domingo, junho 19, 2016

Sem nenhuma chance: os reféns ucranianos sobre os métodos do FSB

Libertados no dia 14 de junho, os POW ucranianos aceitaram contar as suas experiências como prisioneiros dos atual sistema judicial russo, sem grandes mudanças, naquilo que é essencial, desde os tempos da União Soviética. Os seus depoimentos poderão ser úteis, pois descrevem a captividade russa real – sem nenhuns condições especiais e sem a atenção especial da imprensa internacional. Tête-a-tête com regime que tem um único objetivo: quebrar qualquer resistência do prisioneiro.

Neste momento, ambos estão hospitalizados, pela frente estão os exames e tratamento médicos, retorno à vida civil na Ucrânia. Eles realmente têm dificuldades de falar, os médicos pedem para não serem perturbados. Mas Gennady e Yuri falam muito e emocionalmente: “as pessoas devem saber sobre isso”, – explicam eles. Por bem dos ucranianos que ainda permanecem nas prisões russas, alguns detalhes ainda não podem ser reveladas. No entanto, esperamos que um dia todos os pormenores poderão ser divulgados, escreve Pravda.com.ua (todas as fotos do Yuri Soloshenko e Gennadiy Afanasyev no hospital @Dmytro Larin, UP).

Gennadiy Afanasyev (25) veste uma T-shirt com tridente ucraniano, tem o mesmo tridente no fio ao pescoço, ao lado – a bandeira da Ucrânia. Ele pede desculpa por falar ucraniano de forma mais lenta, não tinha como exercitar a língua. Mas declina categoricamente a proposta falar a língua que lhe é mais fácil [russo]: “Não, ucraniano é uma questão de princípio”.  

Gennadiy Afanasyev
Nasceu em novembro de 1990 na cidade de Simferopol. Foi graduado pela faculdade do direito na Universidade Nacional de Tavria (Crimeia). Trabalhava como fotógrafo. Durante a ocupação russa da Crimeia, apoiava os militares ucranianos entrincheirados nos seus quartéis, participava nas manifestações pró-Ucrânia. Em 2014, quando foi preso, tinha 23 anos, hoje tem 25.

Foi preso na via pública pelas pessoas à civil armadas com as espingardas automáticas, a prisão foi filmada pelos jornalistas. Colocaram um capuz na sua cabeça, o atiraram ao chão, pontapeavam na cabeça e na barriga, faziam perguntas sobre diversas pessoas e ameaçavam que estão o levar para o mato, obrigar a cavar a sua própria sepultura. No fim levaram para o seu próprio apartamento, fizeram lá as buscar e sem achar nada o transportaram ao FSB e de lá para o local onde Gennadiy passou os primeiros 10 dias da sua detenção.

Não havia advogado, apenas os investigadores de Moscovo e do Cáucaso, funcionários do FSB. Gennadiy era algemado à uma mesa metálica, primeiro lhe faziam as ameaças e perguntas, depois o espancavam. Percebendo que ele não sabia nada daquilo que lhes interessava, exigiam “confessar” a intenção de dinamitar o monumento da “Chama eterna” (memorial soviético da II G.M.). O batiam com as luvas de boxe, para não deixar as hematomas. Tudo isso aconteceu no 1º dia da sua detenção.

Depois Gennadiy foi levado ao local, onde passou 10 dias, não sabe onde ficava, apenas era local frio, parecia uma cave. Lá não o deixavam nem comer, nem dormir, não havia nem o papel higiénico. Nos primeiros 5 dias colocavam na cabeça o saco plástico e o sufocavam. Usavam a pressão psicológica, levaram à sua cela uma pessoa que Gennadiy conhecia (Oleksiy Cherniy), este testemunhou contra ele, contando as coisas que sabia ao seu respeito. Os investigadores diziam que Gennadiy não tinha chances: “Serás condenado à 20-25 anos, se vais confessar, receberás menos”.
Cineasta ucraniano Oleg Sentsov
Assim, Gennadiy achou que seria salvo, confessando uma ação menor, o fogo posto (danos no valor de cerca de 860 dólares, pagos na totalidade pela sua mãe). Depois o começaram perguntar sobre Olexandr Kolchenko e Oleg Sentsov, iniciaram as torturas severas. Colocavam a máscara anti-gás na cabeça, metiam nela a gás pimenta, Gennadiy sufocava no seu próprio vomito, lhe tiravam a máscara, davam cheirar amoníaco e repetiam o processo. Colocavam os fios elétricos nos genitais e davam descargas elétricas. Como diz Gennadiy: “se o sufocamento é possível aguentar, este já era o outro tipo de dor. Assim, obrigaram à assinar os documentos. Todo o texto já lá estava escrito, exigiam apenas assinar aquilo”.
Ativista ucraniano Oleksandr "Tundra" Kolchenko
Quase no fim, quando os russos queriam chegar à um acordo, Gennadiy foi despido, colocado no chão, agarrado e os torturadores aproximavam ao seu corpo nu um ferro de soldar e prometiam o estuprar com o ferro ardente. Ameaçavam chegar à sua mãe...       

Após assinar os documentos, Gennadiy Afanasyev foi levado à Moscovo e obrigado à declarar perante as câmaras tudo que lhe foi exigido. Lembrando o que lhe fizeram nos últimos dias, Gennadiy não acreditava que alguém o poderia defender. Os torturadores diziam: “[Assina] e assim estarás calmamente numa prisão perto de casa, [num local] quente e bom, senão – acabarás em lugares muito maus”.

No tribunal, Gennadiy Afanasyev contou tudo sobre as torturas e desmentiu as declarações arrancadas sob a coação. Logo depois, foi espancado pelos operacionais do FSB na cidade de Rostov, mas graças à presença no seu processo dos advogados e defensores dos direitos humanos, conseguiu-se documentar os traumas que lhe foram infringidos.
Chateados, os russos levaram Afanasyev para a colónia penal na República de Komi, o GULAG da Rússia atual. No local, após “acharem” uma lamina nos seus pertences, colocaram Gennadiy no isolamento penal e depois na “barraca de regime severo”. É uma grande barraca, que abrigava cerca de 100 pessoas em 150 m², as paredes externas e as celas eram separadas com as grades de ferro, este espaço era patrulhado constantemente pelos guardas armados. Os presos não tinham nenhuma privacidade, não havia as cadeiras, era proibido se deitar.

Depois de mais uma provocação, quando nos seus pertences foi colocado um cartão SIM, Gennadiy foi levado à colónia penal feminina №31 na cidade de Mikun, onde passou 2 meses e 15 dias numa cela solitária, apenas na companhia de livros. As cartas não lhe eram entregues, as suas cartas não eram mandadas: “talvez foram perdidas” ou “foram perdidas”, nas explicações dos seus carcereiros.

É impossível contar a vida de dois anos e dois meses em apenas 10-20 minutos, – diz Gennadiy Afanasyev no fim da conversa. Então, vocês perguntam, o que aconselhar aos outros ucranianos que podem cair no cativeiro russo? Melhor simplesmente não parar lá, porque é inútil contar com um julgamento justo e com um tratamento humano. Se um ucraniano está em desesperança é melhor que ele salve a sua vida e [o país] o salvará do cativeiro. Não se deve morrer, não se deve entregar a sua vida, se você sente que não a consegue manter
Faça click na imagem para ver o vídeo
O prisioneiro político Gennady Afanasyev especialmente para os jornalistas, recitou um poema do poeta ucraniano Vasyl Stus, dissidente e prisioneiro político, que morreu após uma greve de fome no campo de concentração soviético em setembro de 1985.

Yuriy Soloshenko
Natural da região de Poltava, foi graduado pela Universidade Nacional de Kharkiv, 48 anos trabalhou na fábrica “Znamya” (Bandeira) que pertencia ao complexo militar soviético e depois ucraniano. Em 2010 Yuriy Siloshenko se reformou, a fábrica se fechou mais tarde, mas continuava à vender o seu stock, muitas vezes com a sua ajuda, graças aos contactos no Ministério da Defesa da Rússia. No momento da sua prisão tinha 72 anos, recentemente completou 74.

Em 2014, Yiriy recebeu o telefonema de um antigo amigo russo, coronel do exército e  chefe do departamento de aquisições de defesa na empresa “Roselectronika”, que o pediu para testar os equipamentos produzidos pela fábrica ucraniana que a sua empresa, alegadamente, adquiriu recentemente. Yuriy Soloshenko conhecia o coronel Konstantin Kollegov nos últimos 12 (!) anos e não desconfiou de qualquer más intenções deste pedido.
O coronel Konstantin Kollegov
Em Mocovo, Soloshenko foi recebido pelo Kollegov e um outro coronel na reserva, Demyanov, que o levaram ao seu escritório, onde, minutos depois apareceram os operativos do FSB. Após uma rápida busca corporal, FSB atribuiu ao Soloshenko a porte dos documentos relativos ao sistema de mísseis S-300, usados pelas Forças Armadas da Ucrânia e cujos componentes são produzidos na fábrica Generator em Kyiv.

Após ser algemado e fotografado Soloshenko foi levado à direção de investigação do FSB em Moscovo e de lá à um juiz que lhe aplicou a pena de prisão preventiva de 2 meses na cadeia moscovita de Lefortovo. O seu investigar lhe propôs pedir a cidadania russa: “Caso receber a cidadania russa lhe será atribuído o estatuto de testemunha. Nós não seguimos você, seguimos Kolegov. [...] Se você aceitar a cidadania [russa] terá o estatuto da testemunha, estará sob a proteção da lei russa da protecção de testemunhas”.

Passados dois meses, a sua detenção é prorrogada para mais dois. Soloshenko entra no estado pré-ataque cardíaco. Um mês depois, os carcereiros lhe indicam um advogado, alegando que o advogado inicial desapareceu. O novo advogado, após receber os honorários pagos pela família do Soloshenko lhe propôs duas escolhas: “Se declarar culpado e ser condenado à 10 anos de cadeia ou não se declarar culpado e receber 20”. Soloshenko respondeu que na sua idade 10 ou 20 anos não lhe fariam nenhuma diferença. Tudo isso, tendo em conta que 10 meses Yuriy estava sem advogado e 8 meses sem as visitas do Cônsul da Ucrânia.
Numa das ocasiões Soloshenko recebe uma nova proposta de acordo pré-julgamento: “Caso se declarar culpado de espionagem, uma semana depois será transferido para a prisão domiciliária”, – na casa de um amigo seu que vivia nos arredores de Moscovo. Na prisão Yiriy foi visitado pela, então, Comissária dos Direitos Humanos na federação russa, Ella Pamfilova, que disse-lhe que só lhe poderá ajudar apenas após o julgamento.

O chefe do departamento investigativo do FSB, coronel Igor Rastvorov confirmou a oferta do seu investigador, apresentando ao Yuriy Soloshenko uma declaração, por escrito, do tal amigo, em que este possuía o alojamento adequado e que confirmava a sua concordância em receber Yuriy para este lá passar a prisão domiciliária. Após assinar a sua “confissão”, o mesmo coronel do FSB informou Yuri: “a sua prisão domiciliária é impossível, dado que você não possui o registo domiciliar na Rússia”...

Um dos investigadores, uma vez disse ao Yuri, num rasgo de sinceridade: “se eu o declarar inocente, significaria que foi ao departamento de RH pedir a minha demissão. A questão da sua detenção foi decidida ao nível do Gabinete do Procurador-Geral e da liderança do FSB”.

Soloshenko sentia que não tinha nenhuma chance. Rapidamente assinou 4 volumes do seu processo, lendo apenas um, sonhando com a possibilidade prometida da condenação com a pena suspensa. O seu julgamento foi marcado para o dia 1 de outubro de 2015.

O julgamento foi fechado, não foi permitida a presença nem dos jornalistas, nem do Cônsul da Ucrânia. Após ouvir as explicações do Yuri, o juiz mandou escrever no processo que as suas palavras foram consideradas pelo “tribunal de forma crítica”. No dia 14 de outubro foi lida a sentença, era único dia onde os defensores dos direitos humanos e Cônsul da Ucrânia estavam presentes.

No dia 10 de dezembro de 2015, quando lhe prometeram que a Comissária dos Direitos Humanos, Ella Pamfilova, discutiria o seu caso com o presidente Putin, Soloshenko foi levado pelo comboio prisional à colónia penal em Nijni Novgorod. Sentiu-se mal no caminho e ficou 2 semanas no hospital da Cadeia do Isolamento Operativo (SIZO) e depois, 2,5 meses no hospital prisional provincial. De lá, foi transferido para a colónia penal.

Nunca o batiam, tentavam o quebrar psicologicamente. O investigador dizia: “Claro, é melhor morrer em casa”. Yuriy queria ver os seus netos. Recebia as cartas, das ONG´s russas “Prisioneiro russo”, Rússia aprisionada, das pessoas anónimas, da Diáspora ucraniana. Uma parte das cartas só recebeu no processo da sua troca pelos separatistas ucranianos entregues à Rússia, em junho de 2016...

Na Rússia é absolutamente impossível contar com qualquer tipo de humanismo. Este monstro, a Rússia, tem um poder, do autocrata de Toda a Rússia e da sua guarda pretoriana, FSB. Aos aqueles que agora são mantidos como reféns na federação russa, gostaria de dizer, para se manterem, para acreditarem, porque a Ucrânia não se esqueceu de vocês – ela está lutando por todos os seus cidadãos.

Não se pode perder a fé. Se eu não acreditasse que um dia estaria em casa – não sei se chegaria vivo à este dia. Eu adormecia e acordava com esta ideia, ela se tornou a minha oração, conta Yuri Soloshenko, de forma emocional.

sábado, junho 18, 2016

Igor Korneliuk: jornalista que já não mente há dois anos

No dia 16 junho de 2016, o jornalista russo Igor Korneliuk, fez a sua última reportagem da Ucrânia ocupada (à onde entrou ilegalmente), em que um terrorista encapuçado afirmava, nomeadamente: “na aldeia de Schastia agora está à decorrer a “limpeza” maciça. São aniquilados os civis, mulheres e crianças são assassinadas à facada, todos, os adolescentes de 16 até 50 anos (Sic!) – são assassinados à facada, todos completamente”.

O jornalista não apresenta nenhuma prova à sua calúnia (nem às diversas outras), o terrorista encapuçado fala em nome de uma “mulher vizinha de um dos seus companheiros”. Mas já não fazia a diferença, os russos acreditaram, ferveram e foram ao Donbas defender os “meninos de cuequinhas” dos “ucranianos fascistas”. Quantos russos morreram graças ao Korneliuk e Cº, e quantos ucranianos eles mataram?..
https://www.youtube.com/watch?v=F5czizar4VI
No dia seguinte, em 17 de junho, uma punição justa visou o propagandista putleriano – ele bateu as botas em resultado de fogo de morteiro durante as suas filmagens. Que a terra fica em fibra de vidro quer à ele, quer à todos os outros propagandistas russos que criaram essa guerra. Não devem sonhar em escapar uma punição justa, escreve o blogueiro ucraniano ibigdan.

Gazavat checheno vs bandidos do Yeltsin
O propagandista russo, Maksim Shevchenko, surpreendeu, há dias, todo o mundo, falando sobre o recente batismo de uma ponte em São Petersburgo em nome de Akhmad Kadyrov. A jornalista pergunta como fica neste caso o facto de Kadyrov [autor da célebre frase: “os russos são muito mais numerosos do que os chechenos, portanto, todos o checheno teria que matar 150 russos”], ser responsável pela morte dos militares russos. Sem vacilar, o propagandista responde: nos anos 1990 não havia militares russos na Chechénia, apenas “os bandidos do Yeltsin”. E acrescente que “quando Akhmad Kadyrov declarou gazavat [gazi] ao poder do Yeltsin ele agia em interesse da federação russa”.
https://www.youtube.com/watch?v=jJirVZOYvkU

Ou seja, se as coisas atuais correrem mal à Rússia, já depois de amanha haverá algum maksimshevchenko que calmamente dirá a sua justiça: “na Ucrânia nunca houve os militares russos, apenas os bandidos do Putin. O presidente Petró Poroshenko, quando declarou a Operação Antiterrorista agiu em interesse da federação russa”. A sentença será publicada no sputnik.info e os adoradores da Rússia vão a repetir nas redes sociais com toda a convicção: “Putin é um traidor que queria mal à mãe – Rússia e o presidente Poroshenko fez muito bem em combater estes bandidos putinescos”... 

quinta-feira, junho 16, 2016

França recebe os dados dos 7291 terroristas russos

Os dados dos 7291 cidadãos russos que participam ou participaram na guerra contra Ucrânia na região de Donbas e na Crimeia, incluindo o seu presidente Putin, foram entregues à Embaixada da França na Ucrânia pelo Anton Gerashenko, o deputado do parlamento ucraniano e assessor do ministro do Interior, Arsen Avakov.
Anton Gerashenko à entrada da embaixada da França em Kyiv
Entre os diversos hooligans russos que vieram à França para fazer os distúrbios, apoiados e até promovidos pela propaganda russa, aparecem as personagens sinistras, pessoas que participaram nas atividades terroristas e na agressão militar da federação russa contra Ucrânia. Assim, o jornalista britânico Kim Sengupta, do jornal Independent, conta que encontrou em França um certo Nikolay, cidadão russo, ex-fuzileiro naval e morador nos subúrbios de Moscovo. Os dois se conheceram em 2014, no território da Ucrânia ocupada e controlada pelos separatistas, quando o mesmo Nikolay vestia o camuflado e servia na “milícia popular de Donbass”.
A informação sobre 7290 terroristas, mais o seu comandante supremo, presidente Putin, foi entregue à embaixada da França num pacote informativo trilíngue, em inglês, ucraniano e russo. A informação que foi colhida e sistematizada pelos voluntários ucranianos e de outras nações está arquivada na página ucraniana Myrotvorets (Pacificador) e pode ser consultada AQUI. Toda a informação foi colhida nas diversas redes sociais e outras fontes absolutamente OSINT.
Como escreve Anton Gerashenko, Ucrânia espera que a informação colhida ajudará aos serviços secretos e à policia francesa à não permitir a entrada no seu país dos terroristas e dos seus comparsas. Além disso, essa informação poderá permitir a efetuação das possíveis detenções e nas entregas dos culpados às autoridades ucranianas competentes.

Glória à Ucrânia!

Bónus
Como informa a agência de informação francesa AFP, três cidadãos russos foram condenados às penas de prisão reais pela sua participação nos distúrbios em Marselha, ocorridos no dia 11 de junho, quando a cidade acolheu o jogo Inglaterra – Rússia. Os distúrbios levaram à morte cerebral de pelo menos um adepto britânico, espancado impiedosamente pelos hooligans russos.   
A televisão russa tvrain avança a informação do que o tribunal francês condenou Alexei Erunov, o chefe do departamento de relações com os fãs do clube “Locomotiv de Moscovo” à dois anos de prisão; os hooligans Sergei Gorbachev e Nikolai Morozov foram condenados à 1,5 e 1 ano de prisão, respetivamente. A mesma estação informa que a embaixada russa em França ainda não confirmou a notícia. No entanto, sabe-se que outros 20 hooligans russos foram expulsos da França, após a sua detenção em Marselha pela sua participação na pancadaria em massa com os fãs ingleses.
As tatuagens militares de alguns "fãs" russos...
(a unidade dos fuzileiros navais "Sputnik" foi acusada de cometer as atrocidades na Chechénia)

Ucrânia vende na UE meio bilhão de dólares em vestuário

Em 2015 os países da União Europeia compraram 90,5% de toda a produção ucraniana de vestuário pronto à vestir no valor de 525 milhões de dólares, informa a Peritagem Externa da Ucrânia (PEU), organismo que estuda os mercados, interno e externos, da produção industrial ucraniana.

É de notar que o mercado mundial de vestuário cresce à um ritmo de cerca de 4% anuais, embora o peso absoluto da produção ucraniana decresceu nos últimos 5 anos de 0,16% para 0,10%. Ao mesmo tempo, quase 90% das exportações ucranianas de vestuário eram feitas em regime de toll manufacturing, 88% (583 milhões de dólares) em 2013 e 89% (566 milhões) em 2014.

Pelas estatísticas da PEU, a estrutura mercantil das exportações ucranianas é dominada pela roupa exterior, isso é, diversos agasalhos (285,6 milhões de dólares ou 64,2%) e roupa interior (77,4 milhões de dólares ou 17,4%). Em 2015 os principais compradores de vestuário ucraniano eram os países da União Europeia (525 milhões de USD ou 90,5%) e Rússia (33 milhões ou 5,6%), notando-se, nas exportações totais, uma clara tendência da redução maior do segmento russo e do crescimento do segmento da UE.

Os principais importadores europeus do vestuário ucraniano são Alemanha (161 milhões de dólares), Hungria (32 milhões), Itália (31 milhões), Polónia (30 milhões), que no total, em 2015, foram responsáveis por 57% das exportações da Ucrânia do setor.

Os mais promissores para os fabricantes ucranianos de vestuário são os países europeus não apenas com grandes volumes de importações, mas também com o crescimento significativo na demanda de importação. Em particular, estes mercados promissores são Luxemburgo (+ 20,0% anuais), Polónia (+ 15,4%), Letónia (+ 12,9%), Eslováquia (+ 12,5%), Lituânia (12,4%), Espanha (+ 9,2%), Bulgária (+ 9,0%) e Países Baixos (+ 8,1%), escreve a publicação ucraniana Pravda Económica.

quarta-feira, junho 15, 2016

Euro 2016: identificados os agressores que atacaram os fãs da Ucrânia

A polícia alemã identificou os hooligans alemães que atacaram os fãs ucranianos em festa na cidade francesa de Lille, nas vésperas do jogo Alemanha – Ucrânia. Os atacantes são a claque (torcida) organizada do clube alemão “Dynamo Dresden”, conhecida pela sua agressividade e xenofobia.
A polícia alemã identificou alguns hooligans que atacaram os fãs ucranianos em 12 de junho na cidade de Lille, escreve a publicação alemã Bild. Nas palavras da porta-voz da polícia, Jana Ulbricht (39), todos os agressores são adeptos do clube de futebol alemão “Dynamo” da cidade de Dresden (ex-RDA). Os hooligans foram reconhecidos pelas fotos que eles mesmos tiraram na estação dos caminhos-de-ferro de Lille. Nota-se, que após o ataque absolutamente injustificado contra os fãs ucranianos, a polícia alemã impediu a viagem até a França de 18 outros hooligans daquele clube alemão. Os ultras do “Dynamo Dresden” são conhecidos pela sua agressividade fora dos estádios, eles regularmente atacam as torcidas dos outros clubes e os imigrantes, entram em confrontos com a polícia.
No dia 12 de junho, nas vésperas do jogo das seleções da Alemanha e da Ucrânia, um grupo bem organizado e motivado dos hooligans alemães atacou os fãs ucranianos que estavam descansando no centro de Lille, junto à zona dos fãs. Em resultado das agressões, foram ligeiramente feridos dois ucranianos que, no entanto, não quiseram ser hospitalizados, informa a agência UNIAN.
Na imagem em cima: um "fã" russo agride adepto britânico em França no fim do jogo Inglaterra-Rússa.
Imagem em baixo: a separatista pró-russa agride uma ativista ucraniana em Donetsk
Os ucranianos que presenciaram o incidente contam que os hooligans, parcialmente encapuçados, gritavam aos ucranianos “Putin! Putin! Putin!”. Existem as informações que alguns deles são alemães étnicos de origem russa que emigraram para Alemanha na década de 1990, após a derrocada da União Soviética.

Expulsão eventual da Rússia do Euro 2016  

Como é sabido, na sequência dos distúrbios de larga escala, protagonizados pelos adeptos russos na cidade francesa de Marselha, a UEFA, por intermédio do seu Comité de Controlo, Ética e Disciplina aplicou à federação russa de futebol a multa no valor de 150 mil euros. Além disso, a UEFA puniu a federação russa de futebol com a pena de desqualificação do Europeu de futebol, embora suspendeu a sanção até o fim do Euro 2016, escreve o jornal português Publico.
As crianças russas em equipamento da sua seleção. A primeira criança à esquerda veste uma t-shirt com a frase:
"VSEM PIZDETS. T-14 ARMATTA" ("CON@ À TODOS", T-14 ARMATTA). 
Imediatamente surgiram vozes que reclamavam da dureza da pena. No entanto, as imagens provam que entre 30.000 fãs russos que vieram à França por bem, vieram também os grupos bem organizados com claro intuito de humilhar, provocar e agredir os fãs ocidentais.

Caso № 1: o chefe da torcida organizada russa em França (o movimento público “União russa de fãs”, apoiado pelo Kremlin), ex-membro da federação russa de futebol e ex-chefe da claque do Dínamo de Moscovo, Aleksandr Shprygin “Kamancha” (último a direita) que na recente entrevista se declarou, vocês vão se rir, 100% antifascista:
... e junto ao seu atual patrão, também conhecido pelo antifascismo extremo
Caso № 2: um grupo dos hooligans russos, de forma absolutamente gratuita e revoltante dão pontapés numa mulher com a bandeira britânica, rindo-se, insultando a e “pedindo desculpas” em forma de humilhação e gozo. A mulher não reagiu às provocações e apenas tentou se afastar dos canalhas.
A mulher com bandeira britânica é agredida e humilhada pelos russos
(faça um clik para ver o vídeo)
Caso № 3: durante a sua detenção um “fã” russo se livra da tala dental que os hooligans levam consigo quando sabem que irão provocar os distúrbios. É impossível argumentar que o hooligan russo levou a tala puramente para a sua “proteção” e que ele e os seus amigos foram provocados. A tala é uma peça muito específica, ninguém anda com as talas nos bolsos apenas “pela precaução”. Quem as usa, sabe perfeitamente que irá precisa-las...   

terça-feira, junho 14, 2016

Ucrânia consegue a libertação dos seus POW

Ucrânia conseguiu negociar a libertação de mais dois prisioneiros políticos (POW – prisioneiros da guerra), que estavam presos nas cadeias russas à troco da entrega à federação russa de dois cidadãos ucranianos (!), presos pela participação nas atividades separatistas no sul do país.

No dia 14 de junho voltaram à Ucrânia dois cidadãos ucranianos, Gennadiy Afanasyev (25) e Yuriy Soloshenko (74), que foram julgados na federação russa e condenados às penas de prisão de 7 e 6 anos respetivamente. Ambos foram levados às colonias penais na parte asiática daquele país, muito longe da sua Ucrânia natal. Em troca, Ucrânia entregou à federação russa dois cidadãos ucranianos (!), Yelena Hlushynska(ya) e Vitaliy Didenko, ambos extremamente ativos no movimento separatista na região ucraniana de Odessa em 2014-15.

A sua libertação foi comentada pelo presidente Petró Poroshenko na sua página do Facebook:
Finalmente!
Gennadiy Afanasyev e Yuriy Soloshenko já estão à bordo do avião ucraniano à voarem de Moscovo para Ucrânia.
Quanto tempo nós lutamos por este momento!
Abraço fraterno entre os dois ucranianos libertos
Como explicava recentemente o chefe da secreta ucraniana SBU, Vasiliy Hrytsak, os separatistas visados pretendiam proclamar no sul da região de Odessa uma unidade terretorial separatista, chamada de “Bessarábia independente”; no intuito de, com ajuda dos serviços secretos e unidades paramilitares russas destabilizar a situação no sul da Ucrânia, em Moldova e na Roménia. Em resultado das ações do SBU, a rede separatista foi parcialmente aniquilada, uma parte dos cabecilhas separatistas foi presa, entre eles a diretora de uma TV privada Yelena Hlushynska(ya) e o editor-chefe de uma página on-line, Vitaliy Didenko. Durante a sua detenção, Didenko saltou do 2º andar do apartamento onde morava (onde SBU achou a cocaína), o que resultou em algumas fraturas.
Finalmente livres e na Ucrânia!
A atual troca dos prisioneiros entre dois países não pode ser considerada nem de recíproca, nem como o gesto de boa vontade, pois todos os figurantes são cidadãos da Ucrânia. A entrega dos separatistas ao pedido da Rússia, apenas significa que a federação russa confirma que estes, realmente, são os seus agentes de influência. Note-se que um outro separatista da dita “Bessarábia popular”, Artem Buzila, queixou-se na prisão dos certos protetores de alto escalão (à quem chamou de “mestres do fantoches cruéis e sem coração”) que lhe prometeram “ajuda e proteção em quaisquer situações e imediatamente negaram à ligação ao projeto, logo que os ativistas ficaram atrás das grades”. Não está excluída a hipótese do que a troca atual dos prisioneiros decorreu no âmbito da assistência prometida destes mesmos mestres e curadores.
Os dois separatistas já no solo russo, sendo Sra. Hlushynska com bebé nascido durante a sua detenção
Apesar de a Rússia escolher como moeda de troca dois cidadãos ucranianos, na Ucrânia se encontram presos dois cidadãos russos, Yevgeni Mefedov e Maksim Sakauova, ambos detidos pela sua participação nas ações de terrorismo urbano do movimento “anti-Maydan” em Odessa. No caso do segundo figurante, em dois anos da sua permanência na Cadeia de Detenção Operativa (SIZO), ele nunca foi visitado pelo Cônsul da federação russa. O que não invalida a possibilidade que estes dois terroristas poderão ser trocados por outros presos políticos e prisioneiros da guerra ucranianos que continuam ser presos nas cadeias e colónias penais da Rússia, escreve a página ucraniana Dumskaya.net.

Recordar a tragédia do Il-76MD
"Em memória eterna aos anjos da Ucrânia"
No dia 14 de junho de 2014, cerca de 1h00, no aeroporto de Luhansk, foi abatido, pelo fogo terrorista (foi usado um míssil antiaéreo “Igla” e fogo das metralhadoras pesadas), o Il-76 da Força Aérea da Ucrânia que transportava 40 pára-quedistas e 9 membros da tripulação. Todos eles morreram. Todos os páras pertenciam à 25ª Brigada especial aerotransportada de Dnipro, os tripulantes eram da cidade de Zaporizhia.

A última fotografia, 13 de junho, 2014, antes de voarem à eternidade...
De pé, de esquerda à direita:
Artem Sanzharovec (1º soldado, natural da região de Dnipropetrovsk);  Artem Skalozub (1º soldado, artilheiro sénior, natural da região de Dnipropetrovsk); Kostiantyn Avdeev (1º soldado, artilheiro sénior, natural da região de Dnipropetrovsk); Serhiy Lisnoy (motorista, soldado, natural da região de Dnipropetrovsk); Yevhen Reznikov (comandante do canhão, sargento, natural da região de Dnipropetrovsk); Militar desconhecido (sentado).
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Reino dos Céus e a memória eterna à todos os militares caídos!
Glória à Ucrânia!

Ucraniano é campeão do mundo de boxe em duas categorias na versão WBO

O pugilista ucraniano, Vasyl Lomachenko (6-1, 4 KO), se tornou o campeão do mundo em duas categorias, até 59 e 57,2 kg, na versão do WBO, após a sua vitória, no último dia 12 de junho, por knock-out contra o campeão porto-riquenho, Roman Martinez (29-3-3, 17 KO).
Lomachenko dominava por completo em todos os quatro primeiros assaltos, no quinto assalto ele colocou o seu oponente no knock-out profundo, aplicando a combinação “uppercut de esquerda – gancho de direita”, escreve Boxingnews.com.ua

Desta maneira, Vasyl Lomachenko estabeleceu um novo recorde histórico no boxe profissional, tornando-se o campeão mundial em duas categorias em apenas 7 combates. O recorde anterior pertencia ao japonês Naoya Inoue que conseguiu tornar-se o campeão mundial em duas categorias em oito combates.
Pela sua vitória Lomachenko irá receber 850 mil dólares, informa Champion.com.ua.
https://www.youtube.com/watch?v=y1uArwbAEb8