sexta-feira, julho 04, 2025

Raphael Lemkin sobre Holodomor, genocídio soviético na Ucrânia

Jurista e autor do termo «genocídio», Raphael Lemkin foi o primeiro a definir os crimes do regime comunista estalinista contra ucranianos como o genocídio e também analisou o Holodomor na Ucrânia no contexto do direito internacional. 

Leia o seu ensaio «Genocídio Soviético na Ucrânia» (1953) em 33 línguas disponíveis:

Celebrando o aniversário do seu nascimento e da morte, convêm recordar 1953, quando no centro de Manhattan, em Nova York, foi recordado solenemente do vigésimo aniversário do Holodomor, Lemkin se dirigiu a três mil pessoas com um discurso, cujo trecho publicamos

«O assassinato em massa de povos e nações que caracterizou o avanço da União Soviética na Europa não é uma característica nova de sua política expansionista. Nem é uma inovação inventada simplesmente para criar uma homogeneidade a partir das diferenças dos poloneses, húngaros, bálticos e romenos, que agora permanecem na periferia do império soviético. Em vez disso, tem sido uma característica de longa data até mesmo da política interna do Kremlin, para a qual os atuais governantes tinham amplo precedente nas ações da rússia czarista. 

É de fato um passo necessário no processo de «unificação» que, como os líderes soviéticos fervorosamente esperam, criará um «homem soviético», uma «nação soviética». Para atingir esse objetivo, essa nação unida, os líderes do Kremlin destruirão de bom grado as nações e culturas que há muito habitam a Europa Oriental. 

[...] O plano que as autoridades soviéticas usaram foi repetido e continua a ser repetido. É uma parte essencial do programa de expansão soviético, porque oferece uma maneira rápida de unificar as diversas culturas e nações que compõem o império soviético. 

O fato de esse método trazer sofrimento incalculável a milhões de pessoas não desviou o governo soviético do seu caminho. Mesmo que não houvesse outra razão além desse sofrimento humano, teríamos que condenar esse caminho como criminoso. 

Esta é uma questão de genocídio, a destruição não apenas de indivíduos, mas também de uma cultura e de uma nação. 

Portanto, o que consideramos errado nos planos soviéticos, além dos problemas importantíssimos do sofrimento humano e dos direitos humanos, é o desperdício criminoso da civilização e da cultura. Pois a unidade nacional soviética não é criada pela unificação de ideias e culturas, mas pela destruição completa de todas as culturas e ideias, com exceção de uma — a soviética».

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