Na mais recente troca dos POW, Ucrânia conseguiu a libertação dos 146 civis e militares. Entre os libertos está Volodymyr Mykolayenko (65), o ex-presidente da Câmara
Municipal de Kherson, que ficou detido 3,5 anos nas masmorras russas.
Comparem as suas fotos, antes e após o cativeiro russo...
«Não vi nada além de betão e grades. Hoje é o meu segundo aniversário», disse Volodymyr Mykolayenko, o ex-presidente da Câmara de Kherson
(entre 2014 à 2020), um civil de 65 ele foi raptado pelos ocupantes russos em abril de 2022, passando três anos e meio nas masmorras russas. Sendo civil, ao abrigo de Convenção de Genebra, ele nem sequer deveria ser preso, mais um crime de guerra dos ocupantes russos. Além disso, Sr. Volodymyr poderia ser libertado ainda em 2022, mas ele próprio cedeu
a sua vez, para que um outro ucraniano, gravemente doente, poderia ser libertado mais depressa e assim sobreviver.
Volodymyr Mykolayenko em 2020 e no momento da sua libertação
Interrogado, anteriormente à frente de uma câmara de TV, por um propagandista russo, muito possivelmente ameaçado de não ser trocado, caso responder de uma forma «errada» Volodymyr Mykolayenko foi firme à dizer:
«Roman Shukhevych é um Herói da Ucrânia, que lutou pela Ucrânia independente».
Nunca haverá perdão aos ocupantes e aos propagandistas russos!
Em 30 de junho de 1941, a Assembleia Nacional Ucraniana proclamou o Ato de Restauração do Estado ucraniano em Lviv. Uma tentativa de conseguir a Independência da Ucrânia, rejeitada, completamente, pelo poder ocupante, Alemanha nazi.
Após a derrota da Revolução Ucraniana de 1917-1921, Ucrânia perdeu sua Independência e suas terras passaram a fazer parte da URSS, Polónia, Romênia
e Checoslováquia.
No entanto, os ucranianos não renunciaram a ideia de Independência. O governo da República Popular da Ucrânia (UNR) no exílio, círculos pró-Hetman
Skoropadskiy e organizações nacionalistas continuaram a luta pela criação de um Estado independente. No período entreguerras, a jovem geração de patriotas ucranianos, unida
nas fileiras da Organização dos Nacionalistas Ucranianos (OUN), assumiu essa liderança.
A posição mais radical foi defendida pela ala revolucionária da OUN, liderada por Stepan Bandera. OUN(R) planeava usar a guerra germano-soviética (que parecia inevitável)
para lançar a luta por um Estado ucraniano soberano. Grupos de marcha (até 6 mil pessoas) estavam sendo preparados para avançar para o território da União Soviética seguindo a Wehrmacht.
Ao mesmo tempo, a OUN(R) não divulgou suas intenções, buscando apresentar às autoridades alemãs um fato consumado.
As tropas soviéticas deixaram Lviv em 29 de junho de 1941. E já às 4h30 da manhã de 30 de junho, sem esperar pelas principais forças do exército alemão,
o batalhão Nachtigall (o grupo norte da «Brigada dos Nacionalistas Ucranianos» (DUN), criada após negociações entre a OUN e a Abwehr, contava com 330 combatentes liderados por Roman Shukhevych), que garantiria a proclamação do ato de formação do Estado ucraniano.
Batalhão Nachtigall nas ruas de Lviv, 30 de junho de 1941
Poucas horas depois, um grupo de marcha liderado por Yaroslav Stetsko entrou em Lviv, a quem o Comité Nacional Ucraniano havia concedido autoridade para declarar a Independência.
As negociações foram prontamente realizadas com figuras importantes do movimento político ucraniano. Às 18h no prédio da «Prosvita» local, na Praça Rynok, teve início
a Assembleia Nacional Ucraniana, com a presença de mais de 100 delegados de toda a Ucrânia, além do representante do Metropolita Andriy Sheptytsky, Yosyp Slipy.
Moradores de Lviv aguardam a proclamação do Ato de Restauração do Estado Ucraniano. 30 de junho de 1941.
A assembleia proclamou a restauração
do Estado ucraniano («pela vontade do povo ucraniano, a Organização dos Nacionalistas Ucranianos, sob a liderança de Stepan Bandera, proclama a restauração do Estado ucraniano, pelo
qual gerações inteiras dos melhores filhos da Ucrânia tombaram») e a criação de um governo provisório chefiado por Yaroslav Stetsko - o Conselho Estatal Ucraniano. Por razões
diplomáticas, um terceiro ponto foi adicionado no último momento, proclamando maior cooperação com a «Grande Alemanha» (não constava na primeira versão do documento). No
entanto, não protegeu contra novas repressões e foi amplamente utilizado na propaganda inimiga.
O texto original do Ato, assinado pelo Yaroslav Stetsko
O ato conclamava os ucranianos a «não deporem as armas até que o Poder Soberano Ucraniano fosse estabelecido em todas as terras ucranianas». O próximo passo
seria a restauração do Estado ucraniano em Kyiv.
O texto do documento foi transmitido duas vezes pelo rádio. O Comité Nacional Ucraniano em Cracóvia emitiu um boletim informativo sobre o assunto no dia seguinte (o primeiro
e, ao mesmo tempo, o último). Autoridades ucranianas foram rapidamente criadas e iniciaram suas atividades em muitos assentamentos da Ucrânia Ocidental.
O texto do Ato publicado na imprensa ucraniana, 10 de Julho de 1941
A preparação do Ato foi realizada em segredo e foi uma completa surpresa para as autoridades alemãs de ocupação. Em 30 de junho, dois oficiais alemães,
tendo ouvido falar da reunião, chegaram a ela após seu início e, a princípio, tinham pouca ideia do que estava acontecendo. O professor Hans Koch fez um discurso cauteloso, enfatizando que a criação
de um Estado ucraniano não fazia parte dos planos imediatos da Alemanha. Mas, em poucos dias, as ações dos alemães tornaram-se mais duras.
Em 3 de julho de 1941, em conversa com o Secretário de Estado Adjunto do Reich, Ernst Kund, Stepan Bandera declarou: «Entramos na batalha que se desenrola agora para lutar por
uma Ucrânia independente e livre. Lutamos pelas ideias e objetivos ucranianos. Dei a ordem para organizar imediatamente a administração e o governo do país nas áreas ocupadas pelas tropas
alemãs... Gostaria de reafirmar e esclarecer que, em relação a todas as ordens que dei,... não confiei em nenhuma autoridade alemã, nem em seu consentimento, mas apenas no mandato que recebi
do povo ucraniano».
Alemães foram incapazes de convencer Stepan Bandera e Yaroslav Stetsko a revogar o Ato, os dois foram presos alguns dias depois e posteriormente enviados para o campo de concentração
de Sachsenhausen. Em 11 de julho de 1941, as atividades de qualquer organização ucraniana foram proibidas e, em setembro de 1941, os nazistas iniciaram prisões e execuções em massa de membros
da OUN(R). No total, até o final de 1941, os alemães haviam fisicamente eliminado 15 e colocando outros 300 altos funcionários da OUN-R em campos de concentração [fonte].
O
sexo na União Soviética passou por quatro grandes transformações fundamentais, desde
a libertinagem sexual e propaganda de “esposas comuns” entre os bolcheviques da
década de 1920, a castidade gélida estalinista, seguida do “degelo”
do Brezhnev e, finalmente, um boom sexual nos meados da década de 1980.
“Doze
Mandamentos Sexuais do Proletariado Revolucionário”
Após
o golpe bolchevique de outubro de 1917, no “país renovado dos sovietes”, muita
coisa era feita sob o princípio “de qualquer forma, mas não como na época czarista”.
O construtivismo substituiu o eclectismo arquitetónico, os fatos elegantes
deram lugar ao “minimalismo proletário”, e muitos outros aspectos do quotidiano
foram revistos, por exemplo, acreditava-se que não deveriam existir os tabus ou
proibições na vida pessoal, que as mulheres deveriam se tornar quase a “propriedade
pública”.
Na
década de 1920, em Moscovo e em outras grandes cidades da URSS, ainda existiam
diversos bordeis e [a prostituição homossexual masculina era exercida nos
banhos públicos ou praticada entre alta liderança do RKKA e armada soviética, a
mesma foi proibida e punida em termos da lei na Rússia Soviética, no período entre
março de 1934 e
junho de 1993].
Em 1924, a Universidade Comunista Sverdlov[formava quadros comunistas entre 1918 e 1937] publicou o famoso livro “12 mandamentos sexuais do
proletariado”, uma espécie de mandamentos de uma nova fé comunista, que pregava,
por exemplo que “a seleção sexual deve ser construída ao longo da linha da conveniência
revolucionária da classe proletária. Na relação amorosa não devem existir os elementos
de flirt, namoro, coqueteria e outros métodos de conquista sexual especial” (9º
mandamento); [“não devem existir ciúmes” (10º mandamento) ou “não devem existir
as perversões sexuais” (11º mandamento)].
O
texto completo dos mandamentos sexuais soviéticos:
Com
a chegada ao poder do Estaline, a atitude em relação ao sexo começou a mudar radicalmente
– os impulsos “revolucionários” dos bolcheviques da primeira leva foram gradualmente
suprimidos, o tema do sexo desapareceu, quase por completo, do
discurso público. Ninguém escrevia, nem falava abertamente sobre sexo, nos
jornais médicos desapareceram as menções do orgasmo feminino. Em geral, o
nascimento do famoso conceito: “na URSS não há sexo!” (a frase dita num “ponto
televisivo” entre URSS e EUA em 1986), pode ser atribuído ao estalinismo.
“O
sexo é imoral!”
Cena de um filme soviético
Nas
décadas 1950-1960, as crianças eram frequentemente educadas com a ideia de que
o sexo é algo imoral. Não se falava sobre o sexo em voz alta; as crianças nasciam,
mas o processo de sua concepção era considerado algo “impuro”. Os filmes
soviéticos do realismo socialista não abordavam o tema. Um filme típico sobre as
relações entre dois géneros parecia com isto: o jovem tratorista Ivan vem ter com
a robusta operadora leiteira Masha (ambos vestidos com casacos acolchoados),
eles se passeiam pela aldeia de mãos dados. Ivan toca acordeão e conta à Masha
das realizações dos planos quinquenais, após disso, quase imediatamente, aparece
uma criança, saindo da maternidade toda rosada e com os dentes do bebé de seis
meses.
Naturalmente,
o sexo existia na URSS. Nos apartamentos comunais, na situação de limitação da
vida privada e défice do espaço pessoal, muitas vezes tomava as formas bizarras
– o sexo era praticado nos banheiros ou durante a noite numa cozinha comunal,
atrás da porta fechada. Devido à falta do mais elementar conhecimento da
sexualidade, a União Soviética teve um enorme número de abortos legais e
clandestinos (abortos eram proibidos na URSS entre 1936 e 1955) – de acordo com
os médicos, chegava-se aos 40 abortos por turno, algumas mulheres faziam abortos
à cada 2-3 meses. As relações entre os géneros eram bastante atrasadas
culturalmente, ao estilo “bate é porque ama”, o orgasmo feminino era considerado
como uma opção dispensável, uma mulher deveria “dar” à primeira demanda do “sexo
mais forte”.
Além
do analfabetismo geral e da falta de informação no domínio de sexualidade, a
vida sexual também era dificultada pela quase total ausência de meios de
contracepção. A URSS produzia preservativos, o “produto №2”, da foto em baixo, foi
fabricado em setembro de 1955, mas, na realidade, até os meados da década de 1970, os
preservativos eram um produto raríssimo e absolutamente escasso [a URSS
produzia cerca de 17 preservativos por cada cidadão sexualmente ativo ao ano],
quer nas cidades principais, e em um grau muito maior nas zonas rurais. Os preservativos
estrangeiros eram contrabandeados na URSS, por exemplo, pelos marinheiros da marinha
mercante, mas eram casos raros e representavam uma gota na défice geral dos
contraceptivos.
A
borracha do preservativo soviético era de tal maneira grossa, que era
perfeitamente possível fazer dele uma fisga / estilingue e matar um pardal.
«Tetas – mamas»
Na
época do Brezhnev, nas décadas de 1960-1970, lentamente, aos passos de caracol,
mas a situação começou a mudar para melhor. Sobre o sexo ainda não se falava abertamente,
mas os filmes e programas de TV já deixavam passar as dicas sexuais veladas. Na
URSS, de repente, se lembraram de que uma mulher pode vestir não apenas um
casaco acolchoado e um lenço terrível de mohair, mas também um poncho elegante
e um lindo fato de banho/maiô. Na imprensa tornaram-se bastante admissíveis as fotos,
absolutamente impensáveis na década de 1950:
A
atriz Svetlana Svetlichnaya
se tornou a lenda do cinema soviético, após exibir, na comédia “O Braço de Diamante” (1968),
por um par de segundos, cerca de um terço do seu peito nu [embora sem o mamilo visível].
Não se sabe como este episódio foi aceite pela censura soviética, provavelmente
o realizador (que era um grande mestre nessa matéria) conseguiu provar-lhes que
se tratava de “uma mostra de vida capitalista desenfreada, tão estranha ao
homem comum soviético”.
Enquanto isso, os “homens soviéticos”, literalmente “caçavam”
as fotos da Svetlichnaya e, vezes, sem conta, iam assistir o filme, apenas por
casa do episódio, com a duração ligeiramente superior à um minuto.
Revolução
sexual
Tudo
mudou radicalmente em 1985 após o início de Perestroika. De repente, tornou-se
POSSÍVEL falar e escrever sobre temas que eram banidas e impensáveis ainda ontem,
as pessoas começaram assistir e ler tudo aquilo o que era proibido na URSS por
décadas. Começou aparecer bastante literatura dedicada ao sexo (tanto no samizdat,
quanto de fontes oficiais), na moda entraram as roupas femininas reduzidas e
maquilhagem brilhante – se tornou popular tudo aquilo que havia sido proibido até
então.
A propaganda oficial soviética anti-SIDA/AIDA "SIDA/AIDS não dorme!"
Na
mesma época começaram as primeiras campanhas de “alfabetização” para eliminar o
analfabetismo sexual, apareceram os meios contraceptivos acessíveis e baratos; as
tais medidas, em grande parte foram tomadas em conexão com a ameaça emergente
da SIDA/AIDS.
Em geral, tornou-se óbvio para todos (incluindo para muita gente no poder) que
é impossível continuar à se desenvolver isoladamente do resto do mundo – no
ambiente do puritanismo soviético, em que o sexo era considerado algo “vergonhoso”,
e a energia sexual dos “camaradas cidadãos” só poderia ser sublimada através da
participação em alguma obra excepcionalmente colossal de “construção socialista”.
Fotos
@GettyImages e Internet | Texto@Maxim
Mirovich e [@Ucrânia em África]
No meio: Yevhen Konovalets (1891-1938), o fundador da OUN, assassinado pelo NKVD na Holanda
O filme “Serviço da Segurança
da Organização dos Nacionalistas Ucranianos. Portas fechadas” do realizador
ucraniano Vitaly Zahoruyko é a primeira película documental ucraniana sobre o departamento
mais secreto da OUN.SB
OUNdeixou pouca informação sobre o seu funcionamento, espaço que a
propaganda soviética apressou-se à preencher com diversos boatos malignos.
Uma grande parte dos
documentos sobre SB OUN desapareceu para sempre nos arquivos soviéticos, outros
foram destruídos pelos próprios operativos da SB, nos últimos momentos das suas
vidas, para que estes não caírem nas mãos do NKVD.
O filme conta com o
depoimento de um antigo operativo do SB OUN, uma resistente que servia de
correio clandestino do Exército Insurgente da Ucrânia (UPA) e o guarda-costas
pessoal do general
Roman Shukhevych, um dos mais conhecidos líderes e comandantes do UPA.
O realizador e autor do
guião Vitaly Zahoruyko é natural de Donbas e já realizou alguns filmes documentais
e programas da TV. A equipa de produção foi consultada pelo Centro de Estudos
dos movimentos da libertação e pelo Arquivo estatal da secreta ucraniana SBU.
Nas filmagens participaram cerca de 70 membros da sociedade da procura das
vítimas da guerra “Memória”,
foram usadas diversas viaturas e blindados, empregues os efeitos da pirotecnia. As filmagens decorreram
no Museu nacional-memorial das vítimas dos regimes de ocupação “Cadeia na Lonckoho”, outros locais da cidade e da
região de Lviv.
Ver
o filme no YouTube (55 minutos):
www.youtube.com/watch?v=kpHE7AYz5iw
SB OUN vs NKVD
“O
Serviço de contra-inteligência dos nacionalistas ucranianos conseguiu rastrear,
bastante rapidamente, algumas casas seguras do NKVD em Lviv. O método da sua técnica
de vigilância foi extremamente simples; eles começavam ao lado do edifício do
departamento do NKVD da cidade e acompanhavam todo mundo que de lá saía com as roupas
civis e (calçando) as botas, o que denunciava neles um militar: os membros do
NKVD ucraniano escondiam o seu fardamento debaixo dos casacos, esquecendo um “pormenor”
como o calçado. Eles, aparentemente não tiveram em consideração que na Ucrânia
Ocidental as botas eram usadas apenas pelos militares. No entanto, como é que
eles poderiam saber disso, quando na parte da Ucrânia soviética todos calçavam as
botas, pois não era possível arranjar nenhum outro calçado?” (Pavel Sudoplatov, Operações
Especiais: Lubyanka e Kremlin: 1930-1950).
Ou
seja, em Lviv e nas outras cidades da Ucrânia Ocidental, os homens, normalmente
calçavam os sapatos. E apenas os militares, polícia e membros da secreta soviética calçavam
as botas de kirzaque pouquíssimo condiziam
com os seus fatos e casacos ocidentais, “libertados” pelas forças soviéticas algures
na Europa Ocidental, no final da II G.M.
Bónus
Na
cidade russa de Krasnoyarsk,
recentemente foi erguido o monumento ao alcoólico anónimo que certamente
representa alguma coisa na psique da populaça local ou se calhar não (FONTE)...
No dia 5 de março de 1950, no combate com destacamento do
NKVD, morreu o comandante-em-chefe do Exército Insurgente Ucraniano (UPA), o
general Roman Shukhevych (ler Recordar
general Roman Shukhevych e O
mistério da morte do Roman Shukhevych). Para assinalar a data, o Arquivo
eletrónico do movimento de libertação (avr.org.ua),
colocou para a consulta pública a correspondência do general Shukhevych com
outros líderes da resistência ucraniana.
Além disso, em conjunto com o Arquivo da secreta ucraniana SBU, o Centro
divulgou a coleção de documentos ligados ao general, nomeadamente as
suas cartas para os oficiais do UPA, para os líderes da OUN, o processo
criminal polaco contra o seu pai, Yosyp, datado de 1923, as cartas familiares,
entre outros.
Entre a correspondência com a liderança da UPA, se destacam as cartas
trocadas entre general Shukhevych e o seu vice, Vasyl Kuk (1913 – 2007) e a
carta ao temível e eficiente chefe do Serviço da segurança da OUN (SB OUN), Mykola
Arsenych. As cartas mostram que para além das alcunhas conhecidas,
Shukhevych também usava os nomes da guerra como “Mamay” ou “171”, — conta o historiador
ucraniano, vice-diretor do Arquivo do SBU, Volodymyr Birchak.
Roman Shukhevych com o filho Yuri
A história da família do Roman Shukhevych foi muito sofrida, para não dizer
trágica. O seu filho Yuri
Shukhevych passou 31 anos nas cadeias e campos de concentração soviéticos
pelo simples facto de ser filho do comandante supremo do UPA. Numa das cartas,
à sua mãe, Natália Shukhevych, Yuri conta sobre o seu quotidiano, mostra-se
feliz pela chegada das festas natalinas, ao mesmo tempo, já como adulto,
assegura à mãe que está cuidar da irmã Maria e acompanha os seus estudos.
Carta do Yuri e Maria Shukhevych à sua mãe, Natália, 29.XII.1946
Todos os materiais colocados na página do Arquivo electrónico podem ser
consultados e copiados livremente. O Arquivo, que neste momento reúne 20.501
documentos, é o projeto conjunto do Centro dos estudos do movimento de
libertação, da Universidade Nacional de Lviv “Ivan Franko” e do Museu Nacional “Cadeia
na Lonckoho”. O objetivo do Arquivo é fazer acessível a história e passado da
Ucrânia.
Desde 2015 na Ucrânia foi restabelecido o acesso livre aos documentos dos
serviços secretos soviéticos (CheKa-NKVD-KGB), disponíveis ao público em
2008-2010. O acesso livre à estes documentos é garantido aos cidadãos pela
legislação ucraniana e pela Recomendação № R (2000) 13 do Comité dos Ministros
do Conselho da Europa. A legislação europeia encara a garantia deste acesso
como o sinal da democracia da sociedade e a chance de conhecer
os elementos da sua própria história objetivamente.
Para que isso seja possível, na Ucrânia foi iniciado o processo da retirada
dos arquivos históricos do domínio dos serviços secretos. Os iniciadores do
processo estão convencidos que este passo permitirá não apenas conhecer o seu
passado histórico, mas também será a garantia do não retorno das práticas
totalitárias no decorrer do funcionamento das instituições da lei e ordem e dos
serviços secretos da Ucrânia independente.
O serviço de imprensa do Centro dos estudos do movimento de libertação:
Nos EUA, a voluntário ucraniano Bohdan Polovko, iniciou o projetoTech Drive For Ukrainian Soldiers, que recebe as doações: os telemóveis e tablets que de
seguida são entregues às Forças Armadas da Ucrânia. A primeira remessa dos
aparelhos já foi enviada à Ucrânia, informa a página Vidia.org.
O objetivo do projeto é apetrechar os militares ucranianos com os
telemóveis e tablets modernos que funcionam na plataforma Android e possuem o
sistema GPS.
“Para um comandante militar o tablet é o mapa da zona da sua atuação com
todos os objetos estratégicos, tabelas de cálculo, uma grande de dados militares,
outras informações militares muito melhor protegidas”, – explica o autor da
iniciativa.
O ativista nova-iorquino recolhe os aparelhos às pessoas que querem apoiar
os militares ucranianos. Os telemóveis e tablets receberão o soft oficial do Ministério da Defesa da
Ucrânia, o sistema GPS permitirá aos militares ucranianos se mover no escuro
com as luzes das viaturas desligadas. Os aparelhos também permitirão dirigir os
DRONes de reconhecimento.
A primeira recolha dos aparelhos se deu no dia das eleições legislativas
(26.10.2014), no local de votação em Nova Iorque, contou Bohdan Polovko. Na ocasião,
as pessoas queriam saber mais sobre o projecto, mas logo à seguir, começaram
doar os seus telemóveis e os tablets.
“Na sua maioria, as pessoas oferecem os tablets Apple, enquanto o soft instalado será desenhado para a
plataforma de Android. Inicialmente, tinha que recusar algumas ofertas, mas
depois percebi do que os aparelhos Apple podem ser trocados pelos aparelhos
que usam o sistema Android. O que será feito nas lojas que comercializam
produtos eletrónicos”, – explicou o voluntário ucraniano.
O primeiro lote de 10 telemóveis e um tablet que
custou 900 dólares já foi enviado à Ucrânia. Dado à afluência das oferendas,
logo que o próximo lote será completado, este será imediatamente enviado aos
militares. De momento, Bohdan Polovko procura pelo espaço em Nova Iorque onde
as pessoas poderão entregar os aparelhos que salvarão as vidas dos civis e dos militares
ucranianos no decorrer da guerra de libertação, ora em curso.
O dia 14.10.2014 entrará na história da Ucrânia como o dia em que o país finalmente rompeu com o
passado soviético no domínio militar. Neste dia, o presidente Petró Poroshenko
assinou a Ordem presidencial № 806/2014 sobre a constituição do “Dia do
Defensor da Ucrânia”.
O texto do Decreto diz:
Para honrar a coragem e o heroísmo dos defensores da independência e da integridade
territorial da Ucrânia, das tradições militares e das conquistas do povo
ucraniano, promovendo ainda mais o reforço do espírito patriótico na sociedade
e para apoiar as iniciativas da sociedade, decreto:
1. Instalar um feriado na Ucrânia – o Dia do Defensor da Ucrânia, que será comemorado
anualmente em 14 de outubro.
A cidade de Kharkiv recorda e reconhece UPA
O mesmo decreto também anulou o Decreto do Presidente da Ucrânia № 202 de
23 de fevereiro de 1999 que institucionalizava a celebração do dia 23 de
fevereiro como o “Dia do defensor da Pátria”, feriado que transitou da época
soviética para o quotidiano da Ucrânia independente.
Em frente do Parlamento da Ucrânia decorreram os confrontos entre
manifestantes e polícia, que resultaram em 15 polícias feridos (2 com
gravidade) e detenção de pelo menos 50 manifestantes.
O assessor do ministro do interior da Ucrânia, Anton
Gerashchenko, informou que a polícia deteve pelo menos 50 participantes na provocação,
que “atiravam as pedras, partiam vidros, atiravam os pacotes explosivos, atacavam os
polícias”, estes últimos sofreram “ferimentos na cabeça, tiveram os braços e articulações fraturados”.
Anton Gerashenko informou que todas as infracções foram registadas em vídeo
e não descartou a possibilidade do que: “atrás dos organizadores das provocações
estarem as agências de inteligência estrangeiras da Federação Russa”.
Os atacantes não conseguiram perturbar o trabalho do Parlamento ucraniano
que adotou favoravelmente uma série de leis anti-corrupção, de lustração
(limpeza do poder), de responsabilização de falsificação do processo eleitoral
(com a responsabilidade aos que “compram”, mas também aos que “vendem” os
votos), entre outros.
“O Ministério do Interior apela à todas as forças políticas de abster-se de
realização de ações de massa em Kyiv até o dia da eleições em 26 de outubro,
pois (taisações) podem ser usadas para os fins de provocação pelos inimigos
da Ucrânia”, – escreveu Gerashchenko no seu perfil na Facebook.
O Parlamento no seu plenário de 14 de outubro por algumas vezes tentou
incluir na agenda dos trabalhos o decreto-lei sobre o reconhecimento do Exército
Insurgente da Ucrânia (UPA) e da Organização dos Nacionalistas da Ucrânia (OUN)
como a parte beligerante que lutou pela independência da Ucrânia na Segunda
Guerra Mundial, mas para já sem sucesso, escreve Newsru.ua
A jornalista e ativista ucraniana, Tetiana Chornovol, que foi brutalmente
espancada quase até a morte pelos gorilas do Yanukovych em dezembro de 2013 e
que em 2014 perdeu o marido na OAT, defendeu corajosamente a polícia ucraniana
contra os provocadores que atacaram o parlamento.
https://www.youtube.com/watch?v=3LLhuuse6jY
É de recordar que os provocadores que atacaram o Parlamento ucraniano no
dia 14 de outubro, usam as mesmas ferramentas e técnicas que foram empregues em dezembro de 2013
nas imediações da Administração presidencial. Em 2013 a ação foi comandada pelo
Dmytro Korchynsky e executada pelo seu grupo pseudo religioso “Bratstvo” (Irmandade).
O próprio Korchynsky é conhecido como agente-provocador e como demonstra a foto
de 2005, no passado recente era o melhor amigo do Dugin, que de momento
exorta “matar, matar, matar” os ucranianos... Aqui aplica-se perfeitamente a
regra de “diga me quem é seu amigo e eu direi quem tu és”.
Ano 2005, Dugin e Korchynsky na luta conjunta contra o atlantismo ocidental.
Dugin recebe no serviços secretos do seu país, onde recebe Korchynsky só é possível imaginar...
A manifestação em frente do parlamento foi organizada pela VO Svoboda (Liberdade),
o seu líder Oleh Tiahnybok
escreveu no seu Facebook que o partido irá apresentar o projeto-lei № 3530 “Sobre
a proibição de ideologia comunista”. Além disso, VO Svoboda apoiava favoravelmente
as leis anti-corrupção e a lei sobre a Procuradoria, além da lei sobre o
reconhecimento da OUN-UPA (o projeto-lei reuniu 222 votos favoráveis dos 226
necessários).
Marcha de UPA em Kharkiv
Na cidade de Kharkiav, a Marcha do UPA reuniu milhares de pessoas, a ação
decorreu na maior tranquilidade (FONTE).
Para comemorar mais um
aniversário da criação do Exército Insurgente Ucraniano (UPA),
formação nacionalista que lutou pela libertação nacional da Ucrânia contra invasores
nazis e soviéticos, o colecionador ucraniano Oleksandr Bashta de Ternopil criou uma série de
soldadinhos de bronze com o nome de “Exército insurgente”.
O tamanho de figurinhas
é de 40 mm. A coleção inclui uma caixa e panfleto informativo sobre UPA. As
imagens não são aleatórias, pelo menos duas delas foram inspiradas nas
fotografias reais do comandante-em-chefe do UPA, general Roman Shukhevych e o centenário
do UPA “Hamalia” (Vasyl Skryhunets).
A coleção tem uma tiragem
bastante limitada que a torna mais apelativa aos olhos dos colecionadores.