sábado, maio 24, 2025

Embaixador da Ucrânia em Moçambique: «Antes das negociações precisamos de um cessar-fogo»

A entrevista do Embaixador da Ucrânia em Moçambique, Dr. Rostyslav Tronenko, com o jornalista de semanário «Savana», Fernando Gonçalves, está disponível na página da Embaixada da Ucrânia em Moçambique. 

Consultar a entrevista na Web e em PDF:

sexta-feira, maio 23, 2025

Os perigos da literatura ucraniana ao regime comunista soviético

Mensagem secreta do chefe do KGB ao líder da Ucrânia soviética, o neo-estalinista Volodymyr Shcherbytsky (1972-1989), para impedir aos «extremistas nacionalistas ucranianos» à prestarem à homenagem ao poeta ucraniano Taras Shevchenko em 22 de maio de 1974.

É de notar que a obra literária do poeta, escritor e artista ucraniano Taras Shevchenko (1814-1861) era absolutamente legal na Ucrânia soviética, tirando alguns dos seus versos mais «nacionalistas», que simplesmente não eram publicados, sem nenhm comentário adicional, das razões dessa não-publicação.

Busto do Taras Shevchenko metralhado pelos ocupantes russos em Borodyanka em 2022

O documento do KGB, com cópias enviadas à todos os membros e candidatos aos membros ao CC do PCUS na Ucrânia soviética: «Foi resolvida, via administração da Universidade Estatal/dual de Kyiv, a questão de não realização de eventos de massas nos auditórios da universidade no dia 22 de maio, bem como o não realização das aulas noturnas após 16h00».

Consultar original no Facebook do historiador Eduard Anrusenko




Para garantir a ordem pública junto ao monumento do Taras Shevchenko e no respetivo parque [situado no centro de Kyiv] de 21 a 23 de maio, serão realizadas medidas operacionais conjuntas pelo KGB e pelo Ministério do Interior [MVD] da RSS da Ucrânia por uma unidade operacional especialmente designada de 42 pessoas, incluindo 18 agentes do KGB e 24 do MVD [polícia], dos quais 10 são polícias fardados [entende-se que 18 agentes do KGB e 14 agentes do MVD estarão no local à paisana]. Está previsto dispersá-los em diferentes locais.»

Monumento ao Taras Shevchenko em Kyiv, alvo de interesse do KGB em 1974

Entre outras coisas, é referido o seguinte: «As estruturas estrangeiras da OUN estão também a esforçar-se por intensificar as suas atividades nacionalistas em ligação com os aniversários das mortes dos antigos «líderes» da OUN [Yevhen] Konovalets (23 de maio) e [Symon] Petliura (25 de maio) e estão a incitar os elementos nacionalistas na Ucrânia a cometer ações antissociais.»

O KGB decide que as pessoas, que irão colocar as flores ao monumento do Taras Shevchenko, de forma individual, serão fotografadas de forma clandestina, enquanto todos aqueles que se comportarem «de forma extremista» [cantarem, declamarem poesia, etc.], serão formalmente identificados. Na cidade de Kaniv, o local, onde o corpo do Taras Shevchenko foi sepultado na Ucrânia, o KGB criou um grupo operativo com tarefas idênticas, comandado pelo chefe do Comité na região de Cherkassy.

Fonte: Arquivo Setorial Estatal do Serviço de Segurança da Ucrânia

É de notar que o socialista Symon Petliura foi assassinado pelo presumível agente soviético em Paris em 1926 e nunca teve nenhuma relação com OUN, formada em 1929 em Viena.

SIS desmantela a célula de espiões russos no Porto

O caso envolve um casal russo que operava sob identidades portuguesas no Porto, destaca a crescente sofisticação das operações de espionagem russas na Europa. Aparentemente, os espiões russos obtiveram os documentos portugueses de forma legal, usando as suas identidades brasileiras falsas. 

Apresentando-se como Manuel Francisco Steinbruck Pereira e Adriana Carolina Costa Silva Pereira, o casal, na realidade Vladimir Aleksandrovich Danilov e Yekaterina Leonidovna Danilova, utilizava documentos portugueses e falava o português com alguma fluência, tendo se estabelecido em Portugal após uma estadia no Brasil desde 2018, escreve Expresso.

Este episódio insere-se numa estratégia mais ampla dos serviços secretos russos, que têm adotado o uso de agentes ilegais — operativos que vivem sob identidades falsas, sem ligações aparentes à rússia. Esses agentes são treinados para se infiltrar profundamente nas sociedades-alvo, muitas vezes estabelecendo famílias e carreiras legítimas como cobertura para suas atividades.

Este caso também ressalta a importância de uma vigilância contínua e da colaboração entre os serviços de inteligência europeus para proteger a segurança nacional e a integridade das instituições democráticas.

Por que o Brasil?

Porque razão os espiões russos usam o Brasil como o ponto de partida para a sua legalização no estrangeiro? Aparentemente, o casal «Pereira» obteve os documentos portugueses de forma legal, recebendo a nacionalidade portuguesa, usando a sua nacionalidade brasileira falsa. Segundo o New York Times, o passaporte brasileiro foi um dos principais atrativos para os espiões russos. Com ele, é possível entrar em dezenas de países sem necessidade de visto, o que facilita missões internacionais sem levantar suspeitas nas fronteiras. 

Outro ponto destacado pela reportagem é a miscigenação da população brasileira. De acordo com investigadores citados pelo jornal, pessoas com traços europeus ou sotaques leves passam despercebidas (os agentes soviéticos e depois russos sempre tiveram as dificuldades com as línguas estrangeiras, não sendo capazes de se livrar de um certo sotaque, mesmo que ligeiro, por isso KGB-SVR os colocava nos países da América Latina, da onde eles eguiam para Canadá e depois para EUA e hoje em dia também para a Europa Ocidental) o que ajuda os agentes russos a manterem o disfarce por mais tempo. 

Além disso, a vulnerabilidade do sistema de registros civis foi explorada pelos infiltrados. Em áreas rurais do Brasil, a emissão de certidões de nascimento pode ocorrer apenas com o testemunho de terceiros, sem necessidade de comprovação médica. Conforme apurou o NYT, essa brecha permitiu a criação de identidades completamente novas com documentos autênticos, mas baseados em dados fictícios. 

Ler mais https://noticias.uol.com.br/internacional/ultimas-noticias/2025/05/22/manuel-adriana-os-nomes-brasileiros-usados-por-espioes-russos-no-brasil.htm

domingo, maio 18, 2025

Crimes do comunismo soviético: Siberia din Oase

O filme moldavo Siberia din Oase («Sibéria nos Ossos») é dedicado aos moldavos deportados. Os seus heróis são quatro crianças que foram levadas à força da região de Bessarábia, na atual Moldova, para a Sibéria, no decorrer da operação soviética «Yug» (Sul) no verão de 1949.

 

O filme moldovo de Leontina Vatamanu baseia-se nas estórias de quatro protagonistas que foram capturados à força e enviados para a Sibéria na segunda vaga de deportações na noite de 6 para 7 de julho de 1949. Cada segmento tem uma história separada e, no seu todo, apontam para os horrores e os dramas por que passaram dezenas de milhares de moradores de Bessarábia durante o período estalinista.

sábado, maio 17, 2025

Ucrânia revela os nomes dos mercenários brasileiros

O projeto ucraniano «Quero Viver» publica a lista dos mercenários brasileiros, que a rússia estava ou está à utilizar na sua guerra contra Ucrânia. Assim, como divulgará, em breve, o depoimento de um brasileiro capturado, Pedro Henrique Antunes Pantoja (1992). 

Graças aos seus contactos no exército russo o projeto ucraniano “Quero Viver” obteve a lista dos mercenários com passaportes brasileiros que combatem na 144ª Divisão de Fuzileiros Motorizados do exército russo. Naturalmente, a lista apresentada está longe de estar completa – há brasileiros nas outras unidades russas. Esta é apenas uma pequena parcela dos cidadãos do Brasil que lutam ao lado dos ocupantes russos. Os seus nomes são apresentados na lista segundo a grafia russa, tal, como estes foram transliterados pelos centros russos de recrutamento. 

Consultar a lista no TG do projeto «Quero Viver»

O esquema de recrutamento dos brasileiros, bem como outros latino-americanos, é tradicional: são atraídos para a federação russa com a oferta de emprego e já no local são persuadidos a assinar um contrato, coagidos ou tentados pelo dinheiro. Geralmente, os brasileiros juntam-se ao exército russo via conhecido “Ponto Único de Recrutamento” na rua Iablochkova, em Moscou/vo. Depois de serem enviados ao front / frente de batalha, têm poucas hipóteses de sobrevivência, uma vez que os russos não poupam especialmente os mercenários “não russos”. Apenas alguns tiveram a sorte de serem capturados. Uma entrevista a um destes brasileiros sortudos, Pedro Henrique Antunes Pantoja, será divulgada, em breve, no canal YouTube do projeto: 

Apelamos às autoridades brasileiras para que prestem atenção a este problema. Se você for convidado à se juntar ao exército russo, isso significa que, literalmente será enviado ao matadouro. Irá morrer numa guerra que não é a sua, e será imediatamente esquecido algures nos estepes da Ucrânia, se transformando no adubo das famosas terras negras ucranianas. 

Recorde-se que o Ministério dos Negócios Estrangeiros / das Relações Exteriores da Ucrânia pede aos estrangeiros que evitem se juntar às fileiras do exército de ocupação russo por todos os meios possíveis e, se forem enviados para front / frente de combate, que contactem o projeto “Quero Viver”. Não importa que “montanhas de ouro” os recrutadores russos vós prometeram, tudo geralmente termina em morte num dos muitos ataques russos de «trituradora de carne». 

Salve a sua vida e se renda às FAU: t.me/spasisebyabot

Chamadas para +38 044 350 89 17 e 688 (somente de números ucranianos)

Escreva ao Telegram ou ao WhatsApp:

  • +38 095 688 68 88
  • +38 093 688 68 88
  • +38 097 688 66 88

15 de maio é o Dia Internacional de Vyshyvanka

Vyshyvanka, o famoso bordado ucraniano, masculino e feminino, tolerado, mas mal-visto pelo regime soviético, nas últimas décadas devolveu o seu papel na vida quotidiana dos ucranianos e das ucranianas. 

região de Kharkiv

região de Kherson

região de Donetsk

região de Luhansk

Crimeia

Desde a década de 1970, a vyshyvanka ucraniana chamou a atenção dos criativos e famosos, desde Jim Morrison dos The Doors até vários atores e atrizes de Hollywood, na sua maioria apenas por serem amigos e amigas da Ucrânia.

Cantora britânica Adele

Atriz burlesque americana Dita Von Teese

Ator e diretor ucraniano-brasileiro Guto Pasko

Atriz ucraniano-canadense Katheryn Winnick

Ator e realizador americano Liev Schreiber

Manager artístico dos «Imagine Dragons» Mac Reynolds

Realizador franco-lituano Michel Hazanavicius

Atriz americano-australiana Nicole Kidman


Os voluntários brasileiros que defendem Ucrânia (II)

Neste episódio do “Farofa com Smetana”, Alex Silva — o brasileiro que vive há nove anos na Ucrânia e é voluntário nas Forças Armadas da Ucrânia conversa com o jornalista Jared Goyette. Ele fala sobre sua motivação pessoal, o que o mantém no país, critica a visita de Lula à rússia e comenta o papel dos brasileiros que decidiram lutar pela liberdade da Ucrânia. Alex também dá conselhos a quem pensa em se voluntariar e reflete sobre a honestidade, cultura e resiliência do povo ucraniano:

 

Depoimento do Cândido «Skull», brasileiro do Rio de Janeiro, ex-militar do EB, ex-segurança, servindo há mais de um ano na Legião Internacional das Forças de Defesa da Ucrânia: «Não vim em busca de aventura. Estou aqui para ajudar. Esta é uma guerra real, não é para o TikTok» (vídeo com subtítulos em ENG, ESP e POR):

 

Depoimento do Filipe «Bandeira», ex-segurança no Brasil, operador de mísseis antiaéreos.

Conta como chegou do Rio de Janeiro, onde participou de combates (Kherson, Kramatorsk, Vovchansk na região de Kharkiv), por que considera o exército ucraniano exemplar e o que recomenda para quem deseja se juntar à luta: «Somos como uma família. Treinamento, armamento, apoio — tudo de altíssimo nível. Venha!»

 

Detalhes sobre o recrutamento: https://joinuarmy.org/pt/

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sexta-feira, maio 16, 2025

Empresa russa Alabuga Start é investigada por tráfico de pessoas em África

Imagem do Shakheed-136 abatido @breakingdefense.com

A Interpol no Botswana começou a investigar o Alabuga Start, publicitado em África como um programa de trabalho e estudo na rússia para «jovens mulheres ambiciosas», mas ligado à produção de drones militares, por possível envolvimento com tráfico humano, noticiou a Bloomberg à 25 de abril. 

Desde o seu lançamento em 2022, o Alabuga Start recrutou cerca de 350 mulheres de mais de 40 países para trabalhar na Zona Económica Especial de Alabuga, na região do Tartaristão, e pretende trazer mais 8.500 este ano, de acordo com o artigo. 

O chefe do escritório da Interpol em Gaborone, o Superintendente Sénior de Detetives Selebatso Mokgosi, disse que a investigação começou depois de as publicações da empresa nas redes sociais terem sido levadas ao conhecimento da organização. 

A Zona Económica Especial de Alabuga é um complexo industrial dedicado à engenharia mecânica e à produção de drones kamikaze Shahed, bem como das suas cópias russas em alemão, que a rússia utiliza rotineiramente nos seus ataques às infraestruturas civis da Ucrânia. 

Face à escassez de mão-de-obra, a rússia está a tentar encher as suas fábricas com esforços de extensão em algumas das nações mais pobres de África, negando que os trabalhadores irão trabalhar na produção militar. 

A Alabuga Start procura mulheres entre os 18 e os 22 anos em países como a República Democrática do Congo, Sudão do Sul, Lesoto, mas também no Botswana, um dos países mais ricos per capita de África, mas que luta contra o desemprego, escreve a Bloomberg. 

O relatório de 2024 do Instituto de Ciência e Segurança Internacional, uma organização sem fins lucrativos, estimou que «mais de 90% do pessoal do programa Start» foi destacado para a montagem de drones, com o objetivo de produzir 6.000 drones por ano. 

Em Outubro passado, a Associated Press noticiou que as mulheres africanas estavam a ser forçadas a construir drones em Alabuga em condições extenuantes e perigosas, e recebiam muito menos do que lhes foi prometido. 

As investigações aprofundadas sobre a Alabuga realizadas pela Protokol, um meio de comunicação independente russo, mostraram que a empresa tem um historial de vigilância de trabalhadores envolvidos no fabrico de drones e de manter os detalhes sobre a produção em segredo. 

No ano passado, a Ucrânia confirmou ter atacado instalações militares no Tartaristão pelo menos duas vezes com ataques de drones de longa distância. Mais recentemente, drones ucranianos terão atingido a central a 23 de abril. 

Antes de a Alabuga Start intensificar o recrutamento no estrangeiro, os drones eram montados por estudantes da escola profissional próxima, a Alabuga Polytechnic. Os estudantes enfrentaram a expulsão e a ameaça de multas que variam entre 1,5 milhões e 2 milhões de rublos (18.000 a 24.000 dólares) se fossem descobertos a partilhar qualquer informação sobre o seu trabalho, de acordo com a Bloomberg.

Agentes do NKVD-MGB-KGB no episcopado ortodoxo da Ucrânia (1939–1964)

A revisão radical da política religiosa soviética que ocorreu em 1943 e permitiu restaurar as estruturas organizacionais da Igreja Ortodoxa Russa (IOR) teve um pormenor: o estabelecimento de um controlo secreto apertado por parte das agências de segurança do Estado sobre todos os aspetos da vida jurídica da igreja.

O livro documental «A rede de agentes do NKVD–MGB–KGB no episcopado ortodoxo da Ucrânia (1939–1964): formação, funções, modelos de comportamento» é uma tentativa de olhar histórico ao papel da IOR na Ucrânia no período que vem desde a auge das repressões estalinistas até o fim do degelo de Khruschev.

Mitropolita da IOR Nikolay (Yaruschevich), patriarca de Kyiv,
agente do NKVD-MGB-KGB «Pravoslavniy» (Ortodoxo)

Segundo Christopher Andrew e Vasili Mitrokhin, tanto o Patriarca Alexius como o Metropolita Nikolay «eram muito valorizados pelo KGB como agentes de influência». Nikolay teve vários encontros pessoais com Estaline. Em 1950, tornou-se membro do Conselho Mundial da Paz, órgão criado e controloado pelo MGB-KGB, ocupando uma posição firmemente pró-soviética.

Metropolita de Kyiv Ioan Sokolov (agente «Ptitsin») e os seus curadores de NKVD-MGB-KGB

Através do agente Sokolov «Ptitsin» as autoridades soviéticas conseguiram subordinar toda a vida da Igreja Ortodoxa na Ucrânia ao Patriarcado de Moscovo. Participou, ativamente, nos preparativos para a «reunificação» da Igreja Greco-Católica Ucraniana com o Patriarcado de Moscovo em 1944.

Metropolita Nikon (agente «Petrov») e seu curador do MGB

Como bispo de Kherson, Nikon (Petin) satisfazia plenamente o responsável soviético do Conselho para os Assuntos da Igreja Ortodoxa Russa na região de Odessa, P. I. Blagov, que caracterizou agente «Petrov» em 18 de Janeiro de 1956: 

Nas pregações, nas conversas com o clero, fiéis e representantes de delegações estrangeiras, Nikon age como um verdadeiro patriota e aprecia sempre muito os eventos realizados pelo Governo Soviético. O orgulho pela nossa Pátria, que se tornou a vanguarda de toda a humanidade avançada, foi uma base constante dos seus discursos patrióticos.

Metropolita de Odesse e Kherson Boris Vik (agente «Vernov)
e seu curador de KGB

A 26 de setembro de 1950 Boris Vik foi nomeado o Bispo de Berlim e da Alemanha. Participou nas atividades do NKVD da URSS de liquidação das estruturas da ROCOR, em particular, conseguiu a transferência à IOR do abade da comunidade de Berlim da ROCOR, Arquimandrita Mstislav (Volonsevich). Em 1955 a sua viagem pelas comunidades ortodoxas da América terminou com a sua deportação oficial dos EUA, uma vez que o governo americano viu nele um agente dos serviços secretos soviéticos.

Bispo de Zhytomyr Volodymyr Kobets, agente do
NKVD-MGB-KGB «Rybak» (Pescador).

Apesar da colaboração de 23 anos como informador e agente de NKVD-MGB-KGB, bispo Kobets tentava salvar as pessoas e evitar a sua prisão, avisava constantemente os seus contactos sobre o interesse e os métodos do MGB-KGB, principalmente, nas suas viagens ao estrangeiro. Desinformava constante os seus curadores e lhes passava informações erradas. Em resultado foi expulso da liderança de IOR. 

Bispo de Kirovohrad Sevastian Pylypchuk (agente «Sokolsky»)

Na década de 1950 agente «Sokolskiy», na altura arquimandrita Pylypchuk, foi colocado pelo MGB na procura de possíveis contactos entre a liderança da IOR da Ucrânia com os padres ortodoxos americanos. Na avaliação de 1958, KGB estava muito safisteito com as atividades do seu agente, considerando que este «apoia ativamente e executa as ações do governo soviético, sendo franco e aberto perante os órgãos de segurança do Estado». 

Metropolita de Kyiv Iosaaf (Lelyukhin), agente do MGB-KGB «Sokol»

Desde 21 de Maio de 1959 – foi nomeado como Bispo de Dnipropetrovsk e Zaporizhia. Ioasaf destacou-se pelo facto de não só não dar recomendações aos jovens que queriam ingressar em seminários teológicos, mas também notificar imediatamente as autoridades soviéticas sobre tais candidatos, não ordenar ninguém da população local como padres e diáconos, não realizar reuniões gerais com o clero, cumprir sem questionar as exigências do responsável do Estado e notificá-lo imediatamente sobre casos de «manifestação de ativismo por parte de autoridades individuais da igreja». Desde 1965, é membro da Sociedade de Relações Culturais com os Ucranianos no Estrangeiro, organizamo criado na Ucrânia soviética, sob controlo rígido do KGB.

Com base nos arquivos recentemente desclassificados do KGB da Ucrânia soviética, este estudo reconstrói pela primeira vez a composição pessoal da rede de agentes no episcopado ortodoxo da Ucrânia no pós II GM, destaca as tarefas específicas atribuídas aos bispos agentes e os métodos de controlo do seu trabalho. É dada especial atenção ao envolvimento dos agentes do episcopado na implementação da política ateia soviética durante a liderança de Nikita Khrushchev.

Patriarca Filaret (Denysenko), agente do KGB «Antonov»

Informe do agente «Denysenko» ao seu curador do KGB, 1958, arquivo do SBU

Patriarca Filaret contou aos seus subordinados da Igreja Ortodoxa da Ucrânia-Patriarcado de Kyiv, que foi registado no MGB sob o pseudónimo de «Antonov» em 1946, quando entrou no Seminário Teológico de Odessa, e que foi recrutado por oficiais do MGB quando vivia com os seus pais na aldeia de Blagodatne, distrito de Amrosiivskyi, na região de Donetsk. Filaret também mantinha a versão do que não deu o seu consentimento tácito, mas que MGB-KGB o registaram dessa forma.

Título: «A rede de agentes do NKVD–MGB–KGB no episcopado ortodoxo da Ucrânia (1939–1964): formação, funções, modelos de comportamento», Editora da Universidade Católica da Ucrânia, Lviv, 2025 – 360 p.

Autor: Roman Skakun

Knygnešiai: os contrabandistas da cultura lituana

Os contrabandistas de livros (conhecidos na Lituânia como knygnešiai) eram pessoas que, desde o final do século XIX até 1904, transportavam e distribuíam secretamente livros, jornais e outros materiais lituanos, proibidos no império russo.

Faziam-no apesar dos grandes riscos – eram perseguidos, presos, deportados à Sibéria ou mesmo mortos. Estas pessoas ofereceram uma resistência silenciosa, mas significativa, à rússia czarista, que, após a revolta de Janeiro de 1863-64 (juntamente com os polacos/poloneses participaram na revolta os lituanos, belarusos e ucranianos), proibiu a imprensa lituana de utilizar o alfabeto latino. Apenas eram permitidos materiais impressos em cirílico. Isto fazia parte de uma tentativa deliberada de assimilar e russificar o povo lituano, apagando a sua língua nativa, tradições e identidade cultural. 

As atividades dos contrabandistas de livros eram extremamente importantes, pois preservavam a língua e a literacia lituanas numa época em que a educação na língua nativa era proibida. Contribuíram para o despertar nacional, aumentaram a consciência pública e promoveram um sentido de unidade e o desejo de liberdade. Sem os seus esforços, o espírito nacional poderia ter sido quebrado, e a ideia de uma Lituânia independente talvez nunca se tivesse concretizado. 

Hoje, quando se pode ler, escrever e falar lituano livremente, a história dos Knygnešiai recorda-nos que a liberdade nunca deve ser menosprezada. Foi conquistada através do auto-sacrifício. O seu legado obriga-nos a valorizar a língua, a proteger a cultura e a permanecer vigilantes para não perdermos aquilo por que se lutou. A sua luta é um lembrete silencioso, mas poderoso, do verdadeiro custo da liberdade de expressão. 

por Edvinas Dubro citado AQUI

Nota: knygnešys (singular) – livreiro (como o carteiro), knygnešiai (plural) – livreiros, do lituano knyga – livro e nešti – carregar. Contrabandistas da sua escrita nativa sob a opressão do império russo.

Blogueiro

Na segunda metade do século XIX, o império russo começa uma larga e agressiva ofensiva contra as identidades nacionais das nações do império, sob ocupação russa. Assim, em 30 de julho de 1863 foi emitida a secreta circular Valuev, que ordenava a suspensão da publicação de grande parte dos livros escritos em língua ucraniana em toda a extensão do império russo. A circular proibia a publicação de livros religiosos, educacionais e de formação, mas permitia a publicação dos livros de ficção. 

O efeito da circular de Valuev foi consolidado e ampliado pela publicação do imperador russo Alexandre II do decreto de Ems de 1876, segundo o qual a publicação de obras no idioma ucraniano foi proibida quase completamente. 

«Hoje eu falei em letão» 

Sensivelmente no mesmo período do século XIX, existiam na Letónia chamadas “tabelas da vergonha” (como na foto em cima), que eram obrigadas a usar as crianças letãs que ousassem falar letão na sua Letónia natal: “Hoje eu falei em letão”. Aos alunos das escolas da Letónia era exigido falarem russo não apenas durante as aulas, mas também nos recreios. Hoje, a tabela pode ser vista no Museu Histórico Nacional da Letónia, em Riga, na rua Pils Laukums, № 3.