domingo, março 30, 2025

Dmytro Dontsov, o pai do «nacionalismo integral» ucraniano

A 30 de março de 1973, em Montreal, no Canadá, aos 90 anos, faleceu o destacado jornalista, ensaista, criítico literário, político, ideólogo e fundador do nacionalismo integral ucraniano, Dmytro Dontsov (1883 - 1973).

Nascido em Melitopol, no sul da Ucrânia, estudou em São Petersburgo e cedo se envolveu na política, passando do ideal socialista e social-democrata ao nacionalismo ucraniano: voluntarista, embutido no poder e através da «violência criativa da uma minoria com a iniciativa».

Dmytro Dontsov, estudante em S. Patersburgo, 1902-1908

Em 1939, nas vésperas da ocupação soviética da Ucrânia Ocidental, Dontsov deixou Ucrânia, vivendo em em várias capitais europeias: Bucareste, Praga, Berlim e Paris. Mais tarde, mudou-se para os Estados Unidos e daí para o Canadá, onde viveu em Montreal de 1947 até à sua morte. Aí permaneceu de 1947 a 1953. Lecionou literatura ucraniana na universidade local. No entanto, não foi sepultado em Montreal, mas sim nos Estados Unidos – no cemitério ucraniano de South Bound Brook.

Por ocasião do aniversário do destacado político e publicista, recordaremos uma das suas coletâneas de artigos, escritos e publicados no Canadá. Assim, os artigos nele incluídos foram escritos entre 1948 e 1954 e publicados em 1955 em Toronto.

O título, de forma concentrada, transmite a ideia principal da coleção e apela às palavras sobre o veneno «do cálice moscovita», sobre o qual Taras Shevchenko escreveu e que durante séculos mudou a consciência dos ucranianos, transformando-os em «pequenos russos» e súbditos do império. Dmytro Dontsov analisa como funciona este veneno e que consequências provoca.

Dmytro Dontsov: «Veneno moscovita», 1955

Tomemos a liberdade de expor uma breve citação do artigo «Apelo aos Hrytsis» (1952), que parece relevante no nosso tempo: «Em severa agonia, a ideia de nacionalismo nasce na Ucrânia, espancada e arranhada por golpes de fora, minada de dentro pelas minhocas «nativas».

Os três principais tipos de ucranianos, brilhantemente criados por Gogol, ainda vivem nesta terra. São eles, um cossaco, um «pequeno russo» sentimental (mortadela, copo, mulher, casa do campo) e um «desprezível pequeno russo», um informador, um especulador ou um gangster...» 

Dmytro Dontsov. «Veneno moscovita». – Toronto-Montreal, 1955. – 296 p.

Os textos da colectânea podem ser lidos, em ucraniano, AQUI. 

Fonte: Diáspora.ua

3 comentários:

Anónimo disse...

Quando houve a primeira eleição presidencial da Ucrânia, a primeira após a idependencia, houve um candidato nacionalista disputando com um pro-russo. O pro-russo venceu, mais o nacionalista morreu, poucos anos depois, num suspeitíssimo “acidente” automobilístico.

Jest Nas Wielu disse...

É assim vai a compreensão da Ucrânia: nem Vyacheslav Chornovil era um candidato nacionalista (era ex-dissidente e democrata), nem Leonid Kravchuk (ex-comunista) era pró-russo. A verdade apenas está no fa(c)to do que Chornovil morreu anos depois, num acidente automobilístico.

Anónimo disse...

Calma lá cara! Eu to aqui para ajudar a Ucrânia. Eu tenho amigos lá que me são caros e por eles e pq acho injusta a guerra movida contra o seu país. Entendo o momento difícil q o seu país está passando, mas se minha presença no seu blog vc julga que mais atrapalha q contribui, então não venho aqui. Quero q saiba q sou a única voz na minha universidade a defender a Ucrânia. Comprei muitos inimigos entre professores e outros estudante que são majoritariamente de esquerda e, por isso, ferrenhamente anti-Ucrânia. Mas não estou cobrado algo por isso. Defendo a Ucrânia por justiça e tão só.