrução dada por Bodelan aos seus subordinados para não fazerem nada sem a sua ordem expressa».
O Tribunal estabeleceu que o cidadão russo Volodymyr Bodelan literalmente ordenou aos seus subordinados para não apagassem o incêndio no qual dezenas de apoiadores russos
morreram queimados. Mais tarde, ele se mudou para a Crimeia ocupada e depois para rússia, após 2022 recebu a posição oficial do representante do território ucraniano temporatiamente ocupado de Kherson em Moscovo/ou. Por
que razão a rússia nomeou o responsável pelas mortes em massa para um alto cargo? É lógico supor que esta seja a recompensa por tais ações. Aparentemente, sua tarefa incluía
organizar um massacre sangrento, espécie de casus belli, que ele ajudou a encenar com sucesso.
Adiante, o Tribunal reivindica que as autoridades ucranianas não prenderem nenhum responsável e permitiram que os organizadores do derramamento de sangue escapassem para a rússia.
Isso é verdade.
«396. Apesar das evidências fotográficas e de vídeo disponíveis publicamente mostrando um ativista anti-Maydan parecido com o Sr. Budko (Vitaly “Bootsman”
Budko) disparando uma espingarda automática / um rifle automático contra apoiadores da unidade (da Ucrânia), estando lado a lado com a polícia, sem qualquer reação desta última,
as autoridades nacionais levaram mais de dois anos para iniciar um processo criminal contra o Sr. Budko, e mais de sete anos para iniciar um processo criminal contra o Sr. Ivakhnenko, um dos policiais em questão. Nenhuma
explicação, muito menos uma desculpa, foi dada para esses atrasos. Como nenhuma medida preventiva foi aplicada ao Sr. Budko e ele desapareceu, a investigação foi encerrada em outubro de 2016. Quanto
ao processo criminal do Sr. Ivakhnenko, ele terminou com sua liberação de responsabilidade criminal devido ao término do prazo de prescrição de dez anos.
Militante pró-russo «Bootsman» Budko armado com AKSM dispara contra os ucranianos
«397. Ao mesmo tempo, a investigação criminal de outro policial, o Sr. Fuchedzhi, que estava diretamente envolvido no processo de tomada de decisão antes e durante
os eventos, tenha resultado em uma condenação, o atraso inicial de aproximadamente duas semanas na obtenção de um mandado de prisão permitiu que ele fugisse do país».
Na verdade, Fuchedzhi e os outros culpados foram simplesmente autorizados a escapar da Ucrânia. Eles não foram presos, embora devessem ter sido presos imediatamente. Processos criminais contra
eles foram abertos com vários anos de atraso.
«403. Embora nunca tenha sido negado que o Sr. Bodelan, ex-chefe da Diretoria Principal do Serviço de Emergência do Estado na região de Odessa, fosse responsável
pelo atraso no envio de camiões/nhões de bombeiros para «Kulykove Pole», uma investigação criminal sobre ele só foi iniciada em 1 de março de 2016. Enquanto isso, ele
continuou seu serviço no cargo acima mencionado até o término de seu contrato em setembro de 2014. Na ausência de qualquer relato de suspeita de crime contra, ele acabou fugindo do país.»
Mais uma vez, ninguém tocou no agente e colaborador russo Bodelan, que atualmente trabalha na administração russa de ocupação nos territórios ocupados
da Ucrânia, por 2 anos, ninguém o tocou, e ele calmamente deixou Ucrânia rumo à rússia. As alegações do Tribunal contra Ucrânia agora consistem literalmente no fa(c)to de
que as autoridades ucranianas não detiveram um cidadão russo que deliberadamente fez de tudo para garantir a morte de várias pessoas.
Em geral, o TEDH estabelece dois fatos: a impotência do estado ucraniano e a malícia do estado russo, que propositalmente fez de tudo para organizar um massacre em massa em Odessa.
Militante pró-russo Eduard Ayrapetyan, em maio de 2014 e na TV russa
Ucrânia agora será obrigada à pagar aos parentes daqueles que morreram devido à impotência. Mas a decisão judicial pode claramente ser atirada nas caras dos
propagandistas russos, porque é um documento oficial que afirma claramente quem começou tudo e quem exatamente queria derramar a sangue dos ucranianos em Odessa.
O
jornalista e político português Bruno Maçães visitou Ucrânia e deixou as suas
impressões para a revista The New Statesman. «Mundo com inquietação está à espera
do próximo passo do Putin, mas ânimos em Kyiv continuam serenos».
por:
Bruno Maçães, jornalista e político português (trechos do texto original traduzido
na base da impressão da Gorgona
Bobrovytska)
“Estes
dias a cidade de Kyiv é a cidade não espiões, mas de jornalistas. Eu não posso tomar
café com ninguém sem que de um canto escuro não salte dois ou três jornalistas
gritando: “Eu ouvi a vossa conversa!”. Os Repórteres de todo o mundo reúnem-se
em cafés hipster de Kyiv”.
“Você
pode vê-los em de ensaios dos diretos em pizzarias e parques, que se
estabeleceram nas coberturas todos os hotéis conhecidos e discutem até o
amanhecer s geopolítica nos bares, que antes se sentavam supermodelos e
oligarcas. Grandes grupos de jornalistas são únicos indicadores de que a vida
na cidade não está muito normal, o que é irônico, pois é por isso que os jornalistas
vieram para cá”.
Hotel "Ukrayina" (Ucrânia) no centro de Kyiv, vários jornalistas estão em direto para os seus canais televisivos em redor do mundo. Foto: Internet
“Os
supermercados estão cheios, sem agitação, embora algumas pessoas se abasteceram
de água e da lenha para as suas casas nas aldeias... Patriotismo é um dever sério
na Ucrânia. A preparação mais importante é para lutar e não para fugir. Na
cidade nordestina de Kharkiv, perto da fronteira com a Rússia, foram compradas tantas
armas ligeiras, que o seu arsenal acabou nas lojas”.
“Ucranianos
sentem a pressão, mas durante século de dificuldades e de ocupação estrangeira eles
aprenderam reagir com dignidade”.
Depois
Bruno Maçães descreve sua conversa com algum autor ucraniano (possivelmente com
Andrei Kurkov), que não tem dúvida alguma da invasão russa. Quando eles caminham
por uma “bela rua”, Andriivsky uzviz, autor diz que quer enviar filhas até parentes
no exterior, Bruno Maçães se lembra como uma delas tocava o piano e pensa se
para a semana poderá fazer o mesmo.
“Que
contraste. Por um lado, milhares de soldados anônimos enviados a marchar na lama
pelo homem [Putin] que nunca os olhou nos olhos. Por outro lado, uma moça que toca
o piano. Não é sobre o conforto ou a vida humana ou mesmo o direito que
acabarão com a guerra. É sobre a beleza, que aqueles militares [russos] odeiam
mais”.
Há
também há resistência. “Se os russos vêm” – diz um deputado da Rada Suprema, o Parlamento
da Ucrânia – “eles vão encontrar o seu próprio inferno”.
“Eu
visito Kyiv quase todos os anos desde 2014, quando a fuga do presidente
Yanukovych levou às duas invasões russas, a Crimeia e na Donbas. E todos os
anos a cidade parece diferente, mais consciente. A turbulência política e o abraço
de um futuro europeu aceleraram o seu desenvolvimento. Fora o surgimento
explosivo de novas galerias, cafés e restaurantes internacionais se transformaram
a cidade num dos mais marcantes capitais europeias. Mais profundamente é uma
cidade imersa na história e na política. A sua paisagem é coberta por
monumentos das três revoluções: de 1991 [Independência], de 2004 [Revolução
Laranja, 1º Maydan] e de 2013-14 [Revolução de Dignidade, 2º Maydan]. Antigamente
o Paris poderia despertar tais sentimentos e associações. Hoje é a Kyiv que
preserva o legado europeu da revolução, a tentativa coletiva a sobressair acima
das circunstâncias e construir um novo futuro.
Indo
para restaurantes como “Pizza Veterano” ou “Última Barricada”, você emerge nos
museus vivos de recente história ucraniana. No “Veterano” o cozinheiro que
prepara a pizza para você, pode ser um veterano da guerra no leste da Ucrânia.
E as paredes da “Última barricada” estão cobertas com preciosas relíquias de
três revoltas populares. Garçons-hipsters até me fizeram a pequena visita
guiada pelo seu museu. Eis as luvas que foram usados pelo tocador de sino Ivan Sydor.
À noite de 11 de dezembro de 2013, quando a polícia de choque “Berkut” começou
o seu assalto ao Maydan [praça de Independência de Kyiv], o jovem estudante de
teologia tocou o sino da Catedral de São Miguel, bradando para a Kyiv acordar e
defender o sonho de uma Ucrânia Europeia. A última vez que este sino tocou como
aviso de 800 anos atrás, durante a invasão mongol de Kyiv pelo Batu Cã/Khan,
fundador da Horda Dourada.
Como começa a guerra começa? [O texto foi escrito
antes da decisão do Kremlin de reconhecer
os separatistas]. Para os visitantes estrangeiros serão explosões sem
sentido na escuridão da noite. É para os moradores de Kyiv é mais um elo de uma
longa cadeia histórica, mais um capítulo da história nacional. Na história há certo
conforto, na sabedoria que muitas gerações ucranianas já tiveram que superar
essas dificuldades e as gerações vindouras também passarão por eles. Ucrânia,
porém, é imortal”.
Anualmente,
em 21 de novembro, Ucrânia comemora o Dia da Dignidade e da Liberdade em
homenagem ao início deste dia de duas revoluções: a Revolução Laranja (2004) e
a Revolução da Dignidade (2013-14).
O
feriado é estabelecido com o objetivo de afirmar na Ucrânia os ideais de
liberdade e democracia, preservando e comunicando às gerações atuais e futuras
informações objetivas sobre eventos fatídicos na Ucrânia no início do século
XXI, bem como prestando homenagem ao patriotismo e coragem dos cidadãos que no
outono de 2004 e de novembro de 2013 à fevereiro de 2014, defenderam os valores
democráticos, direitos e liberdades do homem e do cidadão, os interesses
nacionais do nosso país e sua escolha europeia.
Este
feriado é o sucessor do Dia da Liberdade, comemorado de 2005 à 2011 em 22 de
novembro em homenagem à Revolução Laranja. Mais sobre os eventos de 2004,
2013-2014 podem ser encontrados nos filmes “Made in Ucrânia” (2004), dirigido
pelo Guto Pashko e “Winter on Fire: A luta pela liberdade da Ucrânia” (2015),
dirigido pelo Eugene Afineevsky, que pode ser visto na Netflix Brasil.
O
Dia da Dignidade e da Liberdade é especial para Ucrânia porque testemunha o
cumprimento dos requisitos básicos do Euromaydan: o Acordo de Associação com a
União Europeia entrou em vigor; o regime de isenção de vistos para viagens aos
países da União Europeia começou a operar; educação e outras reformas foram
adotadas. Essas conquistas provam que Ucrânia está caminhando no caminho certo ao
desenvolvimento. Essas conquistas testemunham que os heróis da Centena
Celestial não deram as suas vidas em vão, mas pela glória, liberdade e
dignidade da Ucrânia.
A
editora francesa Grand Angle publicou o 1º volume da sua nova BD/quadrinhosMaidan Love,
dedicada à Revolução de Dignidade na Ucrânia (movimento Maydan), ocorrida em Kyiv no inverno de
2013-14.
A
1ª parte da BD se chama «Olena» e a 2ª se chamará «Bogdan». Basicamente é uma
história de amor, passada numa revolução, onde Olena é uma manifestante
pró-Europa e Bogdan é seu namorado e membro do destacamento da polícia de
choque “Berkut”, unidade que sempre se notou pela sua atuação extremamente
violenta e cruel, de facto, desencadeando a própria revolução, garantindo lhe o
apoio popular.
MaidanLove
é extremamente bem-feita em termos técnicas, com alto grau de detalização, mas em
termos da história é muitíssimo pobre e ingénua, mais uma manifestação clara de
que a Europa ocidental sente grandes dificuldades de compreender a nova Europa, representada, neste caso, pela Ucrânia.