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segunda-feira, julho 22, 2019

Ucrânia fez a sua escolha, é menos má, podia ser muito pior

As legislativas ucranianas decorreram neste domingo, partido do presidente eleito ganha a maioria dos mandatos, mas fica abaixo da maioria simples (226 deputados), abstenção histórica foi superior aos 50%.
Boa notícia é que todos aqueles que nos últimos 5 anos se dedicaram à propaganda anti-Poroshenko não entram no futuro parlamento ucraniano: coronel Hrytsenko, presidente do conselho municipal de Lviv – Andriy Sadoviy (seu partido Samopomich consegue apenas 0,6% de votos), nacionalistas com slogans e ideias esquerdistas, encabeçados pelo Oleh Tiahnybok (a sua lista conjunta dos nacionalistas unidos consegue cerca de 2% de votos), o ultra-populista Oleh Liashko, populista georgiano Mikheil Saakashvili... Todos foram dispensados e todos vão para uma espécie de lixeira política.

É especialmente caricato, se recordarmos, que muito recentemente Andriy Sadoviy sonhava com o posto do Primeiro-ministro (e em 2014 era uma figura presidenciável).

As próximas eleições municipais, muito possivelmente também antecipadas, poderão mudar, por completo, a composição política da Ucrânia.

Bónus

Prognóstico das eleições, dado pelo mentor e financiador do presidente Zelensky – oligarca ucraniano Ihor Kolomoysky nas vésperas das eleições:
Pelo meu prognóstico o Empregado/Servidor do Povo irá eleger 115-125 deputados pela listas partidárias, outros 40-70 deputados elegerá pelos circuitos uninominais (são 199 mandatos). Para a maioria faltarão cerca de 50 votos.

Significa que terá que formar a coligação/coalizão. Não se pode fazer coligação com Poroshenko ou Plataforma de Oposição, então sobram Vakarchuk (Holos) e Tymoshenko (Batkivshyna).

A opção mais preferida é a coligação com Vakarchuk, mas Tymoshenko também é uma boa possibilidade, se apresentará as exigências razoáveis aos postos governamentais. Nem podemos descartar, de tudo, mesmo a Plataforma de Oposição, se eles optarem pelo rebranding (fonte).

Bónus II
Na cidade de Lisboa votaram apenas 729 eleitores (dos cerca de 50.000 ucranianos residentes em Portugal); em Roma também votaram menos de 1.000 eleitores dos 8.009 lá registados. Na Austrália votaram apenas 4% dos 1.541 eleitores registados.

sexta-feira, janeiro 05, 2018

Como hoje vive Ucrânia: as notas sibjetivas (10 fotos)

A guerra na Donbas está baixar de intensidade, os protestos dos apoiantes de Saakashvili também diminuíram, o país visivelmente se acalmou. No entanto, em um pouco mais de um ano decorrerão as eleições presidenciais, o seu resultado pode ser difícil de prever.

A situação da Ucrânia é descrita pelo blogueiro ucraniano Ihor Radysyuk, publicamos o seu texto, sem omissões e na primeira pessoa.
 
Objetividade e percepção

Ucrânia vive um grande contraste entre objetividade e realidade. Objetividade — o país está sendo construído como provavelmente nunca antes, desde o colapso da URSS. Ao lado da minha casa no início da década de 1990, começaram a construir uma escola e, abandonaram, após erguer os alicerces. Com [Petró] Poroshenko, a escola está sendo terminada em tempo recorde. Somente nos últimos 3 meses, perto da minha casa, foram construídas duas pontes para pedestres.

Desapareceu a sensação de desesperança, que havia há 3 anos, quando a guerra com a Rússia se sentia em todos os lados, quando trabalhávamos para quebrar, e tudo, de certa forma era triste. Provavelmente muitos até já se esqueceram) As pessoas possuem o dinheiro. Um grande número de pequenas mudanças, muitas das quais não produzirão fruto imediatamente.
Os apoiantes de Saakashvili empurram, protegendo, ao mesmo tempo, um polícia ucraniano
E tudo isso, tendo em conta os grandes gastos com a guerra, pagamento da dívida externa – com Poroshenko, Ucrânia, pela primeira vez na sua história começou a reduzir a sua dívida externa e também acumulou o maior valor no Tesouro do que em todos os anos anteriores. Esta é a realidade objetiva. Agora quanto à realidade subjetiva. Perguntando a quase qualquer um – e todos dirão que tudo está mau. Ucranianos, como é claro, dizem mal do qualquer poder, e Poroshenko não é uma exceção. Quase todos vão dizer que tudo é mau/ruim, nada muda, e assim por diante.

OAT, Europa e sanções

OAT. Não sei. E parece-me que ninguém realmente sabe. Todos os dias, nos dois últimos anos é a mesma coisa – eles dispararam contra nós, nós respondemos. Do nosso lado, foram feridas 3-5 pessoas. Aborrecida guerra posicional. De acordo com os dados das Forças Armadas da Ucrânia (FAU), em 2017, foram mortos 198 soldados ucranianos. Com estes números, a imprensa tem preguiça de discutir o tema, não há eventos marcantes.
A foto é do fim de 2015, nas vésperas da batalha de Debaltseve
Parece-me que a gripe matou mais [em 2017] do que essa guerra.

Alguém dos militares me disse em Kyiv que as forças ucranianas minaram tanto espaço em torno de Donbas (em caso de um ataque forte) que se eles [separatistas] se renderem, provavelmente teremos que limpar o território das nossas próprias minas durante anos. [Oleksandr] Turchinov se gabou que no ano passado [2017] apenas recuperamos o território, e não perdemos nem um único metro quadrado.

Europa? Também nada. Concederam o regime de isenção de vistos, e foi tudo. Talvez eu não estou atento, trabalho muito, e não sigo muito [as notícias]. Mas sinceramente, não vejo nada marcante, ou pelo menos eventos importantes. Um evento importante é que os EUA finalmente forneceram as armas. Não tanto por causa das próprias armas, quanto pelo facto. A Rússia é gradualmente estrangulada com sanções e continuará sufocada por muitos anos. A mesma política é usada pela Ucrânia – ganhar não através de um blitzkrieg, perdendo milhões de soldados, mas devagar e corretamente. A perda de 198 soldados em todo ano de 2017 – acho que são números muito pequenos.
Mikheil Saakashvili numa manif dos seus apoiantes
Nos últimos seis meses, o Kremlin, como se poderia ter observado, tentou abanar Ucrânia por dentro. Não funcionou. Eu estava na Maydan, quando decorriam os eventos com Mikheil [Saakashvili] – na verdade, quase ninguém o apoia. E aqueles que estavam lá, provavelmente, era a maior [parte da] espinha dorsal de todos os seus apoiantes.

Coisas boas e coisas más

Coisas más – recentemente visitei a província: Zaporizhia e Dnipro. Como se eu entrasse em uma outra dimensão – tudo é preenchido com anúncios publicitários sobre a oferta do trabalho na Polónia. Com todos com quem falei, acreditam que todos roubam, tudo é mau/ruim e não acreditam em nenhuma autoridade.
Coisas boas – duas vezes usei [o sistema de viagens à UE] sem o visto. Na primeira viagem, eles perguntaram apenas o propósito da visita e carimbaram [o passaporte]. Na segunda viagem, até tinham a preguiça de fazer qualquer perguntada, apenas levaram/pegaram o passaporte, carimbaram e disseram Next!

Aqui em geral ... creio que está tudo na mesma. Penso que os resultados devem ser contabilizados daqui à um ano, mais próximos ao fim da presidência do Poroshenko.

«Por dois lados de barricada»

Honestamente, há mais um contraste – entre aquilo que os ucranianos consideram realmente importante e o que os nossos vizinhos acham que é importante. Fora da Ucrânia dão atenção especial aos “problemas de língua”. Os ucranianos nunca pensaram nisso – porque o problema nunca existiu na realidade. Os de fora dão muita atenção à todos os [movimentos] “anti-Maydan”, ou aos outros “Maydanes que derrubarão Poroshenko”. Em Kyiv, o que parece, ninguém se importa com isso.
O que é realmente importante é a sujidade de transporte público na cidade, “as marshrutkas”, e a resposta à questão: quem finalmente irá limpar a estação de metro “Kharkivska” – por algum motivo, os “vizinhos” não estão interessados nisso =))

Nacionalismo e pensões

As boas notícias foram aumentos significativos das pensões (não apenas um pequeno aumento, mas provavelmente o mais notável em todo o período da pós-Independência), salários dos trabalhadores do estado, e assim por diante. E o mais importante, estão mudando globalmente os princípios internos de funcionamento [do Estado]. Estou certo de que daqui aos 5-10 anos Ucrânia será completamente diferente.
Creio que há menos nacionalismo. Na minha opinião, o nacionalismo florescente, no bom sentido – era a defensiva reação natural das pessoas à agressão externa, eu me lembro claramente em 2013-2014. Agora ... de alguma forma, as manifestações externas [do nacionalismo] diminuíram. Eu acho que isso se deve à uma prolongada guerra posicional e muito trabalho feito dentro do país. No entanto, nada passou sem deixar rasto: as pessoas começaram a amar muito mais o seu próprio país.

O que aconteceu com os emigrantes económicos

A orientação ao Ocidente apenas se intensificou. Quando recentemente os meus amigos procuravam por uma coisa grande e rara, então, além do OLX ucraniano, de uma forma natural procuram no OLX polaco/polonês e em outros locais. Se lá é mais barato – o que impede viajar, levar/pegar, trazer para Kyiv? Até recentemente, parece-me, que os seus cérebros não funcionavam dessa maneira.
Continuo a observar os amigos emigrantes económicos, que até o ano de 2013, todos os anos, iam para Moscovo no período de verão para trabalhar nas obras. Todos são do interior da Ucrânia ocidental. Até o momento, de todos eles, apenas alguns viajaram [para Rússia] neste ano e, voltando, disseram que viajaram pela última vez – simplesmente deixou de ser lucrativo. O resto, como eu vejo, quase todos, se reorientaram para trabalhar na Ucrânia – um deles abriu uma oficina/produtora, outros investiram no setor de serviços, outros simplesmente trabalham nos empregos formais.

Outra observação: à Rússia, muitas vezes, viajavam de forma sazonal – ganhavam dinheiro – voltavam para casa, em família – investiram aqui. Ou seja, a grande maioria não ia para lá ficar. Da mesma forma, agora eles falam sobre “o senhor polacos/polonês”. Se em 2014 muitos conhecidos tinham a mentalidade de “temos que ir embora” – agora, parece-me, isso já não existe. É claro, sempre há pessoas que se mudam para algum outro lugar, estou falar do “comportamento médio”.
À Polónia, mesmo quando vão, é para o trabalho sazonal e depois voltam para casa.

Hábitos e cultura

Sim! O que aconteceu exatamente no decorrer do ano passado é um aumento notável da [produção] da música, da cultura e dos livros ucranianos em língua ucraniana (até recentemente, quase não havia livros infantis normais em ucraniano, tinha que comprar em língua russa), pela primeira vez começamos produzir os filmes e cartoons em ucraniano. Até recentemente, todas as máquinas / electrodomésticos eram vendidos com manuais e todas as instruções em russo (para que o fabricante gastaria dinheiro em localização, se “eles entenderão”? Assim podiam vender os bens criados para o mercado russo) – agora, novamente, de forma subjetiva, a quantidade de bens localizados aumentou visivelmente. Além disso, os itens são fabricados para o mercado da UE, e localizados para Ucrânia, e não para a CEI, como era dantes.
A cultura ucraniana floresce. Este é um facto que este ano se tornou notável para muitos. Estamos aguardando alguns anos para ver os primeiros resultados.

É incrível ver como mudam os hábitos das pessoas em pouco tempo. Muitos amigos neste ano celebraram o Natal em 25 de dezembro, em grande escala. Parece-me que não haverá mais forças para o dia 7 de janeiro. Usando a minha bola de cristal prevejo que na próxima década, o Natal principal na Ucrânia será 25 de dezembro e o dia 7 de janeiro será algo como o dia 13 de janeiro (“o velho ano novo”). Uma espécie de anacronismo.

Hoje, alguns não concordarão comigo, mas estou pronto para apostar e voltar à essa questão daqui à 10 anos)). Agora tenho certeza: se introduzir o alfabeto latino paralelamente com o alfabeto cirílico, então, no máximo de uma geração, Ucrânia mudará suavemente e naturalmente ao alfabeto latino.

Eleições e Rússia

É muito interessante que haverá daqui à um ano nas eleições. Eu quero acreditar que Poroshenko vencerá (apesar de haver muitas reclamações/reivindicações), mas parece que o populismo está muito presente no nosso povo e pode vencer um populista voraz que promete formas supostamente simples de resolver os problemas complexos.

Além disso, parece-me que o resultado das novas eleições pode determinar a dita “província”, onde não há “nenhuma mudança, tudo é mau/ruim, devolvem nos a mortadela [ao preço soviético de] 2,50 [rublos]”.

Bem, acho que já disse que aos ucranianos se tornou profundamente indiferente o que está se passando na Rússia. Se não disse, então digo novamente – profundamente indiferente.

Eu nem sei quais músicas são lá populares, e nem quero saber. E apenas alguns anos atrás, todos vivíamos na mesma lixeira cultural. Se algo acontecesse, todos sabiam. Você se lembra de como [Alexey] Navalny era convidado para a TV ucraniana? Agora é profundamente indiferente. E isso, na minha opinião, é ótimo)))
Ganhamos a guerra na Donbas — é apenas uma questão de tempo. A integração europeia da Ucrânia também é uma questão de futuro próximo. Além de outras questões.

Tudo ficará bem))

Fotos: GettyImages | Texto: Ihor Radysyuk | Original: blogue do Maxim Mirovich

domingo, dezembro 17, 2017

Mikheil Saakashvili: do palhaço ordinário ao pope Gapon (17 fotos)

Mikheil Saakashvili que muito recentemente classificamos de palhaço ordinário se transforma rapidamente num moderno pope Gapon. No decorrer da sua manif do dia 17 de dezembro em Kyiv, Saakashvili exortou publicamente os seus apoiantes à tomar de assalto um centro cultural, para depois acusar o presidente Petró Poroshenko de “provocação”.  

Apenas as citações:

Saakashvili fala aos seus apoiantes na manif na MaydanHoje nos iremos começar à agir […] Agora vamos daqui ao Palácio de Outubro e no Palácio de Outubro haverá a sede! A sede do nosso conselho de coordenação (aplausos) […]  Nos agora vamos ao Palácio de Outubro, lá haverá a sede […] Então eu vou primeiro e nos todos vamos juntos. Yegor [Sobolev] já está no Palácio de Outubro.
Então, já junto ao Palácio de Outubro, no momento em que os seus apoiantes tentaram forçar a entrada ao edifício, o mesmo Saakashvili grita, se dirigindo à multidão: “Porosheko é um provocador! Temos uma marcha pacífica!” Se “esquecendo” que ele mesmo, alguns minutos antes, chamou a multidão para ir ao palácio, desejando abrir lá a sua sede.
Após a tentativa frustrada de tomar o palácio de assalto (no edifício se situa o cinema moderno, a biblioteca, a sala de concertos, entre outros), o tal Yegor Sobolev (deputado do Parlamento da Ucrânia e um dos apoiantes fervorosos do Saakashvili) disse no comentário à TV ucraniana 1+1: “É preciso pensar antes de exortar [as pessoas] de irem ao algum [lugar]”. Parece que Sobolev realmente pretendia alugar naquele palácio o espaço para a cede dos apoiantes do Saakashvili, mas não esperava que ex-presidente georgiano irá falar disso ao público e ainda menos, exortar as pessoas às ações violentas.
última foto @Reuters
O próprio Saakashbili na entrevista ao canal televisivo ZIK: “Mas qual é o objetivo de atacar o Palácio de Outubro? Entraríamos lá, e depois
eis o resultado do "e depois..." do Saakashvili...
Em cerca de 90 dias do Maydan em 2013-14 não foi partida uma única montra...
Afinal, ninguém iria ao lugar algum? Ou seja, eles planeavam, mas simplesmente queriam alugar dois quartos, então Sakashvili, por algum motivo, chamou a multidão para irem todos, ajudando no processo de aluguer. E marvado do Petró Poroshenko provocou tudo isso que se seguiu e estragou tudo (fonte).
O canal militar russo "Zvezda" se apressou à declarar, na sua página online, que os apoiantes do Saakashvili
realmente tomaram de assalto o Palácio de Outubro "apesar da resistência da Guarda Nacional [da Ucrânia]"
Ministério do Interior, Procuradoria (MP), SBU, público, médicos, militares, simplesmente cidadãos passantes. Todos se juntarão instantaneamente contra você e lhe darão uns pontapés valentes.
O nosso poder é assim – está no chão, mas não cai nas mãos”.

(c) Olena Stadnik Stefurak, ativista de Maydan, voluntária

sábado, dezembro 09, 2017

Mikheil Saakashvili: do reformador extraordinário ao palhaço ordinário

Na tarde de 8 de dezembro, em Kyiv finalmente foi detido o ex-presidente da Geórgia e ex-governador de Odessa, Mikheil Saakashvili. A detenção deixou indiferente a absoluta maioria dos ucranianos e moradores da capital do país. O populismo agudo do ex-reformador georgiano não cativa a classe média ucraniana.  

Mikheil Saakashvili gosta de dizer que “o poder ucraniano não faz nada”, o que não corresponde à verdade, as reformas estão sendo feitas e legislação torna-se cada vez menos socialista. Na Hungria, Polónia, Roménia e outros países da Europa pós-comunista este processo levou cerca de duas décadas. A ausência dos milagres económicos “aqui e agora”, salários de 2.000 Euros e pensões de 1.000; Saakashvili e a sua equipa usam como a “prova provada” da necessidade de mudar o poder.

Saakashvili também fala constantemente sobre impeachment ao Petró Poroshenko. A legislação ucraniana na matéria exige que impeachment seja votado favoravelmente pelos 3/4 do Parlamento ucraniano (Rada Suprema), o que não acontecerá, dado que o Bloco do Petró Poroshenko possui cerca de 1/3 dos deputados do parlamento. Saakashvili perfeitamente sabe disso, mas usa o tema para RP pessoal, enganando os seus apoiantes.

02. Após a última tentativa de deter Saakashvili, este andou à deriva pela Kyiv, exortando às pessoas ao “novo Maydan” — sem conseguir o número suficiente dos apoiantes, acompanhado por um grupo entre algumas dezenas e algumas centenas de personagens obscuras, na sua maioria homens na casa dos 40-50 anos, sem profissão ou ocupação definidas.
Mikheil gosta de dizer que ele (diferentemente dos “barrigas”, isso é, oligarcas e políticos corruptos) é muito pobre. No entanto, aluga um apartamento do tipo estúdio, no centro de Kyiv, ao preço de 6.000 dólares ao mês / 72.000 dólares ao ano, muita gente gostaria de ser pobre de forma igual ;-)

03. “Kyiv, se levante!” — grita homem com capacete do operador do blindado, mas os cidadãos não se sentem muito tentados.

04. Kyiv em 8 de dezembro de 2013 na “Marcha dos Milhões”, quando os ucranianos sentiram que os seus direitos legítimos são espezinhados pelo Yanukovych e o seu bando, os cidadãos preencheram toda a praça de Independência (Maydan), rua Instytutska e toda avenida Khreshatyk até ao mercado Bessarabsky (a foto não mostra todos os participantes):

05. As barricadas de Saakashvili: fogo em dois tambores, os ativistas navegam nos smartphones.

06. Uns tipos amassados pela vida, com as barbas por fazer e dentuças de ouro carregam o ferro velho para construir as barricadas:

07. Os ativistas queimam a madeira nos tambores, tal como em dezembro de 2013, gritando a palavra de ordem “Kyiv, se levante!” — mas nada acontece.

08. O culto à carga da Maydan: “Vamos queimar os pineu e tudo dará certo!” — mas não.

09. Barricadas do Saakashvili:

10. Após a detenção do Saakashvili os seus apoiantes tentaram provocar a polícia, mas nada conseguiram.

11. É de notar a calma positiva da polícia:

12. Os membros da Guarda Nacional da Ucrânia desmontam as barricadas:

13. Tenda com slogan “Ucrânia sem oligarcas”.

14. Banner: “Pela pensão mínima de 5.000! [UAH (?), cerca de 185 dólares]; pelo salário mínimo de 10.000! [UAH (?), cerca de 370 dólares]; Pelo socialismo europeu! (Sic!)

Fotos: GettyImages | Internet | Texto @Maxim Mirovich e [Ucrânia em África – introdução]

Blogueiro: Mikheil Saakashvili consegui implementar na Geórgia uma série de reformas extraordinárias. Em Odessa, recebendo do presidente Poroshenko carte blanche e prerrogativas que nenhum outro governador ucraniano alguma vez tive, não mostrou praticamente nada de assinalável.

Atualmente, as suas atividades são absolutamente destrutivas e prejudiciais à Ucrânia, sem mencionar que Saakashvili se esqueceu que é convidado e não dono da casa. Recebendo os fundos, vindos do estrangeiro, as suas ações representam ameaça aos interesses nacionais da Ucrânia. Como um país democrático, Ucrânia tem todo o direito de deportar Mikheil Saakashvili para Geórgia, onde o sistema judicial, reformado pela equipa do próprio Saakashvili irá decidir o seu futuro.

É tudo.

quarta-feira, julho 26, 2017

Mikheil Saakashvili perde a cidadania ucraniana

O Serviço Estatal de Migração da Ucrânia (DMSU) confirmou oficialmente que ex-presidente da Geórgia, Mikheil Saakashvili perdeu oficialmente a cidadania ucraniana, a respetiva ordem presidencial foi assinada pelo presidente Petró Poroshenko.

Mikheil Saakashvili perdeu a cidadania ucraniana de acordo com Artigo 19, 21 da Lei ucraniana “Sobre a cidadania”.

Formalmente, a PGR da Ucrânia recebeu o pedido de verificação da legalidade da obtenção da cidadania ucraniana pelo Mikheil Saakashvili, da autoria do deputado da Rada Suprema (Parlamento) do Partido Radical – Andriy Lozoviy. O pedido foi encaminhado ao DMSU que estabeleceu que ao aplicar os dados na obtenção da cidadania Mikheil Saakashvili violou as disposições da Lei “Sobre a Cidadania”, fornecendo a informação falsa. Nomeadamente, não disse a verdade respondendo a questão se “alguma vez estava sob a investigação na Ucrânia ou no exterior”, enquanto em maio de 2015 ele foi preso à revelia na Geórgia.

Como resultado, a Comissão de Cidadania tomou a decisão de revogar a cidadania do ex-governador de Odessa, devido “fornecimento consciente de informações falsas” e o respetivo decreto foi assinado pelo presidente Petró Poroshenko.

Blogueiro: Mikheil Saakashvili fez um trabalho absolutamente extraordinário na Geórgia, retirando o seu país de um enorme buraco civilizacional, caminho que o país percorreu em menos de uma década. Esperava-se que ele poderia apresentar a obra semelhante no seu posto do governador de Odessa. Algo que simplesmente não aconteceu.

Como governador de Odessa, Mikheil Saakashvili tinha mais poder do que qualquer outro governador ucraniano, infelizmente, grande parte do seu tempo ele gastava em mais diversas ações de RP. Perdendo quase todo o seu potencial nestas lutas inglórias, transformando-se em 2017 um apresentador da TV com retórica puramente contestatária e o líder de um partido político emergente de influência praticamente irrelevante.

Estando fora da Ucrânia, Mikheil Saakashvili recebeu a mensagem clara, vinda da presidência da república: não volte à Ucrânia, fique fora do país. O nosso blogue não está feliz com essa decisão do presidente Poroshenko, mas também não está triste, infelizmente, tudo indica o ciclo do Saakashvili chegou ao seu fim...   

segunda-feira, maio 30, 2016

Ucrânia se livra do passado comunista em Kyiv, Odessa e Kherson

Um monumento da era soviética em memória dos agentes da polícia repressiva do regime, o famigerado VChK-GPU-NKVD-KGB, foi desmontado em Kyiv (estação do metro Lybidska). À quarta tentativa os restos dos “chekitas” foram de vez para a “lixeira da história”.
Pela primeira vez os manifestantes da Euromaidan tentaram desmontar o monumento em fevereiro de 2014. Outra tentativa foi feita no final de abril de 2016, mas o procedimento revelou-se muito complicado, uma vez que o monumento pesava cerca de 300 toneladas. Na altura, os ativistas apenas o pintaram, deixando nele as descrições como: “aos carrascos do povo ucraniano”.
Os trabalhos de desmantelamento tinham reiniciado há uma semana. No dia 29 de maio o monumento foi desmantelado com a ajuda de uma retroescavadora. O método causou alguma polémica uma vez que este foi planeado para ser transportado para o museu de arte soviética.
Dezenas de estátuas de líder bolchevique Lenine foram derrubados na Ucrânia desde 2013. As primeiras demolições coincidiram com os protestos pró-Europa, conhecidas como Maydan, que mais tarde se transformaram em movimento de indignação contra o governo do ex-presidente Viktor Yanukovych, apoiado pelo Moscovo.
A queda dos monumentos em todo o país está sendo saudada como um símbolo do impulso da Ucrânia independente para se modernizar após a dissolução da União Soviética. O processo está em linha com um pacote de leis, adoptado pelo Parlamento ucraniano no ano passado que proíbe os símbolos e a propaganda do regime comunista e nazi. O processo de rebaptizar as cidades, vilas e bairros; assim como ruas, avenidas e praças é o mais recente passo nos esforços da Ucrânia para se desligar de vez do passado totalitário soviético, escreve o canal televisivo UA today.

O ultimo Lenine goodbye em Odessa
No dia 28 de maio, no âmbito do processo de descomunização, foi completamente desmantelado o último monumento ao Lenine na cidade de Odessa.

O maior monumento do líder bolchevique da cidade foi calmamente desmontado pelos funcionários da câmara municipal da cidade. Durante os últimos nove anos este monumento estava colocado num dos parques na periferia da cidade, após ser removido do centro da urbe. A escultura de líder bolchevique de 10 metros de altura, composta por sete blocos maciços, foi retirada do pedestal por dois guindastes e será levada para fora da cidade. “Não houve quem quisesse perturbar o processo de desmantelamento”, – garantiu o chefe da brigada dos serviços municipais.
Além deste monumento, estão sujeitos à desmontagem, de acordo com a ordem №305-A do chefe da Administração estatal da Odessa, Mikheil Saakashvili, a escultura do Lenine na zona portuária e mais dois monumentos dos bolcheviques locais pouco conhecidos. Num futuro próximo, também será demolido o “muro dos chekistas” na rua Mechnikov, placas memoriais aos líderes comunistas Kotovsky, Blucher, Shhors e Halan, além do busto, a pedra memorial e duas placas do marechal Zhukov e outros símbolos do totalitarismo soviético, escreve Tyzhden.ua.

Descomunização em Kherson
Na cidade de Kherson, foi desmontado o monumento do líder bolchevique Alexander Tsiurupa, um dos criadores da “ditadura alimentar” (adoptada em lei pelo Conselho dos Comissários do Povo em 13 de maio de 1918), organizador da expropriação dos alimentos e da aniquilação dos camponeses ucranianos no leste e sul da Ucrânia.
O procedimento de desocupação do pátio da Universidade Estatal Agrária de Kherson não demorou mais que duas horas, informa Tyzhden.ua.

https://www.youtube.com/watch?v=wEK8JJ1xEKA

Blogueiro: apesar de todo este esforço, na Ucrânia há ainda cerca de mil monumentos ao Lenine (!) Dado que o comunismo soviético era uma espécie de religião com culto dos mortos, o regime comunista, tal como quase todos os reinos do passado, tentava eternizar os seus “amados líderes” para todo o sempre. Se a humanidade se perdia numa guerra nuclear contra o capitalismo, os ídolos soviéticos deveriam servir de memória intemporal do seu reino do terror, isso é, “em prol da humanidade progressista”.