sexta-feira, dezembro 31, 2010

Made in Ucrânia na TV Paraná Educativa

O documentário de longa metragem Made in Ucrânia – Os Ucranianos no Paraná, de Guto Pasko, será exibido pela TV Paraná Educativa neste domingo dia 02 de Janeiro de 2011, as 21h30. A exibição será em rede estadual em canal aberto e em rede nacional via satélite.

A exibição será uma homenagem da TV aos 120 anos de história de imigração da etnia ucraniana ao Brasil, que será comemorado no ano de 2011.

Com 102 minutos de duração, o filme faz um resgate histórico da imigração ucraniana no Estado do Paraná, desde a chegada dos primeiros imigrantes há mais de um século até os dias de hoje, mostrando como os imigrantes mantiveram vivas todas as suas tradições e costumes, tais como a língua, o folclore, a religiosidade, os cantos, artesanato e arquitetura, influenciando diretamente na cultura paranaense.

Mais do que retratar a história desse povo no Paraná, o filme nos mostra um panorama geral da Ucrânia e dos principais acontecimentos políticos que marcaram a sua história, explicando os motivos das três fases da imigração desta etnia ao Brasil, traçando um paralelo entre as comunidades ucranianas do Brasil com a história da Ucrânia antiga, desde o Principado de Kiev (Kyiv) até os dias de hoje, nos evidenciando que, um século depois, a situação econômica e política da Ucrânia não mudaram muito e os ciclos imigratórios continuam.

OS UCRANIANOS NO BRASIL

Os descendentes de ucranianos no Brasil constituem hoje uma comunidade de mais de 500 mil pessoas e estão localizados em sua maioria – cerca de 80%, ou seja, acima de 400 mil –, no Paraná e os demais principalmente ao norte de Santa Catarina, mas também no Rio Grande do Sul, São Paulo, Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Rondônia, Brasília, Minas Gerias, e outros estados em pequena quantidade. No Paraná a maior concentração de ucranianos encontra-se em Curitiba, com aproximadamente 55.000 pessoas (cerca de 3% da população local), mas o maior percentual local ocorre no Município de Prudentópolis, onde numa população de acima de 50 mil, os habitantes de origem ucraniana somam mais de 38 mil, ou seja, cerca de 75% da população local, seguido de Mallet, onde o percentual de descendentes de ucranianos gira em torno de 60%, Paulo Frontin – aprox. 55%, Ivaí e Antonio Olinto – aprox. 45%, Rio Azul e Roncador – aprox. 30%, União da Vitória e Paula Freitas – aprox. 25%, Cruz Machando e Pitanga – aprox. 20%, Irati – aprox. 12%; em outras cidades o percentual é abaixo de 10%.

Na organização civil destaca-se a Representação Central Ucraniano-Brasileira (RCUB), que em sua forma atual foi constituída em 1985. Ela congrega e representa diante dos órgãos governamentais e entidades civis nacionais e estrangeiras as principais entidades constituídas na comunidade e suas organizações: Sociedade Ucraniana no Brasil, Sociedade dos Amigos da Cultura Ucraniana, Sociedade Unificação, Associação da Juventude Ucraíno-Brasileira, Igreja Ucraniana Católica no Brasil e Igreja Ucraniana Ortodoxa Ucraniana no Brasil.

A Igreja Ucraniana Católica no Brasil é a maior é a maior organização comunitária de cunho religioso e cultural entre os ucranianos no Brasil. Está presente aqui, junto aos ucranianos e seus descendentes, desde 1896. Atualmente a sua hierarquia é composta pelo bispo eparca e 2 bispos auxiliares. Sua estrutura é composta de 25 paróquias, 236 igrejas, com 21 padres diocesanos e 62 padres de Ordem de São Basílio Magno atuando no Brasil e 13 no exterior. Convém ressaltar a presença de um bispo emérito, bem como de outro, que hoje atua no exterior. A destacar também há 5 congregações religiosas femininas: Servas de Maria Imaculada, Irmãs Catequistas de Sant’Ana (congregação fundada no Brasil, em Vera Guarani, Município de Paulo Frontin-PR), Irmãs Basilianas, Irmãs de São José e Instituto Secular do Sagrado Coração (fundado no Brasil, em Prudentópolis-PR). Essas instituições possuem centenas de membros, atuando na pastoral junto as igrejas (atendendo crianças, jovens e adultos em sua formação religiosa e cultural), bem como em escolas, particulares e publicas, como também na direção de hospitais, centros de saúdes, orfanatos e casas de apoio aos idosos.

A Igreja Ortodoxa Ucraniana no Brasil, sob a jurisdição do Patriarcado Ecumênico de Constantinopla, tem 1 arcebispo, 2 protopresbíteros mitrados e 8 padres, 47 subdiáconos, 18 igrejas e 2 padres atuando fora do Brasil.

Nas diversas comunidades locais atuam Grupos Folclóricos – atualmente 24, sendo os mais antigos o Barvinok (Curitiba-1930), Vesselka (Prudentópolis-1958), Kalena (União da Vitória/Porto União-1969), Poltava (Curitiba-1985).

IMIGRAÇÃO DOS UCRANIANOS NO BRASIL

Num quadro organizado a partir do livro História do Paraná, Pinheiro Machado & Westphalen (Curitiba, Grafipar, 1969), constam duas colônias oficiais criadas em 1891: Colônia Santa Bárbara – no município de Palmeira, povoada por poloneses, ucranianos e italianos e Colônia Rio Claro – no atual Município de Mallet, colonizada por poloneses e ucranianos.

As informações documentais que temos sobre os imigrantes ucranianos encaixam-se exatamente nessas datas.

Temos o testemunho pessoal de Ivan Pasevich, que em suas memórias – publicadas inicialmente no jornal “Pracia” de Prudentópolis no dia 22/12/1951 – escreve que saiu da Ucrânia, da vila Serveriv, Município de Zolochiv, no mês de maio de 1891, junto com seus pais Teodoro e Sofia e mais três irmãos, ou seja, 6 pessoas, que se estabelecem na Colônia Rio Claro. Informa também, que junto com eles chegaram ao Brasil, até Paranaguá, mas 3 famílias ucranianas.

Esta documentada também a chegada de outra 6 famílias, num total de 32 pessoas, que em 1891 se estabelecem na Colônia de Santa Bárbara, no Município de Palmeira – PR, vindas também de aldeias da Ucrânia ocidental, da região de Zolochiv: Trostanets Malyi, Kotliv. Alguns cognomes desses emigrantes: Harasym, Borchakowskyi, Stecz, Pschitchnyi, Moskalevskyi. Esse foi o começo, modesto, mas documentado. Por isso em 1991 comemoramos o Centenário do inicio da imigração ucraniana no Brasil e em 2011 comemoramos os 120 anos.

Naturalmente o fluxo imigratório se intensificou nos anos seguintes e em 1895 tomou proporções muito grandes (fala-se na vinda de mais de 5 mil famílias) e continuou intenso até pelo menos 1911.

Houve também um modesto fluxo imigratório após a 1ª. Guerra Mundial e outro após a 2ª. Guerra Mundial.

Após a independência da Ucrânia (a partir de 1991) registra-se a vinda ao Brasil de algumas dezenas de ucranianos que aqui fixaram residência permanente. Trata-se – em sua maioria – de profissionais altamente qualificados, que aqui encontraram meios de vida estável. Outros que aqui chegaram por razões diversas, obtiveram a permanência em virtude de casamento com brasileiros ou por legalização.

Texto@ Mariano Czaikowski, Cônsul Honorário da Ucrânia em Paranaguá (Brasil).

Festas Felizes 2011!

Bom Ano Novo para todos os leitores deste blogue, um bom Natal ortodoxo para aqueles que seguem o rito bizantino e tudo de melhor para o ano 2011 para toda a boa gente.

Abraços e até 2011!

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Bónus
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Estudantes ucranianos em Lviv seguem a tradição sueca de “luciatåg”, que tradicionalmente tem o lugar no dia 13 de Dezembro (obrigado ao iamsonicsonia).

Ver no YouTube:
http://www.youtube.com/watch?v=7rpAAOGl-Bo

Estaline que perdeu a cabeça

O monumento de José Estaline na cidade ucraniana de Zaporizhia literalmente perdeu a cabeça. A responsabilidade foi clamada pela unidade anónima móvel da União Ucraniana Tryzub “Stepan Bandera”.

Na sua página da Internet, a organização informa que no dia 28 de Dezembro os seus militantes destruíram “o monumento do carrasco do povo ucraniano e do terrorista internacional José Dzhugashvili – Estaline.”

Escolhendo a táctica de negação, os comunistas desmentiram o sucedido, embora também se recusam destapar o monumento, que neste momento está coberto por um pano. – Os malandros atiraram uma garrafa, não façam a tempestade no copo de água. Tudo está em norma, – rogou o vice – secretário provincial do PCU Oleksander Zubchevski. O PCU também já informou que pretende recuperar o monumento, o único erguido na Ucrânia desde a morte do ditador comunista em 1953.

O Centro de Imprensa do Ministério do Interior da província de Zaporizhia confirmou o facto da corte da cabeça do Estaline por “um grupo de desconhecidos”. O caso é investigado pela unidade operativa da polícia. Os patriotas da Ucrânia são … procurados pela polícia ucraniana (fonte).

Não se deve esquecer que em 2009 a Assembléia Parlamentar do Conselho da Europa (OSCE), comparou oficialmente o comunismo ao fascismo. Além disso, na Ucrânia continua em vigor o Decreto do Presidente Victor Yushchenko que proíbe a construção de monumentos do totalitarismo, recorda o chefe provincial do partido VO Svoboda, Vitaliy Podlobnykov.

Sr. Podlobnykov e os representantes dos outros partidos centristas não excluem a possibilidade do que o caso poderá servir de pretexto para aumento da pressão sobre a oposição não comunista local.

“A maior atenção merece o facto do que o monumento do carrasco do povo ucraniano foi erguido praticamente no centro da Ucrânia. A Rússia do Putin não o fez, a Ucrânia de Yanukovich admitiu isso,” – disse o deputado do partido Batkivshyna Oleh Medvedev.

Fonte: serviço ucraniano da rádio “Liberdade”

Ver Estaline perder a cabeça (YouTube):
http://www.youtube.com/watch?v=RlmbIZfffNg


Blogueiro

Não sou adepto da “guerra dos monumentos”, pois sei que “olho por olho, todo o mundo fica cego”. Preferiria que o monumento comunista seja removido pela ordem judicial. Mas na ausência da sistema judicial robusto e na presença da considerável quinta coluna anti – ucraniana, a rapaziada que visitou Estaline com a rebarbadora eléctrica nas mãos merece todo o meu respeito e admiração.

quinta-feira, dezembro 30, 2010

A perversa mitologia soviética

No dia de hoje, mas 68 anos atrás nasceu Vladimir Bukovsky, neurofisiólogo, activista, escritor e dissidente soviético, libertado da cadeia comunista em troca pelo líder do PC chilena Luis Corvalán.

Infelizmente, o trabalho do Bukovsky é pouco conhecido no Ocidente ou mesmo na Rússia. Em 2008, Vladimir Bukovsky tentou concorrer às eleições presidenciais contra Dmitri Medvedev e viu a sua candidatura sofrer várias pressões ao estilo da junta chilena: perseguições, detenções e prisões dos seus mandatários, a sua própria detenção, etc.

Mas hoje me apetece vós traduzir apenas um pequeno trecho da sua biografia chamada: “Cartas do Viajante Russo”, Nova Iorque, Chalidze Publications, 1981, 268 páginas. Nomeadamente os trechos № 257 e № 258:

“Um amigo meu me contou, que por exemplo, as delegações estrangeiras, que indo a Moscovo passavam pela sua estacão (dos caminhos de ferro), regularmente eram recebidos por um grupo preparado e bem vestido dos artistas locais, em vestes tradicionais (da Moldova), que iniciavam os cantos e as danças mesmo na plataforma (dos comboios). O comboio parava apenas durante 15 – 20 minutos. Antes da chegada (do comboio), nos quiosques da estação dos caminhos de ferro eram colocados o chocolate, as frutas e outros produtos raros, afixando os preços extremamente baixos. Obviamente, toda a população daquela cidadezinha sabia deste espectáculo, mas não deixavam a população local entrar na plataforma para que eles não acabassem em um só momento com os produtos propagandísticos. Apenas os mais ágeis, principalmente os rapazes, conseguiam as vezes penetrar na estação antes da chegada do comboio e se aproveitar (da situação).

Mas quem dos (cidadãos) ocidentais podia só de imaginar uma operação desta envergadura, conduzida para a sua pessoa simples, numa cidadezinha da província, onde o comboio parava por alguns minutos? Obviamente, voltando para casa, o visitante estrangeiro se tornava o guia da propaganda soviética, até sem se aperceber disso”.

Bukovsky Vladimir, “Cartas do Viajante Russo”, Nova Iorque, Chalidze Publications, 1981

quarta-feira, dezembro 29, 2010

Hopak no Parque 2011

“Hopak no Parque” será o Festival bianual da cultura ucraniana da Austrália, que pretende reunir várias colectividades locais, estaduais, interestaduais e internacionais da dança ucraniana, servindo da amostra quer para a sociedade australiana, quer para a comunidade ucraniano – australiana.

O Festival é organizado pela directoria cultural (liderada pelo Taras Galas) da Federação Australiana das Organizações Ucranianas (AFUO), que representa 22 organizações ucranianas da Austrália.

Em 2011 o Festival terá o lugar no dia 30 de Abril em Melbourne no recinto de Myer Music Bowl. Os organizadores prevêem a participação de mais de 300 artistas, vindos de toda Austrália e do estrangeiro em representação das seguintes colectividades: Cossack Brothers; Iskra; Roztiazhka; S.o.V; Verchovyna; Veselka; Volya; Yevshan; Zahrava; participação especial “HRIM” (Nova Iorque).

Venha apoiar o Festival de danças ucranianas e traga os seus amigos para lhes mostrar a dança dos cossacos ucranianos rica e espectacular!

Veja o vídeo promocional do Festival no YouTube:
http://www.youtube.com/watch?v=nrVeqrU0Ric


Visite a página dos ucranianos da Austrália:
http://www.ozeukes.com

Além disso, aqui poderá apreciar alguns eventos ucranianos da Austrália:
Fim do ano na Escola Ucraniana de São André
60° aniversário da União das Ucranianas em Sidney
Festa de Natal em Kambramatta
Festa Anual Paroquial de São André

terça-feira, dezembro 28, 2010

Biblioteca ucraniana: obras vs bestas

A história kafkiana do fecho da única biblioteca pública ucraniana em toda a Federação Russa.

por: Elena Marinicheva (Moscovo)

Ao saber que a biblioteca (ucraniana) está sob a investigação criminal, liguei para os meus velhos conhecidos Natália Sharina (directora) e Vitali Krikunenko (vice – director) e fui ter com eles. "Elena Vladislávovna, os telefones estão sob escuta, venha para cá, aqui falaremos" – disse-me Natália.

Informo. A biblioteca não está encerrada, mas temporariamente fechada para os leitores (assim foi decidido pelos funcionários em consulta com o Departamento de Cultura).

Ensinada pela directora, eu toquei a campainha e bati na janela. “Eles foram fechados – com autoridade me disse um homem sólido, que estava de passagem, e acrescentou severamente – eles armazenavam e distribuíam a literatura extremista. O rádio acaba de informar.” “É, pá!” – disse eu (espero que todos entenderam por que eu não expliquei ao senhor que não considero que a literatura ucraniana como extremista).

Vocês provavelmente pensaram que a questão está no “nacionalismo ucraniano”, do qual, alegadamente é acusada a biblioteca? Absolutamente não. A razão da primeira visita da polícia era a informação de que os “desconhecidos distribuem na biblioteca os panfletos e livros com títulos que exortam a matança dos chechenos, dagestães e outros não russos” (daqui).

É preciso conhecer os funcionários da biblioteca (mulheres) e um conjunto dos seus leitores (sofisticadas mulheres maduras, bibliófilos e assim por diante) para imaginar todo o delírio dessas afirmações! Apesar disso, a busca, na presença dos sete (!) polícias matulões e duas testemunhas ocorreu no dia 21 de Dezembro.

Na verdade, ninguém procurou pelos “panfletos contra os dagestães”. Os policiais digitaram no catálogo informático as palavras: “UPA”, “nacionalismo”, “Exército Insurgente” e exigiram que lhes sejam entregues os livros onde aparecem estas palavras. Na presença das testemunhas os livros foram embalados e levado para fora. Os quais? Por exemplo, dois exemplares do livro do Abdurakhman Avtorkhanov: “Império de Kremlin: imperialismo soviético”. Engraçado o que aconteceu com o livro do Stetsko “Tvory” (“As Obras” em ucraniano). “Tvory”? Então isso significa “bestas”? Isso ele (diz) sobre nós? – Gritou com raiva o bufo. Claro que “As Obras” também foram apreendidas.

Entre os dias 21 e 25 (de Dezembro) os funcionários corriam de um lado para outro na procura dos advogados, pediam a ajuda no Ministério da Cultura (lá não sabiam de nada, não podiam explicar nada e até hoje não podem), no Conselho Social (que é dirigido pelo poetisa moscovita Larissa Vasilieva – também não sabe de nada e não consegue explicar o sucedido).

No dia 25 os “ricos convidados” voltaram. Desta vez o mandato de busca dizia (citado pela Natália Sharina): “a busca é realizada por causa da inadmissibilidade de ter nas bibliotecas a literatura cientológica.” Acho que não há necessidade de especificar, que ninguém se lembrou do L. Ron Hubbard durante as buscas. Desta vez os bufes levaram os discos rígidos de computadores e os formulários de todos os leitores.

Explico. Na Rússia existe a “Lista federal de materiais extremistas”. A Lista é compilada pelo Ministério da Justiça com base em decisões dos tribunais (e apenas desta maneira!). É claro que nada desta lista se encontrava na biblioteca (o Embaixador da Ucrânia na Rússia Volodymyr Yelchenko disse recentemente: “Não existe nenhuma razão para dizer que na Biblioteca Ucraniana de Moscovo existiam os livros que fazem parte da lista de literatura extremista”).

E será caricato imaginar o contrário! Quer a directora (Sharina), quer o adjunto (Krikunenko) são funcionários muito cuidadosos. Desde a expulsão do (fundador da Biblioteca e vice – chefe da União dos Ucranianos da Rússia) Yuri Kononenko, na biblioteca reina o silêncio: nenhumas exposições sobre Holodomor e outros tópicos “duvidosos.”

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Podemos rir? Não é possível por enquanto. Os funcionários da biblioteca são interrogados. É “cozido” um caso criminal… Num instante podem chegar aos leitores. Com sorte, não conseguirão. Com sorte, o senso comum triunfará. Pois deverá ele triunfar em algum lado, em algum caso, pelo menos isso?!

segunda-feira, dezembro 27, 2010

Encerrada a única biblioteca ucraniana da Rússia

As autoridades russas encerraram, selando as suas portas, a única biblioteca ucraniana em todo o território da Federação Russa.

Isso aconteceu no dia 26 de Dezembro, após a segunda busca efectuada no edifício da Biblioteca Ucraniana, durante a qual foram apreendidos os discos duros dos computadores e também os cartões dos leitores, informou a directora da Biblioteca, Natália Sharina.

A busca foi efectuada pelos investigadores do Departamento da Luta contra o Extremismo do Distrito Central Administrativo de Moscovo do Ministério do Interior da Rússia, Pavel Timofeev e Atsamaz Bagdaev. A directora informa que os investigadores se comportaram de maneira inadequada, ameaçando-a. Natália Sharina disse que hoje pretende registar a queixa formal do caso na Procuradoria e no Serviço de Segurança Interna do Ministério do Interior da Rússia.

Natália Sharina também contou que após o preenchimento do protocolo, a Biblioteca Ucraniana foi visitada pela vice – directora da Direcção de Cultura do Distrito Central Administrativo de Moscovo, Oksana Grishina, que declarou que a Biblioteca já deveria estar encerrada, baseando-se em uma carta, alegadamente enviada para Natália Sharina via fax.

Recordaremos que a primeira busca na Biblioteca Ucraniana de Moscovo foi efectuada no dia 23 de Dezembro pelo Departamento da Luta contra o Extremismo. Naquela ocasião, foram apreendidos cerca de 50 livros para a execução da perícia psicolinguística.

Fonte:http://www.day.kiev.ua/321289

Blogueiro: hoje as autoridades russas encerram a única biblioteca ucraniana em toda a Rússia, alegando que essa possui os materiais extremistas; amanha vão se queixar “das perseguições da língua russa na Ucrânia”. E alguns ocidentais ingénuos ainda confiam nestas “cantigas”, criticando a Ucrânia pela “ucrainização excessiva da Ucrânia”…

General dos serviços secretos clandestinos do SB OUN

Na Ucrânia foi publicada a biografia do chefe máximo da maior e mais secreta organização ucraniana, o Serviço da Segurança da Organização dos Nacionalistas Ucranianos (SB OUN), o general Mykola Arsenycz. 

por: Volodymyr Vyatrovych (Centro dos Estudos do Movimentos de Libertação) e Oleksander Ischuk (Arquivo Estatal do SBU)

A sua foto e os detalhes da biografia foram protegidos pela própria OUN; após a morte, o seu dossier do NKVD recebeu a classificação “absolutamente secreto”. Apenas em 2009, durante a abertura dos arquivos do KGB ucraniano, os historiadores tiveram o acesso aos dados, preparando a primeira biografia do general Arsenych, que foi publicada em 2010, no seu 100° aniversário.

Mykola Arsenych nasceu no dia 27 de Setembro de 1910 na aldeia de Bereziv-Nyzhniy na actual província de Ivano – Frankivsk no seio de uma família camponesa. Cedo se tornou o membro do movimento escuteiro ucraniano Plast, proibido pelas autoridades coloniais polacas na década de 1920.

Aos 19 anos, logo após a criação da OUN, Arsenych se filia na organização, e até a sua morte em 1947 se dedica à criação do sistema de segurança de todo o movimento de libertação nacional ucraniano.

Terminado o ginásio em Lviv, ele se matricula na Faculdade de Direito da Universidade de Lviv, que não consegue terminar. Em 1937 Arsenych é preso e à 20 de Janeiro de 1938 é condenado pelo tribunal polaco aos 3 anos de prisão e outros 6 de perca dos direitos da cidadania por “pertencer à OUN”. Depois vieram a cadeia e o campo de concentração polaco de Bereza Kartuska.

No dia 20 de Março de 1939 Arsenych é preso novamente, desta vez pela participação no Congresso dos Estudantes Ucranianos. Mas a ocupação da Polónia pela Alemanha nazi e pela União Soviética ditam a sua libertação da cadeia Brygidki em 21 de Setembro de 1939.

Mykola Arsenych se muda para a Cracóvia, onde naquele momento se baseava a liderança da OUN: Stepan Bandera, Roman Shukhevych, Vasyl Kuk e Mykola Lebid. Em 1939, após um treino militar organizado pela OUN, Arsenych, juntamente com Mykola Lebid criam a contra-inteligência da OUN.

O SB OUN foi formado como órgão de contra-inteligência para a protecção da liderança da resistência nacionalista ucraniana contra a política repressiva dos serviços secretos alemães, polacos e soviéticos. A necessidade extrema de criar o Serviço de Segurança foi revelada após o assassinado, na Holanda, do líder de OUN Yevhen Konovalets, ação efetuada pelo agente do NKVD Pavel Sudoplatov.
A liderança máxima da OUN informa sobre a morte do general Arsenych (1/05/1948)
Em Março de 1941 Stepan Bandera designa o jovem Mykola Arsenych, na altura com 31 anos, como o chefe do SB OUN. Nesta qualidade Aresenych fazia a parte da liderança da OUN, participava nas Reuniões magnas da organização.

Com o início da guerra nazi-soviética em Junho de 1941, Mykola Arsenych volta ao Lviv, onde no dia 30 de Junho de 1941 Dr. Yaroslav Stetsko proclama o Acto de Renovação da Independência da Ucrânia. Após um curto período de não hostilidades, os alemães desencadearam as repressões em massa contra a liderança da OUN e os seus membros; Mykola Arsenych se empenha na passagem da organização para a completa clandestinidade.

Durante 1941 – 1942 Mykola Arsenych criou a rede da SB OUN, efectuou a formação dos seus quadros, desenvolveu as actividades de informação e inteligência. Compreendendo a formula “quem possui a informação – controla o mundo”, liderança do SB criou uma clara ordem de comunicações; para minimizar as possíveis perdas, a sua estrutura funcionava praticamente independentemente das outras unidades da resistência ucraniana.

Em 1942 Mykola Arsenych casou com Hanna Hunko, que desde a Cracóvia trabalhava com ele. O casal, sempre na clandestinidade, não chegou à ter filhos.

No mesmo ano Arsenych participou na criação do Exército Insurgente da Ucrânia (UPA), se dedicando às questões do sistema de segurança interna. Os militares do UPA tinham o dever de cooperar com SB, os comandantes e os lideres que admitiam os novos quadros sem que estes passassem pela verificação prévia do SB, eram considerados “inimigos claros”.

Mykola Arsenych nunca ficava assento em uma região, juntamente com a sua segurança pessoal de 20 guerrilheiros, ele se movia permanentemente de uma zona para outra, efectuando as verificações da rede clandestina. As metas do SB eram: a incrementação da disciplina, limpeza da guerrilha dos agentes soviéticos infiltrados, cuja actividade causava perdas consideráveis. A traição era sancionada com a morte.

Em 1946, o Conselho Supremo da Libertação da Ucrânia (UHVR), condecorou Mykola Arsenych com a Cruz de Ouro – a maior condecoração da guerrilha ucraniana.

Órgãos de repressão soviéticos procuravam constantemente pelo Mykola Arsenych. Para efetuar a sua captura no verão de 1946, o MGB criou um grupo especial dos operativos, que conduziam as buscas em toda a Ucrânia Ocidental. Arsenych nunca tirava as fotografias, até hoje são conhecidas apenas cinco fotos suas, maioria das quais, da época estudantil. Parece que o inimigo soviético não possuía a foto do Arsenych, pois por duas vezes NKVD reportava a sua “liquidação com sucesso”, quando o chefe do SB continuava a dirigir a contra-inteligência da guerrilha ucraniana.

No dia 23 de Janeiro de 1947, Mykola Arsenych, sua esposa Hanna Hunko e mais dois guerrilheiros foram cercados pelas tropas do MGB, no esconderijo (o plano da krijivka do Arsenych foi feito pelo investigador do NKVD) nas arredores da aldeia de Zhukiv no distrito de Berezhany na actual província de Ternopil. Não tendo outra saída, Mykola Arsenych optou por se suicidar para não cair nas mãos do inimigo. O seu corpo foi levado para o reconhecimento até Lviv, depois sepultado em segredo, até agora não se sabe a onde.

Ao título póstumo Mykola Arsenych recebeu a patente do General de segurança. No total, UPA possuía apenas 9 generais.

A estrutura do SB OUN sem as grandes mudanças persistiu até o início dos anos 1950 e no seu desenvolvimento aproximou-se ao nível de profissionalismo dos serviços secretos estatais da época. O Serviço Secreto ucraniano antecipadamente descobria os planos dos adversários, lutava contra os agentes inimigos, garantia a disciplina.

O percurso da vida do Mykola Arsenych, como dos muitos ucranianos daquela época testemunha: eles dedicaram a sua juventude, forças e saúde para a criação de uma Ucrânia independente, ofertando tudo o que tinham para essa grande ideia. Tal como outros membros da resistência clandestina, Mykola Arsenych não podia viver uma vida do cidadão comum, pois considerava que até que Ucrânia seja libertada da ocupação inimiga, o seu dever é lutar pela sua libertação. Desta maneira pensavam e agiam milhares de outros ucranianos…

Título: General Mykola Arsenych: vida e a obra do chefe do SB OUN
Autores: Oleksander Ischuk e Valeriy Ogorodnik
Editora:
Centro dos Estudos dos Movimentos de Libertação
Cidade:
Kolomyia
Ano: 2010
Paginação: 196


Fonte:http://www.day.kiev.ua/298826
(Obrigado à Associação dos Ucranianos de Portugal)

sábado, dezembro 25, 2010

Natal Ortodoxo em Moçambique

Durante a quadra festiva de 2011 a Igreja Ortodoxa do Arcanjo Gabriel em Maputo irá celebrar os seguintes serviços religiosos:

26/12/2010 – Domingo após o Natividade – Divina Liturgia das 9h00 às 11h00

01/01/2011 – Circuncisão do Cristo – Sto. Basílio o Grande – Doxologia do Ano Novo – Divina Liturgia das 9h00 às 11h00

02/01/2011 – Sto. Serafim de Sarov – Divina Liturgia das 9h00 às 11h0

05/01/2011Vésperas da Teofania – Divina Liturgia e a Grande Bênção das Águas das 9h00 às 11h0

06/01/2011Teofania – Divina Liturgia e a Bênção das Águas das 9h00 às 11h0

06/01/2011 – Natal Eslavo – Divina Liturgia e a Comunhão Santa das 19h00 às 20h30

As cerimónias serão conduzidas pela Sua Graça Bispo Ioannis de Moçambique.

quinta-feira, dezembro 23, 2010

Shchedryk: a canção ucraniana de Natal

A canção tradicional ucraniana de Natal, Shchedryk, mais conhecida internacionalmente como “Carol of the Bells” é a melodia ucraniana mais popular ao nível mundial.
A melodia se tornou conhecida graças ao Mykola Leontovych que em 1916 escreveu a música baseada na canção popular ucraniana de Natal. Em Outubro de 1921, o Coro Nacional da Ucrânia cantou esta música no Carnegie Hall. E em 1936, outro ucraniano, Peter J. Wilhousky escreveu o texto em inglês para a rádio NBC, baseado na melodia do Leontovych. A canção se chamava Carol of the Bells. Melodia se tornou popular muito rapidamente, hoje é difícil imaginar o Natal americano sem o Carol of the Bells.

A melodia tem sido usada em muitos filmes, incluindo bem conhecidos como Harry Potter e o prisioneiro do Azkaban ou Sozinho em Casa. Este é um tema muito popular na publicidade. E nenhum coro pode ignorar a música, é quase obrigatório a ter no seu repertório.

Carol of the Bells possui um monte de variações: desde o clássico ao rock, rap, rave e disco. Procurem no YouTube e vocês terão sorte. Mais detalhadamente, podem ler sobre a melodia aqui e ali. E se não forem preguiçosos, podem pesquisar na Internet, encontrando muitas coisas interessantes sobre a melodia ucraniana.

Mais um momento, shedrivky (canções tradicionais ucranianas do Natal) são cantadas habitualmente nas vésperas do Natal e do Ano Novo. Mas originalmente, elas eram cantadas no início de Março, com a chegada da Primavera (na Europa Central), quando acorda tudo, tudo se renova, rejuvenesce, chegam as andorinhas, etc. Significa que se deve cantar Carol of the Bells.

Seria muito legal, se os jornalistas (sobretudo da rádio e televisão) pudessem dedicam mais atenção à essa música fenomenal.

Então, Festas Felizes, espero sinceramente, que, se não for no seu quintal, pelo menos no seu coração reinará a Primavera. Fiquem bem! E desfrutem de uma bela visualização da colecção das várias versões da melodia que você poderá encontrar AQUI (20 variações!). Neste link vocês também vão encontrar a lírica da melodia em inglês e em ucraniano.

O blogueiro ucraniano Kotyhoroshko colocou no seu blogue apenas uma pequena parte do material que tem em casa, fruto da pesquisa detalhada que fez em 2008. Desde ai, apareceram várias novas versões da melodia, mas este é um caso quando é simplesmente impossível encontrar e colocar na Net todas as versões existentes.
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Texto@ Kotyhoroshko

A última versão ucraniana de 2010 é cantada pelo líder do grupo VV, Oleh Skrypka:


http://www.youtube.com/watch?v=vuW4wiBLHVM

terça-feira, dezembro 21, 2010

Tirano Lukashenka declarou guerra ao seu povo

Os belarusos que exigiram uma nova eleição democrática, sem Lukašenka, foram agredidos pelo exército e unidades especiais da polícia. Os candidatos presidenciais foram presos pela KGB.

Outra vez as eleições presidenciais na Belarus foram falsificados, mais uma vez a oposição não foi autorizada a participar na contagem dos votos, os observadores assistiram inúmeras violações, muitos eleitores foram forçados a participar da pré – eleição, os candidatos à presidência não tinham acesso à televisão e outras mídias – tal como durante os últimos 16 anos.

Para elevar a sua voz contra a fraude, seis candidatos de oposição à presidência – Andrei Sannikov, Vladimir Neklayev, Rygor Kostusiov, Yaroslav Romanchuk, Vitaly Rymashevsky e Nikolay Statkevich – apelaram às pessoas se reunir na Praça Kastrychnitskaya (Praça de Outubro) em Minsk, em 19 de Dezembro às 20h:00.
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Em 20h00 já havia 40 mil pessoas reunidos na praça. As unidades especiais da polícia invadiram a sede da campanha de Vladimir Neklayev e apreenderam os alto-falantes, para que estes não pudessem ser usados na praça. O próprio candidato foi espancado e levado fora da sede em uma ambulância.

Os candidatos da oposição anunciaram perante as pessoas que de acordo com a pesquisa independente na boca – de – urnas, Lukashenka obteve apenas 31 % de votos em todo o país. Ele perdeu as eleições e deveria disputar uma segunda volta.
As pessoas estavam gritando "Vá embora!", "Exigimos eleições livres!", "Nova eleição sem Lukashenka!"

Centenas de manifestantes se aproximaram à entrada do edifício do Governo e bateram nas portas. As janelas do edifício foram barricadas com armários. Os armários foram colocados lá pelas unidades especiais da polícia.

Durante 20 minutos os manifestantes tentaram derrubar os armários e entrar no edifício. Se gritavam os slogans "Vá embora!" e "Queremos as conversações". Ao mesmo tempo, centenas de soldados de forças especiais do Ministério do interior, equipados com botas militares, capacetes e escudos saíram da sede do Governo. Eles atacaram o povo, começando a espancá-lo. Os manifestantes estavam caindo no gelo. Eles foram pisados e agredidos. Uma das pessoas agredidas dessa maneira, foi a editora da página http://charter97.org/ Natalia Radzina. A polícia espancava-a e batia-a na cabeça, até que alguém da multidão conseguiu retirá-la do chão.

De acordo com testemunhas, os policiais usavam os aparelhos de choques eléctricos. Além disso um gás desconhecido foi usado contra os manifestantes.

À seguir, os milhares de soldados de forças especiais saíram por de trás do edifício do Governo e começaram a espancar os manifestantes. Dez camiões militares saíram da praça, centenas de pessoas foram espancadas e "embaladas" dentro daqueles camiões.

O candidato à presidência Andrei Sannikov foi empurrado ao chão e espancado. Quando ele e a sua esposa estavam prestes a se dirigir ao hospital, o seu carro foi parado. Sannikov foi mais uma vez arrastado e espancado. No fim, ele foi levado ao centro de detenção da KGB, a sua esposa Irina Khalip foi empurrada para outro carro. Durante a detenção a polícia bateu a sua cabeça contra o vidro, ela foi levada ao centro de detenção na Okrestina (ler mais detalhadamente e ver as fotos).

A Praça de Independência foi cercada por camiões com os militares. Os soldados equipados com coletes e capacetes formaram uma corrente impedindo as pessoas de se aproximar do edifício de Governo, enquanto as unidades especiais da polícia estavam espancando e prendendo os manifestantes. Depois as forças especiais bloquearam a avenida para que ninguém pudesse sair para a rua novamente.

De acordo com activistas de direitos humanos, de 200 a 500 pessoas foram detidas. Eles foram levados para o centro de detenção especial na rua Okrestina e para a prisão temporária de Zhodino. Os candidatos à presidência Kostusiov, Statkevich e Rymashevsky foram presos após o comício, junto com Andrei Sannikov. Natalia Koliada, a chefe do Teatro Livre da Belarus também foi presa. A Chefe do Serviço de Direitos Humanos da Iniciativa Civil Belarus Europeia, Lidia Chistova está no hospital com um traumatismo crânio – cerebral. Centenas de pessoas foram espancadas, e alguns deles foram levados para o hospital do Ministério do Interior com traumas crânio – encefálicos e as cabeças esmagadas.

Informações sobre prisões e detenções vinham durante a noite inteira: Vladimir Neklayev foi detido no hospital, o líder do Partido Unido Civil Anatoly Lebedko foi detido em sua casa.

Ler em ingles & ver fotos:
http://charter97.org/en/news/2010/12/20/34834

Às 4h40 de manha do dia 20, o escritório da página charter97.org foi invadido à força pela KGB e a conexão com a página temporariamente interrompida. A editora, Natalya Radzina, conseguiu mandar uma única mensagem “Todos estamos presos pela KGB.” De momento, não existem as informações sobre o seu paradeiro, assim como de outros voluntários que trabalharam para a página naquela hora (ler mais).

Blogueiro

É impossível não pensar sobre a fortíssima semelhança dos acontecimentos actuais em Belarus com aquilo, que ditadura do Pinochet perpetuou no Chile. Só que na matéria de brutalidade e cinismo, o ditador Lukašenka ultrapassa claramente o seu homólogo latino-americano…

Dmytro Dontsov digitalizado

Aqueles que se interessam pelo legado literário e político do Dmytro Dontsov ou pela ideologia do nacionalismo ucraniano, tem a boa notícia, recentemente foi criada a página dedicada ao Dr. Dontsov.

A página é dividida em “Legado criativo” onde estão reunidos os seus ensaios, livros, artigos; “Seguidores”; “Fotografias”; “Vídeo” com o filme Integral de Estrelas, etc. Brevemente, a página oferecerá aos internautas as edições digitalizadas da Revista Científico – Literária redigida pelo Dr. Dontsov em 1922 – 1932 na cidade de Lviv.
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Os criadores da página procuram as parcerias com outros sítios WEB para a troca do contento.

Na foto @ Dmytro Dontsov e Olena Teliha.

“Botão” da página:

segunda-feira, dezembro 20, 2010

UPA e os alemães

A luta do Exército Insurgente da Ucrânia (UPA) contra dois impérios totalitários: Alemanha Nazi e União Soviética; é uma das páginas pouco conhecidas da história da II G. M.

Usando a linguagem estritamente documental, gostaria de apresentar um dos relatórios secretos dos partisanes soviéticos, enviado para o Moscovo em 1943.

ABSOLUTAMENTE SECRETO

Ex. №

RESUMO

do relatório de inteligência do estado – maior da guerrilha da região de Kamianets-Podilskyi № 7

1 de Junho de 1943. Mapa de 1:100 000, fazenda Horohoviy

Cidade de Slavuta

Nas florestas dos distritos de Ostroh, Shumsky e Mizochski os nacionalistas intensificam as suas acções contra os alemães. Até 60-70 carroças saem às emboscadas e diferentes operações. Bombardeiam os partisanes (soviéticos) e fazem as emboscadas. Decorre o treino militar dos ucranianos mobilizados, até com as canções. Em aldeias maiores se realizam os comícios a propaganda, direccionada para a luta contra os alemães e (contra) o poder soviético, obrigam organizar os postos sanitários.

A polícia polaca, ao serviço dos alemães, foi provocada para se manifestar contra os nacionalistas. Nas aldeias Khoriv, Verkhiv, Rozvazh é observado o movimento (dos nacionalistas) para o Leste, foi invadido o centro distrital de Lyahovtsy e bombardeado Puzhne. Os nacionalistas penetram na floresta de Slavuta. Na região de Ostroh (na área da antiga fronteira soviética) estão estacionadas 2 – 3 grupos (kurin) dos nacionalistas.

Nas aldeias Dorohoscha, Yalvonyn do distrito de Pluzhske, bem como Strihany e outros vilarejos no distrito de Slavuta foram colados os folhetos nacionalistas.

Correcto: Assinatura
Cópia. Texto dactilografado.

CDAGOU (Arquivo Central Estadual de Organizações Públicas da Ucrânia): Depósito (Ф). 62.- Inventário (Оп.) 1.- Processo (Спр.) 253. - Página (Арк.) 73.

Vários outros relatórios (em língua russa) podem ser lidos no Live Journal da blogueira russa Rusistka.

sexta-feira, dezembro 17, 2010

Holodomor ucraniano em filme

O filme documental Holodomor: Genocídio ucraniano de 1932-33 foi produzido pelo estúdio FireLineStudios em 2008, baseando-se no guião do historiador Taras Hunczak e sob a direcção do realizador Bobby Liegh.
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Holodomor ceifou mais vidas do que foram perdidas em todas as batalhas durante a Primeira Guerra Mundial. Entre sete a dez milhões de pessoas, das quais 3 milhões de crianças, morreram em 17 meses. Este filme pretende contar a sua história.

Em 1932-33, a Ucrânia, o celeiro da União Soviética e da Europa, tive uma óptima safra de trigo, mas o seu povo estava morrendo de fome. A fim de destruir a classe dos camponeses independentes e assegurar a colectivização das terras ucranianas, Josef Stalin mandou um exército cruel e bem alimentado dos militantes do Partido Comunista para confiscar todos os cereais colhidos e apreender todos os alimentos nas aldeias. Como resultado deste acto genocidário, até o final de 1933 cerca de 25 por cento da população da Ucrânia – até 10 milhões de pessoas, incluindo três milhões de crianças – haviam morrido.

Em face do terror, os ucranianos tinham pouca possibilidade de escapar ao destino terrível, fugindo para um outro lugar. As viagens foram proibidas aos ucranianos, para mantê-los confinados à uma prisão de fome dentro de suas próprias aldeias. Até hoje, o governo russo insiste em negar a ocorrência deste genocídio, perpetuando “a maior mentira, segredo melhor guardado”.
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quinta-feira, dezembro 16, 2010

Confrontos no parlamento ucraniano

Hoje, cerca das 19h00 (hora de Kyiv), no Parlamento ucraniano se iniciaram os confrontos físicos massificados entre os deputados do Bloco da Yulia Tymoshenko (BYUT) e do Partido das Regiões (PR – a base governamental).

Os deputados do BYUT bloqueavam a tribuna e a mesa do Presídio do Parlamento (Rada Suprema), exigindo a cessação das repressões políticas conta a sua líder, ex-Primeira – Ministra da Ucrânia, Yulia Tymochenko.

Mas um grupo de cerca de 40 deputados do PR conseguiu se introduzir no Presídio, onde imediatamente atacou os deputados do BYUT (cerca de 30 pessoas), usando as cadeiras como as armas de arremesso.

Como escreve no seu twitter o deputado do BYUT Andriy Shevchenko (sem nenhuma ligação ao futebolista), antes do ataque dos bandidos, digo deputados do PR, foi desligada a luz na sala do plenário.

Em resultado do confronto, vários deputados do BYUT sofreram as lesões graves: o deputado Volynets tem a cabeça partida, estava a sangrar; deputado Bondarenko tem o braço partido (foi levado para hospital pela ambulância).

Simplesmente animais. Todas as mesmas caras. Da próxima, os deputados do PR vão atacar com as facas”, – acrescentou deputado.

Devido às tenções políticas, hoje o parlamento ucraniano não se reuniu em secção plenária, os deputados do BYUT manifestam a intenção de permanecer no edifício do Parlamento durante a noite, – escreve blogueiro ucraniano Kotyhoroshko.

Twitter do deputado Andriy Shevchenko: http://twitter.com/ashevch (em ucraniano).

UPD: A oposição deixou o edifício do Parlamento…

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Durante o dia de hoje, Yulia Tymochenko se reuniu com os embaixadores dos países da União Europeia e teve um encontro particular com o Chefe da Representação da EU na Ucrânia, o português José Manuel Pinto Teixeira.

Yulia Tymoshenko chamou a atenção dos europeus sobre o ataque contra a democracia e as perseguições dos oponentes políticos, perpetuados pelo poder ucraniano.

Yulia Tymoshenko também classificou como “caça política às bruxas”, a abertura de um processo criminal contra ela. O Gabinete do Procurador-Geral da Ucrânia abriu um processo criminal que tem como a base a acusação do uso indevido de fundos que Ucrânia obteve com a venda de quotas de emissão de carbono sob o Protocolo de Kyoto.

As autoridades continuam o terror sistemático contra a oposição, sem qualquer respeito pela Lei ou Constituição. Eu só fui informada pelo investigador do que o processo criminal foi aberto contra mim, pessoalmente, por supostamente gastar os fundos ambientais para o pagamento de pensões durante a crise”, disse Yulia Tymoshenko, hoje, após o seu questionamento no Gabinete do Procurador-Geral.

Eles pretendiam me acusar e impedir de sair em liberdade, mas eles não têm o direito de fazê-lo nos termos da legislação processual, sem a presença de um advogado,” acrescentou Yulia Tymoshenko.

quarta-feira, dezembro 15, 2010

Ivan Demjanjuk acusa os juízes alemães

O soldado ucraniano do Exército Soviético, John (Ivan) Demjanjuk foi o prisioneiro da guerra da Alemanha nazi durante a II G. M. Hoje, apesar dos seus 90 anos ele é julgado na Alemanha, acusado dos crimes cometidos pelos nazis alemães.

A declaração que se segue foi escrita pelo Ivan Demjanjuk em ucraniano e traduzida verbalmente para a língua alemã pelo tradutor oficioso durante a sessão pública de julgamento, ocorrida em 23 de Novembro de 2010 em Munique na Alemanha (ler a declaração prévia do Ivan Demjanjuk).

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John (Ivan) Demjanjuk: parem a minha perseguição implacável

Com a decisão do tribunal de continuar este julgamento, os juízes, que não têm qualquer jurisdição e — porque a Alemanha é a sucessora do Terceiro Reich — não tem a competência moral, infringem os princípios de um julgamento justo, a verdade, a lei e o conceito de justiça.

Em Nuremberga, e durante os processos consequentes na Alemanha, nenhum procurador e nenhum juiz se atreveu a distorcer a lei e os factos, tal como tem sido feito aqui. Na verdade, a recusa contínua das autoridades alemãs de assumir a responsabilidade pela tortura e a morte de milhões de prisioneiros de guerra soviéticos e as condições desumanas em que nós estávamos retidos, é uma forma de negar a responsabilidade total alemã no holocausto nazista.

Eu acuso juízes Alt, Lenz e Pfluger:

Os juízes ignoram os factos, a fim de fazer de mim “o chefe do posto alemão”, um simples prisioneiro de guerra, sabendo que todas as provas documentais mostram, sem sombra de dúvida, que isso é ridículo.

Os juízes reescrevem a história e falsificam a decisão polaca (anterior), dizendo que (essa decisão) era única e exclusivamente sobre (o campo de concentração de) Treblinka e não de todo sobre (o campo de concentração) de Sobibor.

Os juízes suprimem os arquivos israelitas, americanos, polacos, russos e ucranianos sobre mim, temendo que há mais provas da minha inocência. Eles suprimem a prova de que eu estava previamente investigado e julgado pelo Sobibor na Polónia e em Israel, mas sobrevivi, apesar dos 7 anos e meio de prisão injusta. Isso tudo é prova do facto, do que o julgamento em Munique contra mim é ilegal e errado.

Os juízes infringem a lei e inventam novas regras, perseguindo-me exclusivamente e mais ninguém, alegadamente por ter sido um “trawniki” e de ter ajudado os nazistas. Nenhum “trawniki” jamais foi processado na Alemanha antes, por algo como ajudar os nazistas. Mesmo os conterrâneos dos juízes foram absolvidos ou nem sequer julgados.

Os juízes, conscientemente e voluntariamente, escolheram os peritos que já foram engajados com a Office of Special Investigation (hoje funciona sob o nome HRSPS), que têm a certeza de que darão o testemunho influenciado e dirigido pela (ex-)OSI, a organização criminosa que fraudulentamente me enviou para Israel na esperança de uma sentença de morte a ser realizada pela supressão de montes de elementos da defesa, tal como os tribunais dos EUA acharam várias vezes.

Ninguém conhece testemunha alguma que permanece viva hoje, a fim de poder contra-interroga-la, para limpar-me dessas acusações.

Os juízes escolheram Charles Sydnor como uma testemunha perita, mesmo que os registos públicos provam que ele é tendencioso, logo em 1989 ele expressou o desejo de me ver pendurado na forca, porque ele acreditava que eu era um monstro.

Além disso, eu chamo a atenção a todas as declarações que o meu advogado de defesa Dr. Ulrich Busch tem escrito ao tribunal em meu nome.

A decisão de continuar com este julgamento é um crime de violação da lei e da privação da minha liberdade.

Com esta declaração, eu trago uma acusação contra juízes Alt, Lenz e Pfluger por violação da lei e da privação da minha liberdade.

Eu solicito que a minha declaração seja fornecida às autoridades que devem investigar e decidir medidas a tomar em relação a esta acusação grave.

John Demjanjuk

Nota: Se você está interessado em entrar em contacto com a equipa de defesa de Ivan Demjanjuk, poderá fazê-lo por e-mail: Help.JohnD @ gmail com

Adicionado por John Demjanjuk Jr., filho do acusado:

“Enquanto eles silenciam os médicos da prisão e negam-nos os relatórios semanais clínicos – contra todas as normas legais e humanitários Ocidentais – os juízes contam com um médico fantoche designado pelo tribunal, cuja terapêutica é de encher o meu pai com várias drogas e declara-lo apto. O viés de corte é ainda mais evidenciado pela sua vontade de ignorar (o facto) do que os arquivos de investigação de Demjanjuk ainda estão escondidos na Rússia. A história do processo em Israel, que quase terminou com a execução do homem errado, deveria fazer com que eles quereriam todas as provas disponíveis.”

Fonte:
http://www.kyivpost.com/news/opinion/op_ed/detail/91023

A versão ucraniana da declaração do Ivan Demjanjuk:
http://a-ingwar.blogspot.com/2010/12/blog-post_4100.html

segunda-feira, dezembro 13, 2010

Wikileaks e Ucrânia

Ucrânia é mencionada em 8 das 278 comunicações das embaixadas americanas vazadas até agora e Holodomor é mencionado duas vezes no período dos últimos dois anos.

por: Stephen Bandera *

No fim de Outubro de 2008, a embaixadora dos EUA no Kyrgistão, Tatiana Gfoeller estava presente em um lanche em Bishkek com o príncipe Andrew da Grã-Bretanha, nas vésperas do encontro entre o príncipe e o governo kyrgis. Muitos assuntos foram discutidos e o príncipe revelou a história que foi lhe contada pelo presidente do Azerbeijão, Ilham Aliyev:

...." [Príncipe Andrew] declarou que essa história foi lhe relatada recentemente pelo presidente do Azerbeijão [Ilham] Aliyev. Aliyev recebeu a carta do presidente Medvedev, dizendo que se Azerbeijão apoiar no seio da ONU a definição da fome artificial bolchevique na Ucrânia como o “genocídio”, então “poderá esquecer Nagorno-Karabakh para sempre.” Príncipe Andrew adicionou, que todos os outros presidentes da região lhe disseram que receberam as cartas “directivas” semelhantes, vindas do Medvedev, excepto Bakiyev. Ele perguntou Embaixadora se Bakiyev tinha recebido algo similar. A Embaixadora respondeu que não tem o conhecimento sobre nenhuma carta deste tipo.”....

Mais recentemente, o ministro russo dos Negócios Estrangeiros, Sergey Lavrov discutiu Holodomor com o seu homólogo israelita Avigdor Lieberman, quando os dois se encontraram em Moscovo no início de Junho de 2009, de acordo com a comunicação da embaixada dos EUA em Moscovo:

...."Lavrov falou da preocupação russa como o “revisionismo histórico” do passado soviético e da II G. M., que, ele disse, é particularmente agudo na Europa Oriental, mas também é presente em Israel. Ele citou o reconhecimento oficial pelo Israel do Holodomor, a fome dos anos 1930, ocorrida na Ucrânia. Lieberman explicou que reconhecendo essa tragédia, Israel não disse que a Rússia é culpada por causa-la, nem (reconheceu) que isso foi um acto do genocídio."....

Lieberman provavelmente não leu o ensaio do Raphael Lemkin sobre o genocídio soviético na Ucrânia. Lemkin era o jurista judeu que viveu na Polónia nas proximidades com a fronteira da Ucrânia Soviética durante os anos de Holodomor; ele também é o homem que é conhecido por cunhar o termo “genocídio”.

Além disso, Israel deixou de se interessar por essa história. Pelo menos, essa é a mensagem que o presidente israelita Shimon Peres recentemente deixou na Ucrânia, discursando em um fórum público:

Se me perguntarem que conselho dar a Ucrânia, eu diria: esquecem a história, a história não é importante... vocês não serão capazes de evitar os erros do passado, vocês simplesmente cometerão os novos,” cita o blogue Ucrânia – Moçambique.

Porque o presidente russo ameaçou os líderes dos estados do espaço pós – soviético com as consequências terríveis, se eles reconhecerem Holodomor como genocídio? Porque o ministro russo dos Negócios Estrangeiros discutiu a mesma matéria com o seu homólogo israelita?

Ucrânia nunca acusou a Rússia, como estado, de nada, de facto o tribunal ucraniano estabeleceu a culpa dos sete organizadores da fome, liderados pelo José Stalin: dois russos, dois judeus, um georgiano, um polaco e um ucraniano.

Então, porque a Rússia ficou tão irritada com a campanha do Presidente Victor Yushchenko do reconhecimento do Holodomor?

Uns podem argumentar que (Ucrânia) poderia exigir da Federação Russa as reparações financeiras, na qualidade de sucessora legal da URSS, se a comunidade internacional reconhecer o genocídio (tal como Alemanha paga pelo Holocausto).
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Se argumentaria também que Rússia não se importa em pagar, é mais preocupada em perder a face.

Outros argumentarão que a narrativa ucraniana do Holodomor e qualquer outra narrativa histórica independente da Rússia é inaceitável, pois minaria os planos da Rússia de restabelecer a hegemonia.

A Rússia deseja não apenas que Ucrânia faça parte do Espaço Económico Comum, mas quer ver todas as repúblicas ex-soviéticas como parte do Espaço Histórico Comum. (O Espaço Religioso Comum e o Mundo Russo do Patriarca Kiril fazem parte do plano, mas é um outro assunto).

Ali não haverá o espaço para o Holodomor ucraniano único, na experiência comum partilhada da União Soviética. A Colectivização só poderá (existir como) a tragedia comum compartilhada por todas as pessoas da Grande Pátria (como por exemplo a Grande Guerra Patriótica em vez de II G. M.).

Moscovo apenas não conseguiria obter isso de outra maneira, o que foi demonstrado pelo Wikileaks. Isso faz do Holodomor e outros eventos do passado mais do que apenas a história longínqua: isso é a geopolítica do futuro muito próximo.

* Stephen Bandera é o repórter e o antigo jornalista do Kyiv Post, ele também mantém um blogue na Internet kyivscoop.blogspot.com
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** O título do artigo é da responsabilidade do blogue Ucrânia em África.

Fonte (em inglês)

sexta-feira, dezembro 10, 2010

FEMEN no frio

A organização ucraniana alegadamente feminista – FEMEN, organizou o mono – comícioNo Frio”, que decorreu nas ruas de Kyiv em protesto contra a falta de aquecimento municipal na capital ucraniana.

De acordo com as declarações das participantes no evento: “A tortura pelo frio é um dos métodos favoritos usados pelas autoridades ucranianas. Cada Outono eles afirmam estarem preparados para a estação fria, mas cada Inverno os ucranianos congelam nos seus apartamentos. As razões para isso são as maquinações dos burocratas, que ironicamente, em geral, vivem nos países quentes.”

As activistas disseram que foram detidas pela polícia, que tentou as acusar de hooliganismo pela participação no evento, assim como pela organização do protesto contra a violência exercida sobre as mulheres nas estradas ucranianas.

Foto & Texto: Serhiy Svetlitsky

Dez bravos. Os dissidentes ucranianos.

O Grupo Ucrânia – Helsínquia (UGG) foi fundado em Novembro de 1976 para monitorar o estado dos direitos humanos na Ucrânia soviética. O grupo estava activo até 1981, quando todos os seus membros foram presos pelas autoridades da URSS.
O objectivo do grupo era monitorar o cumprimento do governo soviético dos Acordos de Helsínquia, garantir a plenitude dos direitos humanos aos cidadãos. O grupo baseava a sua viabilidade jurídica na Acta Final de Helsínquia, Princípio VII, que estabeleceu o direito dos indivíduos de conhecer e agir segundo os seus direitos e deveres.

No dia 9 de Novembro de 1976 Mykola Rudenko na conferência de imprensa no apartamento do Alexander Galich em Moscovo (em Kyiv não residia nenhum jornalista estrangeiro acreditado), informou oficialmente sobre a criação do Grupo cívico ucraniano de promoção e implementação dos acordos de Helsínquia.
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Apenas duas horas depois, as janelas do seu apartamento em Koncha-Zaspa, nos arredores de Kyiv foram apedrejadas com tijolos. A sua esposa, Raisa Rudenko e outra dissidente ucraniana, Oksana Meshko que estavam naquele memento no apartamento tapavam as janelas com almofadas e cobertores, mesmo assim Oksana Meshko foi ferida no ombro. “Assim KGB, – brincava Rudenko, – festejou a criação do Grupo Ucrânia – Helsínquia”.
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O meio do Grupo Ucrânia – Helsínquia era bastante amplo e heroicamente resistente. Eram ex-presos políticos, seus familiares e amigos, jovens que não queriam mais sufocar na atmosfera falsa da ideologia oficial do “comunismo científico”.

Em Julho de 1988, os antigos membros do Grupo Ucrânia – Helsínquia, Vyacheslav Chornovil, irmãos Mykhaylo e Bohdan Horyn proclamaram a criação do União Ucrânia – Helsínquia (UHS), a primeira organização política na URSS, que liderou a luta pela independência nacional e pelos direitos humanos na Ucrânia.

Mykola Rudenko foi o primeiro Presidente e Fundador do (UGG). Para homenageá-lo, o escritor americano de ficção científica Arthur C. Clarke deu nome a uma das personagens do seu livro “2010 Odisseia no Espaço”. Após 10 anos nos campos de concentração soviéticos ele emigrou para Alemanha e daí para os EUA. Em 1988 foi lhe retirada a cidadania soviética. Em 1990 voltou a Ucrânia, onde participava na vida política e social. Ganhou o prémio Shevchenko de Literatura, em 2000 recebeu o título de Herói da Ucrânia. Morreu em 2004 em Kyiv.

Oles (Oleksandr) Berdnyk foi escritor de ficção científica. Combateu na II G. M., foi ferido. Prisioneiro político soviético em 1949-1955 e 1979-1984; foi o autor de vários documentos do UGG. Traiu o UGG ao troco da sua libertação da cadeia em 1984. Já em liberdade escreveu cerca de 15 livros de ficção. Morreu em Kyiv em 2003.

Dr. Ivan Kandyba, jurista. Co-fundador da União dos Trabalhadores e Camponeses Ucranianos, pelo que em 1961 foi condenado à 15 anos de campos prisionais. Prisioneiro político entre 1981 – 1988. Em 1990 criou o grupo político “Independência Estatal da Ucrânia". Foi o fundador e editor do jornal da organização: "Nação Invencível". Dirigiu o partido político “Organização dos Nacionalistas Ucranianos na Ucrânia.” Morreu em 2002 em Lviv.

Dr. Levko Lukyanenko, jurista. Co-fundador da União dos Trabalhadores e Camponeses Ucranianos, pelo que em 1961 foi condenada à morte, pena substituída por 15 anos de campos prisionais. Juntou-se à UGG em 1976. Condenado em 1977 aos 10 anos de campos prisionais e 5 anos de exílio. No total, passou 27 anos nos campos de concentração soviéticos. O embaixador da Ucrânia no Canadá em 1992 – 1993. Herói da Ucrânia. Vive nos arredores de Kyiv.

Dra. Oksana Meshko, química. O seu pai foi fuzilado pelo regime soviético, um dos filhos combateu e morreu nas fileiras do UPA, outro foi o dissidente Oles Serhienko. Em 1947 foi acusada de preparar o atentado para assassinar Khrushchev, sentenciada aos 10 anos de campos prisionais. Em 1980 Meshko foi compulsivamente internada no hospital psiquiátrico durante 75 dias. Foi presa pela KGB aos 76 anos de idade e condenada à 6 meses de prisão e cinco anos de exílio. Em 1989 – 1990 participa activamente na vida política ucraniana. Morreu em 1991 em Kyiv, oito meses antes da proclamação da Independência da Ucrânia.

Dr. Mykola Matusevych, historiador. Expulso da Faculdade da História da Universidade de Kyiv e mais tarde preso pela filiação na UGG, acusado de se dedicar à “agitação e a propaganda anti-soviética” e “hooliganismo”. Sem ser ouvido no julgamento foi condenado à uma pena de 7 anos de campos prisionais, mais 5 anos de exílio. Vive na província de Kyiv.

Eng° Myroslav Marynovych. Foi preso em 1977 pela sua filiação na UGG, sentenciado à 7 anos de prisão e 5 de exílio. Fundador da Amnistia Internacional na Ucrânia. Um dos publicitários e teólogos mais respeitados da Ucrânia, é Vice-Reitor da Universidade Católica Ucraniana. Vive em Lviv.

Dra. Nina Strokata, microbiologista. Esposa do ex – prisioneiro político Sviatoslav Karavanskiy: 1944-1960 e 1965-1978. Por razões políticas foi despedida do Instituto Médico de Odessa em 1971. No mesmo ano foi presa, acusada de “difundir o samizdat ucraniano”, de escrever a carta em defesa dos dissidentes e de não repudiar publicamente o seu marido. No início de 1972 foi novamente presa e, posteriormente, condenada aos 4 anos de prisão. Em Novembro de 1979, após a sua libertação, juntamente com o marido emigrou para os EUA. Morreu e foi sepultada em Denton (Texas).

Dr. Oleksiy Tihiy, filósofo. Graduado pelo Departamento de Filosofia da Universidade Estadual de Moscovo, estudou no Instituto Agrário de Zaporizhia e Instituto da Engenharia de Transporte de Dnipropetrovsk. Trabalhou na construção civil, foi professor de física, matemática e língua ucraniana, bombeiro. Preso em 1957 por protestar contra a ocupação soviética da Hungria. É acusado de “agitação anti-soviética” e “difamação do partido comunista soviético e da realidade soviética” e punido com sete anos dos campos de trabalhos forçados e 5 anos de privação de direitos civis. Em 1977 foi condenado à 10 anos dos campos de trabalhos forçados e 5 anos de exílio. Morreu em 1984 no hospital prisional de Perm (actual Rússia). Em 1988 a sua campa foi transladada para a Ucrânia, juntamente com as sepulturas dos dissidentes ucranianos Vasyl Stus e Yuri Lytvyn.

General Petro Hrygorenko. Membro fundador do Grupo Ucrânia – Helsínquia e Moscovo – Helsínquia. Nascido no sei de uma família camponesa trabalhou como mecânico, engate carro nos caminhos-de-ferro, bombeiro e condutor de locomotiva. Criou o núcleo da Juventude Comunista (Komsomol) na sua aldeia em 1922, foi delegado ao Congresso do Komsomol de 1930, membro do Comité Central do Komsomol da Ucrânia em 1929-1931. Desde 1927 é membro do Partido Comunista. Estudou na Faculdade de Engenharia Civil do Instituto de Tecnologia em Kharkiv (1929-1931). A partir de 1931 abraça a carreira militar, é graduado pela Academia Militar de Engenharia de Kuibyshev, em 1934-1937 ocupava as posições do comando nas Forças Armadas no Distrito Militar de Belarus. Em 1939-1943 serviu no Extremo Oriente, participou na Batalha de Khalkhin Gol (1939). Em 1943-1945 está nas frentes da II G. M., ferido duas vezes. Terminou a II G. M. com a patente de coronel e Chefe do Estado-Maior da Divisão. Foi condecorado com a Ordem de Lenine, duas Ordens da Bandeira Vermelha, Ordem de Estrela Vermelha, Ordem da Guerra Patriótica e seis medalhas. No Outono de 1963 organizou o grupo clandestino “União de Luta pela Revitalização do Leninismo”. Em 1964 é detido e encarcerado pelo KGB. Recusou a oferta do chefe da KGB V. Semichastny de “arrepender-se” para evitar a prisão e julgamento; é enviado para o exame psiquiátrico forense no tristemente famoso Instituto Serbski. Em 19/04/1964 foi considerado como “impossível de julgamento” com a diagnose de: “desenvolvimento da personalidade paranóica, decorrente de traços de personalidade psicopática”. Pela decisão do Colégio Militar do Tribunal Supremo da URSS foi enviado ao tratamento psiquiátrico compulsivo, foram lhe retirados todos os patentes militares. Apoiou activamente a luta dos Tártaros da Crimeia pelo direito de retornar à pátria, da onde foram deportados em 1944 pela decisão de Stalin. Em 1970 e 1973-1974 é novamente submetido ao tratamento compulsivo no hospital psiquiátrico. Em Novembro de 1977 recebeu a permissão de viajar aos EUA para o tratamento médico. Nos EUA absteve-se de quaisquer declarações políticas, mas pelo decreto do Presídio do Soviete Supremo de 13 de Fevereiro de 1978, foi lhe retirada a cidadania soviética pelas “acções que comprometem o título de cidadão da URSS”. No exílio, finalmente abandonou as ideais comunistas, tornou-se o membro activo da comunidade ucraniana nos EUA, crente da igreja ortodoxa ucraniana. Sepultado no cemitério ucraniano de Bound_Brook em New_Jersey. Pelo decreto do presidente russo Boris Yeltsin, em 1993 Petro Hrygorenko foi postumamente reintegrado no posto de major – general. O seu nome foi dado à avenida de Kyiv, praça em Lviv e várias ruas na Crimeia.

Conferir as fotografias dos membros do UGG

quinta-feira, dezembro 09, 2010

Solidariedade com Liu Xiaobo

A Fundação Memorial Vítimas do comunismo organiza em Washington DC o comício popular em apoio do Prémio Nobel da Paz Dr. Liu Xiaobo.

Presenças: Serão presentes os representantes das organizações de direitos humanos, os líderes dos grupos políticos e religiosos, os proeminentes congressistas americanos.

Local: Memorial Vítimas do comunismo: esquina da Massachusetts Ave. e New Jersey Ave., Washington, DC.

Data & Hora: Dia 10 de Dezembro; das 11h00 às 12h00. Após o comício terá o lugar o fórum sobre o futuro da democracia na China (Fundação Heritage, das 12h30 às 14h00).

A atribuição do Prémio Nobel da Paz ao Liu Xiaobo é um momento decisivo na longa luta pela democracia na China. O governo chinês mantém Liu na cadeia e ameaça os líderes mundiais para não comparecerem na cerimónia de premiação em Oslo no dia 10 de Dezembro. Precisamos de nós unir para enviar uma mensagem clara ao governo chinês do que as suas acções são contraproducentes e inconsistentes com a promoção da harmonia e estabilidade na China e no seio da comunidade internacional.

A Fundação Memorial Vítimas do comunismo

A posição do poder ucraniano

Como é sabido, a RP China fez uma enorme pressão para que os embaixadores dos países acreditados na Noruega não estarem presentes na cerimónia de atribuição do Prémio Nobel da Paz ao Dr. Liu Xiaobo.

O governo ucraniano, formado pelo Partido das Regiões & Partido Comunista aposta na recepção dos investimentos chineses, mas também não quer perder os benefícios da sua cooperação com a União Europeia. Por isso, o embaixador ucraniano não será presente na cerimónia, alegando a necessidade protocolar de estar em Kyiv em uma reunião de trabalho no Ministério dos Negócios Estrangeiros.

Os 44 países confirmaram a sua presença na cerimónia; os 19 párias se recusaram: China, Rússia, Cazaquistão, Colômbia, Tunísia, Arábia Saudita, Paquistão, Sérvia, Iraque, Vietname, Afeganistão, Venezuela, Filipinas, Egipto, Sudão, Cuba e Marrocos.

Dois países ainda não se decidiram, escreve o BBC Ucraniano.

quarta-feira, dezembro 08, 2010

Pugilista ucraniana no Family Guy

Na semana antepassada, no cartoon americano Family Guy, a única pessoa sã daquela louca família, a matriarca Lois, decidiu dedicar-se à carreira da pugilista profissional e teria que enfrentar a adversária ucraniana.

Surpreendentemente, Lois sabia falar ucraniano:

Lois: Sinto muito, isso é um erro terrível, o meu marido idiota arranjou essa luta sem o meu conhecimento… (o sino toca e Lois leva um murro na cara).
Peter: Ela é da Ucrânia, Lois, ela não fala o inglês.
Lois: Tudo bem, meni shkoda pro vas… (leva mais um murro). (Lois fala a variação do ucraniano usado na Diáspora, significa literalmente: eu tenho pena de você. Em ucraniano corrente seria meni vas shkoda).
Peter: Ela é da outra parte da Ucrânia, é uma fala (regional) diferente.

Fonte

Posto no Vimeo por Andrew UkrCdn

Ukrainian Boxer on Family Guy from Andrew UkrCdn on Vimeo.

terça-feira, dezembro 07, 2010

Trilogia sobre Ucrânia publicada na França

Na França foi publicada a trilogia de ficção dedicada à história contemporânea da Ucrânia, compreendida no período entre 1914 à 1950, escreve jornalista Alla Lazareva do serviço BBC Ucraniano.

O autor da trilogia é o jornalista e escritor francês Roman Rijka. A primeira parte da sua saga se chama Sete comboios da imperatriz (9782350870540), 18,05 € e conta a história da proclamação da 1ª República Ucraniana e da guerra de libertação.

O segundo livro Os campos canibais (9782350870748), 18,05 € (formato de bolso: 6,56 €) é dedicado ao tema do Holodomor.

Dez anos após percorrer as estepes do império em chamas, para salvar a sua amiga Olga, a princesa deposta; a jornalista Tatyana Duschene tem encontrado alguma paz de espírito em Paris. Mas o seu reencontro com Olga vai mudar tudo: ela mostrou-lhe as cartas que confirmam os rumores alarmantes – os líderes do império causaram a fome para esmagar a resistência dos camponeses. Olga tenta mobilizar o Ocidente para salvar o seu povo, Tatyana foi até lá para tentar denunciar o governo…

O terceiro e último romance da trilogia O império de milhares das palavras (9782350871127), 20,9 € têm como o pano do fundo a II G. M. e aborda a temática da luta de libertação nacional do Exército Insurgente Ucraniano (UPA).

Como explicou o autor do livro, ele soube sobre Holodomor dos pais da sua esposa. “Porque escolhi Ucrânia como o local da história? Porque a minha esposa é ucraniana e a sua família sofreu muito do Holodomor. A mãe do meu sogro foi a única sobrevivente da sua família em 1933. Ela perdeu os pais, dois irmãos, a irmã… A família foi “dekulakizada”, ela própria não morreu só porque trabalhava como governanta em casa de um polícia soviético”, – contou o escritor francês.

Roman Rijka espera que com ajuda de literatura poderá derreter pouco – a – pouco a indiferença geral francesa à tragédia de Holodomor, contrabalançando a influência activa moscovita, que nega o estatuto de genocídio relativamente aos acontecimentos de 1933.

Estou convicto, do que a literatura, o romance, é uma maneira boa a agradável, que ajuda aos franceses conhecer os ucranianos e a história ucraniana. Mas na França temos ser muito pacientes. Os franceses possuem muitos preconceitos relativos a Ucrânia. Por exemplo, muitos meus conterrâneos conhecem Shevchenko – o futebolista e não conhecem Shevchenko o poeta…’’, – notou Rijka.

Roman Rijka é o jornalista Raymond Clarinard, o vice – editor do semanário francês Courrier International. No seu trabalho profissional ele aborda constantemente o tema do Holodomor. A sua revista publica as traduções sobre o tema da imprensa ucraniana e russa. Como nota o editor, nem todas as edições russas negam o carácter deliberado do crime contra o povo ucraniano. No que toca a posição pessoal, Raymond Clarinard disse que na questão do Holodomor ele não tem duvidas: Holodomor era, de facto, o genocídio dos ucranianos.

Lembraremos que em Julho de 2010 a Ucrânia foi visitada pela jovem realizadora francesa Benedict Banet, que está a produzir o filme documentário sobre Holodomor de 1932-1933 e o extermínio dos intelectuais ucranianos nos anos 1930. No Outono de 2009, a famosa companhia teatral britânica, British Royal Shakespeare Company apostou na encenação da peça The Grain Story dedicado ao tema do Holodomor.

Fonte