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quarta-feira, setembro 12, 2018

Kharkiv: a batalha épica dos grafiteiros, modernidade vs tradicionalismo

Na cidade ucraniana de Kharkiv decorre a batalha épica quase diária entre o tradicionalismo soviético, apegado às ideias do “realismo socialista” e a modernidade, representada pela arte mural.
"Parece encontrei à mi mesmo, agora oxalá não perder à ele"...
Os adeptos do realismo socialista
C@ralho. Assim é melhor?
"Tal Kharkiv -- tal Banksy"
"C@ralho não é o fim" | "Tal Kharkiv -- tal Banksy"
"Vais pintar a mim também?" | "C@ralho não é o fim" | "Voe connosco e se encontre" @Fairtrip
"Vais pintar a mim também?" | "C@ralho não é o fim" | "Voe connosco e se encontre"
"A janela ao mundo cinzento"
"Agora estão contentes?" | "A con@ manda!" | "Paz ao Mundo"
"Agora estão contentes?" | "A con@ manda!" | "Paz ao Mundo"
"Make art. Protect Art!"
Na rua Gogol, № 2-A, os moradores de Kharkiv se manifestam à favor ou contra as obras da arte moderna, assinada pelo artista ucraniano Gamlet Zinkivskiy. Tudo começou quando o seu mini-mural “A sétima regra” foi simplesmente apagado pelos puristas do “realismo socialista”, por considerarem que “isso não é arte, é pura esquizofrenia”.
Mas a luta continua...

sábado, setembro 01, 2018

O lema lindo e auto-suficiente

O cartaz finlandês da época de Talvisota, 1940
Praticamente todos os ucranianos acima de 40 anos estudaram na escola soviética. Lá, desde a primária, foi-lhes colocada na cabeça uma fórmula até hoje absolutamente justa, perfeita e auto-suficiente. Um axioma. Uma operação, finita, como um roteiro de computador: – “Morte aos invasores ....-os/-is/-es”.

por: Volodymyr Boyko, Ucrânia (uma opinião no âmbito de liberdade de expressão)

Nesta fórmula, não existe nenhuma gota de emoção, nenhum grama de ódio. Simplesmente assim deve ser executada a função: “aos invasores = a morte”, apenas e só isso. Que ocupantes – da Babilónia, da Mesopotâmia, do Cretinistão, do Marte – não importa. Se és “ocupante”, então é a “morte” e mais nada. E enquanto este ou aquele povo possui o status de “ocupante”, essa função é executada automaticamente e sem quaisquer condições adicionais. “Antidesportivo”, “antiético”, “inculto”, “discurso de ódio”, “incitamento ao ódio”, “cínico” e várias outras anotações semelhantes estão fora deste roteiro.

Pertencem à uma outra vida. O status “ocupante” não possui estados, atributos ou propriedades adicionais. Simplesmente a “morte” e depois todo o resto. Primeiro e rapidamente a “morte”, e depois falaremos sobre ética... Mas morte sempre vem em primeiro. E até que eles mudem o seu status do invasor para qualquer outro, não poderá existir qualquer outro relacionamento. É como um vírus, um vírus pesado e mortal que ocupa células do seu corpo, não lhe causando nenhum desejo, exceto um – matá-lo imediatamente. Você não está atormentado por dúvidas morais e éticas sobre o vírus. Você não sente aversão pessoal à ele e não comunique com o vírus numa linguagem de ódio. Você simplesmente mata aquilo que o pretende matar.

Nem sei como explicar tudo isso aos nossos queridos fazedores da opinião e outros “peritos”. É tão fácil. É justo e moralmente certo. Se alguém invadiu a sua casa contra a sua vontade, ele é um ocupante e a morte é imediata. O ocupante não é uma pessoa, não é um cantor famoso, não é um ator, não é um cientista, não é um atleta, não é um poeta, nem é um escritor. Ele é um vírus, que primeiro leva a morte, e depois uma longa discussão sobre como aconteceu que, um homem de outrora, de repente se tornou um vírus.

Blogueiro: esperamos francamente que este texto não será censurado no Facebook, como já aconteceu com alguns outros textos do nosso bloque, escritos sempre em defesa da Ucrânia. Esperemos que a opinião objetiva e desapaixonada de um ucraniano não será entendida como violação de nenhuma das regras do FB, até porque “ocupante” não possui a nacionalidade ou origem étnica. Simplesmente é um ocupante, malfeitor, criatura fora de lei e que merece exatamente aquilo que artigo advoga)

quarta-feira, agosto 22, 2018

As transformações extraordinárias da Ucrânia ignoradas pelos meios de comunicação social

Na Ucrânia, que desde 2014 é vítima da guerra híbrida do seu vizinho russo, decorrem as transformações absolutamente extraordinários, muito provavelmente maiores do que nos 20 anos anteriores da sua história. No entanto, vários meios de comunicação social não “reparam” nessas mudanças. Porque será?

O mapa interativo mostra todas as fábricas e unidades fabris que foram abertas na Ucrânia desde 2015:
Faça click para ver o mapa interativo constantemente atualizado
Muito possivelmente, porque deliberadamente tentam quebrar os ucranianos, usando o fator stress/estresse, considera consultor político ucraniano Dmytro Bachevskyj e explica como:

Atingidos pelo estresse constante, as pessoas quebradas estarão prontas para tudo, só para conseguir um pouco de tranquilidade. A sociedade ucraniana de forma gradual e propositadamente é levada ao ponto de aceitar quaisquer eventos na guerra com a Rússia.

A imersão dos ucranianos em um estado de estresse total é realizada por várias maneiras:

1. São constantes perturbações na linha da frente, alternadas com períodos de maior calmaria. Puxando uma pessoa, constantemente criando problemas para depois removê-las, se pode levar alguém à um colapso nervoso. E ainda aniquilar a sua capacidade de se mobilizar e a vontade de resistir.

2. Criação de uma tensão interna na sociedade através de apelos ao novo Maydan, a organização de protestos em massa, aos bloqueios que ameaçam o sistema de poder e outras medidas que criam uma sensação de completa desestabilização no país e o colapso das instituições públicas.

3. A propaganda dos meios de comunicação / de mídia da oposição”, que demonstra a vida ucraniana como uma esfera de corrupção, de aumento dos preços, da destruição da economia e todos os tipos de supostas “traições”, quer dos aliados ocidentais, quer decorridas dentro do país. Quando uma pessoa sente que o país não tem perspectivas – desaparece o seu motivo de agir e de resistir.

4. A política editorial de todos os meios de comunicação ucranianos, que dão um enfoque significativo à crónica criminal. Os ucranianos são bombardeados com notícias sangrentas e de crueldade, assassinatos sem sentido, acidentes e catástrofes. Além disso, a maioria dessas notícias não são socialmente significativas e representam os casos separados, mas, em conjunto, criam uma imagem de total desesperança, insegurança e causam uma sensação de aproximação do desastre.

O que o Estado ucraniano deve fazer nessa situação?

Primeiro, minimizar a influência das notícias negativas da linha da frente na auto-percepção da sociedade. A informação deve ser equilibrada, tanto quanto possível, com notícias positivas sobre sucessos e vitórias ucranianas e baixas e derrotas do inimigo.

Em segundo lugar, o Estado deve estabelecer a comunicação com a sociedade e tornar-se o condutor de iniciativas, não permitindo que a iniciativa esteja do lado de quaisquer grupos que deliberadamente ou não, criam a desestabilização na Ucrânia.

Em terceiro lugar, é necessário aplicar medidas um bocado autoritárias aos meios de comunicação que trabalham para minar o estado psicológico da sociedade, semear o pânico, o sentimento de derrota, a decepção e a descrença. As medidas devem ser tomadas pelas autoridades competentes e agências especializadas. Ucrânia deve introduzir imediatamente o estado do sítio no espaço de informação livre e democrática.

Em quarto lugar, os meios de comunicação / as mídia ucranianas que desejam o bem ao país e à nação ucraniana devem, em consciência, diminuir a produção de notícias criminais absolutamente desnecessárias. Todos entendem que as notícias negativas sempre causam mais interesse ao público do que as positivas: a natureza de uma pessoa é responder à negatividade e avaliar os riscos para si mesma e no seu ambiente social. Mas seguir cegamente a lógica de audiências levará Ucrânia à uma ruína, péssima para toda a sociedade, para os jornalistas inclusivamente.

A guerra de informação é a mais poderosa e a mais eficaz. Ele permite destruir e subjugar qualquer sociedade que não consegue se defender perante tal influência nefasta. Ucrânia deve, finalmente, cuidar da componente informativa dessa guerra, ou então, nem as novas armas, nem os créditos ocidentais, nem as convicções do poder de que tudo vai bem salvarão o país.


Quem é avisado, está armado!
Glória à Ucrânia!

segunda-feira, agosto 20, 2018

Venezuela: o fim cada vez mais próximo do regime bolivariano

Na Venezuela, o dólar americano atingiu o novo máximo histórico no mercado paralelo de câmbios: 6 milhões de bolívares. Em resposta, o regime aboliu o subsídio estatal de combustível, os preços subiram imediatamente até 750 vezes (Sic!)
Taxa do câmbio paralelo: 1 dólar vs milhões de bolívares
O ex-motorista de autocarro/ônibus, Maduro, prometeu aumentar o salário mínimo em 35 vezes, o que significará apenas, que em vez de ir às compras com um saco, os cidadãos terão que levar a mochila ou uma carrinha de mão, igual à que são usadas nas obras de construção civil nos países pobres.
Chávez deixou o poder quando 1 dólar valia no mercado paralelo cerca de 15-20 bolívares. Em apenas cinco anos da presidência atual, a moeda nacional venezuelana já se desvalorizou 300.000 vezes (Sic!). Naturalmente, Maduro não é o culpado primordial, pois como dizia a saudosa Margaret Thatcher: “O socialismo dura até acabar o dinheiro dos outros”.
O socialismo bolivariano apostou em franjas mais lumpen da sociedade venezuelana, comprando a sua lealdade em forma de diversos subsídios. Uma decisão até que de certa forma sábia, pois dessa maneira os mais marginalizados continuavam na absoluta miséria, e seguramente, sempre votando no partido e no regime que lhes garantia os seus subsídios. Diferentemente do aumento salarial, quando a classe média, começa exigir as mudanças reais, fim (ou ao menos diminuição) da corrupção ou aplicação dos princípios da boa governação. Mas assim, quando subsídio acaba – acaba a lealdade.
Os cidadãos venezuelanos fogem do país em massa, os países vizinhos introduzem ou ponderam a introdução de medidas para limitar a entrada destes mesmos refugiados, em alguns casos, como no caso brasileiro, já foram registados os confrontos entre os refugiados e a população local. A explosão social venezuelana sempre irá atingir os seus vizinhos continentais, na maior proporção, quando mais tempo a região irá tolerar o regime bolivariano nas suas portas.
A comunidade internacional está ocupada: a União Europeia não sabe o que fazer com os seus próprios refugiados e com problemas económicos na sua periferia sul; a ONU está habitualmente dormindo; os vizinhos latino-americanos estão em processos de grande turbulência económica e social. Os EUA aparentemente não estão interessados em entrar “no barulho”, pelo menos, por enquanto, embora a sua decisão pode mudar de um momento para outros, devido à grande instabilidade da sua administração presidencial e naturalmente, para defender os ativos das empresas americanas, nacionalizadas pelo regime bolivariano desde 2007.

ConocoPhillips recupera o seu investimento na Venezuela

Nesta segunda-feira, dia 20 de agosto à americana ConocoPhillips informou que a empresa estatal petrolífera venezuelana Petróleos de Venezuela, S.A. (PDVSA) pagará à contraparte americana 2 biliões de dólares pela nacionalização dos seus ativos em 2007. O primeiro pagamento no valor de 500 milhões de dólares terá que ser efetuado dentro de 90 dias, o restante valor sera amortizado durante 4,5 anos. Os detalhes do acordo são confidenciais.
Em 2007 o presidente da Venezuela Hugo Chevéz assinou o decreto da nacionalização de jazigos de petróleo no delta do rio Orinoco (nomeadamente os investimentos de ConocoPhillips em projetos de petróleo pesado em Hamaca e Petrozuata, além de outros medidas de expropriação). Decreto previa que as empresas estrangeiras sejam forçadas à vender à PDVSA não menos de 60% de sua participação nestes projetos. As americanas ConocoPhillips e ExxonMobil se recusaram à entrar no esquema e viram os seus projetos nacionalizados. ConocoPhillips recorreu aos tribunais internacionais, nomeadamente à Câmara Internacional do Comércio (ICC), que em abril de 2018 acordou que a PDVSA deve pagar à empresa cerca de 2 biliões de dólares. Em maio de 2018, os tribunais das ilhas holandesas, Curaçãu, Bonaire, Sint Eustatius e Aruba decidiram a congelação dos ativos da PDVSA, que usava os portos, fábricas de processamento e sistemas de armazenamento destas ilhas.
Mais uma vez, o socialismo bolivariano durou até acabar o dinheiro dos outros...

domingo, maio 27, 2018

General do GRU russo “Orion” é o principal responsável do abate do Boeing MH17

O grupo OSINT internacional Bellingcat e a publicação russa The Insider divulgaram os resultados da sua investigação do abate do Boeing-777 do voo MH17. Um dos principais coordenadores dos separatistas, responsável pelo abate do MH17 é o general do GRU russo Oleg “Orion” Ivannikov. Em 2006-2008, sob o nome falso, ele era o “ministro da defesa” da Ossétia do Sul, território ocupado da Geórgia.

Como foi apanhado Oleg Ivannikov 
A foto do Oleg “Orion” Ivannikov mostrada na conferência de imprensa de Bellingcat, 25/05/2018
Créditos: Remko De Waal / EPA / Scanpix / LETA
Em setembro de 2016, a equipa conjunta de investigação internacional (JIT), pediu a ajuda pública para identificar as vozes de duas pessoas. Os dois estavam coordenando a entrega do sistema de mísseis “Buk” aos ditos separatistas. As suas conversações foram interceptadas e gravadas pelo Serviço de Segurança da Ucrânia (SBU) em junho de 2014:
Nas conversas, ambos usavam os seus nomes de código e nomes paternais, que muito provavelmente eram falsos.

Um deles — Nikolay Fedorovich usava o nom de guerre «Delfin» (Golfinho). Em dezembro de 2017, o grupo Bellingcat e a publicação The Insider informaram que conseguiram identificar essa voz: pertencia ao tenente-general do exército russo, Nikolay Tkachev.
O tenente-general do exército russo Nikolay Tkachev no Kremlin
O segundo desconhecido — Andrey Ivanovich, usava o nom de guerre «Orion». Como consegui apurar SBU, era oficial do GRU russo, que segundo as comunicações interceptadas, estava na região de Luhansk e comandava as operações militares dos ditos separatistas. SBU divulgou não apenas as suas conversações, mas também os números de telefones, usados pelos terroristas russos. «Orion» usava o número ucraniano +380634119133.

Mais tarde, Bellingcat e The Insider, encontraram este número numa das listas telefónicas, gravado sob o mesmo nome de código — “Oreon”. Era um número anónimo pré-pago da operadora ucraniana de telefonia móvel life:). Na conferência de imprensa no dia 25 de maio de 2018, Bellingcat explicou que um jornalista ucraniano consegui aceder à base de dados da life:) e achou nela quatro números russos, que se comunicavam com «Orion».

Um destes números, da operadora russa de telefonia móvel “Megafon”, pertencia ao oficial do GRU russo, Oleg Vladimirovich Ivannikov. O número estava registado em várias listas telefónicas, numa delas como pertencente ao Ivannikov, na outra como pertencente ao «Andrey Ivanovich GRU do Husky». O grupo «Husky» — se posiciona(va) como um grupo de sabotagem (DRG) na dita “dnr”.

O mesmo número foi achado numa base de dados hackeada de uma loja online russa. Em 2017, o cliente “Oleg”, efetuou a compra e fez um pedido de entrega dos equipamentos especiais ao endereço «Moscovo, rua Polina Osipenko, № 76». Oficialmente, em Moscovo não existe este endereço, a rua Polina Osipenko é uma rua curta, com os prédios unicamente pares, №№2-22. Mas, a rua é próxima ao complexo predial com o número geral № 76 (e várias letras, A, B, C, etc.), que formalmente se situa na auto-estrada Horoshevskoe № 76, até 2006 era a sede do GRU do Estado-maior do Exército russo.
Usando este mesmo número do telefone móvel, Bellingcat e The Insider acharam o endereço da residência e do telefone fixo do Ivannikov em Moscovo, assim como descobriram que este tem um filho, que vive e trabalha na Suíça. Eles ligaram ao telefone fixo e gravaram a voz do Ivannikov, uma voz muito alta, bastante caraterística, muito “afeminada” e muito semelhante à voz do “Orion”, interceptada pelo SBU em 2014.

Nas bases de dados oficias russas, os investigadores OSINT descobriram os dados do funcionário do Ministério da Defesa da federação russa Oleg Vladimirovich Ivannikov, nascido em 2 de abril de 1967 e residente em Moscovo. Também foram achadas algumas fotos do mesmo.

Quem é Oleg Ivannikov?

Oleg Ivannikov nasceu no seio de uma família do militar soviético na RDA em 1967. Foi formado na Escola Superior Militar da Engenharia Aérea de Kyiv e depois no Instituto de Aviação de Moscovo (na 6ª faculdade de mísseis balísticos). Após disso, durante vários anos (pelo menos até 2003) viveu na cidade russa de Rostov-no-Don.
O general do GRU Oleg Vladimirovich Ivannikov
Em 2004, Ivannikov, usando o nome falso de Andrey Ivanovich Laptev foi enviado para Ossétia do Sul (região ocupada da Geórgia). Na Ossétia, ele encabeçou o comando militar dos separatistas, em 2006-2008 foi designado como o seu “ministro da defesa”. Considera-se que na época Ivannikov “Laptev” estava ligado à residentura do GRU em Tbilissi, desmantelada em 2006, o que levou à prisão na Geórgia de quatro oficiais russos do GRU. Em março de 2008, nas vésperas da guerra russo-georgiana em agosto de 2008, Ivannikov “Laptev” anuncia a sua demissão e se muda para Moscovo.

Em Moscovo, Ivannikov escreveu a sua tese de doutoramento em filosofia (Sic!) sob o tema «Caráter complexo da guerra de informação no Cáucaso: aspectos sócio-filosóficos», defendida na Universidade Federal do Sul em Rostov-no-Don. No texto, Ivannikov cita, de forma abundante, o conspirologista russo de inspiração fascista Alexander Dugin e exorta confrontar à “penetração informativa e cultural do Ocidente” no Cáucaso através de uso de “grupos especiais constituídos por altos funcionários e representantes de serviços especiais (SVR, GRU, FSB, etc.)”.

Possivelmente, ele permanece ligado à situação na Ossétia do Sul, dado que em 2013 visitou este território ocupado, usando o seu nome real.

“Orion” Ivannikov no leste da Ucrânia

Em 2014, Ivannikov é enviado para o leste da Ucrânia. O terrorista russo e ex-“ministro da defesa da dnr”, Igor “Strelkov” Girkin, lembrou mais tarde, que tinha visto Ivannikov na cidade de Sorokyne (ex-Krasnodon), situada praticamente na fronteira ucraniano-russa, onde se localizava o estado-geral da invasão militar russa; outras fontes o viram em Luhansk, junto ao Igor Plotnitsky, que, na altura, era apresentado ao público como “ministro da defesa da lnr”. Desta forma, é possível supor, que em Luhansk, Ivannikov coordenava as ações militares dos ditos “separatistas” daquela região.

Sabe-se que na Ucrânia Ivannikov possuía o poder do comando sobre a EMP grupo Vagner, dando ordens diretos aos seu líder nominal Dmitri Utkin (além do seu envolvimento na Síria, os mercenários russos do grupo Vagner participaram nas atividades terroristas no leste da Ucrânia).

As conversas telefónicas interceptadas pelo SBU indicam que Ivannikov estava coordenar as atividades militares dos ditos “separatistas” no terreno, recebendo, ele próprio, as instruções e ordens, vindos do general Tkachev, que se encontrava, via de regra, na Rússia. Algumas fontes entre os ditos “separatistas” afirmam que Ivannikov foi o lobista principal de nomeação de Igor Plotnitsky como chefe da dita “lnr”.

Desde 2015, Ivannikov deixou o território da Ucrânia; o seu paradeiro atual é desconhecido, informa a página Meduza.

sexta-feira, março 23, 2018

Ivan Ilyin, o filósofo do fascismo russo de Putin

O filósofo russo Ivan Ilyin, conhecido, sobretudo pela sua defesa do fascismo, defendia que o fracasso do Estado de Direito é uma virtude. Hoje, a cleptocracia russa, incluindo Vladimir Putin, usa as suas ideias para retratar a desigualdade económica como uma inocência nacional, argumenta o historiador Timothy Snyder.

Nos últimos anos, Putin usou algumas das ideias mais específicas de Ilyin sobre geopolítica no seu esforço para transformar a tarefa da política russa de continuar as reformas em casa para a [ideia] de exportação de virtudes [russas] ao exterior. Ao transformar a política internacional em uma discussão sobre “ameaças espirituais”, as obras de Ilyin ajudaram as elites russas a retratar a Ucrânia, a Europa e os Estados Unidos como perigos existenciais para a Rússia.

[...]
Segundo Ilyin, os nazis estavam certos em boicotar os negócios judaicos e culpar os judeus como uma coletividade pelos males que se abateram sobre a Alemanha. Acima de tudo, Ilyin queria convencer os russos e outros europeus de que Hitler estava certo em tratar os judeus como agentes do bolchevismo. Essa ideia “judeobolchevique”, como Ilyin entendia, era a conexão ideológica entre os russos monárquicos e os nazis. A alegação de que os judeus eram bolcheviques e bolcheviques eram judeus era propaganda monárquica durante a guerra civil russa [da década] de 1920.

[...]
Ilyin escrevia sobre os “ucranianos” entre aspas, já que em sua opinião eles faziam parte do organismo russo. Ilyin estava obcecado pelo medo de que as pessoas no Ocidente não entendessem isso e viu qualquer menção à Ucrânia como um ataque à Rússia. Porque a Rússia é um organismo, ela “não pode ser dividida, apenas dissecada”.
Timothy Snyder: na Ucrânia aconteceu uma revolução popular
[...]
O caso da influência de Ilyin talvez seja mais fácil de rever na perspetiva da nova orientação da Rússia em relação à Ucrânia. [...] Nas primeiras duas décadas após a dissolução da União Soviética, as relações russo-ucranianas foram definidas por ambos os lados, de acordo com o direito internacional, com os advogados russos sempre insistindo em conceitos muito tradicionais, como soberania e integridade territorial. Quando Putin voltou ao poder em 2012, o legalismo deu lugar ao colonialismo. Desde 2012, a política russa para a Ucrânia tem sido feita com base nos primeiros princípios, e esses princípios têm sido os de Ilyin. A União Eurasiana de Putin, um plano que ele anunciou com a ajuda das ideias de Ilyin, pressupunha aderência da Ucrânia. Putin justificou a tentativa da Rússia de atrair a Ucrânia para a Eurásia pelo “modelo orgânico” de Ilyin, que fez da Rússia e da Ucrânia “um só povo”.

[...]
Quando as tropas russas entraram na Ucrânia em fevereiro de 2014, a retórica civilizacional russa (da qual Ilyin era a maior fonte) capturou a imaginação de muitos observadores ocidentais. No primeiro semestre de 2014, as questões debatidas eram se a Ucrânia era ou não parte da cultura russa, ou se os mitos russos sobre o passado eram de alguma forma uma razão para invadir um estado soberano vizinho. Ao aceitar a maneira que Ilyin colocou a questão, por uma questão de civilização e não de lei, os observadores ocidentais perderam os interesses do conflito para a Europa e os Estados Unidos. Considerar a invasão russa da Ucrânia como um choque de culturas era torná-la distante, colorida e obscura; vê-lo como um elemento de um ataque maior ao estado de direito teria sido perceber que as instituições ocidentais estavam em perigo. Aceitar o enquadramento civilizacional era também ignorar a questão básica da desigualdade. O que os ucranianos pró-europeus queriam era evitar a cleptocracia ao estilo russo. O que Putin precisava era demonstrar que tais esforços eram infrutíferos.

[...]
No esquema de Ilyin, o Soberano (Gosudar) seria pessoalmente e totalmente responsável por todos os aspectos da vida política, como diretor executivo, chefe legislador, chefe de justiça e comandante das forças armadas. Seu poder executivo é ilimitado. Qualquer “seleção política” deve ocorrer “numa base formalmente antidemocrática”. As eleições democráticas institucionalizam a noção perversa da individualidade. “O princípio da democracia”, escreveu Ilyin, “era o átomo humano irresponsável”. Contar os votos era aceitar falsamente “a compreensão mecânica e aritmética da política”. Seguiu-se que “devemos rejeitar a fé cega no número de votos e seu significado político”. A votação pública com boletins assinados permitirá que os russos renunciarem à sua individualidade. As eleições eram um ritual de submissão de russos antes do seu líder, escreve Timothy Snyder para a New York Review of Books...
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O primeiro estudioso que escreveu sobre importância das ideias do Ilyin no projeto do Putin foi o historiador Walter Lequeur no seu livro Putinism.