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quarta-feira, maio 06, 2026

Mais de 200 arménios morreram na guerra neocolonial russa na Ucrânia

Atualmente, Ucrânia dispõe dos dados pessoais de pelo menos 994 cidadãos arménios que assinaram contratos com exército russo. Arménia está entre os oito principais países em termos de recrutamento dos mercenários estrangeiros. Pelo menos 204 pessoas morreram ou estão desaparecidas. 

Abandonada pela rússia e pela Organização do Tratado de Segurança Colectiva (OTSC), durante a guerra em Nagorno-Karabakh, Arménia apercebeu-se da natureza ilusória dos compromissos de alianças com a rússia. Nos dias 4-5 de maio de 2026, a capital arménia acolhe a cimeira da Comunidade Política Europeia, com a presença dos líderes de 48 países europeus e do Canadá. 

Arménia perdeu na guerra neocolonial russa contra Ucrânia mais do que eram as sua perdas na Terceira Guerra de Karabakh, em 2023. Dois cidadãos arménios e cerca de uma dúzia de arménios étnicos, mas cidadãos russos, estão actualmente detidos nos campos de POW na Ucrânia. O projeto ucraniano «Quero Encontrar», recebeu 621 pedidos de busca por arménios desaparecidos. 

São números bastante altos para um país pequeno. Importante compreender que, sem uma oposição formal e ativa de Yerevan, o Kremlin apenas aumentará o ritmo de recrutamento dos arménios. Enquanto 83 cidadãos arménios assinaram contratos com os russos em 2023, este número subiu para 575 em 2025. Moscovo, dessa forma, tenta repor as perdas das suas forças armadas, mas também tenta criar um factor de desestabilização e de pressão sobre a Arménia, que procura a integração europeia. 

Importante lembrar que o recrutamento russo não é um problema apenas para os vizinhos da rússia e para os países africanos. De acordo com os dados ucranianos, cidadãos de 23 dos 27 países da União Europeia passaram ou continuam pertencer ao exército russo. Dos 48 países participantes na cimeira de Yerevan, 38 têm cidadãos contratados pelo exército russo. 

No total, Ucrânia possui os dados pessoais de mais de 28.000 estrangeiros de 135 países recrutados pela Rússia para a guerra. Centenas deles, cidadãos de 48 países, estão atualmente detidos na Ucrânia como prisioneiros de guerra. 

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terça-feira, fevereiro 10, 2026

Ucrânia elimina o líder da criminalidade étnica «batalhão ArBat»

As forças ucranianas liquidaram mais um criminoso de guerra, Ayk «Abrek» Gasparyan, comandante do bando armado «batalhão ArBat», composto, parcialmente, por arménios étnicos. Gasparyan era ex-mercenário da EMP Wagner, que Prigozhin recrutou de uma prisão russa para a guerra contra Ucrânia, informa a página ucraniana Militarnyi.com 

No passado, Gasparyan foi pessoalmente condecorrado por putin com a medalha «Pela Coragem» pelo assassinato de ucranianos, agora ele próprio está morto. O bando armado «batalhão Arbat», que ele comandava, foi criado por Armen «Gorlovsky» Sarkisyan, um chefão do crime organizado de Horlivka, que foi abatido, juntamentoe com o seu guarda-costas em Moscovo/ou em 2025.


A liquidação do terrorista «Abrek» foi anunciada pelo autoproclamado «prefeito» da cidade ocupada de Horlivka, na comunicação, os separatistas afirmam que «Abrek» morreu em combate.

Ayk «Abrek» e «Priggy» Prigozhin

Ayk Gasparyan era natural de Alto/Nagorno-Karabakh e ex-combatente do Grupo Wagner. Participou das batalhas de Soledar e Bakhmut. Gasparyan foi recrutado para a guerra contra a Ucrânia de uma prisão russa de alta segurança, onde cumpria pena de 7 anos e 3 meses por roubo à mão armada.

Gasparyan, Sarkisyan e líder da igreja arménia de Moscovo, 2023

Em setembro de 2024, o Comité de Investigação da Armênia declarou que o bando «ArBat» estava recrutando cidadãos arménios, preparando um golpe de Estado em Yerevan, e o próprio batalhão anunciou posteriormente o recrutamento de “voluntários” da Indonésia.

quinta-feira, setembro 21, 2023

Militares russos liquidados pelas forças do Azerbaijão

Os militares azeris liquidaram 5 militares russos - participantes da agressão contra Ucrânia, que estavam no território do Azerbaijão sob o pretexto de pertencerem às «forças de paz». Entre os liquidados constam um capitão e um coronel.

Foram liquidados o capitão do 1º grau Ivan Kovgan, vice-comandante das “tropas de manutenção da paz” com pelouro da ação psicossocial no Alto Karabakh, anteriormente o vice-comandante das forças subaquáticas da frota do norte da federação russa (aquartelada em Gadzhievo, região de Murmansk); o coronel Tagir-Murod Karaev, comandante da 29ª Brigada de Proteção Química e anti-Radiação, que anteriormente participaram na agressão russa contra Ucrânia. 

TG canal militarista russo anuncia os patentes dos militares russos liquidados:
capitão; tenente coronel; tenente coronel; coronel.

Tudo isso aconteceu, é claro, por acaso. A principal causa da morte dos militares russos é permanecer no território do Azerbaijão soberano, à onde os azeris não os convidaram. Obviamente, Azerbaijão conduzirá uma investigação, mas também obviamente não haverá quaisquer punição, porque os azeris percebem perfeitamente os militares russos são apenas invasores que não têm nada a fazer no Azerbaijão.

O capitão da marinha russa, Ivan Kovgan, liquidado pelos azeris

Antes de ir ao Cáucaso, Ivan Kovgan atuou como vice-comandante das forças subaquáticas da frota do norte da federação russa (o maior composto de submarinos nucleares estratégicos da rússia), com pelouro da ação psicossocial. Tudo indica que não haverá quaisquer consequências desse ataque para Azerbaijão. Presidente Aliyev pediu desculpas ao Putin e este aceitou as desculpas. Aconteceu mesmo em 2015, quando o avião russo foi derrubado pelos turcos.

De momento, rússia está absolutamente desejosa de castigar Arménia pela escolha pró-Ocidental do primeiro ministro Pashinyan. Acreditando, que dessa maneira conseguirá gerar bastante descontentamento popular, que poderá derrubar o poder no país. Nessa ótica Azerbaijão é uma ótima ferramenta da vingança russa. Que prefere ganhar algo bastante efémero num curtíssimo período de tempo, para, muito provavelmente, perder Arménia por longos anos, senão para sempre.

Além disso, a guerra de Karabakh, que durou 32 anos (!) terminou, nesta guerra, o Azerbaijão mostrou excelente determinação e organização e essa vitória incondicional é o mérito do povo azeri, que hoje se afirmou como uma nação, que conseguiu criar sua própria identidade e instituições de estado eficazes numa luta difícil. Azerbaijão conseguiu definitivamente erradicar um dos cancros, que as autoridades ainda soviéticas plantaram no seu território. O  separatismo terminou, as «ldnr» locais foram aniquiladas para sempre.

UPD: As forças desconhecidas, supostamente as unidades separatistas arménias, naturais de Karabakh metralharam um camião/caminhão «Kamaz» com «pacificadores russos». Pelo menos 1 militar russo foi morto e um ferido.

Já está claro para todos que a rússia não pode fazer nada no Sul do Cáucaso e todos  podem humilhá-la e chutá-la quanto quiser. Está na hora de os russos aprenderem que não são bem-vindos em lugar nenhum e voltarem para o seu próprio país.

UPD II: foram publicadas imagens do ataque do exército do Azerbaijão à base dos “pacificadores” russos em Karabakh.

O facto do ataque ainda está a ser ocultado pelo Kremlin para não admitir a vergonha, pois é óbvio que não poderia haver erro neste caso, e o Azerbaijão atingiu os russos absolutamente deliberadamente. Mas de momento putin tem medo de ir contra o Azerbaijão. Portanto, a propaganda estatal russa mantém silêncio sobre o que aconteceu, e nenhum propagandista russo exige ataques aos «centros de decisões», como os russos costumam exigir em relação à Ucrânia.

Bónus

Mas também temos as notícias perturbadoras, choque total, o Segundo Maior Exército do Mundo, está se movimentando, rapidamente e em força na direcção de Kyiv!


sábado, maio 06, 2023

A OSCE classifica a deportação de crianças ucranianas de crime de guerra

O relatório da OSCE menciona várias vezes que, além da rússia e dos territórios controlados pela rússia na Ucrânia, crianças ucranianas também foram enviadas para a Belarus.

O nome completo do documento é bastante claro: RELATÓRIO SOBRE VIOLAÇÕES E ABUSOS DA LEI INTERNACIONAL HUMANITÁRIA E DIREITOS HUMANOS, CRIMES DE GUERRA E CRIMES CONTRA A HUMANIDADE, RELACIONADOS COM A TRANSFERÊNCIA FORÇADA E/OU DEPORTAÇÃO DE CRIANÇAS UCRANIANAS PARA A FEDERAÇÃO RUSSA.

Bónus

Resistência ucraniana a russificação forçada 

Os ocupantes russos admitem que os ucranianos nos territórios ocupados se recusam a obter a cidadania russa. Apesar da coerção, pressões e chantagens, apenas 22.000 ucranianos aceitaram os passaportes russos em 2023 (dados referentes ao 1º trimestre do ano).

Isso é duas vezes menos do que o número de tadjiques, que nem sequer são coagidos para receber a cidadania russa. Os «antifascistas» russos também chamam a atenção ao facto do que «quase 70% das 102.978 pessoas que receberam a cidadania russa neste ano não são eslavos».

quarta-feira, fevereiro 15, 2023

A operação humanitária americana «Provide Hope»

Em 10 de fevereiro de 1992, 12 aeronaves americanas de transporte decolaram de três aeródromos na Turquia e na Alemanha. Eles entregaram 500 toneladas de ajuda humanitária a 11 capitais das antigas repúblicas do URSS e ao São Petersburgo. Assim começou a operação humanitária americana «Provide Hope» (Providenciar Esperança).






A ajuda consistia principalmente em fornecimento de enlatados, leite em pó, massas, legumes e frutas e papinhas para bebês. As entregas abrangeram várias dezenas de cidades da ex-URSS. A ajuda humanitária foi entregue não apenas a lojas, mas também a famílias numerosas, hospitais, orfanatos.






A Operação «Provide Hope» durou pouco mais de 20 anos. O último voo 984 ocorreu em setembro de 2012. Equipamentos médicos e equipa/e médica voluntária saíram de Maryland nos EUA e foram entregues na Chisinau, em Moldova.

sábado, julho 18, 2020

As guerras entre Arménia e Azerbaijão: como tudo começou

Nos últimos dias reacenderam os combates entre Arménia e Azerbaijão. Ambas as partes usam artilharia de longo alcance, drones e blindados. A guerra no ponto de discórdia – região disputada de Alto Karabakh começou mais de 30 anos atrás.

História de Alto Karabakh

Já no século XVIII a região era habitada maioritariamente pelos arménios. Embora Alto Karabakh durante muito tempo pertencia à jurisdição azeri.

Em 1905-1907 e em 1918-1920 região novamente viveu conflitos étnicos, azeri-arménios, no decorrer dos quais foi vertido sangue e perdidos os bens materiais. Em 1920, com a ocupação da Arménia e Azerbaijão pela Rússia bolchevique, Moscovo decidiu a “entrega” do Karabakh ao Azerbaijão socialista. Na década de 1960 a região, por algumas vezes viveu tumultos em massa, devido aos problemas sociais e económicos.

Em fevereiro-março de 1988 o jornal oficial da região, «Karabakh Soviético», que tinha mais de 90.000 assinantes apoiou e divulgou a ideia da entrega da região à Arménia. Os deputados locais proclamaram Karabakh como parte integrante da Arménia.

Guerra na Karabakh. Início.

02. No inverno de 1988 nas cidades azeris de Sumqayit e Ganja decorreram os pogroms arménios. A propaganda soviética sonegou a informação e os culpados pelos pogroms foram julgados pelo “hooliganismo”, sem nenhuma menção de ódio étnico. Nas duas cidades foram colocados as unidades do exército soviético.

03. Tropas soviéticas nas ruas da capital azeri – Baku:

04. Conflito é apoiado pela imprensa, se alastra e produz os primeiros refugiados no fim da década de 1980 arménios fogem do Azerbaijão e azeris saem da Karabakh, ódio mútuo apenas aumentava.

05. Guerra se alastra, embora no início de ambos os lados combates pequenos grupos de milícias da defesa territorial — muitas vezes sem patentes, nem os fardamentos unificados.

06. Em janeiro de 1990 na fronteira azeri-arménia começam os primeiros bombardeamentos da artilharia. No dia 15 de janeiro o poder soviético proclama recolher obrigatório em Karabakh e os distritos circunvizinhos arménios e azeris, assim como na fronteira estatal soviética naquela região.
Crianças junto à uma peça de artilharia azeri.

07. Exército azeri usa os fardamentos mais diversos, muitos deles voluntários.

08. Os voluntários azeris se inscrevem para defender o seu país:

09. População civil é atingida pelo conflito, pois a guerra passa pelas idades e vilas.

10. Ambas as partes olham o conflito como a “guerra santa”, cerimónia de recepção dos heróis azeris tombados na batalha:

11. Em 1991 os combates se reativam — entre os finais de abril até início de junho em Karabakh decorre a operação «Koltso» (literalmente Anel), marcada pelos novos combates entre azeris e arménios.

12. Após a derrocada da União Soviética em 1991 o Azerbaijão “herdou” o 4º exército de infantaria (4 divisões de infantaria motorizada), três brigadas da defesa anti-aérea, uma brigada de operações especiais, quatro bases aéreas e uma parte da frota do Mar Cáspio, vários depósitos de munições.
Arménia ficou em 1992 com armamento e equipamentos da 15ª e 164ª divisões do 7º exército de infantaria soviético. Todo este armamento foi usado no conflito em Karabakh.

13. Os combates ativos decorreram em 1991, 1992, 1993 e 1994, com vitórias esporádicas de ambas as partes.
Forças azeris numa escola na linha de combates, transformada na caserna:

14. Caserna na sala de aulas:

15. Forças arménias numa das aldeias:

16. As ruínas na cidade de Shusha em Karabakh.

17. Os civis mortos no conflito...

18. Os refugiados:

19. Vida na linha da frente.

20. Campo de refugiados azeris na cidade de Imishli.
Último grande acordo da paz foi alcançado em 12 de maio de 1994, depois disso o conflito se transformou numa fase latente. Alto Karabakh se separou do Azerbaijão, mas não se tornou (de jure) a parte da Arménia. A guerra ceifou cerca de 20.000 vítimas, destruiu naquela região algumas cidades e vários monumentos culturais...

Fotos: GettyImages | Texto: Maxim Mirovich

Blogueiro: na atual guerra ucraniano-russa na Donbas a maioria dos arménios, muito provavelmente apoia a parte russa e maioria dos azeris apoia Ucrânia. Ucrânia apoia a unidade territorial do Azerbaijão. Arménia não reconhece Holodomor ucraniano e Ucrânia não reconhece, oficialmente, o genocídio arménio. O primeiro manifestante, assassinado pelo destacamento da polícia “Berkut” na rua Hrushevsky em Kyiv em janeiro de 2014 foi arménio étnico Serhiy Nigoyan... 
Vinicultura com sabor político: vinhos azeri Susha e Agdam, duas cidades de Alto Karabakh,
em poder dos arménios, Susha bastante danificada e Agdam simplesmente destruída

terça-feira, julho 09, 2019

Como União Soviética ocultava os casos do terror político

O ato terrorista mais famoso da URSS ocorreu em 8 de janeiro de 1977 — uma série de explosões bombistas em Moscovo matou 7 e feriu 37 pessoas. Os três alegados responsáveis foram fuzilados e os materiais do caso estão sob segredo da justiça russa até hoje.

Como tudo ocorreu?

A primeira explosão atingiu a carruagem de metro/ô de Moscovo. O explosivo foi colocado numa panela especial de metal pesado, aparafusada e soldada – como resultado da explosão 7 passageiros do metro/ô foram mortos e 37 feridos.
A 1ª explosão no metro/ô | arquivo
A segunda explosão ocorreu 32 minutos após a primeira – uma bomba explodiu numa mercearia na atual rua Bolshaya Lubyanka. Ninguém ficou ferido na explosão. A terceira bomba explodiu cinco minutos depois da segunda – o dispositivo estava escondido numa lata de lixo, junto à uma mercearia da atual rua Nikolskaya. Nesta explosão, também, ninguém morreu – a forte urna de ferro fundido resistiu à explosão, e a onda de choque se dirigiu ao alto.
A 2ª explosão na mercearia | arquivo
KGB e polícia soviética começaram as buscas pelos responsáveis. Na cidade russa de Tambov foi interrogado o suspeito inicial cidadão Potapov, preso após detonar uma bomba que matou a esposa e duas filhas do vizinho. Potapov rapidamente confessou que também estava por trás dos atos terroristas em Moscovo. No entanto, rapidamente se percebeu que isso foi uma confissão forçada e, após a investigação formal que durou um mês, o caso foi abandonado pelo KGB.

Informação ocultada ao público

Quase imediatamente, todas as informações sobre os ataques foram classificadas – nenhum jornal ou programa de televisão soviético falaram sobre o que estava acontecendo. Mas os rumores terríveis estavam rastejando pelo Moscovo, as pessoas nas filas das compras estavam cochichando sobre o que tinha acontecido, era simplesmente impossível esconder mais a informação.

Como no caso de Chornobyl – as informações sobre a tragédia foram divulgadas 48 horas depois, passadas pela censura do KGB. No dia 10 de janeiro, a agência soviética TASS divulgou a nota que dizia que em 8 de janeiro, ocorreu “uma pequena explosão no metro/ô de Moscovo, todas as vítimas foram socorridas”. A informação ocultava o número de vítimas e que a explosão foi um ato terrorista.

Os materiais completos deste caso ainda estão classificados pela justiça russa.

O que aconteceu na realidade?

As buscas pelos responsáveis foram infrutíferas – mas por sorte, cerca de 10 meses depois – também em Moscovo, foi achada uma outra bomba que levou KGB aos terroristas. Eram três arménios étnicos – Hakob Stepanyan, Zaven Baghdasaryan e Stepan Zatikyan – este último foi tido como líder do grupo. Após um julgamento secreto e fechado ao público, em 24 de janeiro de 1979 os réus foram considerados culpados pelo tribunal e sentenciados à pena capital – execução. Em 30 de janeiro, o Presidium do Soviete Supremo da URSS rejeitou a sua petição de clemência, e no mesmo dia eles foram executados. A única informação oficial sobre o julgamento e sobre o veredicto foi uma breve nota no jornal soviético “Izvestia” em 31 de janeiro de 1979, onde apenas se mencionava o apelido/sobrenome e as iniciais do Stepan Zatikyan.
Stepanyan (1947-1977) e Baghdasaryan (1954-1977) após a detenção
Segundo a versão oficial da acusação – os três pertenciam ao clandestino “Partido da Unidade Nacional da Arménia” (NOP) e tinham como objetivo criar Arménia independente, separada da URSS. Essa versão possui uma série de inconsistências, apontados pelo académico e dissidente soviético Andrey Sakharov – NOP não tinha terror nos seus princípios, os terroristas não divulgaram nenhumas reivindicações após as explosões, as ações semelhantes não aconteceram antes e não se repetiram depois.
O líder Stepan Zatikyan (1946-1979) após a detenção
Na versão não oficial – as ações foram iniciadas pelos serviços secretos soviéticos (KGB), para iniciar a onda de terror contra os dissidentes – e apenas a divulgação pública do caso (incluindo através do Andrey Sakharov) impediu de fazê-lo. A versão de provocação do KGB é apoiada pelo facto do que o jornalista soviético Victor Louis (informador e conhecido agente-provocador do KGB), imediatamente após o ataque, lançou na imprensa britânica a acusação genérica contra os “dissidentes”, pelo seu alegado envolvimento nos atentados – como se preparando a opinião pública ocidental ao ataque contra o movimento dissidente na URSS.

[O fundador e um dos líderes do Partido Neocomunista da União Soviética, Alexander Tarasov relata nas suas memórias que quatro meses após as explosões ele foi detido [pelo KGB] por suspeita da sua organização e libertado somente depois de provar “por trezentos por cento” o seu álibi (ele estava no hospital durante o ataque terrorista).

O coronel da 1ª Direcção/Diretoria do KGB Oleg Gordievsky, que fugiu para o Ocidente, é da opinião de que os três arménios foram escolhidos, neste caso, como bodes expiatórios. O dissidente soviético Sergei Grigoryants afirma que as explosões foram realizadas pelo grupo Alfa do KGB sob as instruções de Yuri Andropov e Filip Bobkov (o chefe da 5ª Direção/Diretoria “ideológica” do KGB)].

Em jeito de epílogo

Qualquer ataque terrorista é terrível, mas pior ainda quando o Estado esconde de seus cidadãos a verdade sobre o que realmente está acontecendo – não informa sobre o desastre de Chornobyl ou sobre os ataques terroristas ocorridos em Moscovo em 1977. Os cidadãos possuem uma imagem bastante distorcida do que realmente está acontecendo – é assim que nascem os mitos sobre “a vida soviética calma e pacífica na companhia do melhor sorvete do mundo – o soviético”.

Após o fim da URSS, as pessoas perceberam que esse era um beco sem saída – e nas Constituições da maioria dos países pós-soviéticos foram colocadas as normas do que ninguém tem o direito de esconder dos cidadãos a verdade sobre desastres ambientais ou naturais, ataques terroristas ou outros incidentes semelhantes – todos e cada um tem o direito de receber e divulgar livremente essas informações.
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No entanto, nos últimos anos, aqui e ali, mais uma vez houve o “retorno à espiritualidade tradicional”, que pode ser traduzido da seguinte forma – o Estado novamente quer se engajar em negócios obscuros, ocultando, aos cidadãos, todas as informações sobre acidentes e incidentes...

Fotos: arquivo | Texto: Maxim Mirovich e [Ucrânia em África]