É realçado que general Budanov sobreviveu a mais de uma dezena de tentativas de assassinato (fazendo lembrar o braço decepado do terrorista de 2019 e o envenenamento da sua mulher).
A mensagem ao Kremlin: «Estamos prontos para falar, mas vocês estarão a negociar com o homem que vos matou» — o que faz todo o sentido depois do que o Kremlin fez na Ucrânia.
Abordagem pragmática às negociações: Budanov afirma categoricamente que não confia em nenhum russo: «Não preciso de confiar em ninguém, preciso de alcançar resultados».
Narrativa: as negociações estão em curso e são difíceis. Foi anunciado que uma mega-troca de prisioneiros, «1.000 por 1.000», estava planeada para 9 de maio (Dia da Vitória na rússia), mas está parada. Budanov está a utilizar as suas antigas redes de inteligência e canais paralelos para exercer pressão. Não há datas definidas, mas o processo está ativo — a 1ª troca dos 205 por 205 foi o primeiro sinal disso. As trocas de POW são sempre difíceis, porque ambos os lados querem entregar aqueles que foram empenhados pela cooperação e não querem entregar figuras importantes ao inimigo. As linhas vermelhas de Moscovo são económicas.
Não haverá ataque nuclear contra Kyiv. Os britânicos estão a questionar os rumores de um ataque planeado com o míssil Oreshnik ou uma arma nuclear tática no centro de Kyiv (tendo como pano de fundo as passadas evacuações de embaixadas).
Budanov tranquiliza os colegas e parceiros ocidentais: «Sim, a rússia pode atacar a qualquer momento... Mas não vejo qualquer indício de preparação para um ataque nuclear. Se houvesse, eu saberia». Mensagem: Estamos no controlo da situação; não cedam à chantagem nuclear de Putin. Isto é compreensível — na linha da frente, com formações de combate dispersas, um ataque nuclear eliminaria alguns batalhões, e para atingir os «centros de decisão» de um bunker a 90 metros de profundidade, seria necessário destruir a Presidência da República (um edifício imponente e bem protegido na rua Bankova) com vários engenhos nucleares. As puras ameaças representam maiores benefícios para a rússia.
Reviravolta Tecnológica e a Exportação da Guerra. Elon Musk bloqueou os Starlinks russos (desativando os seus terminais), o que ajudou a repelir as forças russas em algumas áreas. Além disso, as baixas russas são estimadas em entre 20.000 à 25.000 soldados por mês, trocados por sucessos tácticos limitados (estimativas da NATO). Por outro lado, Ucrânia está a tornar-se um exportador de tecnologia. Os ataques profundos contra as refinarias de petróleo russas estão a todo o vapor, e Budanov está a oferecer abertamente aos EUA e às monarquias do Golfo (olá, Irão) a experiência da Ucrânia na construção de um sistema de defesa aérea em camadas.
Narrativa: Ucrânia já não é um parente pobre do Ocidente. É um laboratório de guerra moderna, onde drones inteligentes autónomos (dos quais já temos protótipos) permitem resistir a um adversário rico em recursos e ideologicamente motivado. Ocidente, com o vosso dinheiro, os ucranianos podem vós ensinar a abater os Shaheed, ao realmente baixo custo, para que não desperdicem milhões de dólares em mísseis e voos dos F-35.
Caso Yermak. A imprensa ocidental parece estar a deliciar-se com a queda de Andriy Yermak (o ex-chefe da Presidência da República, que se demitiu janeiro e está agora prestes à ser judicialmente investigado sob acusação de branqueamento de capitais, o que está a prejudicar as taxas de aprovação de Volodymyr Zelensky).
Narrativa: Budanov se posiciona como o oposto completo do seu antecessor. Promete «nenhuma gestão personalizada, delegação total de autoridade e total de responsabilidade». Mensagem aos doadores ocidentais: o polvo da corrupção foi dissecado e chegou uma equipa de tecnocratas (juntamente com Fedorov, que substituiu Umerov como Ministro da Defesa), pronta para trabalhar com transparência. Logicamente, ninguém quer ver corrupção depois de milhares de milhões de libras e euros em ajuda.
A mobilização vai continuar. Aqui, Budanov vai direto ao assunto. Não pode haver as ilusões sobre as FAU dependerem apenas de voluntários. Budanov promete combater os excessos dos «alistamentos compulsivos», mas afirma: esta é uma guerra total de sobrevivência. Ou a mobilização continua, ou o país acabará. O que deve ser dito o mais claro possível — todas as ilusões sobre voluntários estrangeiros sentados em painéis de controlo estão a ser destruídas pelos vastos espaços e milhões de pessoas, as pessoas estão se ferrir e morrer, a atingir o limite máximo de idade, saem das FAU por ferimentos, a se esgotar fisicamente e mentalmente, precisam de substitutos e Ucrânia precisa de reservas; a mobilização obrigatória continuará.
Resumo: O artigo é um caso clássico em que um novo «homem forte» da Ucrânia é apresentado ao público Ocidental. Possui a imagem de um pragmático implacável, que negoceia com o Kremlin com uma mão e envia um enxame de drones para incendiar refinarias de petróleo russas, com a outra. Reconhece os graves problemas de mobilização, repudia a corrupção dos seus antecessores e reapresenta Ucrânia ao Ocidente não como uma vítima, mas como uma valiosa startup militar cuja tecnologia, em breve, Ocidente necessitará desesperadamente.
Ler o artigo AQUI (em inglês e apenas aos assinantes).

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