terça-feira, abril 14, 2026

A desonestidade intelectual do Michel Foucault: caso do Irão

Em 1978-1979, o filósofo francês, conotado com a esquerda intelectual, Michel Foucault, viajou por duas vezes como jornalista ao Irão, a convite do jornal italiano «Corriere della Sera». 

Observou os acontecimentos iranianos em primeira mão: participou em manifestações, encontrou-se com figuras da oposição, visitou mesquitas e entrevistou pessoas de todas as classes sociais, desde vendedores de mercado a intelectuais.

Foucault ficou fascinado, e esse fascínio é evidente nas suas reportagens.

Viu algo de fundamentalmente novo na revolução iraniana: não uma revolta marxista de classes ou uma revolução liberal, mas aquilo a que chamou “espiritualidade política” (spiritualité politique) — um movimento de massas motivado não por interesses económicos, mas por um impulso religioso e existencial.

Ficou fascinado com a própria ideia de que milhões de pessoas arriscavam a vida por algo que não se reduzia a bens materiais.

Descreveu Khomeini com evidente simpatia — como uma “voz” que exprimia a vontade coletiva do povo.

Quando as execuções em massa que começaram após a vitória dos ayatollah – principalmente de gays, mulheres que se recusavam a usar o hijab, activistas de esquerda – feministas iranianas, jornalistas (como Marie-Jo Bonnet) e activistas (como Kate Millett) escreveram uma carta aberta a Foucault com duras críticas. Repreenderam-no por romantizar o que de facto levou à morte de determinadas pessoas. 

Foucault respondeu – e a sua resposta foi bastante mal sucedida: tentou defender a sua posição distinguindo o «espírito da revolução» do que aconteceu depois. Os críticos consideraram-no desonestidade intelectual.

Entretanto, 48 anos após a sua visita, no Irão continua a operação de desmilitarização gradual do regime dos ayatollah.

O vídeo mostra a destruição de um lançador iraniano de mísseis balísticos, do lançador móvel de drones kamikaze Shahed-136, montado numa carrinha de caixa aberta, de um canhão anti-aéreo ZU-23-2 em posição de tiro e de um caça de fabricação chinesa Chengdu J-7.



Fonte: TG @kazansky2017

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