segunda-feira, fevereiro 20, 2017

Militares russos liquidados em Síria: 4 mortos e 2 feridos

Em Síria, em resultado da explosão de um AEI, morreram 4 militares russos, dois outros foram gravemente feridos. Ao menos um dos militares mortos, no passado recente era o terrorista russo na Donbas, mostra a investigação OSINT ucraniana.  

A explosão ocorreu no dia 16 de fevereiro, a viatura com os militares russos estava inserida na coluna militar síria e se dirigia do aeroporto militar de Tiyas (a famosa base russa T4) em direção à cidade de Homs. Após percorrer cerca de 4 km, a viatura explodiu, atingida pelo AEI, possivelmente acionado por controlo remoto. Dado que não é nada fácil atingir a viatura certa numa coluna militar em andamento, é possível que a viatura, usada pelos militares russos, foi armadilhada ainda na base T4.
A publicação russa E1 informa que no mesmo dia, 16 de fevereiro na Síria também morreu o 1º tenente de artilharia Vadim Magamurov (1985), o chefe da unidade dos batedores. Na versão russa e citando o seu amigo, Elnar Sadirov, o 1º tenente Magamurov foi liquidado pelo fogo de metralhadora pesada dos militantes sírios. Sadirov também deixou escapar que conheceu o artilheiro russo em Donetsk, em 2014, ou seja, mais que provável que ambos eram terroristas russos, inseridos nos bandos armados, lutando contra Ucrânia e contra as suas forças armadas no leste da Ucrânia.
Até 16 de fevereiro, as oficiais perdas russas na Síria eram de 25 militares e duas enfermeiras, afetas ao Ministério da Defesa, informa a TV russa TV rain.

A publicação russa Nash Gorod revelou o nome de um outro militar russo morto na Síria, o major Pavel Kozachenko de 31 anos, fuzileiro naval, sepultado em 19 de fevereiro na cidade russa de Penza. A publicação estabelece claramente que major Kozachenko foi vítima de uma explosão AEI.

Bónus
A para abrilhantar o dia, chegou a notícia de que Vitaly Churkin aceitou #ExplosionChallenge do Motorola, Anashenko e Givi, batendo a bota em Nova Iorque, nas vésperas do seu aniversário. Não sentimos nenhuma pena, as suas mentiras mataram tantos ucranianos, como as armas dos mercenários terroristas. Ficou apenas uma única incógnita. Who is next?

domingo, fevereiro 19, 2017

A esquerda portuguesa e a sua ingerência nos assuntos internos da Ucrânia

A Assembleia da República Portuguesa condenou a ilegalização do Partido Comunista da Ucrânia: o voto apresentado pela bancada do PCP e aprovado pelas bancadas do PS, PCP, BE e PEV, com votos contra de PSD e CDS. A Diáspora ucraniana de Portugal considera que o voto da esquerda, na verdade, tenta justificar a guerra de agressão e de ocupação russa, apoiando e favorecendo o agressor, e não o país que está resistir à essa mesma agressão militar ilegal – Ucrânia.

Exmo. Senhor Presidente da República Portuguesa,
Exmo. Senhor Presidente da Assembleia da República Portuguesa,
Estimados Senhores Deputados da Assembleia da República Portuguesa.

Na passada sexta-feira, dia 17 de fevereiro de 2017, a Assembleia da República Portuguesa condenou a ilegalização do Partido Comunista da Ucrânia (ocorrida em 2015). O voto contra a ilegalização dos comunistas foi apresentado pela bancada do PCP e aprovado pelas bancadas do PS, PCP, BE e PEV e teve o voto contra de PSD e CDS.

No texto aprovado, lê-se que a lei de 2015 da Ucrânia que ditou a ilegalização dos comunistas “é antidemocrática e contraria às normas e convenções do direito internacional”.

Excelências, os ucranianos residentes em Portugal, naturalizados e imigrantes, os cidadãos cumpridores da lei e co-responsáveis pelo desenvolvimento e pelo bem-estar deste país acolhedor, não precisam de recordar a necessidade absoluta desta AR de se abster na ingerência, aguda e mal informada, nos assuntos internos de um país independente e soberano, que nos últimos três anos se tornou a vítima da ocupação e de anexação estrangeira, tendo as partes do seu território nacional ocupadas ilegalmente pelas forças “híbridas” (regulares e irregulares), criadas, financiadas e armadas pela federação russa.

Recordaremos no entanto que o artigo 37º da Constituição da Ucrânia estipula a proibição de “formação e actividades dos partidos políticos e das organizações públicas, cujas metas estatuais ou cujas ações visam eliminar a Independência da Ucrânia, a ordem constitucional, violar a soberania e integridade territoriais, comprometer a segurança...”

O mesmo é secundado pela Lei da Ucrânia “Sobre os partidos políticos da Ucrânia” que prevê, no seu artigo 5º, a “proibição da formação e das actividades dos partidos políticos, caso os seus objetivos ou ações programáticas são destinadas à eliminação da Independência da Ucrânia”.

É do conhecimento geral que desde 16 de março de 2014 a parte integrante da Ucrânia – península da Crimeia é ilegalmente ocupada e anexada pela federação russa (através de um “referendo”, considerado ilegal pela Resolução № 68/262 da Assembleia Geral das Nações Unidas). Desde abril de 2014, a própria Ucrânia continental é alvo do ataque militar “híbrido”, perpetuado pelas forças paramilitares russas, com apoio dos separatistas locais, uma parte dos quais pertencia às estruturas e às lideranças locais do Partido Comunista da Ucrânia.

No dia 14 de junho de 2014, o Serviço de Segurança da Ucrânia (SBU) entregou ao Ministério da Justiça da Ucrânia o dossier das evidências de atividades ilegais do Partido Comunista da Ucrânia e dos seus representantes. A base de evidências destas actividades ilegais consistia em cerca de 120 páginas, além de provas de vídeo e áudio. Em particular, a evidências demonstravam o envolvimento direto e ativo de representantes do Partido Comunista da Ucrânia nas ações que levaram à ocupação da Crimeia pela Rússia, nas ações de fornecimento de armas e financiamento de terroristas nas regiões do leste da Ucrânia, na organização dos referendos ilegais e separatistas nas regiões de Luhansk e Donetsk. Além das provas documentais da participação direta das estruturas do Partido Comunista da Ucrânia em açõs armadas contra as Forças Armadas da Ucrânia, no decorrer da Operação Antiterrorista (OAT).

Além disso, em 23 de julho de 2015, o Ministério da Justiça da Ucrânia aprovou um parecer jurídico sobre o não cumprimento pelo Partido Comunista da Ucrânia da Lei “Sobre condenação dos regimes totalitários comunista e nacional-socialista (nazi) na Ucrânia e a proibição de propaganda de seus símbolos” (a vítima dos dois maiores totalitarismos da século XX, do comunismo e do nazismo, Ucrânia apoia plenamente a Declaração de Praga sobre Consciência Europeia e Comunismo, que por sua vez possui o apoio do Parlamento Europeu, particularmente na sua Resolução sobre a Consciência Europeia e o Totalitarismo, e pela Organização para a Segurança e Cooperação na Europa).

Finalmente, em 16 de dezembro de 2015, o Tribunal Administrativo do Distrito de Kyiv (Kiev) concluiu o julgamento do pedido do Ministério da Justiça da Ucrânia de proibição do Partido Comunista da Ucrânia. O processo decorria na presença do Responsável dos Direitos Humanos do Parlamento da Ucrânia. O tribunal satisfez o pedido do Ministério da Justiça na íntegra, proibindo as atividades do Partido Comunista da Ucrânia (PCU e todos os outros grupos e organizações comunistas deixaram de fazer a parte no processo eleitoral desde 24 de julho de 2015).

Exmo. Senhor Presidente da Assembleia da República,
Estimados Senhores Deputados,
Excelências,

Cada país europeu possui a sua própria história, passou por suas próprias vivências coloniais e lida, de forma diferente, com o seu passado colonial e a presente pós-colonial. Ucrânia é uma jovem democracia que por cerca de 350 anos foi dominada por uma potência colonial estrangeira – o Império russo. Após um curto período de vigência da 1ª República de inspiração socialista (1917-1920), o país foi novamente ocupado pela Rússia bolchevique, a futura URSS.

Tento em conta a complexidade do passado histórico e do presente da Ucrânia, a comunidade ucraniana de Portugal e da Diáspora, exorta a Assembleia da República Portuguesa, de se abster, desde já e para o futuro, de quaisquer declarações e/ou condenações unilaterais, que sem acrescentar nada nas relações fraternas entre Portugal e Ucrânia, apenas podem prejudicar o desenvolvimento harmonioso destas mesmas relações.
  
Por fim, em nome da comunidade ucraniana de Portugal e da Diáspora, condenamos e repudiamos veemente a decisão da Assembleia da República Portuguesa, tomada no preciso momento em que Ucrânia precisa de todo o apoio internacional para parar a agressão militar russa. Consideramos que o voto irrefletido do PS, PCP, BE e PEV, na verdade, tenta justificar a guerra de agressão e de ocupação russa, de facto, apoiando e favorecendo o agressor, e não o país que está resistir à essa mesma agressão militar ilegal – Ucrânia.

Com muita estima, cordialmente,

Associação dos ucranianos em Portugal, Presidente – Pavlo Sadokha,
Presidente da subdelegação de Lisboa – Olga Petriv Ferreira,
Presidente da subdelegação de Águeda – Nadiya Umanska,
Presidente da subdelegação de Leiria – Yulia Grygoryeva,
Subdelegação de Santiago do Cacém – Vasyl Senkiv,
Presidente da subdelegação das Caldas de Rainha – Mariya Ryakova,
Presidente da subdelegação de Abrantes – Yulia Balyuk,
Presidente da subdelegação de Lagos – Roman Prystay,
Presidente da subdelegação de Braga – Valentyna Bykova,
Presidente da subdelegação do Funchal – Maria Cherkas,
Presidente da subdelegação de Viseu – Andriy Dyakun,
Presidente da subdelegação de Santarém – Tetyana Tarnavska,
Presidente da  subdelegação de Vila Nova de Gaia – Alyona Smertina,
Presidente da  subdelegação da Marinha Grande – Nadia Shkuro.

Associação UPE—Centro Social e Cultural Luso-Ucraniano, Vasyl Bundzyak,
Associação “Fonte de Mundo”, Presidente – Boris Kucheras,
Associação dos ucranianos do Algarve, Presidente – Igor Korbelyak,
Associação Pirâmide das palavras, Presidente – Myroslava Martynyuk,
Centro Educativo e Cultural “Milagre do Mundo” (Lisboa), Diretor – Vlada Kiyak,
Centro Educativo e Cultural «Oberig», director – Ulyana Kucheras,
Centro Educativo e Cultura “Escola Ucraniano-Portuguesa T. Shevchenko” (Faro), Directora – Natalia Dmytruk,
Comunidade dos ucranianos na cidade de Albufeira.

Declaração da Srª Embaixadora da Ucrânia em Portugal Inna Ohnivets (video):

sábado, fevereiro 18, 2017

Rússia reconhece os “passaportes” da “dnr” e “lnr”: uma oferenda à Ucrânia?

O presidente russo assinou o decreto do reconhecimento formal dos documentos emitidos pelas organizações terroristas “dnr” e “lnr”, a medida chamada de “temporária”, alegadamente até a resolução do conflito no leste da Ucrânia. O decreto oficializa a prática russa existente e poderá levar às novas sanções ocidentais contra Rússia, na medida que o reconhecimento atenta contra a soberania da Ucrânia.

Putin legitimou as práticas que, de facto, já estavam funcionar na Rússia. Os “passaportes”, certificados escolares e outros documentos emitidos pelas “dnr” e “lnr” são reconhecidos na Rússia, de facto, desde 2015. As pessoas munidas de documentos emitidos pelas “repúblicas populares” eram livres de atravessar a fronteira com a Rússia, e praticamente sem problemas compravam as passagens aéreas e ferroviárias. Apenas os bancos recusavam a concessão de empréstimos na base de tais “documentos”. Até o início de 2017 a “dnr” já emitiu 40.000 “passaportes” e “lnr” dezenas de milhares.

Agora, os “passaportes” da “dnr” e “lnr” passarão ser obrigatoriamente aceites por todas as entidades russas como os documentos de identidade válidos. O governo russo irá alterar os regulamentos das agências estatais, nomeadamente do Ministério da Educação (certificados e diplomas), do Ministério do Interior (registo de residência), do FSB (a travessia da fronteira), do Ministério dos Transportes (venda de passagens) e do Banco Central (abertura de contas e empréstimos). Após a publicação das ordens correspondentes, os “passaportes” dos terroristas terão o seu estatuto final. Para impor a nova regra à sociedade, as autoridades reguladoras russas podem usar uma variedade de ferramentas – desde multas a revogação da licença.

A nova decisão do Kremlin poderá agravar as sanções ocidentais contra as empresas e os funcionários estatais russos. Eles não se podem recusar à cumprir o novo decreto, o que significa que todos os bancos, companhias aéreas e outras empresas serão obrigadas a aceitar o “passaporte” da “dnr” e “lnr”. Por sua vez, os EUA e a UE sempre indicavam que iriam introduzir medidas restritivas contra os indivíduos e empresas que ponham em causa a integridade territorial da Ucrânia. O reconhecimento oficial de “passaportes” emitidos pelos terroristas tem todas as possibilidades de sere classificado como tal.

As sanções não entrarão em vigor automaticamente e contra todos os implicados. Os organismos ocidentais primeiro vão ter que estabelecer que certas empresas russas são envolvidas na violação do regime de sanções. Por exemplo, o Tesouro dos EUA periodicamente atualiza a sua lista de empresas russas que trabalham na Crimeia, na base das novas informações disponíveis. A última atualização foi feita em dezembro de 2016, embora as sanções já funcionam por mais de dois anos.

Para já não está claro como as empresas russas irão operar após a assinatura do novo decreto. As grandes empresas russas, na sua maioria, têm medo de trabalhar na Crimeia, na península não funcionam os maiores bancos e operadoras de telefonia móvel. As companhias aéreas russas continuam à voar à Crimeia, apenas a “Dobrolet” foi completamente banido do espaço ocidental, a empresa voava apenas de e para Crimeia, escreve a página Meduza.

Reação da Ucrânia
A decisão da federação russa de reconhecimento dos passaportes das ditas “dnr” e “lnr” é mais uma evidência da ocupação russa e da violação do direito internacional. Muito simbólico e cínico que tudo isso aconteceu no decorrer da Conferência de Segurança de Munique. Essa decisão [russa], teve, nomeadamente, a nossa atenção no encontro com o vice-presidente dos EUA, Mike Pence”, escreveu no seu Facebook o presidente ucraniano Petró Poroshenko.

Reação dos terroristas
Os terroristas agradeceram a Rússia pelo reconhecimento de seus “documentos”. O chefe da “dnr”, Alexander Zakharchenko, afirmou que “se a Mãe-Pátria, de forma alta e corajosa apoia a nossa luta, então a nossa luta é justa, significa que os nossos sacrifícios não são em vão, as nossas expectativas são justificadas”. O chefe da “lnr”, Igor Plotnitsky seguiu a mesma deixa: “O dia de hoje é mais um passo ao reconhecimento internacional da soberania da nossa república. A decisão do Vladimir Putin é uma ilustração vívida de quem exatamente é o nosso povo irmão”.

Visão otimista: “um presente à Ucrânia”
A decisão de Putin de reconhecer os passaportes dos terroristas é um presente para Ucrânia. De todos os pontos de vista. Mas oficialmente ninguém irá dizer isso. Haverá condenações. Possivelmente, mesmo o agravamento das sanções. Moscovo fica enraivecido porque tudo corre não como tinha planeado. Agravamento é a única maneira deles para atrair a atenção depois de críticas do Ocidente. Esta decisão confirma que a ideia de negociar com Ocidente nas costas da Ucrânia falhou. Quem ficará mal, após esta decisão, que na prática significa a anexação de Donetsk e de Luhansk?

Apenas Moscovo – quer à curto, quer à longo prazo. A decisão deveria, supostamente, baixar a onda de decepção entre os fãs de “novaróssia”, após tantos assassinatos de seus líderes. Mas a decisão significa, para os locais, que não os querem receber como os “russos”, eles serão “repúblicas”, sem futuro e com “passaportes” seus e não os russos.

De facto, Putin simplesmente aquece a situação, para usá-la nas negociações com o Ocidente e supostamente fortalecer as suas posições. Ucrânia precisa de um muro ao longo da linha da frente. E ao longo da fronteira com a Rússia, que agora é quase o mesmo (fonte). #maissanções
Visão pessimista: o mais popular blogueiro georgiano, Cyxymu, recorda que em abril de 2008 Rússia tinha reconhecido os “passaportes” da Abecásia e da Ossétia do Sul, apenas quatro meses antes da guerra de 5 dias, em que Moscovo mais uma vez, atacou um país vizinho, sem declarar a guerra, causando a destruição e sofrimento humanos. 

Ator zoófilo russo fará o papel do líder terrorista russo na Donbas

O polémico ator russo, Aleksey Panin, conhecido, sobremaneira, pelas suas relações amorosas com um cão, fará o papel do líder dos terroristas russos na Donbas, num filme russo, baseado na obra do escritor estalinista e anti-semita Alexander Prokhanov.

O meu personagem é ambíguo: é miliciano, mas não é nada limpo e fofo. Com um passado. Pelas suas ações de hoje ele é definitivamente um herói, mas com uma biografia controversa. Para mim é uma história muito interessante, explica o ator numa entrevista ao jornal russo KP.ru

Em 2013 ator efetuou o coming-out, afirmando ser o bissexual, mais tarde causou muita polémica, afirmando num talk-show que o seu sonho é fazer felácio à um homem. Em 2014 apoiou a anexação da Crimeia pela Rússia e a ocupação russa de Donbas. Em 2015 Panin foi internado numa clínica psiquiátrica de Moscovo, após o ataque agudo de delirium tremens. Mas a “fama” maior, alcançou o ator quando em 2016 a TV russa NTV mostrou um vídeo (supostamente o trecho de um filme porno) em que uma pessoa extremamente parecida com ele entra em vias de facto com um cão...  
Blogueiro: o ator é absolutamente perfeito para representar um líder terrorista russo na Donbas, pois tudo nele é absolutamente genuíno, desde a sua face à biografia, das ambiguidades físicas e morais às tendências amorosas. Os terroristas russos, seguramente aprovarão a escolha do realizador.

Bónus
Recentemente, Panin mostrou os seus "documentos" num lugar público, será um ótimo ator para representar o "voluntário russo" típico que veio a Ucrânia em defesa do "mundo russo".   

quinta-feira, fevereiro 16, 2017

Recordando o 2º aniversário dos combates em Debaltseve

As fotos são do blindado ligeiro russo BPM-97, destruído pelas forças ucranianas na batalha de Sanzharivka (colina 307,5), pertencente às forças russo-terroristas. Na batalha de Debaltseve os ucranianos destruíram pelo menos 3 blindados deste tipo, o da foto foi queimado pelos defensores do ponto reforçado ucraniano “Seryoha”.  
Recorda o major Oleh Barkatov, comandante do pelotão de blindados da 92ª Brigada das FAU, ponto reforçado “Seryoha”:
“Em 27 de janeiro de [2015] os blindados ucranianos vieram aos pontos reforçados de “Valera”, “Seryoha” e “Lyokha”, na parte oriental do campo de batalha. No dia seguinte já entramos em combate, aniquilamos a coluna de equipamentos militares terroristas. No meu ponto reforçado eu possuía dois blindados, do Ivan Bozhko e meu, mais o blindado ligeiro BMP da 128ª Brigada. Os nossos blindados estavam bem camuflados, debaixo das redes próprias. Perto estava o blindado atingido da 17ª Brigada das FAU.
Atingimos três blindados [dos terroristas], blindado ligeiro KamAZ “Vystrel”. Apenas o exército russo tem a tal coisa. Atingimos o [rebocador] MTLB, uns três KamAZ [BMP-97], o tudo o que ficou junto à zona verde, não vi bem” (fonte).
Blogueiro; as criaturas que aparecem nas fotos pertencem aos bandos armados da dita “lnr”, os terroristas tem a tendência estranha de tirar as fotos junto aos seus próprios equipamentos militares destruídos.

Bónus

O vídeo que se segue foi filmado pelos militares ucranianos do 25º Batalhão “Kyivska Rus”, as imagens mostram os combates contra as forças russas nos arredores de Debaltseve e Ridkodub; os equipamentos militares russos destruídos; a saída dos militares ucranianos do cerco terrorista.

quarta-feira, fevereiro 15, 2017

Revelado o nome do terrorista russo que transportou «Buk» à Ucrânia

O grupo de investigação internacional Bellingcat revelou a identidade do terrorista russo que controlava o transporte da lançadora russa “Buk” da Rússia ao leste da Ucrânia. A operação, que resultou no abate do Boeing-777 do voo MH17, estava ao cargo do coronel do GRU Sergey Dubinsky, militar russo na reforma.  
Em 2014 o terrorista foi identificado pelo SBU como Petrovskyi Sergey Nikolaevich
(um dos apelidos usados pelo terrorista), membros do grupo terrorista russo, comandado pelo Igor "Girkin" Strelkov 
Como explica Bellingcat, o transporte do «Buk» estava ao cargo do oficial russo Sergey Nikolaevich Dubinsky, conhecido como «Khmuriy» (Sombrio), o chefe da “inteligência militar” da dita “dnr”.

O que se sabe sobre o terrorista?
Dubinsky com ator russo Mikhail Porechenkov (de boné) que visitou Donetsk em 30/10/2014
Sergey Nikolaevich Dubinsky nasceu em 9 de agosto de 1962, viveu em Donetsk na Ucrânia e em Rostov-no-Don na Rússia. Atualmente vive com a sua família na vila militar russa de Stepnoy na região de Rostov, onde está aquartelada a 22ª Brigada Especial de Spetsnaz, a unidade militar № 11659, a parte integrante do GRU do Estado-maior das FA russas.
Dubinsky (no meio) com ator russo Okhlobustin e a sua esposa em Donetsk em dezembro de 2014
Dubinsky serviu no 108º Regimento de Infantaria Motorizada que, em 1979-1989 participou na guerra de Afeganistão, participou na guerra de Chechénia e serviu na 22ª Brigada do spetsnaz do GRU. Em julho de 2014 possuía o patente de coronel das FA russas na reforma. Em agosto de 2014, após o abate do voo MH17, Dubinsky recebeu o patente de “major general” da dita “dnr”. Ele deixou Donetsk no início de 2015 e mais tarde foi impedido de voltar à dita “dnr”, acusado pelos próprios terroristas (Sic!) de extorsão à um dos empresários locais. 
Dubinsky (marcado à vermelho) ao lado do conhecido neo-nazi russo Alexey "Fritz" Milchakov.
Congressso dos terroristas russos em novembro de 2016, cidade russa Rostov-no-Don 
Hoje, Dubinsky vive a vida bastante luxuosa, para os padrões russos, numa vila tranquila, passando o tempo com a sua família e desfrutando de passeios num veículo recreativo bastante caro.
No veículo canadense Can-Am Commander XT que custa cerca de $15,000 (novo)

Substituto do “Givi” e “Motorola” quer tomar toda Ucrânia

Uma semana após a liquidação do terrorista “Givi”, o “mundo russo” preparou o seu substituto, escritor russo Zakhar Prilepin, comissário político de um novo bando terrorista da dita “dnr”, antes disso o “assessor” do chefe da “dnr” Zakharchenko.

Sobre o bando, formado, alegadamente, por 90% dos ex-militares “locais”, sabe-se pouco, o seu “comissário” explica que este foi formado pela sua própria iniciativa e tem como objetivo de “entrar no cavalo branco”, isso é reocupar alguma cidade ou vila ucraniana perto da linha da frente, deixada pelos terroristas russos, face aos avanços das FAU em 2015.

Perguntado sobre os objetivos finais da guerra, Prilepin é direto:
Kiev (Kyiv) é o objetivo final. Não vamos esconder. Kiev (Kyiv) é uma cidade russa. Cidade russa ucraniana. [...] Toda Ucrânia é objetivo. Não poderá haver nenhum outro.

Desejoso trazer o “mundo russo” à toda Ucrânia, o terrorista russo fica irritado quando os jornalistas o perguntam se os seus filhos vivem com ele em Donetsk.
Vocês estão no seu perfeito juízo?, – se insurge o aprendiz do terrorista.
O exemplo da propaganda anti-ucraniana à que se dedica Prilepin na Donbas,
transformando os terroristas e mercenários armados em supostos "mineiros" civis
O fuhrer da dita “dnr”, Alexandr Zakharchenko, escreveu em 13 de fevereiro de 2017 no seu twitter que “Prilepin agiu [...] seguindo as tradições de grande literatura russa. E eu pessoalmente lhe entreguei os galões do major das forças armadas da dnr”.

Por essa e por outras, SBU abriu o processo contra Prilepin, o mercenário russo é acusado ao abrigo da 1ª parte do artigo 258-3 (participação em ações de organização terrorista) e 1ª parte do artigo 258-5 (o financiamento do terrorismo), ambas do Código Penal da Ucrânia.

Embora Prilepin se declara “comissário político”, ou seja, não pretende combater na linha da frente, mas fazer a endoutrinação aos seus comparsas na retaguarda segura, é possível prever que um belo dia ele será liquidado. Digamos que por um “grupo de sabotagem ucraniano” ou outros ilustres desconhecidos. E ai?

O jornalista russo de origem judaica, nascido na Ucrânia, Matvey Ganapolsky, prevê essa situação.
O escritor russo de culto, Victor Pelevin, sobre a ação do Prilepin
O único problema é que quando o nosso romântico, com um sorriso congelado, estará deitado nas ruas de Donetsk com uma bala na testa, na Rússia irão gritar que os ucranianos mataram o grande escritor russo. Não, não será morto o escritor, mas um fascista incorrigível – o agressor, que não apenas está a invadir o vizinho, mas ainda sorrindo, quer escrever sobre isso um romance poético. Olhem, lá, na Rússia, pode ser que parem este . Provoca uma pena. Expliquem-lhe que ele é um que a guerra não é um brinquedo, que ele não é [Lev] Tolstoi. E, embora a poça de sangue no chão irá, de forma linda, contrastar com o seu sorriso congelado, exatamente como ele queria descrever no seu romance, tentem explicar-lhe que o “spetsnaz literário” vive apenas em sua cabeça , e na vida [real] estes românticos de merd@ são seguidos apenas pelas balas. E que melhor “o casamento do cão da literatura” do que a morte de cão.

Bónus
Em 31.01.2017 na Síria foi liquidado militar russo Alexey Naynodin (51), pouquíssima coisa se sabe dele, além de ser um militar de carreira, como mercenário ele participou a guerra na Ucrânia, foi ferido na Donbas. Possivelmente, quer na Ucrânia, quer na Síria estava inserido numa das empresas militares privadas russas, possivelmente no grupo Vagner.  

Michael T. Flynn: a primeira baixa da equipa Trump

Conversa do Donald J. Trump e Putin em 28 de janeiro de 2017, Flynn, último à direita
Michael T. Flynn, o conselheiro de segurança nacional do presidente Donald Trump, foi a primeira baixa da sua equipa. Resumindo, o ex-general pediu a demissão por ter diversos e repetidos contactos com os representantes da inteligência russa e mentiu, negando essas evidências. Obrigando o vice-presidente Pence, que o defendeu, ficar mal “na fotografia”.

Os registos telefónicos e as chamadas interceptadas mostram que os membros da campanha presidencial de 2016 de Donald J. Trump e outros associados do Trump tiveram contatos repetidos com altos oficiais russos de inteligência no ano anterior à eleição, de acordo com quatro autoridades americanas atuais e antigas.

As agências da lei e ordem e de inteligência norte-americanas interceptaram as comunicações ao mesmo tempo em que descobriam evidências de que a Rússia estava tentando interromper a eleição presidencial, hackeando o Comité Nacional Democrático, disseram três fontes. As agências de inteligência, em seguida, procuraram saber se a campanha Trump foi conluia com os russos na pirataria ou noutros esforços de influenciar a eleição.

Ler mais (em inglês):
https://www.nytimes.com/2017/02/14/us/politics/russia-intelligence-communications-trump.html

terça-feira, fevereiro 14, 2017

A linda guerreira Isadora Katerenhuk: 1º tenente da PMSP (21 foto)

No dia 2 de dezembro de 2016, os policiais militares da Força Tática do 28° Batalhão de Polícia Militar de São Paulo (PMSP), localizaram um cativeiro e libertaram dois modelos ucranianos que foram feitos reféns na rua Alexandre Davidenko na cidade Tiradentes (Zona Leste de SP). No meio de operação policial, de muito sucesso, que contou com a postura pró-ativa das vítimas e com apoio da embaixada da Ucrânia no Brasil, a sociedade conheceu a 1º tenente da PMSP, a linda guerreira Isadora Katerenhuk.
O nosso blogue não poderia perder essa oportunidade e por meio da ajuda dos familiares da tenente entrou em contato com Isadora. O que segue é a conversa que mantemos em mais que uma ocasião em janeiro-fevereiro de 2017. O texto recebeu os mínimos retoques estéticos e é o mais próximo possível do discurso original e direto da guerreira ucraniano-brasileira.      
1. Isadora, conte sobre a sua família e os seus antepassados, do lado materno e paterno. Dado que pertenciam às etnias diferentes, isso não atrapalhou, de alguma forma os seus relacionamentos?

A minha família na parte do meu pai, em grande maioria reside no estado do Paraná, infelizmente não sabemos tanto sobre a vinda da minha família da Ucrânia, porém, os meus avos, quando eram vivos, mantinham os costumes ucranianos; inclusive alguns filhos aprenderam a língua; o meu Pai se chama Simão Katerenhuk, ele nasceu no estado do Paraná, hoje trabalha como representante comercial e infelizmente não fala ucraniano fluentemente, mas percebe o idioma;
Minha Mãe se chama Marize de Carvalho Katerenhuk, atualmente é dona de casa, cuidando do lar; a família dela portuguesa e síria, ela nasceu no sul do estado de Minas Gerais. Minha mãe conheceu o meu pai em São Paulo, quando ambos trabalhavam com vendas nos supermercados, o namoro deles até que não foi muito difícil, pois ambos estavam residindo em SP, ou seja, longe dos condicionalismos familiares.

2. Sendo uma parte da sua família é ucraniano-brasileira, como a família mantêm as tradições ucraniano-brasileiras, o idioma, etc.?
Sim, minha família mantêm muitas das tradições ucranianas, alguns dos familiares falam ucraniano; eles mantêm também a boa parte da culinária ucraniana, algo, que praticamente toda família aprecia. A família do meu pai costuma se reunir no Natal, são preparados alguns pratos tipicamente ucranianos que sempre estão em menu / no cardápio, como o Kutia, Borchtch/Borsh, Varének/Varenyky.

3. Será que vocês mantêm alguma ligação como os Katerenhuk na Ucrânia ou fora do Brasil? De alguma forma os seus familiares estão ligados à vida ucraniano-brasileira?
Infelizmente não temos tanto contato com os parentes na Ucrânia; quando as tradições, alguns primos meus, por residirem no estado do Paraná, têm o maior contato com a cultura, religião e as tradições ucranianas.

4. Até que ponto Isadora e a sua família estão atentes à atualidade da Ucrânia? Seguem o desenrolar da atual guerra russo-ucraniana? Como vê a situação em que Brasil, como membro do grupo BRICS, mantêm o equilíbrio entre Rússia e apoio à Ucrânia, com quem sempre tive as relações muito amistosas?
Sim, acompanhamos; na minha família, fora do circuito restrito dos Katerenhuk, temos outros parentes na Ucrânia, com os quais sempre conversamos sobre a situação económica e social do país. Dentro das relações internacionais, vejo que o Brasil deve manter boas relações tanto com a Rússia, quanto com Ucrânia; pois como muito bem diz a pergunta, Brasil e Ucrânia sempre tiveram um bom relacionamento.

5. Conte por favor sobre a sua meninice, escola, se era uma boa aluna, o que queria ser quando tinha 12-15 anos, quando é que nasceu a vontade de ser uma PM?
Então, quanto a escola sempre me dediquei bastante, tive boas notas;  porém quando fui atingindo meus 15 anos, comecei a me dedicar mais, prestando bolsas de estudo em cursos preparatórios, o que me ajudou muito à ingressar na área militar. Não tenho uma explicação quanto a vontade de me tornar militar, porém desde muito pequena gostava de ir em exposições de artigos, hinos ou fardamentos militares; os meus pais me levavam à feira de aviação, promovida pela Aeronáutica, eu ficava encantada pela Aeronáutica.

6. Foi muito difícil entrar na PM? É difícil ser a 1º tenente mulher?
Quando prestei provas para a Academia Militar, a prova era realizada pela FUVEST; a prova era de extrema dificuldade; fora da prova escrita, havia ainda a prova física, que contava com natação, corrida, flexão, abdominais e agilidade; a parte psicológica e a investigação social [do perfil do aspirante]. Quanto a questão de ser mulher e tenente na Polícia Militar, para mim é uma grande honra, algo que faço por amor a profissão, e como muitos perguntam quanto a condição física, acredito que com esforço podemos superar as dificuldades.

7. Como a Isadora lida com o medo? Pois está diariamente nas ruas, a cidade de SP não é tão violenta como pode parecer, mas o perigo sempre existe. Como funciona o seu processo de superação?
Já faz algum tempo que estou na minha profissão, então acho que já me acostumei com as situações diárias; mas claro que as vezes nos surpreendemos com algumas ocorrências (por exemplo essa situação que envolveu os modelos ucranianos), algo que não é tão corriqueiro; mas sempre procuro, nas folgas, através do desporto/esporte tirar o stress.

8. O terrorista brasileiro atualmente preso na Ucrânia, Rafael Lusvarghi era ex-soldado da PM em SP, tentou ser oficial da PM em Acre. No seio da PMSP se fala do assunto? A PM faz algum trabalho de acompanhamento deste tipo de situações? Dos radicais da direita e da esquerda que podem tentar penetrar na PM, representando o perigo à sociedade brasileira?
foto @PM Cleber Quirino
Quanto ao Rafael Lusvarghi, não vejo se falar tanto a respeito desse assunto; porém na Polícia temos diversos profissionais, tanto da área da Saúde mental, com o auxilio psicológico, quanto na parte de inteligência policial; os quais sempre acompanham os policiais.

9. No caso dos modelos ucranianos libertados em SP, será que Isadora foi destacada por acaso ou pesou o fato de ter a origem ucraniano-brasileira?
Quanto ao caso dos modelos ucranianos, até para mim foi uma surpresa que as duas vítimas serem do mesmo país do qual provêm a minha família. Infelizmente não falo ucraniano, mas fiquei feliz por poder ter ajudado, tanto eu, quanto a minha equipe de Força Tática, pois tal trabalho só foi possível graças a todos policiais da equipe.

10. Neste momento Ucrânia está passar por uma profunda reforma de polícia nacional e de todo o sistema de lei e ordem. Como tal, no sistema foram convidados à trabalhar alguns estrangeiros para pudessem compartilhar as melhores práticas daquilo que se faz no exterior. Se Ucrânia (o Ministério do Interior ou Guarda Nacional da Ucrânia), convidarem Isadora para trabalhar na Ucrânia, aceitaria o cargo?
Se eu fosse convidada, com toda certeza aceitaria, primeiro, porque sempre quis conhecer o país de meus parentes; e segundo pela experiencia profissional na área militar; acredito que para um Oficial, experiências assim são de suma importância, pois compartilharia as vivências tanto do Brasil, quanto da Ucrânia.

11. Além de servir na PM, Isadora está fazer o curso de Direito, que tipo de carreira gostaria de seguir?
Hoje em dia estou terminando a Faculdade de Direito, estou me empenhando em aprender o inglês; pois em breve pretendo prestar a prova para o ingresso nas Forças de Paz da ONU, podendo servir fora do país.

12. Tendo a sua vida tão preenchida, sobra o espaço para a vida privada? Namora com alguém, pensa em casar ou constituir a família?
Estou namorando com um colega do PMSP, num clima da paz e sem os choques hierárquicos ;-), mas dado aos planos da carreira, dento e fora da PM, dificilmente haverá as mudanças na minha vida pessoal, pelo menos, nos próximos tempos.
Texto @Ucrânia em África; fotos @Facebook da Isadora Katerenhuk (todas) e Cleber Quirino (marcada como CB)