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| Annie Gwen, a mãe do Gareth R. V. Jones |
Se não tivesse comprado terras na Donbas (onde antes apenas os pastores com os seus cães costumavam ir), não tivesse construído lá uma casa, não tivesse fundado a sua empresa lá, provocando uma verdadeira revolução industrial na região, então talvez Annie Gwen, a mãe de Gareth Jones, não se tivesse tornado governanta dos seus netos. Foi ela que o ensinou em casa até aos sete anos de idade.
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| Annie Gwen e família do Arthur Hughes |
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| Arthur Hughes, filho do John Hughes |
Talvez se ela não tivesse contado ao filho sobre as estepes ucranianas, sobre as antigas Kyiv e Kharkiv «com as suas universidades e feiras mundialmente famosas», ele não teria ido para lá, não teria testemunhado o terrível crime de Estaline, não teria escrito sobre ele nos jornais mais famosos do mundo. E talvez o mundo nem sequer tivesse ouvido falar do Holodomor durante muito tempo. E talvez Orwell não tivesse escrito a sua «Revolução dos Bichos». Tais cadeias de acontecimentos estendiam-se desde o engenheiro galês.
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| A capa da edição ucraniana de “A Revolução dos Bichos” (“A Quinta dos Animais”), 1947 |
Annie Jones deixou as memórias da sua estadia na Ucrânia. É certo que, para ela, tudo era a «rússia», a começar pela Polónia (que chamou de «rússia polaca», nessa altura a Polónia também era oprimida pelo império russo, a língua polaca era suprimida e proibida, os ocupantes russos tentavam impor o amor ao seu czar). Annie não separa os ucranianos dos russos, embora descreva os ucranianos com as sua canções e roupas bordadas. Permaneceu nas estepes de Donetsk apenas alguns anos e foi obrigada a fugir da epidemia de cólera. Mas ela lembrava-se muito desta viagem, em Kyiv ficou simplesmente maravilhada: «A sagrada e antiga Kiev apareceu diante dos meus olhos assim que atravessámos o vasto Dniepre. Fiquei impressionada com a onda de igrejas a brilhar no céu azul com as suas torres e cúpulas douradas. Vi uma grande multidão de peregrinos que tinham vindo aqui a pé da Sibéria». A época, descrita pelo escritor ucraniano Nechui-Levytsky na sua novela «Nuvens». Aí, ele, começando também pelos peregrinos de terras distantes até à Lavra (Mosteiro) de Pechersk, demonstra bem a total russificação e desprezo impostos pela cultura ucraniana, tanto nas cidades como nas aldeias.
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| Os pais do Gareth Jones junto à casa |
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| A casa do Gareth Jones em 2022 |
Em sua casa, na década de 1930, reuniam-se muitos jovens europeus, incluindo alguns simpatizantes nazis britânicos. Certa vez, Gareth Jones chegou a escrever aos seus familiares pedindo-lhes que não os cumprimentassem com a mão levantada e a exclamação «Heil». Quando voou no mesmo avião com Hitler (entrevistou o ditador alemão), escreveu os seus pensamentos: «Se este avião cair agora, certamente mudará a história».
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| A campa do Gareth Jones em Barry |
Como os habitantes locais ficam surpreendidos quando os ucranianos lhes falem de todas estas pessoas. Principalmente sobre John Hughes, que fundou a moderna Donetsk. Eles não acreditavam nisso ao princípio. Para muitos aqui, parece que estão a descobrir a sua própria história através da história ucraniana.
Texto e fotos: a jornalista ucraniana Antonina Maliei










1 comentário:
Existe um filme sobre ele na a Netflix chamado “A Sombra de Estalin” ( título em português no Brasil, em Portugal pode ter outro nome) , é muito bom, eu recomendo.
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