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| [M] DER SPIEGEL; Fotos: Galina Savina / depositphotos / IMAGO; DER SPIEGEL; FBI (2); Hans Christian Plambeck / laif |
Uma investigação conjunta dos The Insider, The Guardian, Le Monde, Der Spiegel, Frontstory e VSquare revelou que o centro de treino militar da Universidade Técnica Estatal «Bauman» de Moscovo (BMSTU) possui um departamento secreto que forma hackers e sabotadores para a secreta militar russa GRU. Os jornalistas analisaram mais de dois mil documentos internos do departamento, incluindo currículos, contratos, cartazes de propaganda e listas de alunos, graduados e professores. Na sua investigação, as publicações detalham como os estudantes promissores são preparados para carreiras na GRU — secreta militar russa responsável por hackear as páginas oficiais de governos ocidentais, envenenar figuras da oposição russa e interferir em eleições na Europa e nos Estados Unidos. A publicação russa Meduza resume as principais descobertas da investigação.
O Departamento nº 4 do Centro de Formação Militar de Universidade Bauman forma os alunos sob a supervisão de oficiais do GRU. Este departamento não é mencionado na página/no site da universidade na secção que descreve a estrutura do centro de formação — aí, o Departamento nº 5 segue o Departamento nº 3.
Um dos cursos do Departamento nº 4 chama-se «Neutralização da Inteligência Técnica» e abrange toda a gama de ferramentas modernas de hackers. Durante as aulas práticas, os alunos realizam «testes de intrusão» utilizando um vírus informático e, para a avaliação final, devem desenvolver o seu próprio vírus.
O departamento também ensina «propaganda, agitação, manipulação e persuasão» (assim se chama uma das palestras), e os alunos são encarregados de criar um «vídeo social sobre qualquer tópico de interesse» usando «manipulação», «pressão» e «propaganda oculta». Os alunos aprendem também os princípios de funcionamento da CIA, do FBI e da Agência de Segurança Nacional (NSA) dos EUA, e os seus trabalhos de fim de curso centram-se nas redes de computadores seguros do Pentágono. Outra secção do currículo é dedicada às tecnologias militares: os alunos estudam a experiência de combate das unidades das forças de operações especiais russas, bem como o design de vários tipos de drones ocidentais — americanos, britânicos e alemães.
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| O esquema que enumera os assim chamados «canais técnicos de fuga de informação» |
O vice-chefe do departamento é o tenente-coronel Kirill Stupakov, que leciona um curso especial sobre tecnologias de espionagem, incluindo técnicas de escuta telefónica e vigilância. Diz aos estudantes que a a invasão russa da Ucrânia (a «operação militar especial», a SVO, no jargão patrioteiro russo), era «inevitável» porque Ucrânia era alegadamente governada por supostos «nacionalistas e neonazis», mas na correspondência privada, Stupakov refere-se a Dmitry Medvedev como «Dimon» (Dimão), Putin como «velharia» e o chefe do Estado-Maior General Valery Gerasimov como um «alcoólico todo fodido».
Todos os anos, 10 a 15 alunos do departamento são admitidos nas unidades do GRU. Alguns graduados servem na unidade militar Nrº 74455, interligada ao grupo de hackers Sandworm, que orquestrou vários grandes ataques cibernéticos nos últimos anos. Os graduados são também enviados para o Fancy Bear, um outro grupo de hackers russos igualmente notório, implicado em inúmeros grandes ciberataques.
Em abril de 2025, vladimir putin visitou Universidade Bauman, reunindo-se com estudantes e percorrendo o novo edifício e a exposição de desenvolvimento da universidade, onde lhe foi apresentado um novo drone. O presidente russo não fez qualquer menção ao 4º Departamento durante esta visita.


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