sábado, maio 19, 2018

As melhores anedotas sobre a União Soviética

Na URSS sempre foram populares as anedotas que gozavam com a vida soviética. As histórias falavam da escassez de bens e alimentos, da falta de serviços de qualidade e das questões políticas. Durante muito tempo uma anedota política narrada às pessoas erradas e no lugar errado podia significar cadeia e GULAG, durante a Perestroika as anedotas foram livremente publicadas na imprensa estatal.

Uma das melhores piadas sobre a vida na URSS é, sem dúvida, a piada contada pelo presidente americano Ronald Reagan – que era uma pessoa alegre, amava e colecionava piadas, inclusive sobre a União Soviética. Essa piada foi contada por presidente Reagan durante uma das suas intervenções na Virgínia em 1988, eis a sua versão completa:
“As pessoas na União Soviética — eu já contei, que eles têm um grande senso de humor, mas além disso — eles são bastante críticos ao sistema existente. Eu já contei essa, Bill, você terá que ouvi-la novamente — eu tinha a contado no carro. Não contei ao Gorbachev.
Convite de compra da viatura Lada 2106, no valor de 7.930 rublos (13,440.60 dólares),
União Soviética, Rússia Soviética, 1977
Sabem, na União Soviética existe uma fila [para comprar] carro, 10 anos. Apenas uma família em cada 7 possui a viatura na URSS. Tem que esperar 10 anos — este é um procedimento inteiro, você está se preparando para comprar um carro, e você precisa depositar o dinheiro antecipadamente. E um camarada... Essas piadas que contam uns aos outros — esse cara bancou o dinheiro, e aquele que estava tratar as questões lhe disse – excelente, vêm em 10 anos para buscar o seu carro. E o primeiro perguntou: “De manhã ou à tarde?” (risos do público). E a pessoa atrás do balcão pergunta — “mas que diferença faz, é daqui à 10 anos!” — “Bem, apenas de manhã deve aparecer o canalizador”.

Efetivamente, é uma anedota brutalmente boa ;-)

Uma anedota soviética intelectual

Inverno. A União Soviética. Década de 1930. Fome. Frio –30ºC. Um menino pobre e mal vestido corre, agarrando um molho de galhos para o fogareiro, perseguido por um varredor/zelador de gorro de pele e uma jaqueta acolchoada.

O menino corre e reflete: “Não, bem, isso é absolutamente impossível. Eu venho de uma boa família, eu quero aprender, me desenvolver. Quero, realmente, ser como o meu escritor favorito Ernest Hemingway – ser valente, forte... Pescar nas praias de Cuba. E não fugir dos varredores/zeladores desta cidade”.

Cuba. Calor. Ernest Hemingway, realmente valente e forte, fica na praia e bebe o rum de gargalo da garrafa, cercado pelas cubanas calientes. Hemingway pensa: “Não, isso não é a vida. Não há nenhum heroísmo aqui. As pessoas não precisam de nada, 24 horas por dia é o calor, o cérebro se derrete, as mulheres são gordas. Se eu pudesse, estaria agora em Paris fresquinho, com o meu amigo André Maurois – teríamos bebido um bom vinho francês, acendíamos a lareira e conversaríamos a noite dentro sobre as coisas eternas”.

Paris. É fresco, está chovendo há uma semana. André Maurois está no seu sótão, bebe a terceira garrafa de conhaque, duas cortesãs dormem na sua cama. Maurois se amaldiçoa e diz: “Não, isso definitivamente não é a vida. É uma decadência qualquer. Simulacro. Quem me daria estar agora em Voronezh frio, eu iria encontrar o meu amigo, o grande escritor Andrei Platonov, tomaríamos um quadruplo de verdadeira vodca russa, e imediatamente estaríamos mais perto da eternidade ... Essa é que a vida”.

Voronezh. Inverno. Frio. Fome. Andrei Platonov, de gorro e jaqueta acolchoada, corre atrás de um menino num dos pátios de Voronezh e pensa: “F0da-se! Se eu apanhar o fedelho, eu o mato, com c@ralho!!!!”.

E você, o nosso querido leitor, que tipo de anedotas conhece sobre a URSS? Qual delas é a melhor?

1 comentário:

Davi Figueiredo disse...

O povo russo era realmente engraçado, e, por meio de anedotas, elucidava, como disse Geoffrey Hosking, as verdades fundamentais da vida soviética. Havia um gênero de piadas, na URSS, intitulado "Questões à Rádio Yerevan", uma rádio fictícia chamada Armênia - com efeito, tratava-se não de uma estação de rádio real, mas de uma criação imaginária -, à qual, supostamente, enviavam-se perguntas, da qual vinham respostas, saturadas sempre de um humor e ironia característicos e, em geral, surpreendentes a povo tão sofrido, enormemente rico. Lá vão exemplos: "Esta é a Rádio Armênia. Nossos ouvintes nos perguntaram: 'Por que nosso governo não está com pressa para levar o homem à Lua?' Nós respondemos: 'E se eles se recusarem a voltar?' Nossos ouvintes perguntaram: 'O que é negócio russo?' Nós respondemos: 'Roubar uma caixa de vodca, vendê-la e depois torrar o dinheiro com bebida.'Nossos ouvintes perguntaram: 'O que é o capitalismo?' Nós respondemos: 'A exploração do homem pelo homem.' Perguntaram: 'E o comunismo?' Respondemos: 'O inverso.'" E este exemplo é emblemático, profundamente revelador da mentalidade revolucionária, não da Rádio Armênia - isto é, do povo russo que fazia essas piadas -, bem entendido, cuja resposta é satírica até o extremo: "Nossos ouvintes perguntaram: 'É possível prever o futuro?' Nós respondemos: 'Sim, isso não é problema: sabemos exatamente como vai ser o futuro. Nosso problema é o passado: este está sempre mudando.'"