segunda-feira, setembro 28, 2026

Ilya Ehrenburg: o «advogado» do anarquismo espanhol perante Kremlin

Ilya Ehrenburg na Espanha, à civil com o cachimbo
O papel do jornalista, escritor, tradutor, propagandista soviético e seguramente agente secreto de NKVD, judeu ucraniano nascido em Kyiv, Ilya Ehrenburg, na comunicação entre a Espanha republicana e a mais alta liderança soviética.

A 10 de setembro de 1936, o correspondente especial do jornal soviético «Izvestia», Ilya Ehrenburg, enviou uma carta pessoal de Madrid ao Estaline. Nela, descreveu a situação crítica nas frentes republicanas: a falta de uma frente única e de um exército regular, a escassez de pessoal de comando e a fragilidade da força aérea e da artilharia. Ehrenburg dedicou a sua atenção especial aos anarquistas: segundo as suas informações, os dirigentes da central sindical Confederación Nacional del Trabajo (CNT), Buenaventura Durruti e Juan García Oliver, estavam inclinados a reconhecer um comando republicano centralizado e, por isso, propôs cessar as críticas aos mesmos na imprensa soviética. Além disso, na carta, Ehrenburg propôs acelerar os fornecimentos soviéticos de aeronaves e artilharia antiaérea, envio de contingente militar, suavizando a linha dura do Kremlin em relação aos anarquistas.

Como se sabe, no final de setembro de 1936, o Bureau Político do PCUS tinha aprovado um plano para enviar os primeiros tanques e bombardeiros para Espanha. Mas o governo soviético não conseguiu ou simplesmente não considerou oportuno criar «amizade» com os anarquistas — após a morte de Durruti em novembro de 1936 e os confrontos em Barcelona em Maio de 1937, a política da URSS em relação aos anarquistas tornou-se mais severa ainda.

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