Alguns receberam promessas de dinheiro fácil, outros foram pressionados a assinar um «bom» contrato, e outros simplesmente não compreenderam completamente aquilo em que se meteram até ser tarde demais. Não se trata de casos isolados, mas sim de um esquema russo em que cidadãos dos países podres são utilizadas como meros recursos descartáveis.
A rússia recrutou, no mínimo, 27.945 cidadãos estrangeiros para combater na guerra contra Ucrânia. São dados do projeto ucraniano «Quero Viver». Por detrás deste número, estão as histórias reais de pessoas atraídas para a rússia com promessas de formação, trabalho e altos rendimentos legais, e depois — frequentemente através de engano, pressão e tortura — foram enviadas para a frente de batalha.
Sahil Majoti é natural da cidade de Morbi, no oeste da Índia. Era um bom estudante e após se formar no ensino secundário, decidiu frequentar o ensino superior — e a sua escolha recaiu sobre a rússia. Em janeiro de 2024, Sahil partiu ao São Petersburgo para estudar engenharia no ITMO (Instituto de Mecânica de Precisão e Ótica, que forma especialistas em TI).
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| Sahil Majoti como homem livre e como POW na Ucrânia |
Ao chegar à rússia, o jovem procurou um trabalho em part-time que pudesse conciliar com os estudos. Rapidamente encontrou, na rede social Telegram, um «bom» trabalho de estafeta, fazendo entregas de encomendas comuns — comida e documentos. No terceito dia recebeu o ordem para levar a encomenda de droga, foi apanhado pela polícia e condenado aos sete anos de prisão por tráfico de droga, ao abrigo da 2ª parte do Art. 228º do CP russo «Aquisição, armazenamento, transporte, fabrico ou processamento ilegais de estupefacientes, substâncias psicotrópicas e seus análogos, bem como a aquisição e o armazenamento ilegais de plantas que contenham substâncias estupefacientes».
“[Os agentes de segurança] disseram-lhe [rindo-se à brava] que, se aceitasse a cidadania russa, receberia um apartamento na rússia, um emprego no governo, a oportunidade de casar com uma russa e de ficar na rússia. Chegaram mesmo a prometer reduzir a sua pena”, relata a sua mãe Khasina. O filho sofria pressões na prisão: “Foi torturado, ameaçado e obrigado a assinar documentos, depois do que acabou no exército russo”.
“Quando assinei os documentos, perguntaram-me o que queria fazer. Escolhi drones e trabalhar como mecânico, uma vez que estava a estudar para ser engenheiro”, conta Sahil. Naturalmente, na unidade de treino, disseram-lhe que a realidade seria diferente: será enviado à linha da frente. Segundo o próprio, em setembro de 2025, foi enviado para um campo de treino, onde aprendeu a manusear uma espingarda/rifle de assalto e a lançar granadas. O treino durou 16 dias. A 30 de setembro, foi enviado para Ucrânia.
Num belo dia, Sahil decidiu fugir e, depois de percorrer cerca de dois quilómetros, chegou a um ponto defensivo ucraniano. «Larguei imediatamente a espingarda e disse: 'Não quero lutar, preciso de ajuda'», recorda o homem. Contou que só tinha estado na linha da frente durante três dias e que não tinha matado ninguém.
Hoje, Sahil pede às autoridades indianas que não o extraditem para a rússia e que o ajudem a regressar à sua terra natal. A sua advogada Deepa Joseph, conseguiu encontrar Sahil pessoalmente quase dois anos depois — em janeiro de 2026, num campo de prisioneiros de guerra na Ucrânia.
«Sahil estava em condição estável e a receber cuidados médicos básicos. O seu único pedido era regressar à Índia e reencontrar-se com a mãe», explica Dra. Joseph.
Hoje, o caso de Sahil está sendo analisado em simultâneo em várias instâncias — nos tribunais e através dos canais diplomáticos. Deepa Joseph, juntamente com os seus colegas, apresentou uma petição no Tribunal Superior de Deli exigindo o regresso seguro de Sahil da Ucrânia para a Índia: «Baseia-se no facto de ele ser cidadão indiano e o Estado ter a obrigação de o proteger e facilitar o seu regresso».
Foi também enviada uma petição separada ao Gabinete do Presidente da Ucrânia, pedindo que seja considerada a possibilidade de repatriamento direto. Os organismos indianos — o Ministério dos Negócios Estrangeiros e a Embaixada em Kyiv — também estão envolvidos no processo. No entanto, a decisão final depende de acordos diplomáticos — principalmente entre a Ucrânia e a Índia.
Ali Salman, iraquiano, 32 anos
Só em 2025, centenas de pessoas de países árabes, de África e do Médio Oriente juntaram-se ao exército russo — um total de 1.442, segundo os dados ucranianos.
Um deles é Ali Salman, um cidadão iraquiano de 32 anos. Durante mais de seis meses, a sua família não tem notícias dele. Como conta Hussein, irmão de Ali, este foi estudar para a rússia, mas acabou por lutar na guerra contra Ucrânia.
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| Ali Salman, como homem livre e escravizado nas fileiras do exército russo |
«No verão de 2025, Ali encontrou um anúncio num canal de Telegram sobre cursos na rússia. Foi contactado por um intermediário, um sírio chamado Bahjat, que lhe prometeu a oportunidade de estudar e trabalhar como tradutor por 2.500 dólares. Ali falava inglês fluentemente e parecia uma hipótese real de começar uma nova vida», explica o irmão de Ali Salman.
Em setembro de 2025, Ali voou para Moscovo. Era a sua primeira vez na rússia. Bakhjat encontrou-o no aeroporto — a família tem um vídeo desse encontro. Depois, Ali foi enviado para uma semana de treino e, depois disso, para a frente de batalha, para uma unidade militar de assalto Nr. 54682 na região de Kursk. Ali fez o seu último contacto no final de novembro de 2025. Nessa altura, segundo a sua família, estava na região de Kupyansk, na Ucrânia temporariamente ocupada, uma das zonas mais afetadas pelos combates. Depois disso nunca mais houve quaisquer notícias do Ali.
Para saber exactamente como são recrutados estrangeiros para a guerra na Rússia, através de promessas falsas e artimanhas crueis, e o que lhes acontece na linha da frente, leia o artigo completo do «Vot Tak».
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