domingo, janeiro 04, 2026

«Mercenários»: o documentário ucraniano sobre três POW estrangeiros

«Mercenários» é um documentário ucraniano sobre três estrangeiros que a rússia usou como instrumentos da sua guerra colonial contra Ucrânia. As histórias tristes de togolês, cingalês e brasileiro, Pedro Henrique Antunes Pantoja.

Os protagonistas do filme são cidadãos de países diferentes de três continentes distintos: África (Cemechon Koffi Victor de Togo), Ásia (Fernando Warnakulasuriya da Sri Lanka) e América do Sul (Pedro Henrique Antunes Pantoja do Brasil). Eles se viram no exército russo, atraídos por promessas de dinheiro e cidadania russa, ou enganados por recrutadores que ofereciam emprego legal na rússia. Para muitos estrangeiros, o momento de assinar um contrato com o Ministério da Defesa russo provou ser fatal. Os que sobreviveram foram capturados pelas forças ucranianas — e agora, pela primeira vez, compartilham publicamente como se tornaram parte da guerra de outros, o que sofreram e o que esperam para o futuro. 

Kemechon Koffi Victor de Togo

É de notar que em maio de 2025 as FAU capturarm em combate pelo menos dois cidadãos de Togo, um dos países africanos, onde a rússia faz o recrutamento de mercenários para a sua guerra colonial contra Ucrânia.

A história do Pedro, contada pelo próprio 

Pedro Henrique Antunes Pantoja foi formado no Brasil na área de TI, trabalhou na Austrália, diz que em 2024 recebeu um convite para trabalhar na rússia na corporação «Rostech», um dos maiores fornecedores de tecnologia militar e para-militar ao exército russo. Os russos prometeram lhe bom salário, juntamente com um bom pacote social (seguro, etc.) Em janeiro de 2025 (?) ele recebeu o endereço, onde deveria se apresentar em Moscovo/ou, na rua Iablochkovo, Nrº 5, onde está situado o centro de recrutamento de estrangeiros do exército russo. No local, o simpático tradutor russo Alexander explicou que Pedro deveria assinar «muitos documentos», todos relacionados com o seu futuro salário e benefícios sociais. Naturalmente todos os documentos eram em russo (Sic!) Dessa forma Pedro Pantoja acabou por assinar o contrato com exército russo com a duração de um ano. De seguida, ele foi enviado à base militar «Avangard», onde o exército russo oferece um treino muito básico aos dispensáveis mercenários estrangeiros. Se aprecebendo do sucedido, Pedro Pantoja conseguiu mandar dois e-mails a embaixada do Brasil na rússia, se quixando da sua situação e pedindo ajuda. Nenhum e-mail foi respondido...

Após um mês de treinos e desespero, Pedro foi enviado à cidade russa de Rostov-on-Don, onde os militares russos, de imediato, aprenderam o seu telefone, passaporte e todos os documentos e identificações. Depois, um comandante russo que falava português explicou ao Pedro que ele estaria trabalhar para a inteligência militar russa. A sua primeira tarefa real era ser um observador noturno (Sic!) num determinado ponto da linha da frente à cerca de 1 km das posições ucranianas. Numa outra excursão à linha da frente o seu grupo/team foi detectado pelos drones FPV ucranianos, um colega seu foi morto e ele próprio ferido por estilhaços. Percebendo que foi definitivamente abandonado pelos russos e vendo uma oportunidade de ouro para salvar a sua vida, Pedro fez uma coisa bastante inteligente: ele tirou o seu capacete, colete prova de bala e baixou a arma, mostrando ao drone ucraniano que queria se render. Operador do drone entendeu a sua intenção sincera e lhe passou a simples mensagem: «me siga».

Foto: GZH

Após chegar às posições ucranianas, Pedro Pantoja recebeu assistência médica, comida e água. Foi lhe explicado que à partir daquele momento ele se tornava um POW, protegido pela Convenção de Genebra, levado, de seguida, para a Cadeia Operativa (SIZO) de Zaporizhia. No total, ele passou por 6 unidades penitenciárias e dois campos de POW. Pedro conhece os seus deveres (trabalhar) e direitos (receber pelo trabalho), dinheiro que depois pode gastar na cantina especial do campo dos POW.

Durante os vários meses da sua permanência como POW (em kaneiro de 2026 são cerca de 1 ano e 7 meses), Pedro Pantoja nunca foi contactado por nenhum representante da Embaixada brasileira na Ucrânia. Numa mensagem dirigida à Embaixada, Pedro diz, que neste momento «se sente completamente abandonado pela Embaixada do Brasil». Pedro relata que apenas recebeu uma dica curiosa e não oficial, vinda de uma brasileira, funcionária da Cruz Vermelha Internacional: «Voltar à rússia, receber novo passaporte na embaixada brasileira em Moscovo/ou e depois voltar ao Brasil ou, então, à Austrália»... 

À primeira vista a história contada pelo Pedro parece ser bastante sólida. Um especialista de TI à trabalhar na Austrália, em princípio, não deveria desejar se tornar um soldado numa guerra distante. Embora, naturalmente não há maneiras de saber até que ponto ele está sendo realmente sincero, se não esconde algns pontos mais sórdidos. Há dúvidas óbvias de como e porque um informático não consegui usar um programa básico e símples de tradução instantânea de documentos. Mas enfim... 

De qualquer maneira, os brasileiros e outros estrangeiros que viajam à rússia para poder ter um «bom emprego muito bem renumerado» devem perceber algumas coisas simples: a) os estrangeiros são vistos, pelos russos, como seres absolutamente dispensáveis; b) enganar um estrangeiro de uma maneira mais vil e abusiva é visto na rússia como virtude e não como falha moral; c) usando as técnicas do marechal Zhukov o exército russo usa muita infantaria dispensável, por isso mais um ou menos um estrangeiro morto não conta nem para as estatísticas; d) as famílias dos estrangeiros mortos e desparecidos em combate nem sequer vão receber quaisquer compensação, pois habitualmente são registados pelos seus comandantes como SOCh, ou seja desertores; e) por favor, não disperdiçem as vossas vidas, vindo de tão longe somente para se tornar o adubo às terras negras da Ucrânia.

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O mundo ucraniano-canadense do William Kurelek

William (Vasyl) Kurelek (1927 – 1977) – foi o artista e escritor canadense de origem ucraniana, autor de até 10 mil pinturas, gravuras e outras obras, incluindo mais de 4 mil dedicadas à história dos primeiros imigrantes ucranianos no Canadá, escreve a Diaspora.ua 

Quanta aconchego familiar e conforto doméstico há nesta pintura, aparentemente simples. Mas, ao observar os detalhes cuidadosamente pensados ​​e reproduzidos, que recriam com incrível precisão e riqueza a vida cotidiana e a atmosfera de uma celebração familiar, é como se você mesmo estivesse lá, ao lado dos personagens da pintura. E é como se você também estivesse sentado à mesa, sentindo o cheiro da comida, ouvindo a conversa entre mãe e filha e os comentários para a avó, e junto com o menino você observa o beijo dos anfitriões... Este é um dos destaques das pinturas detalhadas de William Kurelek.

Ele também costumava escrever uma «história» através das suas pinturas, explicando o que está retratado nelas e focando em detalhes individuais. Por exemplo, nesta pintura ele conseguiu chamar nossa atenção para o canto – um atributo indispensável das festas de Natal ucranianas, em particular a Noite Generosa.

William Kurelek. Pioneiro Ucraniano. N° 6. 1971

Crescendo em uma fazenda ucraniano-canadenses em Alberta, com seus vastos campos dourados de trigo, e conhecendo bem o árduo trabalho dos agricultores, o artista, já na vida adulta, retornou repetidamente ao tema da vida dos emigrantes ucranianos no Canadá, criando um ciclo de obras próprio intitulado «Pioneiros».

William Kurelek, «Burdey», 1971

Esta obra de Kurelek, pintada em 1971, chama-se precisamente «Burdey» (uma palavra regional ucraniana que significa literalmente, casebre, abrigo). Ela retrata um esboço da vida de uma família ucraniana de imigrantes da primeira leva, numa habitação como esta: uma noite fria de inverno, tudo coberto por uma espessa camada de neve, por onde uma mulher (obviamente, a mãe) caminha, carregando água para sua charrua para cozinhar o jantar. Seu marido provavelmente está trabalhando, algures, como um trabalhador contratado, possivelmente na agricultura - naquela época, era comum que, no primeiro inverno, os imigrantes ucranianos recém-chegados tentassem ganhar a vida para sustentar a família, o gado e as sementes, ou, na primavera, começar a cultivar a terra.

As cores simbólicas da pintura também chamam a atenção: a neve azul e o céu iluminado pelo sol poente amarelo. 

A pintura está guardada no Museu Ucraniano do Canadá, Departamento de Alberta.

William Kurelek: «Na casa dos primeiros pioneiros ucranianos», 1972

Uma das características marcantes das pinturas de Kurelek é a atenção dada aos detalhes, especialmente na representação do quotidiano. Aqui também, os objetos que vemos indicam a situação financeira da família, a preservação das tradições trazidas pelos emigrantes de sua terra natal, bem como o desejo de manter uma conexão com a Ucrânia por meio de seus símbolos, como Taras Shevchenko – o artista não colocou seu retrato na parede por acaso.

William Kurelek: «Primeira igreja ucraniana no Canada»

Em 1971, 15 anos antes do desastre nuclear de Chornobyl, Wlliam Kurelek, pintou uma tela simbólica que pode ser considerada uma obra profética da tragédia de 26 de abril de 1986.

William Kurelek, quadro sem o título, 1971

Fonte: ©Diaspora.ua

William Kurelek viajou pela primeira vez para a Ucrânia em 1970. Visitou brevemente a aldeia ancestral da sua família, Borivtsi, apesar de estar sob forte vigilância das autoridades soviéticas. A viagem inspirou a obra monumental «O Pioneiro Ucraniano» (1971, 1976). Com o advento do multiculturalismo, os interesses de Kurelek expandiram-se para incluir outros grupos linguísticos, étnicos e religiosos no Canadá. Antes de falecer, concluiu séries sobre os Inuit, bem como sobre os canadianos de origem judaica, francesa, polaca e irlandesa.

William Kurelek, autoretrato, 1957. Fonte: Art Canada Museum


sábado, janeiro 03, 2026

O início do fim do narco-regime bolivariano na Venezuela

As forças especiais dos EUA, invadiram, com absoluto sucesso, a Venezuela e capturaram o Nicolas Maduro, o notório narco-traficante e ditador-chefe do estado ilegítimo, que usurpou o poder no seu país.



Apesar da habitual retórica dos regimes autoritários e ditadoriais vindos do mundo em desenvolvimento de «resistir» e de «criar o Armagédono aos americanos», na realidade as forças armadas da Venezuela não ofereceram quase nenhuma resistência à Força «Delta» (um heicóptero foi danificado e alguns militares americanos feridos), que capturou o casal Maduro no sono da sua casa.

O presidente Trump divulga foto do ditador venezuelano Nicolás Maduro
a bordo do USS Iwo Jima, LHD 7, após a captura por forças dos Estados Unidos.

O vídeo mostra os helicópteros americanos de transporte Chinook, bastante pesados e barulhentos, a sobrevoarem os céus de Carácas, sem receberam nenhum tipo de resistência à partir do solo.


Facto curioso, mas entre 2005 e 2008, a Venezuela comprou aproximadamente 4 bilhões de dólares em armamento russo: caças-bombardeiros Su-30, helicópteros de ataque e transporte, armas ligeiras e MANPADS, pagos com seu petróleo. 

Em 2009, Moscovo/ou concedeu um empréstimo adicional de 2,2 bilhões de dólares, que permitiu a Caracas encomendar canhões autopropulsados, sistemas de lançamento múltiplo de foguetes, veículos de combate de infantaria, veículos blindados de transporte de pessoal, sistemas de defesa aérea Buk-M2, vários batalhões de S-300VM e um lote de tanques T-72. 

Donald Trump e o seu staff (Marco Rubio de pé) a assistirem a captura do Maduro em direto

Como é lógico, o valor dos créditos militares russos nunca será reembolsado. Além disso, o armamento russo nem sequer foi usado e não impediu às forças americanas de capturar Maduro, que neste momento, juntamente com a sua esposa Cilia Flores podem ser indiciados no Distrito Sul de Nova York (alternativas possíveis são Flórida ou Miami).

A Procuradora-Geral dos EUA, Pamela Bondi:

«Nicolas Maduro e sua esposa, Cilia Flores, foram indiciados no Distrito Sul de Nova York. Nicolas Maduro é acusado de conspiração para cometer narcoterrorismo, conspiração para importar cocaína, posse de armas automáticas e dispositivos explosivos, e conspiração para possuir armas automáticas e dispositivos explosivos contra os Estados Unidos. Em breve, eles enfrentarão toda a severidade da justiça americana em solo americano, em tribunais americanos».

Um paralelo histórico e uma coincidência de datas: em 3 de janeiro de 1990, os Estados Unidos realizaram uma operação para deter o presidente panamenho Manuel Noriega, que havia se rendido às forças americanas durante a Operação «Just Cause» e da invasão americana do Panamá.

Noriega foi acusado de auxiliar o narcotráfico. Ele foi levado aos Estados Unidos, onde foi julgado e condenado a 40 anos de prisão em 1992. Cumpriu aproximadamente 17 anos numa prisão federal americana. Foi extraditado para a França em 2010 por lavagem de dinheiro (condenado a 7 anos de prisão) e, em seguida, retornou ao Panamá em 2011 para cumprir sua pena por homicídio até sua morte em 2017, enquanto estava em prisão domiciliar.

PCP pretende protestar conta a invasão americana na Venezuela. Onde estava a coerência do partido, quando não protestava contra a invasão russa da Ucrânia e declarava que «ambos os lados» tem a culpa na guerra colonial russa.

Em relação à Ucrânia, o regime bolivariano da Venezuela, ainda em 2022, nas palavras do seu Ministro dos Negócios Estrangeiros / Relações Exteriores Carlos Faria e do próprio Maduro, apoiou inequivocamente, a invasão russa da Ucrânia.

«A rússia tem o apoio total da República Bolivariana da Venezuela na luta que está tendo para dissipar as ameaças de Otan e do mundo ocidental», disse Maduro após receber o vice-primeiro-ministro russo, Yuri Borisov, no palácio presidencial de Miraflores, em Caracas».

Em dezembro de 2023, Nicolas Maduro também fez algumas previsões futuristas quando ao Volodymyr Zelensky, chamando o Presidente da Ucrânia de «palhaço» e prevendo que este será «atirado à uma lixeira como a marioneta inútil dos americanos». Vejamos, apenas três anos depois, quem é agora parece como um «palhaço» e quem será a «marioneta inútil» nas cadeias americanas nas próximas, umas tantas décadas?

Por fim, é de recordar que Ucrânia não reconhece o regime do Nicolas Maduro e considera este como fruto de uma usurpação do poder, por meios não democráticos. Por isso não é de estranhar que o Presidente Zelensky se pronunciou sobre a captura de Nicolas Maduro pelos EUA, e instou os norte-americanos a fazerem o mesmo com putin.

Blogueiro: podemos ver, nas últimas horas as pessoas que lamentam as ações unilaterais dos EUA, afirmando que a ordem internacional traçada em Yalta em 1945 está morta. Lamentamos de informar, mas a ordem do direito internacional foi destruída pela rússia na madrugada de 24 de fevereiro de 2022, quando exército russo atacou, de forma deliberada e sem nenhuma razão valida, toda a extenção terriorial, o mar e os céus da Ucrânia. Desde aquela data o nosso blogue várias vezes se referiu à este acontecimento, mas muita gente se recusava à ouvir a verdade inconveniente.   

Bónus

Um ocupante russo faz a reportagem em direto de uma brilhante operação logística russa na região de Donetsk. Praticamnte a cópia fidedigna da operação americana em Venezuela: «Dois impactos diretos. Um quadricóptero está em chamas, outro quadricóptero está em chamas. 10 [russos] carga-200».

Fonte: TG @kazansky2017

⚡️⚡️⚡️ O retrato do POW russo, capturado na Ucrânia pelas FAU

Compilando os resultados no final do 2025, o projeto ucraniano «Quero Viver» divulga as estatísticas abrangentes, baseadas em dados de mais de 10.000 militares russos capturados pelas FAU durante todo o período da invasão russa em grande escala, que começou em 24.02.2022. 

O número de russos que se renderam aumenta ano após ano. Em 2025, o número de militares russos capturados foi superior ao total de 2022 e 2023 juntos. Em média, de 60 a 90 militares pertencentes às forças armadas russas são feitos prisioneiros por semana, e em agosto de 2024, esse número chegou a 350 por semana. Desde junho de 2023, os militares russos têm sido capturados com mais frequência do que os militares ucranianos pela rússia. 

O maior número de POW russos foi capturado nos distritos de Pokrovsk e Bakhmut, na região de Donetsk, na região de Kursk e também no distrito de Pologovsk, na região de Zaporizhia. 

Em 2025, o número de mercenários estrangeiros, ao serviço da rússia, aumentou significativamente. A cada semana, aproximadamente 2 a 3 soldados do exército russo, que se são capturados pelas FAU revelam-se cidadãos de países terceiros. Em 2025, o número de estrangeiros capturados foi maior do que em todos os anos anteriores juntos. Atualmente, quase 7% de todos os prisioneiros de guerra na Ucrânia são mercenários estrangeiros, proveninentes de 40 países. 

O prisioneiro de guerra russo típico:

  • 83% – soldados rasos;
  • 13% – sargentos e sub-oficiais;
  • 1,4% – furrieis e sub-oficiais da marinha;
  • Quase 3% são oficiais júniores e superiores.

A patente mais alta entre os POW russos é coronel.

O mais jovem no momento da sua caputra tinha 18 anos, o mais velho, 65 anos. Aproximadamente 76% são militares sob contrato, incluindo os recrutados em prisões e membros da EMP. Mobilizados – cerca de 19%, quase 5% – recrutas via SMO. 24% dos prisioneiros relataram participação involuntária nessa guerra – foram enganados ou forçados a participar no conflito.

40% de todos os prisioneiros de guerra russos possuem antecedentes criminais. Os 5 principais crimes pelos quais os militares russos foram presos são:

  • Furtos – 35,1%,
  • Drogas – 18,5%,
  • Roubo e furto – 16,3%,
  • Lesões corporais graves – 8,3%,
  • Homicídios – 7,2%.

Apenas 7% de todos os prisioneiros de guerra estudaram numa universidade ou possuem ensino superior. 44% concluíram o ensino médio ou técnico, e 30% sequer concluíram o ensino médio. Várias dezenas de prisioneiros de guerra nem sequer frequentaram a escola. 

Antes da guerra, 38% estavam desempregados. 18% trabalhavam na construção civil, 11% eram motoristas e 7% mecânicos, soldadores e eletricistas. 6% trabalhavam na área de segurança e outros 6% no serviço público. 

36% são casados, 16% são divorciados, 13% são casados em regime de facto e 34% nunca se casaram. 46% têm filhos. 8% tinham três ou mais filhos, mas isso não lhes permitiu serem dispensados do exército russo. 

Centenas de pessoas foram capturadas com doenças como HIV/AIDS, Hepatite B e C, tuberculose, diabetes e doenças mentais como esquizofrenia. 

No total, pouco mais de 6.000 prisioneiros de guerra já foram devolvidos à rússia em trocas dos POW, 52% dos quais aconteceram em 2025. Sabe-se da morte ou desaparecimento de pelo menos 237 ex-POW russos que foram reenviados para a frente de batalha. Quatro soldados russos estão atualmente em cativeiro ucraniano pela segunda vez. 

Quem a rússia aceita em troca? A composição étnica dos russos trocados é marcadamente superior aos demais prisioneiros. Se entre os POW 66% são de etnia russa, então entre os trocados essa proporção sobe para 83%. Moradores de Moscovo/ou e da região metropolitana de Moscovo/ou, das regiões de Krasnodar e Perm, e da região de Rostov foram repatriados com mais frequência do que outros. Raramente são trocados os habitantes e naturais da Chuváchia, Udmúrtia, Calmúquia e da região de Sacalina. 

Primeiramente, o Ministério da Defesa russo se esforça para repatriar aqueles que não estão gravemente feridos e que passaram pouco tempo em cativeiro: 28% dos trocados estiveram em cativeiro por menos de três meses. Outros 40% estiveram em cativeiro entre quatro e nove meses. Entre aqueles que estiveram em cativeiro por mais de um ano, apenas 22% foram aceites em troca pela rússia. 

Quanto aos cidadãos estrangeiros, a rússia não demonstra quase nenhum interesse na sua repatriação e não os solicita para serem incluídos nas trocas. 

Neste momento, milhares de POW russos permanecem presos na Ucrânia, entre eles aqueles que foram capturados nos primeiros dias da invasão, recrutas de Kursk, feridos e doentes. O lado russo recusa-se, pelo quarto ano consecutivo, a devolvê-los aos seus países de origem, no âmbito da promessa de «todos por todos». 

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sexta-feira, janeiro 02, 2026

‼ Os novos crimes de guerra russos em Kharkiv

Devido aos ataques aéreos russos em Kharkiv no dia 2 de janeiro de 2026 os 31 civis ucranianos ficaram feridos, incluíndo um bebê. Um centro comercial foi destruído, prédios residenciais e carros particulares foram danificados, e janelas de uma instituição de ensino foram quebradas. 

Um incêndio começou em áreas separadas, com uma área total de cerca de 200 m². Um prédio comercial e de escritórios, bem como parte da entrada adjacente de um prédio residencial de quatro andares, foram destruídos. 












As equipas/es do Serviço Estatal/dual de Emergência (DSNS) estão atuando no local: socorristas, alpinistas, equipas/es com cães farejadores, pirotécnicos e psicólogos, além dos serviços municipais da cidade, todos estão trabalhando no local dos ataques russos.

Fotos e vídeo: DSNS

Miguel Castelo Branco: o espalhador luso do neofascismo russo

Recentemente, um bibliotecário de Lisboa, Miguel Castelo Branco (MCB), teve a liberdade de emitir uma opinião sobre Ucrânia, ucranianos e presidente Zelensky. Usando a mesma liberdade, decidi comentar a sua escrita.

Possivelmente, o nosso MCB, como muita boa gente nessa Europa fora, tinha dormido na última década, e por isso não se lembra, que a guerra russa contra Ucrânia começou na primavera de 2014, com a ocupação militar e anexação da Crimeia. Na altura, o futuro presidente Volodymyr Zelensky era um mero ator de cinema, exercendo também a gestão da revista à ucraniana, o «KVN». 

Na altura da invasão russa, a Ucrânia foi abandonada por todos, quer pelos EUA, quer pela Europa, mesmo pelos assinantes do Memorando de Budapeste, que deveriam garantir a inviolabilidade das suas fronteiras. Ucrânia optou por não resistir aos invasores, o resultado já conhecemos, os ocupantes russos não ficaram satisfeitos com o anschluss da Crimeia, partindo para a ocupação híbrida do leste da Ucrânia. 

MCB, com uma satisfação bastante doentia, escreve que presidente ucraniano volta dos EUA “cabisbaixo”. Livremente podemos imaginar, que algum parente do Castelo Branco, descreveu, em termos semelhantes em 1939-40, os líderes da Polónia ou dos Estados Bálticos, que viram as suas pátrias nacionais esmagadas e ocupadas pelas forças nazis e/ou comunistas. 

É de recordar, neste sentido, que o presidente da Letónia independente, Kārlis Ulmanis foi detido pelos ocupantes soviéticos em 1940 e deportado ao seu exílio forçado na Rússia soviética. Após o início da guerra nazi-soviética, foi preso em julho de 1941, e em 1942 levado para uma prisão no Turcomenistão. No caminho, contraiu disenteria e faleceu em 20 de setembro de 1942. O seu local de sepultamento permanece desconhecido. 

Presidente da Estónia, Konstantin Päts, foi destituído dos seus poderes pelos ocupantes soviéticos em 1940 e deportado à Rússia soviética. Preso e encarcerado em junho de 1941 na cidade russa de Ufa, os seus netos menores foram levados para um orfanato. Päts, juntamente com o filho Viktor foi enviado para a prisão moscovita de Butyrka. Passou por tratamento psiquiátrico forçado, faleceu no hospital psiquiátrico de Burashevo, na região russa de Kalinin (atual de Tver), em janeiro de 1956. O local exato de sepultamento foi achado somente em 1990. 

Apenas o presidente da Lituania, Antanas Smetona, conseguiu sair do país, chegando à Alemanha, onde solicitou oficialmente à Embaixada dos Estados Unidos em Berlim vistos americanos. O pedido foi concedido, ele morreu no seu exílio nos EUA em 1944. 

Muito possivelmente, o nosso MCB também acha que Estónia, Letónia e Lituânia proclamaram as suas independências nacionais, na sequência de desmoronamento do império russo, não pelo imperativo moral de serem nações independentes e soberanas, mas somente por se “deixaarem sugestionar pelas promessas dos americanos e europeus”. 

Não se duvida, que a humilhação de alguns, faz a alegria dos outros. Também não se duvida que a necessidade de humilhar e a alegria que se sente em ver alguém humilhado, diz muito sobre o caráter e a saúde mental dos indivíduos envolvidos. O caso do Miguel Castelo Branco não foge a essa regra. 

Miguel Castelo Branco escreve sobre “todas as oportunidades que se-lhe [ao Presidente Zelensky] ofereceram para evitar que Ucrânia se desmoronesse…” Se calhar o nosso bibliotecário nunca consultou o Memorando de Budapeste, senão saberia que este documento garantia a segurança da Ucrânia e obrigava os seus signatários (EUA, Grã-Bretanha e rússia) a não usar os meios de coerção, militares ou económicos para tentar colocar em questão a sua independência, soberania ou as fronteiras nacionais. 


A cidade ucraniana de Kupyansk, dezembro de 2025, Fotos: TG @kazansky2017

É muito claro, que o avanço militar russo no leste da Ucrânia resulta em destruição total ou parcial da infraestrutura e do tecido económico e social da região, resultando também na morte e extermínio dos ucranianos, uma espécie do etnocídio, intercalado com vários crimes de guerra praticamente diários.

Apenas nos últimos días a sociedade ucraniana ficou chocada com duas notícias graves. No dia 21 de dezembro, na cidade ucraniana de Pokrovsk, dois militares russos executaram,a sangue frio, sete civis ucranianos, cuja única “culpa” residia no facto de não possuírem nenhum álcool, exigido pelos militares russos. Após o massacre, os ocupantes incendiaram a casa, onde aconteceu o crime e informaram o seu comando de que “liquidaram um grupo ucraniano de sabotagem”.

O segundo caso, ainda mais chocante, se deu no dia seguinte, na mesma Pokrovsk. Um casal ucraniano foi espancado, maltratado e torturado por um grupo de três ocupantes russos. Apesar de, aparentemente, o casal ser favorável ou neutro perante as forças russas de ocupação (não é possível saber mais, dado que depoimento da Viktoria Shvayko, a esposa sobrevivente, foi dado à polícia militar russa em situação de clara coação). Os ocupantes russos, acabaram por executar o marido à sangue-frio e violar/estuprar a sua esposa. De uma forma repetida, de maneiras diversas, sempre muito divertidos, sozinhos e em grupo.

Exatamente este tipo de tratamento aos ucranianos, é endossado, tacitamente e de facto, por Miguel Castelo Branco. Principalmente, quando fala das bandeiras do exército russo, içadas sob os escombros das cidades ucranianas ocupadas, ou seja “libertadas”, na sua visão, objetivamente doentia. Onde a bota dos ocupantes russos está pisando as vidas e a dignidade dos ucranianos. Mortos e presos nos campos de «triagem». Das crianças ucranianas deportadas, violadas, sodomizadas. Tudo isso ao gosto particular do nosso livreiro de Lisboa. Que não se envergonha de evocar o nome de Deus perante todas essas atrocidades russas. O que faz nós recordar o slogan dos actuais neofascistas russos “somos russos, Deus está connosco”, uma reles cópia do famoso slogan nazi: “Gott mit uns”.



A cidade ucraniana de Kostiantynivka após receber a «ajuda russa». Fotos: TG @kazansky2017

Num outro trecho, MCB diz: “que triste destino da Ucrânia serve de lição para outros estados da região que se deixem sugerir…” Mas mais uma vez, podemos usar nossa imaginação e visualizar um Castelo Branco qualquer se dirigir à vítima, de um assalto ou de violência do gênero, desfeita física e emocionalmente: «que seu triste destino serva de lição para as outras que se deixem sugerir». Sugerir a trabalhar, a estudar, a ter uma vida própria... 

No fim, proponho recordar, embora muito rapidamente, o destino dos propagandistas nazis/tas e fascistas, que estes tiveram no fim da II G.M. 

Julius Streicher, o publicitário, político e criminoso da guerra alemão, foi enforcado pelos aliados em outubro de 1946. 

William Joyce, conhecido como “Lorde Haw-Haw”, um propagandista radiofônico nazista/sta anglo-americano foi enforcado pelos britânicos em janeiro de 1946. 

Ezra Pound, considerado por muitos o poeta mais influente do século XX e um radialista fascista e antissemita, passou 12 anos internado num hospital psiquiátrico, não sendo executado apenas graças ao controverso diagnóstico de “esquizofrenia paranóica com depressão”. 

Louis-Ferdinand Céline, um genial escritor francês, propagandista antissemita e pró-nazista, que costumava incentivar o ódio racial e a caça aos judeus. Passou anos fugindo pela Europa fora, cumpriu um ano e meio prisão na Dinamarca e um ano na França. 

Será que podemos esperar que o destino tocará o nosso querido MCB? Que o seu ódio xenófobo e mal disfarçado à Ucrânia e aos ucranianos seja apreciado e condenado pela justiça portuguesa ou ucraniana? Não temos a certeza que isso acontecerá num futuro próximo, mas como diz o ditado popular: “sonhar não custa”. Vários criminosos de guerra nazis/tas sempre foram encontrados pela Mossad. Vários criminosos de guerra russos já foram encontrados e sancionados pela SBU. 

Vivendo numa sociedade democrática do cunho liberal, podemos apenas desejar, que a própria sociedade portuguesa condene o MCB. Que o nosso bibliotecário de Lisboa e apoiante firme do neofascismo russo se torne «o não cumprimentável», aquele à quem a sociedade se recuse cumprimentar ou apertar a mão. Ao menos que seja isso.

⚡️ O comandante do RDK, Denis «WhiteRex» Kapustin, está vivo!

O fracasso dos serviços secretos russos – o comandante do RDK, Denis «WhiteRex» Kapustin, está vivo, e o meio milhão de dólares recebido por sua eliminação fortalecerá as forças especiais da GUR. “Bem-vindo de volta!” – general Kyrylo Budanov felicitou/parabenizou o comandante do RDK e a equipa/e da GUR, que enganou os serviços secretos russos.

Faça click para ver o vídeo

O assassinato de Denis Kapustin, comandante do Corpo Voluntário Russo, a unidade composta pelos voluntários russos, que lutam contra Moscovo/ou como parte da “Unidade Especial Timur” do GUR do Ministério da Defesa da Ucrânia, foi ordenado pelos serviços secretos russos, e meio milhão de dólares foi destinado à execução do crime.

Como resultado da complexa operação especial da GUR, que durou mais de um mês, a vida do comandante do Denis Kapustin, considerado inimigo pessoal do ditador russo vladimir putin, foi salva, e um círculo de pessoas – os que ordenaram o crime nos serviços secretos russos e os executores – também foi identificado.

Vídeo genial que enganou os russos e que valeu meio milhão de dólares: detalhes da operação especial do GUR para salvar a vida do comandante do RDK, Denis Kapustin. 

Para salvar a vida do comandante do RDK e expor a rede de agentes russos, a GUR conduziu uma complexa operação especial em várias etapas, durante a qual sua morte foi simulada. Para corroborar a história, foi criada uma gravação em vídeo da atuação de dois drones de ataque: o primeiro drone «atinge» a van em que Kapustin estava, o segundo filmou as “consequências do impacto” – uma viatura em chamas.

A informação foi divulgada pelo comandante da Unidade Especial “Timur” durante a reunião com o chefe do GUR, Tenente-General Kyrylo Budanov.

“Nossa equipa/e também recebeu a quantia correspondente de fundos alocados pelos serviços secretos russos para a execução deste crime. Neste momento, o comandante da RDK está em território ucraniano e se prepara para continuar cumprindo as tarefas que lhe foram atribuídas”, informou Timur.

Kyrylo Budanov parabenizou o comandante da RDK, Denis Kapustin, que também participou na/da reunião por videoconferência.

“Antes de mais nada, Denis, parabéns pelo seu retorno à vida. É sempre um prazer. Fico feliz que os fundos recebidos para ordenar sua liquidação tenham sido usados ​​para ajudar nossa luta. Desejo sucesso a todos nós e a você pessoalmente”, disse o chefe do GUR da Ucrânia.

O comandante do RDK, informou estar pronto para continuar desempenhando funções de combate e missões especiais à frente da unidade.

“Minha ausência temporária não afetou a qualidade e o sucesso da execução das missões de combate. Estou pronto para avançar para a área de atuação e continuar comandando a unidade RDK”, disse o comandante do RDK.

Kyrylo Budanov, chefe do Ministério da Defesa da Ucrânia, agradeceu a Timur e à equipa/e de inteligência militar pela execução bem-sucedida e excelente da operação especial.

É de recordar que em 2018, SBU tinha efetuado uma operação para proteger a vida do jornalista russo Arkady Babchenko, um dos inimigos jurados do regime neofascista russo. Assim como uma outra operação semelhante foi conduzida em 1982, na França, para proteger a vida do dramaturgo, escritor e dissidente romeno Virgil Tănase e para expor os modus operandi da secreta comunista romena Securitate, na Europa.

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quarta-feira, dezembro 31, 2025

Documentos de identificação que salvaram os ucranianos do Holodomor

Em 31 de dezembro de 1932 na Ucrânia soviética foi aprovada a emissão de passaportes internos para a população. Na prática a decisão se aplicava, quase unicamente aos moradores de cidades e de vilas, ignorando a escravização da quase totalidade dos camponeses ucranianos. Situação que persistiu até 1974, quando as restrições à emissão de passaportes para a população rural foram abolidas. 

Juridicamente a decisão se baseava na resolução da Comissão Eleitoral Central e do Conselho de Comissários do Povo da URSS, intitulada “Sobre o Estabelecimento de um Sistema Unificado de Passaportes na União das Repúblicas Socialistas Soviéticas…”, datada de 27 de dezembro de 1932. 

Os passaportes (o cartão de identidade em forma de uma caderneta) só podiam ser obtidos por moradores de cidades, assentamentos operários, por trabalhadores de transportes e de sovkhozes (farmas de propriedade estatal soviética, que em 1927 eram cerca de 100 unidades em toda Ucrânia e que representavam apenas 1,8% de todos os ativos fixos da agricultura, 0,9% do gado e 4,9% de todos os equipamentos) e de construções novas. Passaportes não eram emitidos para agricultores dos kolkhozes (farmas coletivas, que representavam a absoluta maioria da agricultura soviética daquela época), o que, na prática, levou à escravização dos camponeses ucranianos. Essa situação persistiu até 1974, quando as restrições à emissão de passaportes para a população rural foram abolidas. 

Durante o Holodomor, a maior parte dos camponeses ucranianos, não conseguia sair da sua aldeia e se salvar, pois não possuiam os documentos de identificação. Assim, eles tinham que fugir ou recorrer a medidas extremas. 

«Pai e mãe descobriram que a tia Katya e o marido dela tinham se estabelecido em algum lugar na Donbas. Eles disseram-lhes: ‘se consegue sobreviver, venham morar conosco». O que vocês acham? Meus pais chegaram a isso… É errado, mas é a consequência daquilo que aconteceu… 

Fome em casa, não tem nadica de nada! Durante à noite, para não serem apanhados (não havia passaportes naquela época aos membros de kolkhozes), meus pais foram até a localidade de Kairy, onde passavam os navios a vapor. Eles embarcavam no porão do navio e chegavam à Zaporízhia. Lá, apanharam/pegaram um comboio/trem para a Popasna, ou alguma outra cidade. Eles foram embora. Nós ficamos sozinhos. Acordo de manhã. Vasya: “Galya, os nossos pais foram embora.” Eu pergunto: “Como eles foram embora?” – “Sim, eles foram para Donbas. Talvez encontrem abrigo lá e nos levem logo.” Comecei a gritar: “Eles nos abandonaram, eles nos abandonaram!” E eu desabei em lágrimas. Vasya me acalmou, ele era o mais velho. Eu tinha 7 ou 8 anos, e ele 11… 

Antes de partirem, meu pai combinou com a professora que, se possível, nos colocariam em um orfanato [meu irmão e irmã mais novos já estavam lá, mas não aceitaram as crianças mais velhas]. Só um mês depois, entramos no orfanato. A comida lá era horrível, mas pelo menos nos davam alguma coisa. As crianças estavam morrendo lá. As mais novas – Nina e Vaninho (Nina tinha 4 anos, Vaninho 2) – adoeceram com disenteria. Essa disenteria levou Nina primeiro, e uma semana depois, foi Vanya. 

Já era o fim do inverno – início da primavera de 1934. Lembro-me de uma mesa comprida, de madeira, e estávamos sentados com essas tigelinhas comendo alguma coisa. De repente os rapazes, que já tinham comido, voltaram correndo e gritaram: “Vasya! Galya! Vosso pai chegou!” Eu não acreditei. Vasya foi correr com os meninos. De fato, pai estava perto do celeiro, com o chefe do kolkhoze ao lado dele. Pai já tinha passaporte, já era um homem livre que não pertencia mais à fazenda coletiva...» 

Extrato das memórias de Halyna Kuzmivna Milko, nascida em 1925, na aldeia de Tykhyi Sad, distrito de Hornostayiv, região de Kherson.

domingo, dezembro 28, 2025

A guerra colonial soviética no Afeganistão: as etapas de uma derrocada

Batalhões muçulmanos soviéticos no Afeganistão. Foto de arquivo

A guerra soviética no Afeganistão começou em abril de 1978. Inicialmente, a URSS negou seu envolvimento, e a guerra foi travada por batalhões muçulmanos soviéticos. A data oficial de início da guerra só veio à tona muito mais tarde, com a lei russa «Sobre Veteranos» de 2023. 

Em 24 de junho de 1979, foi criado o Batalhão Muçulmano das forças especiais do GRU do Estado-Maior Geral das Forças Armadas da URSS; seis meses depois, a unidade invadiria a residência do presidente do Afeganistão. O batalhão foi composto por naturais das repúblicas soviéticas da Ásia Central (uzbeques, tadjiques, casaques, quirguizes, turcomanos) que tinham traços físicos semelhantes aos afegãos. A ideia provinha da doutrina do KGB, chamada «maskirovka», disseminar a presença soviética no Afeganistão, ajudar a negar as suas evidências, se salvando do uso de militares, fisicamente parecidos com a população local. 

Em 12 de dezembro de 1979, numa reunião do Bureau Político da PCUS, o governo real da URSS, foi tomada a decisão final sobre invasão soviética em grande escala do Afeganistão. O KGB, o Ministério dos Negócios Estrangeiros / das Relações Exteriores e os representantes do complexo militar-industrial se manifestaram ao favor. O Estado-Maior Geral das forças armadas e os conselheiros militares apresentaram argumentos desfavoráveis. 

Em 25 de dezembro de 1979, tropas soviéticas desembarcaram em Cabul. Oficialmente, o objetivo era «guardar o aeroporto». Um dos aviões caiu nas montanhas. Os soviéticos nunca removeram os corpos. Apenas em 2005, o Ministério da Defesa russo lançou, no local do acidente, à partir do ár, uma placa com os nomes das vítimas. 

Em 27 de dezembro de 1979, Musbat do GRU, usando os uniformes do exército afegão e a unidade «Alfa» do KGB, atacaram a residência do chefe de Estado do Afeganistão (Operação Shtorm-333). Mataram o chefe de Estado, Hafizullah Amin (o homem que convidou os soviéticos ao Afeganistão), uma parte de sua família e centenas de guardas. O chefe de Estado assassinado foi declarado o «agente da CIA», e um novo chefe de Estado afegão, Babrak Karmal, foi trazido de Moscovo/ou. 

O novo chefe de Estado declarou a «revolução de militares patriotas afegãos» e solicitou o envio de tropas soviéticas, que «pela coincidência» realizavam exercícios na fronteira afegã naquele momento. Os militares soviéticos foram indotrinados pela propaganda militar especial de que «se não fossem nós [soviéticos], as tropas da OTAN estariam lá quatro horas depois!» 

2/17/83-Nova Iorque: Esses quatro desertores soviéticos sentados foram entrevistados pela ABC-News numa base rebelde muçulmana no sudeste do Afeganistão. Um dos soldados explicou a sua entrega: “eu não quero matar mulheres e crianças”. Eles disseram que a moral nos regimentos soviéticos é baixa e descreveram a existência de armas químicas, repetidamente negadas por Moscovo. @ABC News 20/20

Em 14 de janeiro de 1980, a Assembleia Geral da ONU adotou uma resolução condenando a invasão. Sanções foram impostas à URSS. Armas chinesas e europeias começaram a ser fornecidas aos mujahidins. Essas medidas aumentaram o custo da agressão, mas não impediram a guerra. 

Em junho de 1982, começaram em Genebra as negociações «para a resolução da situação no Afeganistão». Líder soviético Leonid Brejnev morreu em novembro de 1982. O seu sucessor, ex-chefe do KGB, Yuri Andropov morreu em fevereiro de 1984. O sucessor deste, Konstantin Chernenko morreu em março de 1985. A escalada do conflito só aumentou durante esses anos. 

Em meados da década de 1980, os preços do petróleo começaram a cair. Os mujahidins receberam mísseis Stinger, o que limitou a logística aérea soviética e a capacidade de bombardear a resistência afegã impunemente. O uso generalista de minas limitou a logística terrestre. O custo da continuação da guerra aumentou. 

A propaganda visual anti-soviética afegã 

Em abril de 1988, um acordo sobre a retirada das tropas soviéticas foi assinado em Genebra. Afeganistão e Paquistão eram as partes signatárias, e a URSS tornou-se a garantidora do acordo. A retirada das tropas terminou oficialmente em 15 de fevereiro de 1989. Restaram apenas alguns «assessores». 

O contingente soviético do sudeste do Afeganistão estava sendo retirado através do estreito túnel de Salang. Representantes soviéticos iniciaram negociações de cessar-fogo com Ahmad Shah Massoud, que controlava aquela região, durante a retirada. Ahmad Shah Massoud cumpriu a sua parte do acordo. Enquanto isso, o comando soviético lançava projéteis termobáricos sobre as aldeias vizinhas. 

***

A guerra russo-ucraniana começou em abril-maio de 2014. Inicialmente, o Kremlin negou seu envolvimento, alegando que a guerra era travada por «mineiros de Donbas». A data oficial de início da guerra foi definida pela lei russa «Sobre Veteranos», aprovada em 2023. 

Em 24 de fevereiro de 2022, os paraquedistas russos tentaram ocupar o aeródromo de Hostomel. O Kremlin declarou que «tropas ucranianas patrióticas derrubarão o regime criminoso». Yanukovych foi levado, às pressas, para Minsk. Os exercícios na fronteira se transformaram numa agressão russa.

A guerra colonial soviética no Afeganistão durou nove anos

  • A URSS perdeu aproximadamente 15.000 homens (14.427 exército, 576 KGB, 28 polícia), mais de 400 desapareceram em combate ou se tornaram POW;
  • Cerca de 60.000 foram perdidos pelas forças afegãs pró-soviéticas;
  • Os mujahidines perderam aproximadamente de 75.000 à 90.000 homens. 

O Ocidente lutou no Afeganistão por 20 anos

  • O exército dos EUA perdeu 2.459 militares mortos;
  • CIA, EMP´s perderam cerca de 3.900 contratados;
  • Aliados dos EUA (NATO/OTAN): perderam aproximadamente 1.150 mortos, ou seja, o Ocidente perdeu cerca de 7.500 homens — metade das perdas soviéticas, e em um período duas vezes maior.
  • As forças governamentais afegãs sofreram aproximadamente 66.000 baixas.
  • Perdas dos mujahidin: de 51.000 à 53.000, sem muita precisão.

⚔️🎄 General Kyrylo Budanov — na linha de frente e na oração de Natal

Como parte do trabalho no setor da Frente de Zaporizhia, o chefe do GUR do Ministério da Defesa da Ucrânia, Tenente-General Kyrylo Budanov, visitou à linha de frente para se juntar aos combatentes da “Unidade Especial Timur”, informa GUR MOU. 

Enquanto estava no local das missões de combate, Kyrylo Budanov conversou com soldados e oficiais do GUR que detectam e destroem diretamente os ocupantes russos e o equipamento inimigo. O chefe do serviço especial verificou as condições de trabalho dos combatentes em campo e condecorou os batedores com medalhas por profissionalismo e coragem. 

A chegada do Tenente-General Kyrylo Budanov à posição foi uma surpresa para as forças especiais do GUR – um episódio memorável e importante para cada soldado, que fortaleceu a prontidão para novas conquistas na luta armada pela liberdade da Ucrânia.

Glória à Ucrânia! 

Oração conjunta de Natal

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Em 25 de dezembro de 2025, um serviço religioso de Natal foi realizado na igreja militar de São Nicolau, o Taumaturgo – a liderança e militares do GUR do Ministério da Defesa da Ucrânia se reuniram para uma oração conjunta.

General Budanov e sua esposa Mariana

O chefe da inteligência militar da Ucrânia, Tenente-General Kirill Budanov, participou no culto  ele chegou à igreja com sua esposa Marianna. 

O monumento à lendária figura da Baba Yaga

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Em 23 de dezembro de 2025, um monumento à lendária figura da Baba Yaga foi inaugurado na cidade de Vyshneve, na região de Kyiv. O nome de Baba Yaga (a bruxa má dos contos eslavos) se tornou um símbolo de horror para os ocupantes russos durante a atual guerra russo-ucraniana. Os ocupantes russos chamam, genericamente, de Baba Yaga, os drones bombardeiros pesados, por exemplo, R-18, usados, entre outros, pelas forças especiais da Ucrânia: GUR, SSO e Centro «A» do SBU.