segunda-feira, março 28, 2016

Empresas militares privadas russas como ferramenta licenciada do terror

A comunidade voluntária internacional InformNapalm apresenta um artigo da autoria do Vyacheslav Gusarov, especialista de segurança da informação do grupo Resistência Informativa. A InforNapalm criou a infografia para visualizar os dados do artigo.

A década de 1990 caracterizou-se pela desintegração da ex-Jugoslávia, onde no verão de 1992 apareceram os primeiros “voluntários” russos, formados na guerra na Transnístria (Moldova). Vieram, alegadamente, para defender os eslavos locais.

Entre eles figurava Igor “Strelkov” Girkin, hoje amplamente conhecido pelo seu papel na invasão da Ucrânia. Os meios de comunicação russos (com lágrimas nos olhos) apresentavam estes “voluntários” como arquétipo do “patriotismo russo”.

No entanto, podemos questionar: será possível na Rússia pós-soviética sair do país com os equipamentos de combate, e até mesmo tomar parte nas hostilidades?

O escritor russo Mikhail Polikarpov assegura na biografia do Igor Girkin que várias centenas de “voluntários russos” operaram continuamente na Bósnia, em 1992-1995, usando a tática de grupos de reconhecimento e sabotagem. A base dos “voluntários” eram funcionários de empresa de segurança “Rubikon” do São Petersburgo.

Então seria lógico perguntar: será que todos eles se infiltraram na ex-Jugoslávia sob o disfarce de turistas russos? É claro, neste caso, nada seria feito sem a participação da SVR-FSB. Imediatamente após o colapso da União Soviética, as autoridades de segurança estatal criaram uma unidade especial e secreta não oficial, composta pelos profissionais militares, que foi utilizado nos diversos locais quentes da antiga União Soviética e no exterior.

Sob o pretexto da protecção dos interesses da Rússia, os militares da unidade especial eram usados nas diversas áreas de conflitos – Transnístria, Alto Karabakh, Geórgia, Crimeia.

Com o tempo, surgiu a necessidade de criar a base legal que legalizaria as atividades de grupos armados ilegais no interesse do estado russo.

A ilusão legal e regulamentar

A informatização global é uma dor de cabeça para as operações especiais russas, frequentemente os materiais indesejáveis ​​apareciam em fontes abertas. Havia uma necessidade da criação da plataforma legal, à semelhança dos países civilizados.

Uma das primeiras tentativas foi a alteração da lei russa “Sobre o armamento” (2008), que permitiu às estruturas estrangeiras das corporações russas como “Transneft”, “Lukoil” ou “Gazprom” usar as armas de fogo para garantir a segurança dos locais no estrangeiro. Sob a capa desta alteração, foram criadas as primeiras formações armadas no exterior.

Isso não pareceu ser suficiente, por isso, a partir de 2011, os meios de comunicação russos começaram a discutir ativamente o estabelecimento de um instrumento militar de influência governamental russa. Em seguida, na imprensa apareceram os artigos que defendiam a necessidade de formar “destacamentos voluntários de reservistas do FSB, do Serviço de Inteligência Externa e das Forças Armadas da federação russa”.

Os representantes do partido de Putin, “Rússia Unida” apresentaram à Duma Estatal (câmara baixa do parlamento russo) o projeto-lei № 574.772-5 “Sobre às alterações aos determinados actos legislativos da federação russa na questão de criação da reserva humana de mobilização”.

A lei foi aprovada e entrou em vigor em 1 de janeiro de 2013 e muitas das questões específicas foram dissimuladas sob as formulações pouco claras:

A Lei № 288-FZ (2012), determina a ordem de serviço nos serviços especiais da federação russa via “permanência na reserva”, criada pelo presidente russo. A permanência na reserva é definida quer por um estatuto especial, quer por “outros actos jurídicos reguladores da federação russa”. Além disso, os reservistas podem receber formação em “instituições profissionais especiais”, que hoje podem ser as empresas privadas militares russas (que possuem o direito de formar e treinar especialistas do determinado perfil militar).

Em 2013, o deputado da Duma, Aleksandr Mitrofanov apresentou o projecto de lei № 62015-6 “Sobre a regulação estatal da criação e das atividades das empresas militares privadas”. A lei previa permitir às EMP o seguinte: 
  •         Possuir em seu uso os itens militares;
  •         Se envolver em actividades empresariais e geradoras de rendimentos;
  •         Prestar outros serviços militares.
Para a referência: no art. 27 da Lei “A autoridade do Governo da federação russa”, se diz que as autoridades federais controlam totalmente as atividades das EMP e “exercem outras competências em matéria de empresas militares privadas”. A lei não especifica o conceito de “prestação de outros serviços militares” (Art. 18, p. 2).

Um ano antes, em 2012, o deputado Mitrofanov recebeu a bênção do então primeiro-ministro Putin para a criação daquela lei. Na altura Putin chamou o sistema de empresas privadas militares na Rússia de “ferramenta para a implementação dos interesses nacionais sem a participação direta do Estado”. Bem, esta é a definição exacta das actividades das EMP russas.
Em outubro de 2014, outro deputado da Duma estatal, Gennadiy Nosovko apresentou um outro projecto de lei “Sobre as empresas militares privadas”. De momento ambos os projectos estão em processo de revisão.

Gennadiy Nosovko é bastante explicito no seu anteprojeto:

«Essas empresas estarão sob o controlo especial e escrutínio do FSB, e, naturalmente, as suas actividades serão completamente transparentes para o Estado. Todas as atividades das EMP se planeiam para serem realizadas somente com a aprovação das autoridades, e no exterior – com o consentimento dos respectivos governos».

«Hoje, a república popular da Luhansk e república popular de Donetsk possuem os seus próprios governos. Na minha opinião, o poder da lnr e da dnr poderia autorizar as atividades de nossas EMP nos territórios das repúblicas. [...] Alguém deve proteger os moradores de Donbas e a Rússia agora não tem a base legal para intervir e ajudá-los. Há voluntários, mas na existência das empresas militares de segurança a escala da ajuda poderia ser muito maior».

«Isso permitirá ao estado se distanciar dos conflitos militares mencionados, à fim de evitar a responsabilidade pelas implicações políticas e pelos crimes inevitáveis durante a guerra, cometidos pelas EMP, agindo no interesse da Rússia».

Empresas privadas militares da Rússia

Cerca de dez empresas privadas militares foram criadas na Rússia ao longo dos últimos anos. Na zona de OAT foram detetados diversos terroristas que passaram o treino especial nas EPM russas. As mais conhecidas entre elas:

RSB-Group” – se considera como empresa privada de consultoria militar. Um detalhe importante: a empresa oficialmente opera em áreas com situação política instável em coordenação com os governos legítimos de outros países. As atividades militares ilegais em Donetsk e Luhansk, na sua visão, se encaixam nesta formula, uma vez que os líderes separatistas são reconhecidos, de facto, pela Rússia como representantes dos respetivos “governos”;

Anti-Terror” – grupo de empresas que conta com um centro de formação, unidade de desminagem e dá cobertura à algumas organizações formadas por ex-oficiais das forças especiais russas. A organização é especializada em formação e treino para a realização das diversas tarefas especiais nas áreas com alto risco militar. A empresa conta com o apoio direto do FSB que lhe permitiu ganhar os contratos no Iraque;

MAP” – empresa militar privada que fornece uma gama completa de “serviços de segurança'” nas áreas com altas atividades terroristas ou em situação política instável. Está envolvida na formação, consultoria, inteligência, as vendas de bens militares, etc. Na prática, “MAP” enviava ilegalmente os seus funcionários à zona de OAT, alegadamente para garantir a entrega da “ajuda humanitária” nos territórios ocupados pela “dnr”;

Moran Security Group” – grupo de empresas de perfil militar, dedicado a protecção de cargas marítimas e terrestres. Tem um centro de treino naval em São Petersburgo;

Centro R(edut)”, também conhecida como “Tiger Top-rent security” e “Redut-Antiterror” – organização militar privada, cujos membros participaram nas hostilidades na ex-Jugoslávia, Cáucaso, Iraque e Afeganistão. A empresa treina os franco-atiradores (e anti franco-atiradores), infantaria, sapadores, engenheiros de rádio, membros das unidades de reacção rápida em ambiente urbano, etc.

É provável que as atividades das EMP enumeradas são, de alguma forma, ligadas à guerra na Ucrânia, em forma de recrutamento, formação de terroristas ou prestação do apoio. No entanto, os membros das EMP pertencentes às “ATK-group”, “Slavonic Corps Limited”, “Vizantiya”, foram vistos na área da OAT, bem como na Síria.

Além disso, na Rússia funcionam as EPM com a “reputação cinzenta”, que podem ser classificadas de grupos terroristas.

Por exemplo, “Empresa militar privada Vagner” (nome anterior “Corpo Eslavo”) apresenta-se como uma estrutura militarizada fechada; o seu campo de treino está localizado na região de Krasnodar na Rússia, no centro de formação da 10ª Brigada de Forças Especiais da Direcção de Inteligência Principal do Estado-Maior Geral da federação russa. Com elevada probabilidade, podemos supor que observamos aqui o mencionado acima mecanismo da criação de unidades voluntárias de reservistas do GRU russo.
Empresa apresenta a organização semelhante às forças especiais: chegada, entrevista, testes, quarentena, treino especial intensivo, exame e envio em uma missão. A principal prioridade é sigilo absoluto. De acordo com fontes fechadas, a principal tarefa da “EMP Vagner” é preparação e envio dos combatentes russos à guerra na Síria. Esta versão é confirmada pelos dados publicados na imprensa russa.

Obviamente, estes homens são a espinha dorsal da infantaria russa que sob o disfarce de “voluntariado” combatem na Síria ao lado do al-Assad. Sabe-se que os destacamentos de “voluntários” são enviados para a Síria do aeródromo militar russo Primorsko-Akhtarsky, que está localizado à 200 km do centro da formação da “EMP Vagner”.

De acordo com informações confidenciais, a “EMP Vagner” já perdeu na Síria algumas centenas de seus combatentes. Esta informação é parcialmente confirmada pelos dados OSINT: 10 mortos chegaram à cidade de Sebastopol da Síria em 24/09/2015; 26 corpos de fuzileiros navais da 810ª Brigada especial chegaram à Sebastopol em 20/10/2015; 1 caixão com um soldado morto na Síria chegou à Sebastopol em 27/10/2015, etc.

E.N.O.T. Corp” é mais uma “estrutura sombra” russa. Ao contrário da anterior, a empresa possui uma página online onde coloca uma breve descrição de suas tarefas: educação militar-patriótica e recolha de ajuda para “novorossia”. No entanto, existem os dados que indicam o envolvimento do “E.N.O.T. Corp” nas operações militares na área da OAT, operações de aniquilamento da “milícia em Antratsyt”, combates ao lado dos terroristas e acompanhamento dos “comboios humanitários”. O famoso líder dos separatistas, o cidadão russo A. Borodai, ligado ao FSB russo está envolvido nas actividades desta EMP.


A empresa possui um arsenal de armas, a possibilidade de treino em tiro, desminagem, reconhecimento e planeamento de batalha. É provável que o componente “militar patriótico” e “humanitário” é apenas um elemento de ocultação dos seus principais objectivos – as operações especiais de fornecimento do armamento e do material militar aos terroristas de Luhansk e participação em combates contra as forças ucranianas.

De acordo com fontes confidenciais, os curadores da “E.N.O.T. Corp” recrutam os terroristas do Donbas para participação nas operações na Síria. Há informações de que entre 700 à 1.000 terroristas já deixaram as regiões ocupadas da Ucrânia. Como motivação lhes é prometida a cidadania russa, a anulação dos registos criminais e os salários na ordem de 90.000 – 250.000 rublos (1.343 – 3.731 USD). Além disso, aos terroristas recomendam “defender a Rússia” não só na Síria, mas também no Tajiquistão e no Alto Karabakh, onde a situação é complicada e pode ser escalada à qualquer momento.

Os cossacos como uma organização pública militar russa

A função histórica dos cossacos da protecção das fronteiras do império russo degenerou ao longo do século passado, e este grupo social se transformou em um grupo de mercenários. As unidades de cossacos russos são amplamente utilizadas pela liderança russa para desestabilizar situação nos estados vizinhos da Rússia.

Esta prática teve lugar na Chechénia, na Abecásia, na Ossétia do Sul, na Transnístria, na Crimeia, no Donbas e na ex-Jugoslávia. Recentemente, os cossacos de Krasnodar participaram na anexação da Crimeia em 2014, e os grupos armados da região de Rostov vieram ilegalmente à Ucrânia para “proteger o mundo russo”.
Os cossacos terroristas russos algures na Ucrânia, 2014-2015
Como no caso anterior, uma pergunta lógica surge: como podemos explicar o surgimento de unidades paramilitares de cossacos no território do adversário e com as tarefas de combate? O funcionamento das comunidades cossacos da Rússia está sob o controlo do governo russo através do Conselho para os Assuntos cossacos afecto ao presidente da federação russa.

Por exemplo, de acordo com a lei “Sobre o serviço estatal dos cossacos da Rússia”, as unidades de cossacos podem ser envolvidas em:
  •          Medidas para a prevenção e eliminação de situações de emergência de desastres naturais, defesa civil e territorial;
  •          Protecção da ordem pública, protecção das fronteiras, a luta contra o terrorismo;
  •         Várias atividades, realizadas em conjunto com as autoridades executivas federais.
As tropas cossacas são oficialmente autorizadas se dedicar não apenas à história e tradições, mas também ter as atividades militares e treino de combate. Na realidade, algumas cidades russas delegaram aos cossacos a esfera de segurança pública que permite que eles possuem o seu próprio arsenal de armas. Além disso, os cossacos russos são “domesticados” pelos subsídios do Estado. Esta situação permite usar estes esquadrões em atividades pseudo-patrioticas de acordo com os planos do Kremlin.

***
Assim, as guerras na Donbas e na Síria demonstram a participação das organizações militares privadas russas nesses conflitos. Com ajuda das EMP, o Kremlin realmente criou uma alavanca clandestina de influência militar sobre a vida político-social dos outros países.

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domingo, março 27, 2016

A secreta ucraniana SBU comemora o seu dia profissional

No dia 25 de março o Serviço de Segurança da Ucrânia (SBU), comemora o seu dia profissional. Para assinalar o dia, SBU apresentou a sua nova página e produzia um vídeo para “felicitar” os traidores que após a ocupação da Crimeia traíram o seu juramento, passando servir o FSB russo.

A nova página do SBU funciona no seguinte endereço: http://www.ssu.gov.ua A página anterior foi criada mais de 10 anos atrás, é tecnicamente e moralmente obsoleta (essa pagina estará em funcionamento por mais algum tempo: http://www.sbu.gov.ua).
O novo sítio possui o novo design, integração com as redes sociais, acesso fácil às fotografias, arquivo de vídeo e um motor de busca potente. Algumas utilidades serão acrescidas oportunamente; de momento, são corrigidos os possíveis erros e falhas no seu funcionamento.

O serviço de imprensa do SBU pode ser contactado de seguintes formas: Tel. +380 44 2555186, pressinfo@ssu.gov.ua ou nas redes sociais: https://www.facebook.com/SecurSerUkraine e https://twitter.com/ServiceSsu

Aproximação ao cidadão

Não é segredo que durante longo período SBU não estava próximo ao cidadão da Ucrânia, vivendo a sua própria vida, ganhando o dinheiro de forma mais ou menos obscura, servindo o regime do Viktor Yanukovych. 
SBU e a sociedade civil
Neste momento na Ucrânia funciona o Conselho Comunitário da Renovação do SBU, onde os voluntários e ativistas sociais trabalham em conjunto com a liderança de secreta para reformular o serviço (a síntese do último encontro). A sociedade civil ucraniana quer que SBU faça limpeza dos seus quadros, livrando-se dos membros corruptos e dos agentes infiltrados, desejando contribuir ao processo.

SBU na defesa da Ucrânia
O grupo "Alfa" do SBU em treinos
Dezenas de oficiais do SBU, os membros  do Centro das Operações Especiais “Alfa”, da contra-inteligência e dos diversos outros departamentos, pelo segundo ano consecutivo defendem Ucrânia no decorrer da guerra russo-ucraniana, oficialmente conhecida como Operação Anti-terrorista (OAT). Eles já conduziram diversas operações de sucesso, sobre muitas das quais hoje ainda não é possível falar publicamente, para não comprometer a segurança nacional da Ucrânia.
Numa das paredes do aeroporto de Donetsk que contém a lista das unidades que participaram na sua defesa, no fim da lista, podemos ler: CSO “A”-Grom-Nikolaev (Mykolaiv). A inscrição foi deixada pelo major Roman, conta o blogueiro ucraniano Roman Sinicyn:
Major Roma(n) passou duas rotações no aeroporto de Donetsk, no seu tempo livre (!), em segredo, quer da família, quer das chefias. Pedia as férias e viajava até a vila de Pisky, de lá, já na companhia dos pára-quedistas ia até o aeroporto. Como voluntário, sem nenhum estatuto oficial e com armamento capturado ao inimigo.
Major Roman do "Alfa" do SBU na OAT
Um dia, a sua cara apareceu na reportagem dos jornalistas ucranianos, ele foi reconhecido e chamado à capital ucraniana para ser reprimido. Felizmente, o senso comum ganhou e em vez de repreensão, Roman recebeu a ordem militar “Bohdan Khmelnytskiy” do 3º grau.
O grupo "Alfa" do SBU na linha da frente
Major Roman sofreu diversas contusões, mas continua a chefiar uma das unidades especiais de “Alfa” do SBU na zona de OAT.

Felicitamos o major Roman com o dia do SBU!

As felicitações aos traidores...

Para recordar o 2º aniversário da anexação da Crimeia, SBU produziu o vídeo desmotivacional “Lembramo-nos dos traidores”, onde reuniu as imagens fotográficas e de vídeo dos antigos funcionários da secreta ucraniana que após a anexação da Crimeia passaram à servir o FSB russo. O vídeo foi publicado na Internet no dia 24 de março, nas vésperas do Dia do SBU.
Os traidores do SBU
“25 de março é um feriado profissional dos funcionários do Serviço de Segurança da Ucrânia, que, dedicadamente resistem à agressão da federação russa. Mas há funcionários, que na hora crucial para o país, traíram o juramento e se passaram para o lado do inimigo. [...] Esta é apenas uma pequena parte dos traidores, mas lembramo-nos de todos. No final, ainda gostaríamos de felicitar todos os ex-funcionários da SBU, que estão ao serviço do FSB. Parabéns pelo 16 de março – o dia do traidor”, – se diz na legenda do vídeo (16/3/2014 é a data de ocupação da Crimeia pela Rússia), informa a Rádio Liberdade.

A vida dos traidores

Na primavera de 2014 o SBU perdeu cerca de 90% dos seus efetivos da Crimeia: dos cerca de 2.300 funcionários, apenas 215 se mudaram para Ucrânia continental, os restantes ou se passaram para FSB ou deixaram o serviço.

Por sua vez, sabe-se que o próprio FSB expulsou os 13 “integrais” (assim a secreta russa chama, de forma não oficial, os ex-funcionários do SBU), outros 17 foram movidos e colocados nas diversas regiões russas fora da Crimeia. Por vezes colocados nos postos de menor importância, embora à todos os traidores foi prometida a permanência na península e manutenção das suas regalias e postos de trabalho.   

Desde 2014 Ucrânia não julgou nenhum dos seus ex-funcionários da secreta por alta traição, uma das razões é a dificuldade de sua detenção e apresentação nos tribunais ucranianos.

“A regra do que os traidores não são respeitados em lugar nenhum foi confirmada na Crimeia. Os traidores da Crimeia não foram respeitados no FSB desde o seu primeiro dia. E até agora, lá continua a limpeza dos indesejados. Foram lhes criadas as condições de trabalho intoleráveis, eles estão sob a pressão psicológica das chefias, eles são punidos por menores infrações, tendo em conta de que os operativos “puros” do FSB são intocáveis. Assim, os traidores gradualmente são expulsos: são transferidos aos serviços longe da Crimeia, ou são demitidos, temendo que eles podem trair novamente, como fizeram em 2014”, – informam as fontes ucranianas.

https://www.youtube.com/watch?feature=youtu.be&v=QaMZWyDW3q0

sábado, março 26, 2016

Estónia recorda as vítimas das deportações soviéticas

Cidade de Tallinn (Estónia), praça de Liberdade. O dia do luto nacional.
Em 25 de março de 1949 começou a operação da limpeza étnica soviética na Estónia. Cerca de 20.000 pessoas: homens, mulheres e crianças, quase 3% da população do país foram detidos e em poucos dias deportados às áreas remotas da Sibéria.

No verão de 1940, a União Soviética ocupou a Estónia, Letónia e Lituânia, como resultado do infame Pacto Molotov-Ribbentrop, assinado entre a Alemanha nazi e a União Soviética, em 23 de agosto de 1939. No rescaldo da Segunda Guerra Mundial, a Estónia perdeu cerca de 17,5 % da sua população.

A ocupação soviética provocou as deportações em massa que afetaram pessoas de todas as nacionalidades que viviam na Estónia. As duas deportações que mais afetaram o país, em 14 de junho de 1941 e 25 de Março de 1949, são recordados anualmente como dias de luto nacional.

Prologue às deportações

Em 23 de agosto de 1939, a União Soviética e a Alemanha nazi concluíram o chamado Pacto Molotov-Ribbentrop, os protocolos secretos que dividiram a Europa Central e Oriental nas respectivas esferas de influência. Em 1 de setembro de 1939, a Alemanha iniciou a Segunda Guerra Mundial com o seu ataque contra a Polónia. Em 17 de setembro, a outra parte do pacto, a União Soviética, começou a cumprir o seu papel ao invadir o leste da Polônia, ao mesmo tempo, concentrando as grandes forças nas fronteiras dos três estados bálticos e a Finlândia. Embora o governo estónio declarou sua neutralidade completa no início da Segunda Guerra Mundial, em 28 de Setembro de 1939, a União Soviética coagiu Estónia com ameaças militares diretas, para concluir o chamado pacto de assistência militar mútua, o que resultou na implantação de bases militares soviéticas na Estónia.

Tratados semelhantes também foram forçados aos vizinhos da Estónia: Letónia e Lituânia. A gravidade da pressão soviética foi demonstrada pelo fato de que, quando Helsínquia recusou-se a concluir um tratado com Moscovo, a URSS começou a invadir a Finlândia, que é conhecido como a Guerra de Inverno. A comunidade internacional reagiu a este ato de agressão soviética, expulsando a URSS da Liga das Nações.
As tropas soviéticas em Tallinn em 1940
A União Soviética ocupou e anexou Estónia pela força, juntamente com a Letónia e a Lituânia, no verão de 1940, com base no Pacto Molotov-Ribbentrop acima mencionado. Por iniciativa das autoridades soviéticas, as eleições parlamentares ilegais com resultados falsos foram organizados nos Estados bálticos, cujos resultados não foram reconhecidos pelos países ocidentais democráticos. As autoridades soviéticas implementaram imediatamente um reinado de terror, que também vitimou as minorias étnicas da Estónia, como judeus e russos. Ênfase especial foi colocada sobre a eliminação da elite cultural, empresarial, política e militar do país.

Durante a II Guerra Mundial, a Alemanha nazi invadiu parte da União Soviética e ocupou a Estónia de julho 1941 à setembro de 1944, quando a União Soviética restabeleceu a sua ocupação.

As preparativas para repressões

A União Soviética tinha começado as preparativas para o lançamento de terror na sociedade civil estónia já antes da ocupação. O objetivo do terror comunista era reprimir qualquer possível resistência, desde o seu início e para incutir grande medo nas pessoas, a fim de prevenir qualquer tipo de movimento de resistência geral organizada no futuro.

Na Estónia, o extermínio planeado das pessoas proeminentes e ativas, bem como o deslocamento de grandes grupos de pessoas, tinham a intenção de destruir a sociedade estónia e a sua economia. As listas de pessoas a serem reprimidos foram preparadas com antecedência. Os arquivos dos órgãos de segurança soviéticos demonstam que já no início da década de 1930, os órgãos de segurança soviéticos haviam coletado dados sobre pessoas na Estónia que iriam ser submetidas à repressão.
Os vagões de gado, usados pela URSS para deportação dos povos
De acordo com as instruções emitidas em 1941, as seguintes pessoas nos territórios a serem anexadas pela União Soviética e os seus familiares estavam a ser submetidos a repressão: todos os membros dos governos nacionais, juízes e maiores autoridades estaduais, superiores militares, ex-políticos, membros de organizações de defesa do estado, voluntários, membros de organizações estudantis, pessoas que tenham participado activamente no combate anti-soviético armado, emigrados russos, os membros dos serviços de segurança e polícias, representantes de empresas estrangeiras e, em geral, todas as pessoas com os contatos no exterior, empresários e banqueiros, clérigos e membros da Cruz Vermelha. Aproximadamente 23% da população da Estónia pertencia às essas categorias.
O presidente da Estónia, Konstantin Pats na cadeia de NKVD em 1941. @Wikipédia
Os órgãos de segurança soviéticos iniciaram as suas actividades repressivas na Estónia já antes de sua anexação formal pela União Soviética, durante o processo da ocupação. Em junho de 1940, as pessoas começaram serem detidas por razões políticas, e desde então as repressões só aumentaram. Em 17 de Julho de 1940, o comandante-em-chefe das Forças de Defesa da Estónia, Johan Laidoner e sua esposa, foram exilados para a cidade de Penza. Em 30 de julho de 1940, o Presidente da República da Estónia, Konstantin Päts, e sua família, foram exilados para cidade de Ufa. Ambos, o general Johan Laidoner e o presidente Konstantin Pats morreu em cativeiro na União Soviética [os locais exatos das suas sepulturas são desconhecidos].

As deportações em massa

As preparativas para a realização das deportações em massa começaram não mais tardar do que 1940 e eram parte da violência total dirigida contra os territórios ocupados pela União Soviética em 1939-1940. Os territórios ucranianos e bielorrussos foram os primeiros a serem atingidos pelas deportações. A primeira referência escrita à notar que os estonianos deveriam ser deportados para a Sibéria é encontrada nos documentos de Andrei Zhdanov, comissário de Estalin, que supervisionou a aniquilação da independência da Estónia no verão de 1940.
Os locais das prisões e deportações dos estónios e os itinerários dos comboios de deportações
A primeira deportação ocorreu em 14 de junho de 1941, quando mais de 10.000 pessoas foram deportados da Estónia.

Após a II Guerra Mundial, quando a União Soviética havia reocupado o controlo sobre Estónia (após um breve período sob a ocupação nazi alemã), começou a nova discussão entre as autoridades soviéticas sobre a realização de uma nova deportação em massa.

As preparações clandestinas duraram mais de dois anos e em março de 1949, o poder de ocupação estava pronto para realizar uma nova deportação. No decurso da operação, que começou em 25 de março de 1949, mais de 20.000 pessoas – cerca de 3% da população da Estónia em 1945 – foram detidas em poucos dias e deportados para as áreas remotas da Sibéria. A deportação foi exigida pelo Partido Comunista, a fim de completar a “coletivização” e “eliminar os kulaks como classe”. Quase um terço das pessoas declaradas como sendo “kulaks” conseguiu escapar dos seus captores. Nas palavras do secretário local do Partido Comunista, Nikolai Karotamm, outras famílias foram “apanhadas” a fim de “preencher a quota”.
As deportações soviéticas de 25 de março de 1949
A maioria dos deportados em 1949 eram mulheres (49,4%) e crianças (29,8%), o deportado mais jovem tinha menos de um ano de idade, o mais antigo tinha 95 anos de idade. Pelo menos dois bebés nasceram no comboio / trem. Os dados de arquivo mostram que quatro crianças foram enviadas para a Sibéria da região de Rakvere sem os seus pais, depois de terem sido mantidos como refém por dois dias na tentativa de atrair e capturar os seus pais.

Particularmente desumana foi a segunda deportação de crianças que foram primeiramente deportadas em 1941 e, em seguida, tiveram a autorização para voltar à Estónia, no processo de reunião familiar no final da II Guerra Mundial. Cerca de 5.000 estónios foram deportados à região de Omsk, diretamente afetada pelo teste nuclear soviético em Semipalatinsk (atualmente a cidade de Semei no Cazaquistão). De 1949 à 1956, cerca de 260 explosões de bombas nucleares e de fusão foram realizadas lá. As vítimas da doença de radiação foram deixadas sem tratamento médico durante décadas. As pessoas doentes, bem como os pais de bebés nascidos com anomalias, foram informados de que eles tinham contraído a infecção brucelose dos animais.

Não foi antes do final da década de 1950 que os deportados sobreviventes tiveram a chance de retornar à sua terra natal, mas, apesar de uma reabilitação parcial, eles continuavam como cidadãos soviéticos de segunda categoria. Um grande número deles continuou a estar sob a vigilância das autoridades de segurança; as suas propriedades confiscadas não foram lhes devolvidas e nenhum perdão formal, alguma vez lhes foi emitido.

Fonte e fotos. O filme de animação estónio “Body Memory” (Memória Corporal) de 2011, foi realizado pelo Ülo Pikkov, com a música de Mirjam Tally. A película “tem como conceito central a ideia de que o nosso corpo se lembra, não só as experiências individuais, mas também a tristeza e a dor de nossos predecessores. É uma poderosa visualização de processos subconscientes e o horror oculto de deportação”. O filme foi inspirado por eventos históricos: as deportações soviéticas da Estónia na década de 1940.

Ler também:

Bónus
Piloto militar americana Nancy Harkness Love. Recorda vós alguém já conhecido?

sexta-feira, março 25, 2016

O projeto fotográfico “As crianças da guerra”

Apresentamos o projeto fotográfico da autoria do fotógrafo ucraniano Dmytro Muravsky “As crianças da guerra” (mais fotos).
Vila de Kominternovo, a "zona cinzenta", não controlada nem pela Ucrânia, nem pelos terroristas
Vila de Chervonohorivka, nas primeiras horas após a sua libertação pela Ucrânia
em Chervonohorivka
em Chervonohorivka
Bónus aos leitores católicos do nosso blogue, igualmente em nome da nossa página!
Ler também: Páscoa na Ucrânia

quinta-feira, março 24, 2016

Os ucraniano-brasileiros repudiam Dilma Rousseff em Curitiba

(a imagem é meramente ilustrativa)
A nossa Ucrânia sofreu graves ataques da Rússia nos últimos anos. O território ucraniano foi invadido e vários países democráticos manifestaram-se em repúdio as tais ações russas.

No Brasil a Representação Central Ucraíno Brasileira (RCUB) oficiou as esferas do Executivo buscando uma manifestação em favor do povo ucraniano na busca pela paz, principalmente pelo fato de que aqui congregamos mais de meio milhão de descendentes. Nenhuma palavra veio do Governo que aqui está instalado.

Sem obter sucesso, a Embaixada da Ucrânia passa então a liderar um grupo de representantes de instituições ucranianas, dentre elas o Presidente da Sociedade Ucraniana do Brasil, para, no Congresso Nacional, formalmente, requererem uma manifestação governamental do Brasil em apoio aos ucranianos e de repúdio as ações russas. Ninguém se manifestou, apesar das palavras ditas pelos Presidentes da Sociedade Ucraniana do Brasil, da Representação Central e pelo Senhor Embaixador da Ucrânia. Todo nosso esforço foi em vão e se não fossem os apoios de países de Governos Centrados e não voltados à esquerda como o Brasil, a nossa Ucrânia estaria, provavelmente, repousando em destroços maiores que se encontra em algumas regiões.
Em razão destes fatos, por certo conhecidos de todos, que convidamos a todos os nossos amigos para, demonstrarem da forma que melhor entenderem, o repúdio, a repulsa dos descendentes de ucranianos a presença da Sra. Dilma Rousseff neste nosso Estado do Paraná. Segundo vinha se mostrando nas redes sociais ela estaria em Curitiba (no dia 24 de março ?) para inaugurar as reformas do Aeroporto Afonso Pena (Após inauguração de aeroporto ser cancelada Dilma Rousseff adia vinda à Curitiba).

Nossa demonstração de repulsa pela presença dela seria, mesmo que singelamente, nossa forma de “gratidão” pelo não apoio a nossa Ucrânia e pelo apoio que acabou por fornecer aos russos, pois que integram o mesmo bloco de idealistas do socialismo que afugentou nossos antepassados de seus lares.

Copiem este texto e espalhem nossa indignação nas redes sociais.
Se cada um fizer sua parte talvez sejamos ouvidos.
SOCIEDADE UCRANIANA DO BRASIL

Bónus

Ex-líder sérvio-bósnio Radovan Karadžić é condenado à 40 anos de prisão por crimes de guerra.
Foto @Robin van Lonkhuijsen / AP
Como informa a agência noticiosa Reuters, o ex-líder sérvio-bósnio Radovan Karadžić foi condenado à 40 anos de prisão por juízes da ONU, nesta quinta-feira, pelo genocídio de 1995 em Srebrenica e outros nove crimes de guerra.
O menino Sadik (Omer) Huseinovic tinha 13 anos.
Foi assassinado no decorrer do massacre. Foto @Wikipédia
Karadžić, de 70 anos, a autoridade mais sênior a ser condenada pela Corte Penal Internacional para a ex-Jugoslávia, foi considerado culpado de 10 entre 11 acusações. Os juízes da Organizações das Nações Unidas (ONU) consideraram Karadžić culpado de envolvimento no massacre de 1995 em Srebrenica, no qual mais de 8 mil muçulmanos morreram (outros dados apontam o número de até 10.000 bósnios, cerca de 500 deles eram menores de 18 anos).

quarta-feira, março 23, 2016

Guerra na Ucrânia: linha da frente em Avdiivka

Nos últimos dias os combates mais ferozes da guerra russo-ucraniana em curso estão decorrer nas arredores da cidade de Avdiivka na zona industrial da região de Donetsk.

Como informa na sua página do Facebook o blogueiro ucraniano Roman Bochkala, na noite de 22 à 23 de março as forças russo-terroristas usavam as armas ligeiras, os morteiros e os canhões autopropulsados SAU de 152 mm.  
A intensidade de fogo cruzado é muito alta, as forças russo-terroristas estavam avançar por diversas vezes, usando a tática algo estranha de “ondas constantes”. As forças ucranianas também tiveram as baixas, entre mortos e feridos. A tarefa mais difícil está ao cargo dos pára-quedistas ucranianos que estão no centro de inferno (os dados mais concretos não podem ser revelados). A zona industrial é mantida e defendida pela 58ª Brigada das FAU da cidade de Sumy, na noite de 22 à 23 de março eles tiveram 5 feridos, um deles grave.

Bochkala e os militares ucranianos não conseguem descortinar com a segurança a razão do timing da ofensiva terrorista, apenas uma coisa é certa, o inimigo tenta desalojar as forças ucranianas daquela zona.

Sabe-se que os terroristas receberam os reforços. Os militares russos em ativo, mais os separatistas locais. Os terroristas usam os fardamentos russos “gorka”, sem sinais de identificação. Nota-se que os terroristas sofreram baixas consideráveis, como explicou militar de uma das unidades especiais ucranianas: “não os capturamos vivos”.
A 72ª Brigada especial aerotransportada das FAU informa que na tarde do dia 23 de março, nos arredores de Novotroitske, um camião “Kamaz” (na foto em cima) transportou a infantaria terrorista à uma distância de cerca de 1 km às posições da brigada. Cerca de 30 terroristas atacaram o ponto defensivo ucraniano, respondendo com o fogo, as forças ucranianas danificaram o camião e infringiram as baixas aos atacantes.  
A chefe da unidade paramédica do Setor da Direita, Yana Zibkevych, informa que nas últimas 24 horas as forças ucranianas tiveram 11 feridos na batalha de Avdiivka e nos arredores do aeroporto de Donetsk. Os feridos pertencem à 58ª e 90ª Brigadas aerotransportadas.


Os combates noturnos nos arredores de Avdiivka, autor do vídeo @Maks Levin:

Ucrânia nunca reconhecerá a sentença contra Nadiya Savchenko


No dia 22 de março de 2016 o tribunal russo condenou à 22 anos de prisão e multa de 30.000 rublos (433 USD) a piloto e deputada ucraniana Nadiya Savchenko, capturada pelos terroristas na Ucrânia, raptada pelas forças russas e levada ilegalmente à Rússia.

A própria Nadiya já disse que não pretende recorrer da sentença e que nos próximos dez dias continuará a greve de fome com uso de água, após este período passará à greve de fome seca. A oficial ucraniana também declarou previamente que: “o uso de qualquer força física contra mim [por exemplo, a alimentação forçada] irei considerar como tortura e [irei] resistir. Tudo indica que Nadiya Savchenko está firme na sua decisão de “regressar à Ucrânia viva ou morta” (Ação global free Savchenko).
O melhor monumento da amizade fraternal russa - ucraniana...
Na sua declaração oficial sobre a decisão do poder russo, o presidente ucraniano Petró Poroshenko foi claro:

No dito processo contra Nadiya Savchenko o mundo não viu nada que se assemelha, sequer remotamente, à um processo judicial. Foi o processo infame que o país agressor organizou contra a Oficial ucraniana, com a letra maiúscula, que, tal como é devido, defendia a sua terra dos ataques inimigos. Ucrânia nunca, mais uma vez enfatizo, nunca! – reconhecerá nem este julgamento, nem essa, assim chamada sentença, que pela sua absurdidade e crueldade demonstra o retorno da justiça russa à época de Stalin - Vyshinsky.

Contra todos os envolvidos na perseguição da Nadiya Savchenko, Oleg Syentsov e outros cidadãos da Ucrânia, patriotas ucranianos refém, vítimas de torturas ilegais em território russo devem ser impostas as sanções pessoais – quer ucranianas, quer internacionais [...]

Durante as reuniões ao mais alto nível [...] levantei repetidamente a questão da libertação da Nadiya e de outros reféns ucranianos e foi apoiado por outros membros destes encontros. O presidente Putin, afirmou na altura que após, assim chamada, decisão judicial devolverá Nadiya Savchenko à Ucrânia.
Agora é o tempo de cumprir essa promessa.

Eu, por sua vez, estou pronto entregar à Rússia dois militares russos detidos no nosso território pela sua participação na agressão armada contra Ucrânia. O julgamento dos seus casos está na fase final. Imediatamente após a sua conclusão, estou pronto, através dos procedimentos adequados, garantir a sua ida à Rússia. Essa abordagem está de acordo com o 6º ponto dos acordos Minsk – a troca de todos por todos. Isto deve ser feito imediatamente.
Nadiya (encarcerada) olha para a irmã Vira
Hoje toda Ucrânia está ao lado da Nadiya, ao lado da sua mãe Maria Ivanivna e a sua irmã Vira. Acredito que os nossos esforços conjuntos serão coroados de sucesso. E a herói da Ucrânia, a deputada [do parlamento] da Ucrânia, oficial das Forças Armadas da Ucrânia voltará até nós, até a casa onde todos nós estamos esperando por ela.


Momentos de leitura da “sentença” contra Nadiya Savchenko
Em algum momento o juiz chama Nadiya de “banderista [nacionalista] típica”, sala começa rir.
Juiz: Se alguém acha isso engraçado, eles podem sair da sala de tribunal.
Savchenko: Eu acho isso engraçado!
Juiz cala-se e continua a leitura da “sentença”.
Num outro momento Nadiya começa à cantar: “ardia o pneu, o pneu ardia, estava lá a nossa companhia... Ohm juízes, meus juízes, vocês me julgavam demoradamente, não vão julgar mais, vocês próprios entrarão nas cadeias”. Assim cantava Nadiya Savchenko durante a leitura da “sentença” no “tribunal” russo. A multidão ucraniana na sala apoiou Nadiya e cantou o hino da Ucrânia, o tribunal anunciou o intervalo...
Tudo indica que ainda muito pneu será queimado!
Glória à Ucrânia!
Glória aos Heróis!