quarta-feira, setembro 10, 2014

As mulheres ucranianas: guerra

A página Nash Kiev publicou no seu perfil do Facebook algumas fotos de mulheres ucranianas que neste setembro concorreram ao 1º ano da Academia da Guarda Nacional da Ucrânia (no total são 21 estudantes).




Vejam as suas lindas caras e comparem as com as fuças de criaturas do sexo feminino que diariamente aparecem nas crónicas da “nova Rússia”...

Tetiana Chornovol na OAT

Todos se lembram da jornalista de investigação ucraniana Tetiana Chornovol. Em 2013 ela escrevia sobre os palácios luxuosos de Yanukovych. Em dezembro de 2013 os assassinos do Yanukovych perseguiram e espancaram Tetiana, quase até a sua morte...

Em 2014 ela perdeu o marido, voluntário, ele caiu na batalha contra o terrorismo russo, no decorrer da OAT. Tetiana deixou o cargo no Gabinete dos Ministros da Ucrânia e agora está na frente da batalha. Na nova fronteira entre a civilização e a barbárie, na cidade de Mariupol, nas fileiras do batalhão voluntário “Azov” (FONTE).

Muita saúde e diversas vitórias, à todas as mulheres ucranianas!

terça-feira, setembro 09, 2014

Ras Putin

Há momentos em que as tragédias se sucedem tão velozmente que a estupefação fica cansada e o horror grassa sem que haja muito espanto. A derrubada de avião civil por molecagem de filorrussos, que praticavam pontaria com mísseis no leste da Ucrânia, parecia ser a coisa mais dilacerante que o noticiário poderia trazer este ano. As vítimas ainda jaziam como monumentos à estupidez no trigal transformado em campo santo, e cenas de embrulhar o estômago aconteciam ali perto e em outras plagas.

Publicado em 08/09/2014 na Gazeta do Povo, Paraná, Brasil

A magnitude do sofrimento não bastou para gerar pausa reflexiva na fraticida guerra patrocinada por Putin na borda oriental da Europa. A pretensão imperial falou mais alto e o troar dos canhões, a matraca das metralhadoras, o zunido dos mísseis foram réquiem aos mortos.

A colisão entre a expansão imperialista e a resistência nacionalista ucraniana parece reminiscência do século 19. O hiato soviético impediu o curso desses conflitos ao disfarçar o imperialismo russo sob a capa do marxismo. A mão de ferro da União Soviética congelou por quase 80 anos as reivindicações nacionais. A pax soviética imposta pela espada silenciou os dissensos dos povos submetidos à hegemonia russa. De longe, todos os loirinhos eram “russos”. De perto, a diversidade pulsava oprimida.

A guerra civil na Ucrânia ocorre nesse quadro complexo, mas não inexorável como querem fazer crer os arautos das opções militares. O Estado é abstração. A sua imaterialidade exige a mediação carnal para se exteriorizar, e nesse momento as idiossincrasias, o caráter dos dirigentes faz diferença. Vladimir, nome usual entre os eslavos, significa “Senhor da Paz”. No caso de Vladimir Putin, a paz é a dos cemitérios. As suas características maquiavélicas estão levando as agruras da guerra a espaço e tempo que poderiam viver história de encontros e soluções, não desencontros e dissoluções.

Sim, há um responsável. A guerra não ocorre como evento da natureza. É ato, não fato. Sem Hitler não haveria o holocausto. Sem Stalin, não haveria o Holodomor. Há exagero na comparação, mas sem Putin não haveria os massacres de fevereiro na Praça da Independência em Kyiv, nem a invasão da Crimeia, nem o fratricídio de secessão do leste ucraniano. Nessa medida, Putin se aproxima da narrativa de Rasputin, o mago da corte do último czar, de má fama sobre seus predicados morais.

Inter arma silent leges, diziam os romanos no seu típico pragmatismo de reconhecimento de que a força pode derrogar o direito e todas as considerações de justiça que o acompanham. O mais forte impõe e o fraco se sujeita. Assim é com o jacaré e a capivara. Deve ser desse modo entre os humanos? As leis devem silenciar ante as armas?

Os valores éticos nas relações internacionais não impedem todas as agressões, da mesma maneira que a existência de leis penais não impede a ocorrência de crimes, mas serve como parâmetro para julgar se é direito ou torto o comportamento de alguém. O princípio da não intervenção está sendo violado por Putin ao enviar russos para lutar em território da Ucrânia.

A estridência que o Brasil usou para reclamar dos ataques de Israel a Gaza deve ser a tónica da manifestação contra a injusta agressão à Ucrânia.

Fonte:
http://www.gazetadopovo.com.br/colunistas/conteudo.phtml?id=1497157&tit=Ras-Putin

Cinema russo como prostituição criativa

O líder dos bolcheviques, Lenine dizia: “De todas as artes, para nós, o cinema é o mais importante”. Os seus seguidores na federação russa estão de acordo, a guerra na Ucrânia ainda não terminou, mas o público já levará com a prostituição criativa na cabeça...

Na província de Kaliningrado, o enclave russo na Lituânia, estão quase terminadas as filmagens da película dedicada à guerra na Ucrânia.

O filme, criado à semelhança das produções da categoria “B” de Hollywood, apresentará ao público uma série de personagens “boas” e “más”: soldados da Guarda Nacional da Ucrânia (“bons” querem desertar e “maus” perseguir os “rebeldes”); terroristas da rp de Donetsk (apenas “bons”); mercenários americanos (“maus”); polícias do destacamento “Berkut” (ucranianos “bons”, dado que são pró-russos); batalhão “punitivo” Azov (ucranianos e estrangeiros abertamente “maus”) e os jornalistas russos (muito “bons”, por isso maltratados pelos “maus”).

Mas o mais interessante neste caso é seguinte. O filme tem apoio financeiro da Direcção de Fronteiras do FSB da Rússia da região de Kaliningrado, nas filmagens participaram os alunos do Instituto da Guarda-Fronteira do FSB de Kaliningrado.

O filme poderá ser exibido nos cinemas russas já no fim de 2014, ou então, se as coisas mudarem de figura, poderá ser guardado no arquivo do FSB e nunca mais ser visto. A situação geopolítica irá decidir o seu futuro...

No entanto, é difícil discordar de alguns blogueiros que puderam ver as fotos das filmagens:
O realizador Tarkovsky disse que o filme é um acto. Então, no plano moral, os criadores deste filme cometeram um acto desumano e sujo. O filme é feito com o apoio do FSB da FR, a mesma que começou essa guerra. É incrivelmente cínico. Na sua casa veio um assassino, matou os seus entes queridos e depois fez sobre isso um filme. E mostra-o à você. É uma pena que o trabalho nas séries, ligada à necessidade de fazer compromissos e concessões aos “clientes” deformou tão pesadamente os profissionais criativos. O que eles estão fazendo é uma prostituição criativa.

Outro blogueiro foi mais direto:
Porcaria patriótica com participação do FSB sobre os brutais “fascistas ucranianos”, que assassinam os jornalistas russos pacíficos, que descansam tranquilamente com os seus pacíficos amigos de Donbas, falantes de língua russa.

Blogueiro

Dado que as fotos das filmagens poderão perfeitamente aparecer na Internet como a prova de atrocidades ucranianas”, decidimos escrever sobre essa “obra”. Além disso, se o FSB consegue calmamente recrear “Azov” e Guarda Nacional da Ucrânia em Kaliningrado, quem garante que eles já não o fazem no leste da Ucrânia, tal como NKVD fazia nos anos 1940-1950 na Ucrânia Ocidental e nos Bálticos (ler: Soviet war crimes).

Os reais crimes da guerra

Nas redes sociais os terroristas russos afirmam que foram eles que colocaram o corpo do para-quedista ucraniano nos fios de alta tensão nos arredores de Starobeshevo (região de Donetsk). É impossível verificar a veracidade desta afirmação, mas o simples facto de que os terroristas russos querem ser vistos como as criaturas absolutamente desumanas já é muito revelador...

https://www.youtube.com/watch?feature=player_detailpage&v=gpXJhDdMe9w

segunda-feira, setembro 08, 2014

Poroshenko em Mariupol garante a defesa da cidade

O presidente da Ucrânia, Petró Poroshenko, visitou a cidade de Mariupol, onde se encontrou com operários metalúrgicos e professores. Os terroristas bombardearam os postos de controlo da OAT na hora anunciada da visita. O Presidente não ficou impressionado.

Foi escrito no Twitter presidencial:
Após o anúncio da minha chegada às 13h30 começou o bombardeamento dos nossos postos de controlo. Pensaram amedrontar. Ninguém lhes têm medo!

Além disso, durante a visita, o presidente mostrou algumas insígnias com a imagem do endro/aneto e inscrição “UKROP”.

“Que eles nos chamam de “ukrop’у”. Pois UKROP tem o significado muito simples – “Resistência ucraniana”, – disse o presidente e acrescentou que é uma palavra da qual apenas devemos se orgulhar.

(Os anti-ucranianos tentavam usar o termo “Ukrop” (endro/aneto), pela semelhança fonética, para trollar os ucranianos, até que os ucranianos usaram o “feitiço contra o feiticeiro”).

Anteriormente, o secretário de imprensa do Centro informativo do Conselho Nacional da Defesa e Segurança da Ucrânia (RNBO), Andriy Lysenko, já revelou que os ocupantes russos, bombardeando as aldeias ucranianas se vangloriam disso nas redes sociais, dizendo que deste jeito: “enviam SMS aos anetos”.

Como já foi relatado, apesar do acordo de cessar-fogo, os ocupantes se mostram ativos nas áreas de Mariupol, Donetsk, Debaltsevo. Na tarde do dia 7 de setembro continuaram os bombardeamentos de morteiros contra os arredores da Mariupol.

Fonte:

Mariupol prepara um segundo anel de defesa

O Presidente Poroshenko durante a sua visita ao Mariupol também disse que é muito importante construir as fortificações ao redor da cidade, pois todos devem estar preparados para uma vil violação do regime do cessar-fogo. “Tudo o que vocês fazem hoje, é muito necessário à cidade e ao país. Nos devemos proteger a cidade, devemos construir as fortificações. Os meus encontros com as forças de segurança são dedicados à isso – devemos estar preparados para uma violação vil do cessar-fogo”, – disse Poroshenko, citado pelo serviço informativo da TSN.ua
Em Mariupol, onde nos subúrbios não pararam os ataques com morteiros, autoridades locais e funcionários da OAT discutiram o reforço do perímetro da cidade para garantir a defesa da urbe. Na reunião da OAT, na sede das forças de segurança, os representantes militares regionais e urbanos, o departamento de polícia e as autoridades da cidade decidiram construir um segundo anel defensivo em torno da cidade, para manter a defesa contra as ataques das forças invasoras russas, noticia a TSN.ua

Reforços militares e humanitários em Mariupol

Escreve o jornalista português Nuno Rogeiro:

Começou o «Sea Breeze 14»: a série de exercícios aéro-navais americano-ucranianos, mesmo em frente da Crimeia.

Chegaram mais forças para defender o norte da cidade e novas armas para as vedetas (menos de 10) da Guarda Costeira e para os navios da marinha no local (menos de 4). Chegou também uma coluna de ajuda humanitária, vinda de Odessa, para auxiliar a cidade ucraniana ameaçada pelo vizinho.

As forças do batalhão «Azov», capturaram nos subúrbios de Mariupol um blindado ligeiro russo. A Rússia está próxima, apesar da tareia que tem apanhado nos últimos dias (12 blindados e carros destruídos). Na batalha a sua lagarta foi danificada, a tripulação fugiu. Os voluntários ucranianos irão reparar o blindado e usa-lo contra os ocupantes, De momento, “Azov” procura os especialistas em blindados que sabem usar o equipamento, o comandante do “Azov”, Andriy Biletskiy até está disposto à pagar o trabalho dos instrutores. Em geral, “Azov” está decidido defender a cidade até o fim, informa o 5º canal da TV ucraniana.

Heróis anónimos da Ucrânia: Iryna Dovhan

A história da ucraniana Iryna Dovhan correu o mundo. Ativista ucraniana de Donetsk foi raptada pelos terroristas e colocada num local público, onde foi agredida, insultada e humilhada pelos separatistas. Mas pouca gente conhece a sua verdadeira história...


Irina Dougan: “Eu peço: explique que esta imagem no poste é uma ninharia em comparação com o que houve, além do poste... Vi os comentários, lá escrevem coisas como: “um mulher heróica que saiu (à rua) com os símbolos ucranianos”, ou então que “tudo é uma encenação”, porque supostamente não estava amarrada... Gente, entendem, não era preciso me amarrar, nem vocês precisariam de serem amarrados, se estivessem sob as miras de duas dezenas de pistolas automáticas com os gritos: “Ficar quieta ai, sua criatura”. Não precisavam de me amarrar, pois o poste foi o meu amparo. Explique isso, por favor?”
Iryna Dovhan em 2015
Iryna não saiu ao lugar nenhum com símbolos nenhuns. Não escondia as sua posições pro-Ucrânia. Era uma voluntária. Recolhia o dinheiro para as forças da OAT. Levava os alimentos. Não revelava isso. Mas, durante uma de suas viagens, para o seu infortúnio, tirou as fotos no seu tablet. E tablet caiu nas mãos daqueles que guardavam posto de controlo na saída de Yasynuvata (12 km de Donetsk). E, embora o homem que levou à encomenda ao Roman, o seu marido e à sua filha era um “seguidor” da rp de Donetsk, ele foi severamente espancado e revelou de alguém era o tablet. Iryna foi levada do jardim, ao lado da casa. No total, oito homens armados entraram no quintal. “Quando batem, todos os códigos e senhas dizes sem hesitação...”

No tablet da Iryna estava o relatório sobre o gasto dos 14.000 UAH (1092 USD), e também uma lista de pessoas que contribuíram com este dinheiro. “Quase todas as pessoas naquele momento deixaram Donetsk, mas havia uma mulher que eu não tinha certeza se ela saiu ou não. Então, eu tentei, de todas as maneiras, omitir o seu nome”. Eles sentiram. Levaram-me para um quarto onde havia cerca de 20 ossetas e o tal Babai... “À quem transformaram em herói... Mas ele é um palhaço. Andava à minha volta e contava com os pormenores escabrosos à onde iria me possuir. Abria a braguilha. Levantou a minha T-shirt. Disse: “Mas ela já não serve para possui-la de verdade. Apenas se forçar na boca...” Riam-se... Eu não dizia nada e, em seguida, um deles explodiu. Até porque ele encontrou a sua foto no meu tablet. Eu tirei a foto, sem propósito especial, anteriormente e enviei à irmã para mostrar que a nossa cidade está sob controlo dos ossetas. “À quem querias me entregar?”

Logo trouxeram o cartão que depois eu segurava. Eles me levaram para aquela praça. Um anel de trânsito. Muitos carros e pessoas. Embrulharam numa bandeira que foi encontrada no quarto de minha filha. E a trela – também da minha casa. Eu fiquei de pé por mais de três horas. Os homens não batiam. Injuriavam pesadamente, mas não batiam. Por que me batiam apenas mulheres? Eu não sei. Uma velhota até me bateu com a sua bengala. Eu não sei como eu aguentava. O poste ajudou. Notei os jornalistas. Eles me fotografaram com os rostos absolutamente imperturbáveis.
Iryna Dovhan foi insultada...
Depois alguém veio, começou a exigir que eles me entreguem, mas ossetas não me deixaram. Novamente levaram à sua base. Atiraram à cela. Lá era realmente terrível. Na praça, pelo menos, eu sabia que não serei estuprada. E lá – você não sabe o que esperar. Permanentemente na cela, entrava de rompante, o mesmo osseta que me pontapeava no peito. De seguida, arrastaram um jovem e espancavam-o. Depois eu ouvi: “agora trazemos o bicha”. Depois eu soube que uma vizinha denunciou alguém que, supostamente, se meteu nas calcinhas da sua filha. Ele foi espancado terrivelmente e uivava que não fez nada. E eu uivava e rastrejava na cela. Porque era muito assustador ....”
Um terrorista russo à pousar ao lado da Iryna
Depois, Iryna, de repente, foi transferida para o terceiro andar do prédio. E as torturas pararam. Foi lá que os (do agrupamento terrorista) “Vostok” já falavam com ela de outra maneira, deram lhe os analgésicos. No dia seguinte, ela foi levada para um outro edifício. “Eu estava com muito medo dessa transferência. E se, de repente, tudo começar de novo...” O homem que a levava, a acalmava, “o pior já passou, tudo vai ficar bem”. Ela foi trazida ao gabinete de Khodakovsky (um dos poucos comandantes terroristas que é cidadão da Ucrânia, ex-comandante do agrupamento “Alfa” do SBU de Donetsk). Ele não estava sozinho. Havia uma reunião. Ela foi colocada sentada ao lado de Khodakovsky. Ele estava furioso. “Claramente, estava zangado pela maneira como foi exposto pelos seus “heróis” da Ossétia...” Ele pediu Iryna identificar aqueles que ativamente a atormentavam. “Foi difícil fazê-lo, desde que eu não conheço todos eles pelos nomes. Mas Babai e “Zaur” – sim”. Khodakovsky devolveu as chaves do seu carro e o mesmo tablet. “Ele disse que o que eu estava fazendo não é um crime, mesmo que eu fiz isso para o outro lado”.

Depois, no gabinete entrou um “jornalista moreno”, era Mark Franchetti (correspondente moscovita do The Sunday Times). Ele levou Iryna. Entregou-a à um jornalista americano. Eles a alimentaram, pela primeira vez em cinco dias. Colocaram em um quarto entre dois dos seus. “Claramente tiveram medo por mim, que aqueles ossetas podem tentar me levar”. Khodakovsky também colocou a guarda. “Eles eram humanos. No dia seguinte, até decidiram ir comigo à Yasynuvata para que eu pudesse levar os meus três gatos e um cão, e algumas roupas quentes para o marido e a filha”. E depois escoltaram até a fronteira da rp de Donetsk. “Quando nos despedimos, um deles fez um movimento como se quisesse me abraçar. E de repente, eu própria o abracei. E depois pensei e pensei, por que eu fiz isso... Por que eu correspondi ...”

Iryna não sabe exatamente quantas pessoas estão detidos naquele prédio. Quando ela foi “elevada” ao terceiro andar, lá já não espancavam ninguém. Ela viu uma mulher de 58 anos com artrite, que foi presa pelas “posições ucranianas”, denunciada por sua vizinha no mercado que só queria ficar com o lugar (banca) dela.
O que fazer à seguir Iryna não sabe. Juntamente com o seu marido tomou a decisão de não ficar em silêncio. “Eu não vou dizer nada do que não aconteceu. E que as pessoas são diferentes, e que existe Babai. Apresentar uma queixa? Qual é o ponto? Nenhum sistema está funcionar devidamente. É a terceira noite que não durmo. Ontem ligou psicólogo: disse que isso é uma consequência daquilo por que passei”.
Setembro de 2018, Iryna Dovhan em Haia, à testemunhar no TPI
P.S. O que eu contei é uma pequena fração do que me contou Iryna e o seu marido Roman. Iryna foi ter com ele e com a filha já no carro devolvido, junto com os gatos e o cão.

Fonte:

A reação da imprensa internacional

A reação da imprensa internacional neste caso é, no mínimo, extremamente curiosa. A liberal NYT, no seu artigo “Ukrainian Woman, Held Up to Public Abuse, Is Released”, da autoria do jornalista Andrew E. Krameraug., faz transparecer a “culpa ucraniana”: “Barragens de artilharia dos artilheiros ucranianos invisíveis que matam e ferem diariamente dezenas de moradores de cidades do leste ucraniano suscitaram raiva. Em Donetsk, como em outras cidades, atingidas no conflito, a raiva foi canalizada à uma caçada de corretores de artilharia” (FONTE).

Ou seja, se o cidadão russo Aleksandr Mozhaev (“Babai”) ameaça uma ucraniana na Ucrânia com o estupro e a sodomização, a culpa é dos ucranianos, resistem, em vez de se render, tal como os polacos em 1939...

Mas pior, ao nosso ver, foi o jornal brasileiro “O Estado de São Paulo” que intitulou o seu artigo: “Foto de brasileiro “salva vida” de ucraniana”. E acrescentou: Maurício Lima, do NYT, relata como ajudou a livrar dona de casa da prisão.


Aqui cada frase é uma maldade, cada frase é o veneno, cada frase é uma tremenda falta de bom senso jornalístico. Primeiro, colocar a frase “salva vida” entre as aspas significa sugerir que não existiu nenhum perigo de vida. Segundo, chamar a ativista Iryna de “dona de casa” é tentar desclassificar a importância do seu sacrifício pessoal. Terceiro, dizer que livrou da prisão é sugerir a ligeireza da situação e a até a suposta culpa da ucraniana que estava apoiar, no seu país, o seu próprio exército nacional. Enfim, emenda é muito pior do que o soneto...   

domingo, setembro 07, 2014

Rússia violou o cessar-fogo em Mariupol

Cerca das 22h30, hora de Kyiv, as forças terroristas russas começaram o ataque de artilharia contra a cidade ucraniana de Mariupol. Foram efetuados pelo menos 100 disparos simultâneos contra os subúrbios orientais da cidade. Por enquanto não há informação sobre o número das vítimas entre os civis ou as forças da OAT.

O blogueiro ucraniano Хуёвый Київ @tombreadley informou que se vê o fogo no posto de controlo das forças ucranianas na rua Olímpica nos subúrbios do leste de Mariupol.

O blogueiro Rostyslav Demchuk escreveu:

“É o fim do cessar-fogo. Alguém tinha dúvidas?
Do lado do Shyrokino, em Mariupol os moradores de bairros vizinhos ouviram vários disparos simultâneos dos canhões, também foram observados focos de incêndio. Depois disso havia várias rajadas de espingardas automáticas. No momento, ainda estão se ouvir os disparos (da artilharia). Não há informação sobre as vítimas entre a população civil ou entre as forças da OAT”.

Ninguém acreditava que o cessar-fogo assinado em Minsk era para durar. Ucrânia precisava e precisa de uma pequena paragem para reorganizar, rearmar e reagrupar as suas Forças Armadas. O Kremlin percebe isso e fará tudo para contrariar, tentando impedir que Ucrânia se defenda na sua força máxima.
https://www.youtube.com/watch?v=KEjLc0E9fSk

No entanto, aqui há um dado interessante. O jornalista de BBC, Daniel Sandford, escreveu no seu twitter no dia 5 de setembro: “Assim como o cessar-fogo começou, eu recebi da “Novorússia” o convite para uma conferência de imprensa a ser realizada na terça-feira (dia 9.09.2014!) sobre (o tema) porque Ucrânia viola o cessar-fogo.

Mas apesar das circunstâncias, a Mariupol não se rende, nem militarmente, nem espiritualmente. Como testemunhou o fotógrafo russo Sergei Loiko: “Em Mariupol é celebrado o casamento. A vida continua, apesar do Putin” (FOTO).

Os terroristas russos violaram o acordo do cessar-fogo atacando Mariupol. Pede-se a divulgação do hashtag #russiaviolatedceasefire ao máximo possível. 

sábado, setembro 06, 2014

Nadia Savchenko: toda Rússia é uma cadeia

O nosso blogue já escreveu sobre a oficial ucraniana Nadia Savchenko (AQUI, AQUI e AQUI), que como voluntária do batalhão “Aydar” foi capturada pelos terroristas e posteriormente raptada pelas autoridades russas que a levaram para o julgamento na Rússia, sob uma acusação assumidamente falsa.

Hoje gostaríamos de divulgar algumas passagens de uma das cartas da Nadia, que ela escreveu para a sua irmã Vira Savcenko, descrevendo as condições do seu cativeiro na cadeia russa.
Joanesburgo (RAS), 23.08.2014: a comunidade ucraniana exige a libertação imediata da Nadia Savchenko
“Ainda uma vez perguntei os (da Cadeia do Isolamento de Investigação, SIZO) porque eles não tem o café. Responderam me: “Cadeia está habituada ao chá” e depois acrescentaram: “São vocês, lá no Ocidente, bebem mais café, mas na Rússia gostam de chá”. Nisso eu respondi: “Bem, toda a vossa Rússia é uma cadeia”.

“Me surgiu aqui um conflito com um carcereiro (da SIZO), em geral são as pessoas comuns e normais, não mostram nenhuma atitude negativa em relação à mim. Eles tem aqui uma forma de relatório que soa assim: “O cidadão chefe, na cela № 60 se encontra um prisioneiro. De plantão, Savchenko N. V.” E um 1º tenente cheio de consciência (polícia-carcereiro), exige permanentemente que eu pronuncio (a frase) na (hora de) verificação (dos presos). Eu sempre recuso dizer essa bobagem, explicando que ele é cidadão da Rússia e eu da Ucrânia, não sou nenhuma “prisioneira”, sou a pessoa ilegalmente levada da Ucrânia, e ele não é o meu chefe (tenho os chefes próprios), e que para mim ele é o mesmo criminoso como aqueles que eles estão deter nessa SIZO. Temos as discussões sobre isso todas as manhãs e já sou ameaçada com a célula punitiva por causa disso”.


“Quando me colocaram aqui, eu imediatamente comecei limpar a cela e persegui uma aranha para matá-la, mas depois pensei: mas o que eu faço? Agora, esta é a minha única amiga, uma criatura viva. Desde ai, arranha vive comigo e às vezes sobe em cima da mesa e desfila quando eu almoço”.

Fonte: Facebook

Ordem militar da Ucrânia e psiquiatria punitiva russa

Nas vésperas do aniversário da independência da Ucrânia, o presidente ucraniano Petró Poroshenko condecorou a Nádia com a ordem militar “Pela Bravura” do 3º Grau. Praticamente em resposta, no dia 27 de agosto, a (in)justiça russa condenou Nadia Savchenko à continuação da prisão preventiva até o dia 30 de outubro e à peritagem psiquiátrica compulsiva (Sic!). Teme-se que a “peritagem” com a duração de um mês (Sic!) poderá ser efetuada no Instituto “Serbsky” de Moscovo, completamente desacreditado pelo seu envolvimento na perseguição e tortura dos dissidentes soviéticos nas décadas de 1970-1980.

A Sociedade Psiquiátrica da Ucrânia, exortou os seus colegas russos à salvarem Nadia Savchenko, classificando a decisão do tribunal russo como “retorno aos tempos soviéticos da psiquiatria punitiva”, informou o presidente da Associação Regional Prática-Científica de psiquiatras, narcólogos e médicos psicólogos, o vice-chefe do departamento de Psiquiatria e Narcologia da Universidade Nacional de Medicina “A. Bohomolets”, o Professor Olexander Napreenko. O apelo neste sentido também foi endereçado à Associação Mundial de Psiquiatria, à Associação Europeia de Psiquiatria, aos líderes e equipas de cinco principais instituições psiquiátricas de Moscovo e São Petersburgo, bem como às organizações públicas e não-públicas.

No texto do apelo os psiquiatras ucranianos advertem que decorre a degradação, que a Rússia está voltando à psiquiatria punitiva e que isso não pode ser permitido, escreve Censor.net.ua

O chefe da equipa legal que defende Nadia Savchenko, o advogado russo Mark Feygin, informou que a defesa recorreu da decisão do tribunal sobre o internamento compulsivo, propondo, caso necessário, uma curta peritagem ambulatória. Feygin também disse que a defesa da Nadia Savchenko considera necessária a sua presença na peritagem, devido ao facto de que Nadia previamente protestou categoricamente contra: “a execução de quaisquer manipulações com ela, incluindo a eventual introdução (injeção) de medicamentos”, informa a rádio Liberdade.

Bónus


A moça na foto se chama Yana. Ela tem 19 anos e é chefe do Departamento médico de um dos batalhões voluntários, diariamente ela está presente na zona de combates entre as forças da Ucrânia e os invasores russos, salvando os militares e voluntários ucranianos (FONTE). 

Ucrânia divulga dossier do NKVD proibido na Rússia

O Arquivo Estatal da secreta SBU divulgou o dossier do NKVD de 1937, sobre a rede de espionagem japonesa na URSS, cuja consulta foi proibida em 2014 pelo tribunal de Moscovo.

Tudo começou quando o historiador russo Sergey Prudovski, tentou em vão estudar o documento do NKVD, produzido 77 anos atrás e dedicado às ações dos serviços secretos japoneses no território soviético. No dia 14 de junho de 2014, o Tribunal da cidade de Moscovo, numa sessão à porta fechada, deliberou a recusa de fornecer ao historiador o documento chamado: “A carta fechada sobre as atividades de terrorismo, sabotagem e espionagem dos agentes do serviço secreto japonês (recrutados) entre os de Harbin”, № 60268 de 20.09.1937, assinado pelo Comissário popular do Ministério do Interior da URSS – Comissário-geral da Segurança estatal, Nikolay Yezhov. Acontece que o FSB da federação russa continua classificar este documento histórico como “segredo do Estado”.

Após souber, pela imprensa, sobre as barreiras criadas, os arquivistas do SBU decidiram ajudar ao historiador russo e divulgaram o documento.

O documento avalia as características da situação de inteligência no Extremo Oriente, examina os métodos de recrutamento de agentes, entre a emigração monárquica russa, pelos serviços de inteligência japoneses e descreve os actos de subversão destes agentes no território da União Soviética. O documento também possui uma breve descrição das organizações da emigração russa, tais como: “União militar de Extremo Oriente”, “Partido Fascista de Toda-Rússia” e outros.

“Em geral, as informações do documento têm apenas o valor histórico, por isso o acesso ao mesmo na Ucrânia não pode ser limitado”, – explicou o chefe do arquivo do SBU, Ihor Kulyk.

Consultar este ou outros documentos do arquivo é possível na sala informativa do Arquivo Estatal do SBU no seguinte endereço: cidade de Kyiv, rua Irynynska, № 4. Tel. + 380 44 2558224 (de segunda à sexta, das 14h00 às 17h00).


Descarregar o documento original (em russo, formato RAR, 58,21 MB): NKVD № 60268

A solidariedade com Ucrânia em curso

Apoiar a Ucrânia: comprar os imanes de solidariedade Belarus – Ucrânia. Metade do seu valor é alocado ao apoio da Operação anti-terrorista (OAT) no leste da Ucrânia. Entrega do produto em qualquer parte do mundo, pormenores@ ukrainabelarusarrobagmail.com