sexta-feira, julho 29, 2011

A vida na lixeira de Maputo


A Internet página ucraniana Monk.com.ua publicou as fotografias do fotógrafo português José Ferreira que documentou a vida das pessoas que habitam na lixeira de Maputo...

quarta-feira, julho 27, 2011

Helena Kolody – Atavismo

Atavismo

Quando estou triste, e só, e pensativa assim,
É a alma dos ancestrais que sofre e chora em mim.
É a angústia secular duma raça oprimida
Que vem da profundeza e turva a minha vida.

Certo, guardo latente e difusa em meu ser,
A lembrança remota e má dos dias amargos
Que eles viveram sem a ansiada liberdade,
E eu que amo tanto, tanto, os horizontes largos,
Lamento não ser águia ou condor, para voar
Até onda a força da asa alcance a me levar,
Na conquista do império azul da imensidade.
Oh! Quantas vezes eu, humilde e pequenina
Ante a extensão agreste e verde da campina,
Não sei dizer por que, deslumbrada, senti
Saudade singular da estepe que não vi!

Pois até o marulhar misterioso e sombrio
Da água escuro com a imponência dum rio,
Lembra, sem querer, numa impressão falaz,
O soturno Dnipró cantado por Tarás...

Por isso é que eu surpreendo, em alta intensidade,
Acordada em meu sangue, a tara da saudade.

Helena Kolody

terça-feira, julho 26, 2011

Dragão ucraniano salva Harry Potter!

Na parte final da saga do Harry Potter, no filme “Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2”, o Harry e os seus amigos são salvos pelo dragão Barriga-de-ferro Ucraniano / Ukrainian Ironbelly.
Os duendes que são donos de todos os bancos e das riquezas do mundo mágico, tiveram ao seu serviço uma criatura perigosa – um dragão enorme que cuspia fogo. O dragão deveria voar em liberdade, bem longe das pessoas e dos duendes, mas estes o aprisionaram na cave subterrânea, o cegaram, amedrontaram, acorrentaram e obrigaram guarnecer as riquezas do banco mágico de Gringotts.

No início da sua aparição o Barriga-de-ferro Ucraniano tem a aparência lastimável: ele bate com o nariz nas paredes como um gatinho cego, choraminga, tem o medo do barulho (os duendes o acostumaram a ter medo, pois o maltratavam impiedosamente acompanhados por este barulho).
O sonho principal de todos os ucranianos para 2024: fim do putin e do seu regime

Os jovens mágicos, Harry Potter e os seus amigos, caídos na armadilha libertaram o Barriga-de-ferro Ucraniano e a Hermione teve a ideia de lhe abrir as asas, recordando a sua orgulhosa origem draconiana. Depois disso o Barriga-de-ferro Ucraniano tornou-se imparável: ele partiu em bocados a sua prisão e até o banco, se evadiu para a liberdade e voo imparavelmente até alcançar um belíssimo e magnifico lago. Aqui os nossos mágicos se separaram dele, eles foram tratar os seus assuntos e ele ficou-se banhar alegremente nas águas límpidas da liberdade.

Falta desejar aos verdadeiros barrigas de ferro ucranianos seguir o seu exemplo, escreve a página Maidan.org.ua.
O dragão Barriga-de-ferro ucraniano também é mencionado no filme
 "Monstros Fantásticos e Onde Encontrá-los" / "Animais Fantásticos e Onde Habitam"
Ler mais sobre o dragão Barriga-de-ferro Ucraniano:

Blogueiro

De facto, muitas das vezes assim acontece com a nossa querida Ucrânia. Os duendes sedosos das suas riquezas andam a explorar e maltratar o bom e muitíssimo paciente povo. Quando após anos e até séculos de abusos levam finalmente nas suas fuças com uma estaca, de forma bem merecida, começam imediatamente propalar os clichés sobre a “intolerância” e a “crueldade” dos ucranianos para com os ocupantes russos. Mas como poderiam, realmente...

Recordar a Divisão Galiza


No passado dia 24 de Julho foram solenemente recordados os combatentes ucranianos e de outras nacionalidades da Divisão Ucraniana “Galiza”.

Em Julho de 1944 eles defendiam a cidade ucraniana de Brody contra o avanço impiedoso do Exército Vermelho. Naquelas batalhas a Divisão “Galiza” perdeu cerca de 80% do seu efectivo. Os acontecimentos representaram mais um capítulo trágico na história da Ucrânia, pois por vezes o pai se oponha ao filho e os irmãos lutavam entre si, inseridos em formações militares antagonistas.

Em 2011 a Sociedade de busca das vítimas da guerra “Memória” e o centro de equipamento Sturm.com.ua organizaram a transladação solene dos combatentes e uma reconstrução histórica de “rompimento e saída do cerco”, ambas actividades nos arredores das aldeias de Chervone e Yasenivtsi na província de Lviv.

Domingo, 24 de Julho
12h30 – serviço religioso solene e transladação dos restos mortais dos combatentes no cemitério militar local;
14h30 – início da reconstrução militar e histórica “Rompimento do cerco”.

Ver as comemorações recentes:
Brody 2010: http://reibert.info/forum/showthread.php?t=121752
Brody 2009: http://reibert.info/forum/showthread.php?t=56277
Brody 2008: http://reibert.info/forum/showthread.php?t=30117

quinta-feira, julho 21, 2011

Ucranianos na guerra da Geórgia

No dia 18 de Julho foi comemorado o 18° aniversário da batalha de Shroma (Geórgia), na qual o corpo expedicionário ucraniano “Argo” tomou e defendeu a aldeia de Shroma, o ponto estratégico na guerra da Abecásia de 1992-93. A cerimónia solene teve o lugar no cemitério de Baykove em Kyiv e contou com a participação dos representantes da Embaixada e do Ministério da Defesa da Geórgia.

No dia 19 de Julho de 1993 o corpo expedicionário ucraniano, formado pelos voluntários da UNA-UNSO tomou de assalto a aldeia georgiana de Shroma, ocupada na altura por cerca de 600 “cossacos” russos.

Recorda Valeriy Bobrovych, mais conhecido como Centurião “Ustym”, que comandava os voluntários ucranianos:

O exército georgiano atacou várias vezes as posições bem fortificados dos russos, mas teve baixas consideradas e se retirou. A unidade ucraniana da infantaria de montanha era tida como a da maior prontidão combativa em todo o exército georgiano, por isso a operação foi confiada ao “Argo”.

Os ucranianos fizeram o reconhecimento local e encontraram o caminho que os levava à retaguarda do inimigo. Aquela parte da aldeia não era tão guarnecida, pois para chegar lá era necessário descer um monte com 200 metros de altura. Por isso a operação começou a noite, usando as cordas eram transportados os soldados, as metralhadoras e a munição. Se o inimigo descobrisse os ucranianos no meio da operação, ninguém conseguiria sair de lá com vida. Quando um dos voluntários perdeu o equilíbrio e ficou pendurado de cabeça para baixo numa altura de 100 metros, ficou quieto durante 10 minutos até ser içado. Todos entendiam que estavam numa situação de “vitória ou morte”.

Os ucranianos aproximaram-se à uma distância de 30-40 metros das posições russas e aos primeiros raios do sol foram lançadas 46 granadas F-1. Os ucranianos atacaram gritando “Slava!!” (Glória!!). O inimigo possuía a superioridade numérica em mais de 10 vezes, mas em pânico deixou Shroma, retirando-se para a cidade da Nova Athos. Naquele momento, obtendo a ajuda de pelo menos 150-200 soldados georgianos era possível tomar a Nova Athos e cortar a auto-estrada pela qual os separatistas recebiam os reforços e suprimentos.

Mas os georgianos não conseguiram enviar a ajuda, apenas pediam aguentar as posições. Já no dia seguinte os russos trocaram os seus “cossacos” pelo unidade do exército regular, vinda salvo erro, de Irkutsk, que metodicamente iniciou uma série de ataques contra Shroma. No início de cada ataque os russos gritavam ao megafone: “ucranianos, não se rendem, vamos despedaçar as vossas peles”.

Os ucranianos confiavam nas palavras dos “irmãos mais velhos”, por isso não se rendiam. Os combates duraram três dias, os russos aproveitavam a superioridade em morteiros, pois “Argo” não tinha nenhum, mas a infantaria russa atacava de forma fraca. A maioria dos russos nem no mapa sabia mostrar onde fica Abecásia, os ucranianos percebiam que combatendo na Geórgia estavam defender Ucrânia. Pois diziam que hoje é Sukhumi, amanha Tbilisi e depois de manha Kyiv.

No terceiro dia recebemos a ordem de deixar Shroma. Retiramos em ordem total, levando os mortos e os feridos, a aldeia ardia. Traduzindo do georgiano, Shroma significa “trabalho”, pensei “pelo menos não significa Fastiv ou Kolomiya”.

Durante a operação os ucranianos tiveram duas baixas mortais e oito feridos graves, um dos mortos, ao pedido do seu pai foi sepultado em Sukhumi, no parque “Kurchenko”. Após a queda do Sukhumi aos separatistas a sua campa foi profanada pelos mercenários russos...

Pelos dados do serviço de inteligência militar georgiano, naquela operação os russos e os seus aliados tiveram 58 baixas mortais, foi queimado o tanque russo T-55, pela primeira vez no Cáucaso.

Valeriy Bobrovych nasceu no dia 23 de Dezembro de 1951 em Kyiv. Em 1970 terminou a escola náutica de Kherson. Em 1971 participou na guerra do Vietname. Teve a contusão, foi condecorado com a medalha “Mérito em Combate”. Em 1978 foi graduado pela Escola Superior de Engenharia Naval de Odessa. Dispensado da marinha pela “propaganda das ideias nacionalistas”. Um dos fundadores do UNSO. Em 1992 participou na guerra de Transnístria, em 1992-1993 participou na guerra na Geórgia como comandante do corpo voluntário expedicionário ucraniano “Argo”. Foi condecorado com a Ordem militar georgiana Vakhtang Gorgasali do 3° Grão, é cidadão de mérito da Geórgia.

Em 2008 a editora ucraniana Cão Verde publicou o seu livro de memórias “Como os cossacos combatiam no Cáucaso. O diário do centurião “Ustym” (ISBN 9789661515535), a tentativa de contar a sua experiência de participação na guerra da Abecásia em 1992-1993.

Ler mais:
http://a-ingwar.livejournal.com/568465.html (ucraniano e russo)
http://conflicts.rem33.com/images/Ukraine/ukrainians4georgia.htm (inglês)

Ver o filme no Vimeo:


БІЙЦІ УНСО. ЗАВЖДИ ГОТОВІ ДО БОЮ. from a-ingwar on Vimeo.

Visitar Ucrânia em Agosto


Para comemorar os 120 anos da Imigração Ucraniana no Brasil e os 20 Anos de Independência da Ucrânia, a agência de viagem ucraniano-brasileira Dnipro Gold organizou a viagem de aproximadamente 200 pessoas da comunidade ucraniana do Brasil que estarão viajando pela Ucrânia nos meses de Agosto e Setembro de 2011 participando em diversas atividades comemorativas. A sua viagem pode ser acompanhada nas páginas do blogue especial:

domingo, julho 17, 2011

Ucrânia abre museu do sexo

O Museu de culturas sexuais do mundo é o seu nome oficial, e é o primeiro e até agora o único museu do género na Ucrânia. A sua exposição é dedicada às diferentes culturas sexuais; o museu foi aberto por iniciativa dos funcionários da Academia Médica de Pós-Graduação em Educação de Kharkiv. O museu faz um grande trabalho educativo dedicado aos relacionamentos entre o homem e a mulher.

Endereço:
Kharkiv, rua Myronosnycka № 5 (ex-Mayakovski), cerca de 811m da estação do metro Pushkinska.
Tel. + 380 57 7156315
Tel. + 380 57 7005002

Funcionamento:
Das 11h00 às 19h00; preço do ingresso 15 UAH (1,88 USD) para os adultos, 10 UAH (1,25 USD) para os reformados e estudantes.

Ver a exposição on-line:
http://mapia.ua/ua/kharkiv/gelerei-ta-muzei/muzey-seksualnih-kultur-svitu--39201#

Vestuário patriótico ucraniano


A loja on-line “Estilo Ucraniano” trabalha para criar moda jovem ucraniana, integrando as tradições nacionais e o estilo moderno. Moda não está apenas no vestuário mas também na visão. É por isso “Estilo Ucraniano” combina o vestuário com a visão. Ser ver alguém vestido com estas roupas é para saber: é um ucraniano, um dos nossos, aquele que não se esqueceu de altos ideais, para quem a palavra Ucrânia não é uma palavra vazia.
Se queres comprar a camisa ou t-shirt com Bandera, Shevchenko, Shukhevych ou Makhno – seja bem vindo! Se você tem uma idéia de criar uma camisa nova (ou outra coisa) venha ao “Estilo Ucraniano”, realizaremos a sua ideia em conjunto e o autor receberá uma T-shirt grátis ~:)

Como surgiu “Estilo Ucraniano”?
Tudo começou em 2000. Veio o Verão e a rapaziada queria mudar o seu “guarda-roupa”. Camisas com Che ou URSS que entraram na moda irritavam: como você pode se dar ao luxo de usar os símbolos do sistema que destruiu o seu povo? Camisas ucranianas não exisitiam no mercado. A filosofar um pouco no computador e sob a influência da batalha de rua entre os jovens da UNA-UNSO (a vanguarda da acção civil Ucrânia sem Kuchma) e a polícia de choque “Berkut” junto ao monumento do Taras Shevchenko no dia 9 de Março de 2000, nasceu o primeiro T-shirt ucraniano – Taras Shevchenko contra um fundo de duas metralhadoras cruzadas. Esta camisa foi vista pelos amigos, amigos de amigos, foi vestida por várias centenas de jovens em toda Ucrânia.

Neste momento todos os produtos podem ser encomendados através da Internet graças ao camarada de armas Mikhaylo “Hruz” Plotnikov que ajudou na criação da loja on-line.
Boas compras!

sábado, julho 16, 2011

História do alfabeto latino ucraniano


Pergunta um leitor anónimo se é verdade que o idioma ucraniano foi originalmente escrito em alfabeto latino?
A língua ucraniana foi escrita em alfabeto latino desde os séculos XVI – XVII, em forma de Latynka, similar às formas usadas pelo checo e polaco (polonês). No século XIX, o padre Josyp Ivanovyč Łozynski, de Lviv, na sua publicação Ruskoje wesile (Casamento ucraniano) de 1835 tentou revitalizar esse uso.

Durante o domínio do Império Austro-Húngaro houve nova tentativa de ocidentalizar a língua ucraniana pelo uso do alfabeto latino, em projeto do político checo Konstantin Jircek. Nova tentativa nesse sentido de usar o Latynka foi feita em 1927 na conferência de Kharkiv pelos linguístas M. Johansen, B. Tkačenko e M. Nakonečnyj. Porém, a União Soviética se opôs a essa iniciativa.
O Latynka apresenta o alfabeto latino sem o Q e sem o X. Muitas das demais 24 letras do latino tradicional apresentam diacríticos, o que leva a um total de 37 caracteres diversos.

***
Você acha que existe alguma possibilidade do alfabeto latino voltar a ser adotado pela Ucrânia? Você é contra ou a favor? Há, atualmente, alguma tentativa nesse sentido?

Blogueiro
A possibilidade existe sempre, não sei até que ponto essa possibilidade é crível. Provavelmente seria à favor, pois Latynka aproximaria Ucrânia ao Ocidente. Hoje existem várias tentativas de ordenar o uso de Latynka, por exemplo da autoria do Maxym Lagoda, (veja também blog do Maxym) ou as regras da escrita (PDF, 146 páginas, editora Clássica, 2000).

The Soviet Story no filme

Recomendamos o filme documentário The Soviet Story que mostra como a União Soviética ajudou e cooperou com Alemanha nazi: desde o seu programa de armamento, passando pela cooperação entre OGPU-NKVD com Gestapo até ajuda na questão de Holocausto.

Além disso, é um documentário sobre os crimes soviéticos contra a humanidade e o seu próprio povo numa escala industrial. Mais importante, sublinha a semelhança dos regimes nazi e soviético e as indiscutíveis maneiras de como eles ajudaram-se mutuamente. Termina com uma conclusão de como a Europa carece de vontade política para condenar totalmente os crimes comunistas contra a humanidade, porque não é assim que o mundo funciona. Com a Alemanha e a Rússia construindo gasodutos juntos, é difícil imaginar um levantando a voz contra o outro e exigindo, por exemplo, a extradição dos interrogadores da KGB soviética que torturaram muitas pessoas até à morte. Eles continuam a viver em Moscovo como veteranos condecorados.
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O documentário “The Soviet Story” (A História Soviética) é dirigido pelo realizador letão Edvins Snore, que passou 10 anos colectando as informações e dois anos filmando em vários países. Entre os entrevistados no filme estão historiadores ocidentais e russos como Norman Davies e Boris Sokolov, o escritor Viktor Suvorov, o dissidente soviético Vladimir Bukovsky, membros do Parlamento Europeu e também as vítimas de terror soviético.

Ver filme no Vimeo (1:25:34):