sexta-feira, maio 16, 2025

Knygnešiai: os contrabandistas da cultura lituana

Os contrabandistas de livros (conhecidos na Lituânia como knygnešiai) eram pessoas que, desde o final do século XIX até 1904, transportavam e distribuíam secretamente livros, jornais e outros materiais lituanos, proibidos no império russo.

Faziam-no apesar dos grandes riscos – eram perseguidos, presos, deportados à Sibéria ou mesmo mortos. Estas pessoas ofereceram uma resistência silenciosa, mas significativa, à rússia czarista, que, após a revolta de Jeneiro de 1863-64 (juntamente com os polacos/poloneses participaram na revolta os lituanos, belarusos e ucranianos), proibiu a imprensa lituana de utilizar o alfabeto latino. Apenas eram permitidos materiais impressos em cirílico. Isto fazia parte de uma tentativa deliberada de assimilar e russificar o povo lituano, apagando a sua língua nativa, tradições e identidade cultural. 

As atividades dos contrabandistas de livros eram extremamente importantes, pois preservavam a língua e a literacia lituanas numa época em que a educação na língua nativa era proibida. Contribuíram para o despertar nacional, aumentaram a consciência pública e promoveram um sentido de unidade e o desejo de liberdade. Sem os seus esforços, o espírito nacional poderia ter sido quebrado, e a ideia de uma Lituânia independente talvez nunca se tivesse concretizado. 

Hoje, quando se pode ler, escrever e falar lituano livremente, a história dos Knygnešiai recorda-nos que a liberdade nunca deve ser menosprezada. Foi conquistada através do auto-sacrifício. O seu legado obriga-nos a valorizar a língua, a proteger a cultura e a permanecer vigilantes para não perdermos aquilo por que se lutou. A sua luta é um lembrete silencioso, mas poderoso, do verdadeiro custo da liberdade de expressão. 

por Edvinas Dubro citado AQUI

Nota: knygnešys (singular) – livreiro (como o carteiro), knygnešiai (plural) – livreiros, do lituano knyga – livro e nešti – carregar. Contrabandistas da sua escrita nativa sob a opressão do império russo.

Blogueiro

Na segunda metade do século XIX, o império russo começa uma larga e agressiva ofensiva contra as identidades nacionais das nações do império, sob ocupação russa. Assim, em 30 de julho de 1863 foi emitida a secreta circular Valuev, que ordenava a suspensão da publicação de grande parte dos livros escritos em língua ucraniana em toda a extensão do império russo. A circular proibia a publicação de livros religiosos, educacionais e de formação, mas permitia a publicação dos livros de ficção. 

O efeito da circular de Valuev foi consolidado e ampliado pela publicação do imperador russo Alexandre II do decreto de Ems de 1876, segundo o qual a publicação de obras no idioma ucraniano foi proibida quase completamente. 

«Hoje eu falei em letão» 

Sensivelmente no mesmo período do século XIX, existiam na Letónia chamadas “tabelas da vergonha” (como na foto em cima), que eram obrigadas a usar as crianças letãs que ousassem falar letão na sua Letónia natal: “Hoje eu falei em letão”. Aos alunos das escolas da Letónia era exigido falarem russo não apenas durante as aulas, mas também nos recreios. Hoje, a tabela pode ser vista no Museu Histórico Nacional da Letónia, em Riga, na rua Pils Laukums, № 3.

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