Mostrar mensagens com a etiqueta socialismo. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta socialismo. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, novembro 07, 2025

O correspondente de guerra mais jovem da Guerra do Vietname

Lỗ Mạnh Hùng era um menino de 12 anos de Saigon, que ficou internacionalmente famoso em fevereiro de 1968 como o correspondente de guerra mais jovem da Guerra do Vietname/nã.




Seu pai, Lo Vinh Hùng, de 40 anos, era dono de uma pequena agência fotográfica vietnamita, Bao Chi. Percebendo que seu filho conseguia rastejar onde um fotógrafo adulto não conseguia, o pai o contratou oficialmente para trabalhar. O pequeno correspondente conseguia facilmente rastejar sob os pés de seus concorrentes durante uma reunião oficial; além disso, sua altura permitia que ele tirasse fotos sem bloquear o setor para fotógrafos adultos mais altos, o que era importante, já que os fotógrafos vietnamitas eram famosos por seu comportamento agressivo durante sessões de fotos e podiam facilmente dar cotoveladas ou até mesmo agredir um concorrente.

Em fevereiro de 1968, Lỗ Mạnh Hùng já tinha dois anos de experiência profissional como fotógrafo; além disso, ele revelava e imprimia fotografias de forma independente e também atuava como agente, vendendo suas fotos e as de seu pai para a imprensa internacional/mídia mundial.




Talvez o menino nunca tivesse ido parar na linha de frente se a própria frente de batalha não tivesse chegado à sua cidade. Em 30 de janeiro de 1968, no feriado do Ano Novo Vietnamita, o Tet, quando as partes tradicionalmente acordavam um cessar-fogo de vários dias, os comunistas Viet Cong e o exército do Vietname/ã do Norte (de 500 mil a 1 milhão de combatentes) lançaram inesperadamente a chamada «Ofensiva do Tet» - atacando simultaneamente dezenas de assentamentos em todo o Vietname/ã do Sul, incluindo a cidade de Saigon. Embora a Ofensiva do Tet tenha sido repelida após seis meses de combates, os americanos e os vietnamitas do sul - sentiram muita dificuldade, de conter o avanço comunista. A imprensa/mídia americana repercutiu a história do corajoso menino vietnamita. «Ele foi aonde os adultos tinham medo de ir» - as manchetes como este apareciam na imprensa, que, aparentemente, pretendia envergonhar os covardes e aqueles com pouca fé, inspirando os soldados americanos aos novos feitos.

No entanto, os liberais ocidentais criticavam a decisão do pai Lo, dizendo que usar uma criança como correspondente de guerra, e ainda mais para fins de propaganda, é cruel.

Aparentemente, Lỗ Mạnh Hùng conseguiu deixar o Vietname/nã em segurança, abrindo o seu próprio estúdio fotográfico em São Francisco. Nos EUA ele adotou o nome de Jimmy Lo Hung e em 1998 falou com o ex-fotógrafo da Associated Press, Horst Faas, conforme relatado pelo San Francisco Examiner. No entanto, milhares de outros sul-vietnamitas não tiveram essa sorte, após a retirada americana do Vietname/ã e a queda de Saigon. A derrota dos EUA no Vietname e a consequente ocupação do Vietname do Sul pelos comunistas do Vietname do Norte resultou em milhares de mortos e na repressão sangrenta de grandes proporções:

Execuções e Prisões

Cerca de um milhão de pessoas foram enviadas para campos de «reeducação», das quais 165.000 nunca retornaram; entre 65.000 à 100.000 pessoas foram executadas após a guerra. Muitos ex-militares, políticos e ativistas do Vietname/ã do Sul foram presos em campos de concentração ou sofreram outras formas de perseguição.

Fuga

«Barcos de Refugiados»: de 1975 à 1984, cerca de 554.000 barcos transportando refugiados deixaram o Vietname/ã. De 200.000 à 250.000 pessoas morreram no mar enquanto tentavam fugir do país.

Em geral, entre 1954 à 1975, as autoridades comunistas de Viet Kong (Vietname do Norte) foram responsáveis pela morte de até 227.000 civis.

Ler mais: Revelando a História Oculta do Viet Cong: desvendando atos esquecidos de terrorismo.

terça-feira, outubro 21, 2025

“Morrer por Danzig?”, “Morrer pela Ucrânia?”

Ali, na coluna esquerda, está o artigo lendário, cujo título se tornou o slogan: “Por que morrer por Danzig?” Danzig era então chamada de atual cidade de Gdańsk, Danzig – ou Gdańsk – Hitler exigiu e prometeu que, assim que a cidade livre se tornasse a Danzig alemã, nunca mais haveria outra guerra e todos viveriam em paz. 

por: Yuriy Hudymenko, o título é de responsabilidade do nosso blogue

É verdade que, antes disso, Hitler também havia falado sobre a Renânia, a Áustria, os Sudetos e, depois, a Checoslováquia, então nem todos acreditaram nele. Mas muitos simplesmente queriam acreditar. Não que acreditassem em Hitler – acreditariam que tudo que os acalmaria de alguma forma, que não haveria guerra, que tudo voltaria ao normal e nada de terrível aconteceria.

Mas aconteceu.

O artigo do neossocialista, anfifascista e pacifista francês Marcel Déat foi publicado em 4 de maio de 1939 no jornal parisiense L'Œuvre. Faltavam menos de quatro meses para o início da Segunda Guerra Mundial. Os franceses tiveram que morrer não por Danzig, mas pela França.

O autor do artigo, Marcel Déat, de neossocialista, rapidamente se tornou um verdadeiro nazi(sta), juntando-se ao governo colaboracionista da França ocupada pelos alemães. Depois, fugiu, escondeu-se pelo resto da vida na Itália e foi enterrado em um túmulo sem nome na lápide. A sua frase continua famosa no Ocidente.

Só que as conclusões não foram tiradas.

domingo, setembro 14, 2025

«Diyaloh»: revista pela democracia e socialismo na Ucrânia independente

A 2ª edição da revista, 1979

«Diyaloh» era uma revista canadense em língua ucraniana, publicada em Toronto, por um grupo de editores de esquerda, entre os quais o historiador ex-marxista John-Paul Himka. Onze edições do «Diyaloh» foram publicadas de 1977 à 1987. 

A publicidade de «Diyaloh»

O «Diyaloh», que se posicionava «pela democracia e socialismo na Ucrânia independente» dedicava-se a uma análise socialista crítica dos acontecimentos na Ucrânia e no Leste Europeu. A revista era alegadamente contrabandeada por ativistas para o Leste Europeu durante a Guerra Fria. Tendo em conta, o mais que prováveis, contactos entre John-Paul Himka e o KGB soviético, é possível supor que o projeto era, de alguma forma, acarinhado pelo KGB, ou pelo menos, este tinha o conhecimento e não intervinha no assunto. Em 1974-1976, enquanto trabalhava na sua tese de mestrado, John-Paul Himka passou um ano em Cracóvia, seis meses em Leningrado e um mês em Lviv e Kyiv, incluindo trabalhando nos arquivos históricos. Não é precisa explicar que na auge da Guerra Fria, um historiador, cidadão de um país capitalista, nunca receberia a permissão de visitar a URSS e muito menos de trabalhar nos arquivos, se não esteja colaborar com KGB de alguma forma direta ou indireta.

O número duplo da revista, NN 7-8 de 1982

Entre os autores publicados pela revista podemos ver alguns intelectuais ucranianos, que pertenciam à ala esquerda (trabalhista, socialista, maoista ou neo-marxista) do espectro político da Diáspora ucraniana: Vsevolod Holubnychiy, Ivan Maistrenko, dissidente ucraniano e vítima da psiquiatria punitiva soviética Leonid Plyushch, jornalista e dissidente russo VadimBelotserkovskiy, etc. 

Consultar as edições online.