Faziam-no apesar dos grandes riscos – eram perseguidos, presos, deportados à Sibéria ou mesmo mortos. Estas pessoas ofereceram uma resistência silenciosa, mas significativa, à rússia czarista, que, após a revolta de Jeneiro de 1863-64 (juntamente com os polacos/poloneses participaram na revolta os lituanos, belarusos e ucranianos), proibiu a imprensa lituana de utilizar o alfabeto latino. Apenas eram permitidos materiais impressos em cirílico. Isto fazia parte de uma tentativa deliberada de assimilar e russificar o povo lituano, apagando a sua língua nativa, tradições e identidade cultural.
As atividades dos contrabandistas de livros eram extremamente importantes, pois preservavam a língua e a literacia lituanas numa época em que a educação na língua nativa era proibida. Contribuíram para o despertar nacional, aumentaram a consciência pública e promoveram um sentido de unidade e o desejo de liberdade. Sem os seus esforços, o espírito nacional poderia ter sido quebrado, e a ideia de uma Lituânia independente talvez nunca se tivesse concretizado.
Hoje, quando se pode ler, escrever e falar lituano livremente, a história dos Knygnešiai recorda-nos que a liberdade nunca deve ser menosprezada. Foi conquistada através do auto-sacrifício. O seu legado obriga-nos a valorizar a língua, a proteger a cultura e a permanecer vigilantes para não perdermos aquilo por que se lutou. A sua luta é um lembrete silencioso, mas poderoso, do verdadeiro custo da liberdade de expressão.
por Edvinas Dubro citado AQUI
Nota: knygnešys (singular) – livreiro (como o carteiro), knygnešiai (plural) – livreiros, do lituano knyga – livro e nešti – carregar. Contrabandistas da sua escrita nativa sob a opressão do império russo.
Blogueiro
Na segunda metade do século XIX, o império russo começa uma larga e agressiva ofensiva contra as identidades nacionais das nações do império, sob ocupação russa. Assim, em 30 de julho de 1863 foi emitida a secreta circular Valuev, que ordenava a suspensão da publicação de grande parte dos livros escritos em língua ucraniana em toda a extensão do império russo. A circular proibia a publicação de livros religiosos, educacionais e de formação, mas permitia a publicação dos livros de ficção.
O efeito da circular de Valuev foi consolidado e ampliado pela publicação do imperador russo Alexandre II do decreto de Ems de 1876, segundo o qual a publicação de obras no idioma ucraniano foi proibida quase completamente.
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| «Hoje eu falei em letão» |
Sensivelmente no mesmo período do século XIX, existiam na Letónia chamadas “tabelas da vergonha” (como na foto em cima), que eram obrigadas a usar as crianças letãs que ousassem falar letão na sua Letónia natal: “Hoje eu falei em letão”. Aos alunos das escolas da Letónia era exigido falarem russo não apenas durante as aulas, mas também nos recreios. Hoje, a tabela pode ser vista no Museu Histórico Nacional da Letónia, em Riga, na rua Pils Laukums, № 3.


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