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domingo, agosto 24, 2025

Ucrânia consegue libertação do ex-presidente da Câmara Municipal de Kherson

Na mais recente troca dos POW, Ucrânia conseguiu a libertação dos 146 civis e militares. Entre os libertos está Volodymyr Mykolayenko (65), o ex-presidente da Câmara Municipal de Kherson, que ficou detido 3,5 anos nas masmorras russas.

Comparem as suas fotos, antes e após o cativeiro russo...

Volodymyr Mykolayenko antes de depois do cativeiro russo...

«Não vi nada além de betão e grades. Hoje é o meu segundo aniversário», disse Volodymyr Mykolayenko, o ex-presidente da Câmara de Kherson (entre 2014 à 2020), um civil de 65 ele foi raptado pelos ocupantes russos em abril de 2022, passando três anos e meio nas masmorras russas. Sendo civil, ao abrigo de Convenção de Genebra, ele nem sequer deveria ser preso, mais um crime de guerra dos ocupantes russos. Além disso, Sr. Volodymyr poderia ser libertado ainda em 2022, mas ele próprio cedeu a sua vez, para que um outro ucraniano, gravemente doente, poderia ser libertado mais depressa e assim sobreviver.

Volodymyr Mykolayenko em 2020 e no momento da sua libertação

Interrogado, anteriormente à frente de uma câmara de TV, por um propagandista russo, muito possivelmente ameaçado de não ser trocado, caso responder de uma forma «errada» Volodymyr Mykolayenko foi firme à dizer: «Roman Shukhevych é um Herói da Ucrânia, que lutou pela Ucrânia independente».

Nunca haverá perdão aos ocupantes e aos propagandistas russos!

domingo, junho 29, 2025

A restauração do Estado ucraniano em Lviv em 1941

Em 30 de junho de 1941, a Assembleia Nacional Ucraniana proclamou o Ato de Restauração do Estado ucraniano em Lviv. Uma tentativa de conseguir a Independência da Ucrânia, rejeitada, completamente, pelo poder ocupante, Alemanha nazi. 

Após a derrota da Revolução Ucraniana de 1917-1921, Ucrânia perdeu sua Independência e suas terras passaram a fazer parte da URSS, Polónia, Romênia e Checoslováquia.

No entanto, os ucranianos não renunciaram a ideia de Independência. O governo da República Popular da Ucrânia (UNR) no exílio, círculos pró-Hetman Skoropadskiy e organizações nacionalistas continuaram a luta pela criação de um Estado independente. No período entreguerras, a jovem geração de patriotas ucranianos, unida nas fileiras da Organização dos Nacionalistas Ucranianos (OUN), assumiu essa liderança.

A posição mais radical foi defendida pela ala revolucionária da OUN, liderada por Stepan Bandera. OUN(R) planeava usar a guerra germano-soviética (que parecia inevitável) para lançar a luta por um Estado ucraniano soberano. Grupos de marcha (até 6 mil pessoas) estavam sendo preparados para avançar para o território da União Soviética seguindo a Wehrmacht. Ao mesmo tempo, a OUN(R) não divulgou suas intenções, buscando apresentar às autoridades alemãs um fato consumado.

As tropas soviéticas deixaram Lviv em 29 de junho de 1941. E já às 4h30 da manhã de 30 de junho, sem esperar pelas principais forças do exército alemão, o batalhão Nachtigall (o grupo norte da «Brigada dos Nacionalistas Ucranianos» (DUN), criada após negociações entre a OUN e a Abwehr, contava com 330 combatentes liderados por Roman Shukhevych), que garantiria a proclamação do ato de formação do Estado ucraniano.

Batalhão Nachtigall nas ruas de Lviv, 30 de junho de 1941

Poucas horas depois, um grupo de marcha liderado por Yaroslav Stetsko entrou em Lviv, a quem o Comité Nacional Ucraniano havia concedido autoridade para declarar a Independência. As negociações foram prontamente realizadas com figuras importantes do movimento político ucraniano. Às 18h no prédio da «Prosvita» local, na Praça Rynok, teve início a Assembleia Nacional Ucraniana, com a presença de mais de 100 delegados de toda a Ucrânia, além do representante do Metropolita Andriy Sheptytsky, Yosyp Slipy. 


Moradores de Lviv aguardam a proclamação do Ato de Restauração do Estado Ucraniano.
30 de junho de 1941.

A assembleia proclamou a restauração do Estado ucraniano («pela vontade do povo ucraniano, a Organização dos Nacionalistas Ucranianos, sob a liderança de Stepan Bandera, proclama a restauração do Estado ucraniano, pelo qual gerações inteiras dos melhores filhos da Ucrânia tombaram») e a criação de um governo provisório chefiado por Yaroslav Stetsko - o Conselho Estatal Ucraniano. Por razões diplomáticas, um terceiro ponto foi adicionado no último momento, proclamando maior cooperação com a «Grande Alemanha» (não constava na primeira versão do documento). No entanto, não protegeu contra novas repressões e foi amplamente utilizado na propaganda inimiga.

O texto original do Ato, assinado pelo Yaroslav Stetsko

O ato conclamava os ucranianos a «não deporem as armas até que o Poder Soberano Ucraniano fosse estabelecido em todas as terras ucranianas». O próximo passo seria a restauração do Estado ucraniano em Kyiv.

O texto do documento foi transmitido duas vezes pelo rádio. O Comité Nacional Ucraniano em Cracóvia emitiu um boletim informativo sobre o assunto no dia seguinte (o primeiro e, ao mesmo tempo, o último). Autoridades ucranianas foram rapidamente criadas e iniciaram suas atividades em muitos assentamentos da Ucrânia Ocidental.

O texto do Ato publicado na imprensa ucraniana, 10 de Julho de 1941

A preparação do Ato foi realizada em segredo e foi uma completa surpresa para as autoridades alemãs de ocupação. Em 30 de junho, dois oficiais alemães, tendo ouvido falar da reunião, chegaram a ela após seu início e, a princípio, tinham pouca ideia do que estava acontecendo. O professor Hans Koch fez um discurso cauteloso, enfatizando que a criação de um Estado ucraniano não fazia parte dos planos imediatos da Alemanha. Mas, em poucos dias, as ações dos alemães tornaram-se mais duras.

Em 3 de julho de 1941, em conversa com o Secretário de Estado Adjunto do Reich, Ernst Kund, Stepan Bandera declarou: «Entramos na batalha que se desenrola agora para lutar por uma Ucrânia independente e livre. Lutamos pelas ideias e objetivos ucranianos. Dei a ordem para organizar imediatamente a administração e o governo do país nas áreas ocupadas pelas tropas alemãs... Gostaria de reafirmar e esclarecer que, em relação a todas as ordens que dei,... não confiei em nenhuma autoridade alemã, nem em seu consentimento, mas apenas no mandato que recebi do povo ucraniano».

Alemães foram incapazes de convencer Stepan Bandera e Yaroslav Stetsko a revogar o Ato, os dois foram presos alguns dias depois e posteriormente enviados para o campo de concentração de Sachsenhausen. Em 11 de julho de 1941, as atividades de qualquer organização ucraniana foram proibidas e, em setembro de 1941, os nazistas iniciaram prisões e execuções em massa de membros da OUN(R). No total, até o final de 1941, os alemães haviam fisicamente eliminado 15 e colocando outros 300 altos funcionários da OUN-R em campos de concentração [fonte].

sexta-feira, setembro 01, 2017

Sexo na URSS: as 4 estações principais

O sexo na União Soviética passou por quatro grandes transformações fundamentais, desde a libertinagem sexual e propaganda de “esposas comuns” entre os bolcheviques da década de 1920, a castidade gélida estalinista, seguida do “degelo” do Brezhnev e, finalmente, um boom sexual nos meados da década de 1980.

“Doze Mandamentos Sexuais do Proletariado Revolucionário”

Após o golpe bolchevique de outubro de 1917, no “país renovado dos sovietes”, muita coisa era feita sob o princípio “de qualquer forma, mas não como na época czarista”. O construtivismo substituiu o eclectismo arquitetónico, os fatos elegantes deram lugar ao “minimalismo proletário”, e muitos outros aspectos do quotidiano foram revistos, por exemplo, acreditava-se que não deveriam existir os tabus ou proibições na vida pessoal, que as mulheres deveriam se tornar quase a “propriedade pública”.

Na década de 1920, em Moscovo e em outras grandes cidades da URSS, ainda existiam diversos bordeis e [a prostituição homossexual masculina era exercida nos banhos públicos ou praticada entre alta liderança do RKKA e armada soviética, a mesma foi proibida e punida em termos da lei na Rússia Soviética, no período entre março de 1934 e junho de 1993]. Em 1924, a Universidade Comunista Sverdlov [formava quadros comunistas entre 1918 e 1937] publicou o famoso livro “12 mandamentos sexuais do proletariado”, uma espécie de mandamentos de uma nova fé comunista, que pregava, por exemplo que “a seleção sexual deve ser construída ao longo da linha da conveniência revolucionária da classe proletária. Na relação amorosa não devem existir os elementos de flirt, namoro, coqueteria e outros métodos de conquista sexual especial” (9º mandamento); [“não devem existir ciúmes” (10º mandamento) ou “não devem existir as perversões sexuais” (11º mandamento)].

O texto completo dos mandamentos sexuais soviéticos:
Com a chegada ao poder do Estaline, a atitude em relação ao sexo começou a mudar radicalmente – os impulsos “revolucionários” dos bolcheviques da primeira leva foram gradualmente suprimidos, o tema do sexo desapareceu, quase por completo, do discurso público. Ninguém escrevia, nem falava abertamente sobre sexo, nos jornais médicos desapareceram as menções do orgasmo feminino. Em geral, o nascimento do famoso conceito: “na URSS não há sexo!” (a frase dita num “ponto televisivo” entre URSS e EUA em 1986), pode ser atribuído ao estalinismo.

“O sexo é imoral!”
Cena de um filme soviético
Nas décadas 1950-1960, as crianças eram frequentemente educadas com a ideia de que o sexo é algo imoral. Não se falava sobre o sexo em voz alta; as crianças nasciam, mas o processo de sua concepção era considerado algo “impuro”. Os filmes soviéticos do realismo socialista não abordavam o tema. Um filme típico sobre as relações entre dois géneros parecia com isto: o jovem tratorista Ivan vem ter com a robusta operadora leiteira Masha (ambos vestidos com casacos acolchoados), eles se passeiam pela aldeia de mãos dados. Ivan toca acordeão e conta à Masha das realizações dos planos quinquenais, após disso, quase imediatamente, aparece uma criança, saindo da maternidade toda rosada e com os dentes do bebé de seis meses.

Naturalmente, o sexo existia na URSS. Nos apartamentos comunais, na situação de limitação da vida privada e défice do espaço pessoal, muitas vezes tomava as formas bizarras – o sexo era praticado nos banheiros ou durante a noite numa cozinha comunal, atrás da porta fechada. Devido à falta do mais elementar conhecimento da sexualidade, a União Soviética teve um enorme número de abortos legais e clandestinos (abortos eram proibidos na URSS entre 1936 e 1955) – de acordo com os médicos, chegava-se aos 40 abortos por turno, algumas mulheres faziam abortos à cada 2-3 meses. As relações entre os géneros eram bastante atrasadas culturalmente, ao estilo “bate é porque ama”, o orgasmo feminino era considerado como uma opção dispensável, uma mulher deveria “dar” à primeira demanda do “sexo mais forte”.

Além do analfabetismo geral e da falta de informação no domínio de sexualidade, a vida sexual também era dificultada pela quase total ausência de meios de contracepção. A URSS produzia preservativos, o “produto №2”, da foto em baixo, foi fabricado em setembro de 1955, mas, na realidade, até os meados da década de 1970, os preservativos eram um produto raríssimo e absolutamente escasso [a URSS produzia cerca de 17 preservativos por cada cidadão sexualmente ativo ao ano], quer nas cidades principais, e em um grau muito maior nas zonas rurais. Os preservativos estrangeiros eram contrabandeados na URSS, por exemplo, pelos marinheiros da marinha mercante, mas eram casos raros e representavam uma gota na défice geral dos contraceptivos.
A borracha do preservativo soviético era de tal maneira grossa, que era perfeitamente possível fazer dele uma fisga / estilingue e matar um pardal.

«Tetas – mamas»

Na época do Brezhnev, nas décadas de 1960-1970, lentamente, aos passos de caracol, mas a situação começou a mudar para melhor. Sobre o sexo ainda não se falava abertamente, mas os filmes e programas de TV já deixavam passar as dicas sexuais veladas. Na URSS, de repente, se lembraram de que uma mulher pode vestir não apenas um casaco acolchoado e um lenço terrível de mohair, mas também um poncho elegante e um lindo fato de banho/maiô. Na imprensa tornaram-se bastante admissíveis as fotos, absolutamente impensáveis na década de 1950:
A atriz Svetlana Svetlichnaya se tornou a lenda do cinema soviético, após exibir, na comédia “O Braço de Diamante” (1968), por um par de segundos, cerca de um terço do seu peito nu [embora sem o mamilo visível]. Não se sabe como este episódio foi aceite pela censura soviética, provavelmente o realizador (que era um grande mestre nessa matéria) conseguiu provar-lhes que se tratava de “uma mostra de vida capitalista desenfreada, tão estranha ao homem comum soviético”. 
Enquanto isso, os “homens soviéticos”, literalmente “caçavam” as fotos da Svetlichnaya e, vezes, sem conta, iam assistir o filme, apenas por casa do episódio, com a duração ligeiramente superior à um minuto.

Revolução sexual

Tudo mudou radicalmente em 1985 após o início de Perestroika. De repente, tornou-se POSSÍVEL falar e escrever sobre temas que eram banidas e impensáveis ainda ontem, as pessoas começaram assistir e ler tudo aquilo o que era proibido na URSS por décadas. Começou aparecer bastante literatura dedicada ao sexo (tanto no samizdat, quanto de fontes oficiais), na moda entraram as roupas femininas reduzidas e maquilhagem brilhante – se tornou popular tudo aquilo que havia sido proibido até então.
A propaganda oficial soviética anti-SIDA/AIDA "SIDA/AIDS não dorme!"
Na mesma época começaram as primeiras campanhas de “alfabetização” para eliminar o analfabetismo sexual, apareceram os meios contraceptivos acessíveis e baratos; as tais medidas, em grande parte foram tomadas em conexão com a ameaça emergente da SIDA/AIDS. Em geral, tornou-se óbvio para todos (incluindo para muita gente no poder) que é impossível continuar à se desenvolver isoladamente do resto do mundo – no ambiente do puritanismo soviético, em que o sexo era considerado algo “vergonhoso”, e a energia sexual dos “camaradas cidadãos” só poderia ser sublimada através da participação em alguma obra excepcionalmente colossal de “construção socialista”.

Fotos @GettyImages e Internet | Texto @Maxim Mirovich e [@Ucrânia em África] 

quinta-feira, julho 02, 2015

SB OUN: a secreta da resistência ucraniana

No meio: Yevhen Konovalets (1891-1938), o fundador da OUN, assassinado pelo NKVD na Holanda
O filme “Serviço da Segurança da Organização dos Nacionalistas Ucranianos. Portas fechadas” do realizador ucraniano Vitaly Zahoruyko é a primeira película documental ucraniana sobre o departamento mais secreto da OUN. SB OUN deixou pouca informação sobre o seu funcionamento, espaço que a propaganda soviética apressou-se à preencher com diversos boatos malignos.

Uma grande parte dos documentos sobre SB OUN desapareceu para sempre nos arquivos soviéticos, outros foram destruídos pelos próprios operativos da SB, nos últimos momentos das suas vidas, para que estes não caírem nas mãos do NKVD.
O filme conta com o depoimento de um antigo operativo do SB OUN, uma resistente que servia de correio clandestino do Exército Insurgente da Ucrânia (UPA) e o guarda-costas pessoal do general Roman Shukhevych, um dos mais conhecidos líderes e comandantes do UPA.

O realizador e autor do guião Vitaly Zahoruyko é natural de Donbas e já realizou alguns filmes documentais e programas da TV. A equipa de produção foi consultada pelo Centro de Estudos dos movimentos da libertação e pelo Arquivo estatal da secreta ucraniana SBU. Nas filmagens participaram cerca de 70 membros da sociedade da procura das vítimas da guerra “Memória”, foram usadas diversas viaturas e blindados, empregues os efeitos da pirotecnia. As filmagens decorreram no Museu nacional-memorial das vítimas dos regimes de ocupação “Cadeia na Lonckoho”, outros locais da cidade e da região de Lviv.

Ver o filme no YouTube (55 minutos):
www.youtube.com/watch?v=kpHE7AYz5iw  
SB OUN vs NKVD

“O Serviço de contra-inteligência dos nacionalistas ucranianos conseguiu rastrear, bastante rapidamente, algumas casas seguras do NKVD em Lviv. O método da sua técnica de vigilância foi extremamente simples; eles começavam ao lado do edifício do departamento do NKVD da cidade e acompanhavam todo mundo que de lá saía com as roupas civis e (calçando) as botas, o que denunciava neles um militar: os membros do NKVD ucraniano escondiam o seu fardamento debaixo dos casacos, esquecendo um “pormenor” como o calçado. Eles, aparentemente não tiveram em consideração que na Ucrânia Ocidental as botas eram usadas apenas pelos militares. No entanto, como é que eles poderiam saber disso, quando na parte da Ucrânia soviética todos calçavam as botas, pois não era possível arranjar nenhum outro calçado?” (Pavel Sudoplatov, Operações Especiais: Lubyanka e Kremlin: 1930-1950).

Ou seja, em Lviv e nas outras cidades da Ucrânia Ocidental, os homens, normalmente calçavam os sapatos. E apenas os militares, polícia e membros da secreta soviética calçavam as botas de kirza que pouquíssimo condiziam com os seus fatos e casacos ocidentais, “libertados” pelas forças soviéticas algures na Europa Ocidental, no final da II G.M.

Bónus
Na cidade russa de Krasnoyarsk, recentemente foi erguido o monumento ao alcoólico anónimo que certamente representa alguma coisa na psique da populaça local ou se calhar não (FONTE)...

sexta-feira, março 06, 2015

Recordar o general Roman Shukhevych (2)

Roman-Taras Shukhevych na década de 1930
No dia 5 de março de 1950, no combate com destacamento do NKVD, morreu o comandante-em-chefe do Exército Insurgente Ucraniano (UPA), o general Roman Shukhevych (ler Recordar general Roman Shukhevych e O mistério da morte do Roman Shukhevych). Para assinalar a data, o Arquivo eletrónico do movimento de libertação (avr.org.ua), colocou para a consulta pública a correspondência do general Shukhevych com outros líderes da resistência ucraniana.

Além disso, em conjunto com o Arquivo da secreta ucraniana SBU, o Centro divulgou a coleção de documentos ligados ao general, nomeadamente as suas cartas para os oficiais do UPA, para os líderes da OUN, o processo criminal polaco contra o seu pai, Yosyp, datado de 1923, as cartas familiares, entre outros.
  
Entre a correspondência com a liderança da UPA, se destacam as cartas trocadas entre general Shukhevych e o seu vice, Vasyl Kuk (1913 – 2007) e a carta ao temível e eficiente chefe do Serviço da segurança da OUN (SB OUN), Mykola Arsenych. As cartas mostram que para além das alcunhas conhecidas, Shukhevych também usava os nomes da guerra como “Mamay” ou “171”, — conta o historiador ucraniano, vice-diretor do Arquivo do SBU, Volodymyr Birchak.
Roman Shukhevych com o filho Yuri

A história da família do Roman Shukhevych foi muito sofrida, para não dizer trágica. O seu filho Yuri Shukhevych passou 31 anos nas cadeias e campos de concentração soviéticos pelo simples facto de ser filho do comandante supremo do UPA. Numa das cartas, à sua mãe, Natália Shukhevych, Yuri conta sobre o seu quotidiano, mostra-se feliz pela chegada das festas natalinas, ao mesmo tempo, já como adulto, assegura à mãe que está cuidar da irmã Maria e acompanha os seus estudos.
Carta do Yuri e Maria Shukhevych à sua mãe, Natália, 29.XII.1946

Todos os materiais colocados na página do Arquivo electrónico podem ser consultados e copiados livremente. O Arquivo, que neste momento reúne 20.501 documentos, é o projeto conjunto do Centro dos estudos do movimento de libertação, da Universidade Nacional de Lviv “Ivan Franko” e do Museu Nacional “Cadeia na Lonckoho”. O objetivo do Arquivo é fazer acessível a história e passado da Ucrânia.
    
Desde 2015 na Ucrânia foi restabelecido o acesso livre aos documentos dos serviços secretos soviéticos (CheKa-NKVD-KGB), disponíveis ao público em 2008-2010. O acesso livre à estes documentos é garantido aos cidadãos pela legislação ucraniana e pela Recomendação № R (2000) 13 do Comité dos Ministros do Conselho da Europa. A legislação europeia encara a garantia deste acesso como o sinal da democracia da sociedade e a chance de conhecer os elementos da sua própria história objetivamente.

Para que isso seja possível, na Ucrânia foi iniciado o processo da retirada dos arquivos históricos do domínio dos serviços secretos. Os iniciadores do processo estão convencidos que este passo permitirá não apenas conhecer o seu passado histórico, mas também será a garantia do não retorno das práticas totalitárias no decorrer do funcionamento das instituições da lei e ordem e dos serviços secretos da Ucrânia independente.

O serviço de imprensa do Centro dos estudos do movimento de libertação:
Tel./Fax: + 380 322474522
e-mail: history@cdvr.org.ua

Fonte:

As fotos post mortem do Roman Shukhevych (+12):
http://www.istpravda.com.ua/artefacts/2010/10/18/621

sexta-feira, novembro 21, 2014

Crowdsorsing: os telemóveis e tablets aos militares da Ucrânia

Nos EUA, a voluntário ucraniano Bohdan Polovko, iniciou o projeto Tech Drive For Ukrainian Soldiers, que recebe as doações: os telemóveis e tablets que de seguida são entregues às Forças Armadas da Ucrânia. A primeira remessa dos aparelhos já foi enviada à Ucrânia, informa a página Vidia.org.

O objetivo do projeto é apetrechar os militares ucranianos com os telemóveis e tablets modernos que funcionam na plataforma Android e possuem o sistema GPS.

“Para um comandante militar o tablet é o mapa da zona da sua atuação com todos os objetos estratégicos, tabelas de cálculo, uma grande de dados militares, outras informações militares muito melhor protegidas”, – explica o autor da iniciativa.

O ativista nova-iorquino recolhe os aparelhos às pessoas que querem apoiar os militares ucranianos. Os telemóveis e tablets receberão o soft oficial do Ministério da Defesa da Ucrânia, o sistema GPS permitirá aos militares ucranianos se mover no escuro com as luzes das viaturas desligadas. Os aparelhos também permitirão dirigir os DRONes de reconhecimento.

A primeira recolha dos aparelhos se deu no dia das eleições legislativas (26.10.2014), no local de votação em Nova Iorque, contou Bohdan Polovko. Na ocasião, as pessoas queriam saber mais sobre o projecto, mas logo à seguir, começaram doar os seus telemóveis e os tablets.

“Na sua maioria, as pessoas oferecem os tablets Apple, enquanto o soft instalado será desenhado para a plataforma de Android. Inicialmente, tinha que recusar algumas ofertas, mas depois percebi do que os aparelhos Apple podem ser trocados pelos aparelhos que usam o sistema Android. O que será feito nas lojas que comercializam produtos eletrónicos”, – explicou o voluntário ucraniano.
O primeiro lote de 10 telemóveis e um tablet que custou 900 dólares já foi enviado à Ucrânia. Dado à afluência das oferendas, logo que o próximo lote será completado, este será imediatamente enviado aos militares. De momento, Bohdan Polovko procura pelo espaço em Nova Iorque onde as pessoas poderão entregar os aparelhos que salvarão as vidas dos civis e dos militares ucranianos no decorrer da guerra de libertação, ora em curso.

quarta-feira, outubro 15, 2014

A criação do Dia do Defensor da Ucrânia

14.10.2014: a Marcha do UPA em Kharkiv
O dia 14.10.2014 entrará na história da Ucrânia como o dia em que o país finalmente rompeu com o passado soviético no domínio militar. Neste dia, o presidente Petró Poroshenko assinou a Ordem presidencial № 806/2014 sobre a constituição do “Dia do Defensor da Ucrânia”.

O texto do Decreto diz:

Para honrar a coragem e o heroísmo dos defensores da independência e da integridade territorial da Ucrânia, das tradições militares e das conquistas do povo ucraniano, promovendo ainda mais o reforço do espírito patriótico na sociedade e para apoiar as iniciativas da sociedade, decreto:
1. Instalar um feriado na Ucrânia – o Dia do Defensor da Ucrânia, que será comemorado anualmente em 14 de outubro.
A cidade de Kharkiv recorda e reconhece UPA
O mesmo decreto também anulou o Decreto do Presidente da Ucrânia № 202 de 23 de fevereiro de 1999 que institucionalizava a celebração do dia 23 de fevereiro como o “Dia do defensor da Pátria”, feriado que transitou da época soviética para o quotidiano da Ucrânia independente.

Fonte:

Marcha de UPA em Kyiv
https://www.youtube.com/watch?v=DrbasrJ1w1Y
Confrontos em frente do Parlamento

Em frente do Parlamento da Ucrânia decorreram os confrontos entre manifestantes e polícia, que resultaram em 15 polícias feridos (2 com gravidade) e detenção de pelo menos 50 manifestantes.

O assessor do ministro do interior da Ucrânia, Anton Gerashchenko, informou que a polícia deteve pelo menos 50 participantes na provocação, que “atiravam as pedras, partiam vidros, atiravam os pacotes explosivos, atacavam os polícias”, estes últimos sofreram “ferimentos na cabeça, tiveram os braços e articulações fraturados”.

Anton Gerashenko informou que todas as infracções foram registadas em vídeo e não descartou a possibilidade do que: “atrás dos organizadores das provocações estarem as agências de inteligência estrangeiras da Federação Russa”.

Os atacantes não conseguiram perturbar o trabalho do Parlamento ucraniano que adotou favoravelmente uma série de leis anti-corrupção, de lustração (limpeza do poder), de responsabilização de falsificação do processo eleitoral (com a responsabilidade aos que “compram”, mas também aos que “vendem” os votos), entre outros.

“O Ministério do Interior apela à todas as forças políticas de abster-se de realização de ações de massa em Kyiv até o dia da eleições em 26 de outubro, pois (tais ações) podem ser usadas para os fins de provocação pelos inimigos da Ucrânia”, – escreveu Gerashchenko no seu perfil na Facebook.
O Parlamento no seu plenário de 14 de outubro por algumas vezes tentou incluir na agenda dos trabalhos o decreto-lei sobre o reconhecimento do Exército Insurgente da Ucrânia (UPA) e da Organização dos Nacionalistas da Ucrânia (OUN) como a parte beligerante que lutou pela independência da Ucrânia na Segunda Guerra Mundial, mas para já sem sucesso, escreve Newsru.ua

A jornalista e ativista ucraniana, Tetiana Chornovol, que foi brutalmente espancada quase até a morte pelos gorilas do Yanukovych em dezembro de 2013 e que em 2014 perdeu o marido na OAT, defendeu corajosamente a polícia ucraniana contra os provocadores que atacaram o parlamento.
https://www.youtube.com/watch?v=3LLhuuse6jY

É de recordar que os provocadores que atacaram o Parlamento ucraniano no dia 14 de outubro, usam as mesmas ferramentas e técnicas que foram empregues em dezembro de 2013 nas imediações da Administração presidencial. Em 2013 a ação foi comandada pelo Dmytro Korchynsky e executada pelo seu grupo pseudo religioso “Bratstvo” (Irmandade). O próprio Korchynsky é conhecido como agente-provocador e como demonstra a foto de 2005, no passado recente era o melhor amigo do Dugin, que de momento exorta “matar, matar, matar” os ucranianos... Aqui aplica-se perfeitamente a regra de “diga me quem é seu amigo e eu direi quem tu és”.

Ano 2005, Dugin e Korchynsky na luta conjunta contra o atlantismo ocidental.
Dugin recebe no serviços secretos do seu país, onde recebe Korchynsky só é possível imaginar... 
Ver as fotos dos confrontos: FOTOS1 e FOTOS2

A manifestação em frente do parlamento foi organizada pela VO Svoboda (Liberdade), o seu líder Oleh Tiahnybok escreveu no seu Facebook que o partido irá apresentar o projeto-lei № 3530 “Sobre a proibição de ideologia comunista”. Além disso, VO Svoboda apoiava favoravelmente as leis anti-corrupção e a lei sobre a Procuradoria, além da lei sobre o reconhecimento da OUN-UPA (o projeto-lei reuniu 222 votos favoráveis dos 226 necessários).

Marcha de UPA em Kharkiv

Na cidade de Kharkiav, a Marcha do UPA reuniu milhares de pessoas, a ação decorreu na maior tranquilidade (FONTE).

http://youtu.be/TQPo3cURk2w

quarta-feira, outubro 09, 2013

Exército insurgente em miniatura

Para comemorar mais um aniversário da criação do Exército Insurgente Ucraniano (UPA), formação nacionalista que lutou pela libertação nacional da Ucrânia contra invasores nazis e soviéticos, o colecionador ucraniano Oleksandr Bashta de Ternopil criou uma série de soldadinhos de bronze com o nome de “Exército insurgente”.

O tamanho de figurinhas é de 40 mm. A coleção inclui uma caixa e panfleto informativo sobre UPA. As imagens não são aleatórias, pelo menos duas delas foram inspiradas nas fotografias reais do comandante-em-chefe do UPA, general Roman Shukhevych e o centenário do UPA “Hamalia” (Vasyl Skryhunets).

A coleção tem uma tiragem bastante limitada que a torna mais apelativa aos olhos dos colecionadores.

Ver e encomendar:

Ver no YouTube (19’.57’’):
O filme documental sobre o colecionador “Sétimo céu”: