Observou os acontecimentos iranianos em primeira mão: participou em manifestações, encontrou-se com figuras da oposição, visitou mesquitas e entrevistou pessoas de todas as classes sociais, desde vendedores de mercado a intelectuais.
Foucault ficou fascinado, e esse fascínio é evidente nas suas reportagens.
Viu algo de fundamentalmente novo na revolução iraniana: não uma revolta marxista de classes ou uma revolução liberal, mas aquilo a que chamou “espiritualidade política” (spiritualité politique) — um movimento de massas motivado não por interesses económicos, mas por um impulso religioso e existencial.
Ficou fascinado com a própria ideia de que milhões de pessoas arriscavam a vida por algo que não se reduzia a bens materiais.
Descreveu Khomeini com evidente simpatia — como uma “voz” que exprimia a vontade coletiva do povo.
Quando as execuções em massa que começaram após a vitória dos ayatollah – principalmente de gays, mulheres que se recusavam a usar o hijab, activistas de esquerda – feministas iranianas, jornalistas (como Marie-Jo Bonnet) e activistas (como Kate Millett) escreveram uma carta aberta a Foucault com duras críticas. Repreenderam-no por romantizar o que de facto levou à morte de determinadas pessoas.
Foucault respondeu – e a sua resposta foi bastante mal sucedida: tentou defender a sua posição distinguindo o «espírito da revolução» do que aconteceu depois. Os críticos consideraram-no desonestidade intelectual.
Entretanto, 48 anos após a sua visita, no Irão continua a operação de desmilitarização gradual do regime dos ayatollah.
Fonte: TG @kazansky2017




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