sexta-feira, junho 09, 2017

Os komunalkas: a vida nos apartamentos comunais soviéticos (12 imagens)

Imediatamente após o golpe bolchevique de 1917, o programa estatal de reassentamento dos cidadãos em apartamentos comunais significou a destruição da família como a célula primária da “sociedade burguesa”. A vida em comuna era romantizada e a vivência sob olhares do “coletivo” estava em conformidade com o ideal comunista de igualdade compulsiva.

Questão da habitação
O processo de foi realizado na União Soviética com determinação comunista de “expropriar e dividir”. No entanto, mesmo assim, a habitações não eram suficientes para todos. Assim, em quase todas grandes cidades soviéticas se multiplicaram os apartamentos comunais...

Desde os primeiros anos de sua existência, um apartamento comunal na União Soviética tornou-se um fenómeno não só do quotidiano, mas quase da ordem universal – súmula da filosofia soviética. Os apartamentos comunais forjaram um tipo inteiramente novo de homem socialista, pronto para as dificuldades indeterminadas.
Aqueles que vivem hoje em suas próprias casas ou apartamentos sentirão as maiores dificuldades de imaginar que alguém poderá bater na porta ao banheiro comum exigindo que o usuário levante a sua bunda imediatamente e desaparece do WC. Ou, que a vizinha curiosa poderá meter o nariz na sua panela.
Os contadores elétricos individuais
Diversos escritores famosos viveram e morreram nos apartamentos comunais. Talvez a melhor descrição do komunalka soviético pertence ao Mikhail Bulgakov em “Mestre e Margarida”: “enorme corredor longo, iluminado muito esporadicamente, cheio de coisas estranhas, mágicas e desnecessárias. Trenó infantil com várias ripas dilaceradas, os recipientes com líquidos desconhecidos, caixas com brinquedos quebrados, prateleiras com roupas que ninguém usava, sapatos somente do pé esquerdo, pilhas de fios e cadarços. Uma tricicleta infantil. Crianças, quando apareciam no apartamento, se mandavam ao longo do corredor, como se fosse num carro de corrida, ganhando uma boa velocidade...”

Não estas sozinho!
O komunalka na era da Perestroika, meados da década de 1980
O komunalka típico na União Soviética é um longo corredor com uma única janela, uma grande quantidade de quartos de dois lados e uma casa de banho / banheiro para várias famílias! Nas manhãs diversas pessoas disputavam um único WC. A cozinha era compartilhada, tinha um ou mais que um fogão, insuficientes para todos, as mesas eram utilizadas apenas para a corte dos alimentos. As pessoas comiam nos seus quartos.
Telefone, também um, manchado com as mãos suadas e uma estante de livros que ninguém lê. Na porta da frente esta uma longa lista de apelidos com a nota “tocar três vezes" ou “bater uma vez, mas fortemente”, “dois toques longos e um curto”. Um cartaz na casa de banho: “Cidadãos! Lembrem-se que vocês não estão sozinhos! As pessoas estão esperando!”
As campainhas individuais
A varanda era local indispensável de armazenamento dos jornais, revistas e de todos outros tipos de desperdício. Aqui “viviam” os trenós infantis enferrujados, esquis e bicicletas, penduradas na parede ou no teto. Os moradores tropeçavam constantemente nos frascos de conservas, compotas e sacos de batatas. No entanto, com tudo isso, as donas de casa ainda assim conseguiam pendurar a roupa lavada nestas varandas.

As baratas comuns
Os moradores compartilhavam os problemas, esgoto e baratas, tanto nas mentes, como na cozinha. As baratas eram um caso separado. Eram muitas e estavam em todos os lugares e eram diferentes... À noite, podiam ser ouvidas. Como correm pelo chão ao lado da cama, nas paredes, eles podiam ser vistas até mesmo nas janelas, devido a luz das janelas no prédio em frente. Eram combatidas, mas em substituição das mortas imediatamente vinham mais vivas...

As perseguiam sem piedade, as caçavam com um chinelo na mão, mas o tribo ruivo era indestrutível. As pessoas não tinham outra escolha além de coabitar, de “boa índole”, com eles.

Dois lados da vida no komunalka
Komunalka na década de 1960-1970
Intrigas, brigas, vigilância mútua, denúncias e assédio eram um quadro bastante normal. Por um lado, o apartamento representava uma certa fraternidade e ajuda mútua em face de provações e condições intoleráveis ​​de existência socialista. Por outro lado, o komunalka concentra em si todos os horrores do totalitarismo: tirania, denúncias, medo e impotência.
Komunalka na década de 1980
Afinal, o apartamento comum continha personagens para todos os gostos: tia Maria com o robe semi-desabotado até a cintura; tio Petya sempre bêbado, sentado na cozinha; vizinha Sveta que cada semana recebia um “namorado” novo; bruxa curandeira hereditária que lia cartas, acariciando o seu gato preto ao colo; o seu marido ciumento que tinha ciúmes mesmo em relação ao batente da porta.
Komunalka na década de 1990
E assim se sobrevivia: alcoólatras, muitas vezes bebiam acima da norma e entravam em pancadaria, uma avó costumava cozinhar a sopa de galinha meio podre (ela não tinha geleira/geladeira, mas comprava regularmente a comida) e engomava a roupa com o ferro frio...

Mais o avô. Ele usa água-de-colónia que mais parece um inseticida, depois vai à cozinha e frita qualquer porcaria. O mau cheiro se misturava com o fedor das meias sujas, vindo do quarto do tio Petya...
Em todas as hipóteses os assuntos pessoais de qualquer morador eram do conhecimento de todos, raramente era possível manter qualquer privacidade: “Todos conheciam completamente a vida dos outros, sabiam cada detalhe, conheciam a roupa interior do vizinho, suas amantes, suas refeições, suas dívidas e doenças... A busca [da polícia ou de OGPU-NKVDnum quarto, ou a diarreia em outro, criava insónia em todos os vizinhos”. (por Georgiy V. Andreevskiy, in “A vida quotidiana em Moscovo na era Estaline, dos anos 1920-1930”, ler o texto).

Texto e imagens @Kommunalka

1 comentário:

Anónimo disse...

E tem gente que romantiza uma situação degradante dessas. So mesmo maluco pra char o socialismo o futuro.