domingo, junho 12, 2016

Euro 2016: Ucrânia se prepara para o jogo com Alemanha

Os torcedores ucranianos se preparam em Lille para o jogo com Alemanha. A preparação decorre no ambiente “fraternal e amigável”, principalmente para com os fãs alemãs. Em contraste profundo com os confrontos da rua, provocados pelos torcedores russos em Marselha.
Marcha de Igualdade em Kyiv (KyivPride 2016)
Vida da pessoa * Acima de tudo / Os direitos das minorias = direitos humanos
De esquerda para direita: Mustafa Nayyem e Serhiy Leshenko (partido presidencial BPP)
Na capital da Ucrânia, Kyiv, pela 5ª vez executiva decorreu a “Marcha de Igualdade”, (em apoio as ideias de segurança pessoal e pública, dos direitos humanos e da não discriminação) uma ação final da Fórum Internacional da comunidade LGBTI “Kyiv Pride”. Cerca de 1500 pessoas participaram na marcha, contra apenas 300 no ano passado, entre eles pelo menos 7 deputados do Parlamento da Ucrânia, na sua maioria do “Bloco Petró Poroshenko”. A marcha, coordenada com a Administração de Kyiv e guarnecida pelos cerca de 6.500 agentes da polícia e da Guarda nacional, mais 200-300 operativos do SBU, da polícia à civil e da procuradoria, sem incidentes passou da Universidade Taras Shevchenko à estação de metro “Praça Lev Tolstoy”.
Os seus oponentes organizaram uma contra manif e algumas ações esporádicas, em resultado polícia nacional deteve 57 pessoas, contra 10 foram levantadas as contra-ordenações de ações de hooliganismo leves, todos os detidos foram libertados, informa a Rádio Svoboda (Rádio Liberdade).
"Kyiv é contra a propaganda do pecado de Sodom"

Euro 2016: 3 dias de batalha campal entre ingleses e russos

Pelo terceiro dia consecutivo a cidade francesa de Marselha é o palco de violentos confrontos da rua entre os fãs de futebol da Inglaterra e da Rússia, os confrontos que continuaram no estádio, durante o jogo, empatado pelas duas seleções.
Em resultado dos confrontos pelo menos dois torcedores ingleses lutam pelas suas vidas, um dos quais sofreu uma paragem cardíaca depois de ser atacado por um bando de fãs russos. Cinco outras pessoas ficaram feridas nos confrontos e nove foram presas. Diversos fãs estão sofrendo de cortes desagradáveis devido a garrafas atiradas.
A polícia de choque, vestida com armaduras pesadas, lançou as bombas de gás lacrimogéneo e canhões de água em uma tentativa desesperada para travar a luta que estava fora do controlo.
Algumas testemunhas descrevem as cenas como como um “campo de batalha” e contam que os britânicos estavam a ser alvo de grupos de gangues russos. Um inglês foi ouvido gritando para com os bombeiros franceses na cena do crime: “É por causa de seu país, é uma f *** ing desgraça”. Um outro fã disse: “Foram os russos que provocaram tudo isso, um bando de russos veio para a direita no meio de tudo e começou a dar socos”.
Ventiladores com fãs sangrentos foram vistos sendo tratados como os confrontos se alastrou, com cadeiras de fora bares e cafés sendo esmagado separados e usados ​​como armas.
Mais de 1.000 policiais, 1.100 agentes de segurança e 850 bombeiros foram mobilizados para o Stade Vélodrome para assistir o jogo Inglaterra – Rússia do sábado à noite, escreve Express.co.uk.

sábado, junho 11, 2016

Euro 2016: a qualificação da Ucrânia

A terceira classificada no Grupo C da fase de qualificação, a selecção ucraniana ficou a oito pontos da Espanha e a três da Eslováquia. Destaque para a verdadeira “fortaleza defensiva” que a Ucrânia montou para a fase de apuramento – conseguindo manter a baliza inviolada em seis dos dez jogos que disputou – com apenas quatro golos sofridos no total.

No playoff de apuramento a Ucrânia encontrou a Eslovénia e o extremo Andriy Yarmolenko foi decisivo ao marcar um golo em cada uma “mãos” levando os fanáticos fãs ucranianos à loucura e a sua selecção… ao Euro 2016!

O Historial no Euro

A Ucrânia participou pela primeira vez num Europeu como co-organizadores em 2012, juntamente com a Polónia (curiosamente uma das equipas que lhe calhou este ano em sorte no Grupo C).

A sua aventura nos grandes palcos europeus até nem começou mal, com uma vitória frente à Suécia (com dois golos do icónico avançado Andriy Shevchenko). Mas uma derrota contra a França e um “frango” do gurada-redes Pyatov frente à Inglaterra (juntamente com um golo mal anulado a Marko Devic) empurraram a Ucrânia para fora do “seu Euro”. Por falar em Andriy Shevchenko, que jeito daria à equipa contar com o Bola de Ouro ainda no activo…

A Equipa

Mykhaylo Fomenko assumiu os destinos da Ucrânia em Dezembro de 2012, precisamente a meio da fase de qualificação para o Mundial do Brasil. Nos seis jogos que faltavam, levou os ucranianos a cinco vitórias e apenas um empate frente à Inglaterra.

No playoff de apuramento Fomenko surpreendeu o mundo do futebol ao vencer categoricamente a França por 2-0, mas uma derrota com três golos sem resposta atirou a Ucrânia para fora do Mundial. Na convocatória para o Euro 2016, ausência surpresa (ou até não, dado o histórico “lesional”) do avançado do Estugarda Artem Kravets, que marcou três dos 14 golos ucranianos na fase de qualificação. Destaque para a chamada do jovem de 19 anos Oleksandr Zinchenko que se estreou a marcar no recente particular com a Roménia (4-3), batendo o recorde de Shevchenko como o mais jovem jogador a marcar um golo pela equipa sénior da Ucrânia.

A Figura: Yevhen Konoplyanka
Konoplyanka é o único ucraniano que joga actualmente numa grande Liga europeia, tendo chegado ao Sevilha esta época a “custo zero”, depois de se projectar para a ribalta carregando às costas o seu Dnipro até à final da Liga Europa.

Na sua primeira época em Espanha acabou por não jogar tanto como gostaria, mas no tempo em que foi utilizado, deixou sinais muito positivos para o que aí vem. Desiquilibrador nato a partir do flanco esquerdo, Yevhen é um jogador que em dia sim dá “cabo da cabeça” a qualquer lateral-direito, registando médias de dribles eficazes por jogo ao nível dos melhores. A capacidade de drible é complementada por uma grande precisão no cruzamento, mas faltará à Ucrânia um ponta-de-lança ao nível do saudoso Shevchenko, para aproveitar os desequilíbrios de Konoplyanka e Yarmolenko.

Aposta GoalPoint: Yevhen Khacheridi
Kacheridi é um defesa-central no pico da sua forma e que, aos 28 anos, quererá aproveitar o Euro 2016 para dar o salto que já devia ter dado há muito. Saltar é mesmo o ponto mais forte do jogo de Khacheridi, que graças ao seu 1,98m apresentou uma eficácia nos duelos aéreos de 80% na fase de qualificação, tendo mesmo entrado no onze ideal GoalPoint Ratings ao lado do italiano Chiellini. Mas há mais. Entre todos os jogadores que jogaram a fase de qualificação e vão estar na fase final, o central do Dynamo Kyiv é o que tem a mais elevada média de acções defensivas por 90 minutos (14,1)! Nem que fosse só pelo porte físico, seria impossível Khacheridi não dar nas vistas em França, mas a nossa aposta vai para que se fale dele por muitas e boas outras razões.
O seleccionador ucraniano é bastante claro nas suas ideias: “Não gosto de jogar um estilo de jogo aberto. Se tu não sofreres golos, não perdes!” E será com esta mentalidade que a Ucrânia irá enfrentar o Grupo C do Euro 2016!

Frente a equipas como a Alemanha, Polónia e até Irlanda do Norte a concentração e a coesão defensiva voltarão ser a preocupação máxima, com os centrais Rakitskiy e Khacheridi a tentarem repetir a “muralha ucraniana” da fase de apuramento. E marcar golos? Para facturar os ucranianos voltarão a confiar em lances de bola parada e nos contra-ataques venenosos e letais de Yarmolenko e Konoplyanka (GoalPoint.pt)
Achtung Alemanha, vem ai os cossacos da Ucrânia!

Cavalheiros germânicos vs Cossacos ucranianos
No domingo Ucrânia fará o seu primeiro jogo no Euro 2016. O seu adversário será a poderosa Alemanha. O jogo e o seu resultado foi previsto ainda em 1970 no famoso catoon ucraniano “Como os Cossacos jogaram futebol” (18´23´´). A primeira parte é dedicada ao jogo contra os alemães que não foi nada fácil, dado às técnicas de avanço em formação de cunha («Panzerkeil») ou de porco («Schweinkof»). Apesar disso, os cossacos ucranianos ganharam por 1:2, lamentamos pelos alemães, mas tudo já foi previsto!
https://www.youtube.com/watch?v=dcAgNsrVVz4

sexta-feira, junho 10, 2016

A Madonna ucraniana: as fotos da Anna Senik

A Internet cirílica e não só, adorou a seção fotográfica ao estilo étnico, da autoria da fotógrafa ucraniana Anna Senik, (o nome artístico – Ładna Kobieta), que é uma ode ao amor materno.
Os usuários on-line ficaram emocionados com a sessão delicada de fotos da ucraniana com a sua filha pequena, feitas em estilo étnico. A secção completa das fotos da Anna Senik que podem ser encontradas na sua página pessoal, ladna-kobieta.com.ua, são partilhadas na Internet entre os ucranianos e amigos da Ucrânia.
A blogosfera ucraniana classifica estas imagens como exemplo da beleza impecável da Madonna ucraniana, alguns blogueiros viram neles a alusão ao famoso quadro do Leonardo da Vinci Madona Litta.
A modelo ucraniana que participou nesta tocante sessão de fotos, Olga Lisovska, compartilhou as suas memórias do evento: “Eu amo esta série de fotos. Lá está todo o meu amor pela filha, o orgulho da primeira maternidade e fascínio pela amamentação da sua pequenina... É difícil descrever tudo por palavras, mas Anni Senik foi capaz de transpor e mostrar vós todos esses momentos... Obrigado à todos que até agora admira e vê o calor humano destas fotos!”
Anna Senik (Ładna Kobieta) é uma fotógrafa ucraniana que trabalha no estilo de fotografia étnica, temas, maioritariamente ucranianos, mas também se interessa pela autenticidade de outros povos. A fotógrafa colabora com os museus, colecionadores de roupas vintage, artistas populares, membros de grupos folclóricos e todos os envolvidos na preservação e desenvolvimento da cultura nacional ucraniana.
 Anna Senik na imagem artísitica da Ładna Kobieta
Anna Senik na imagem artística de Ładna Kobieta
Todas as fotos @ladna-kobieta.com.ua

quinta-feira, junho 09, 2016

A guerra ucraniana do soldado Brian

Brian Boehringer (as vezes grafado como Berenger), o franco-atirador da lendária 101ª Divisão Aerotransportada do Exército dos EUA e veterano da guerra no Iraque, foi um dos três cidadãos norte-americanos que celebraram o contrato oficial com o Ministério da Defesa da Ucrânia em abril de 2016.

A situação na zona de conflito no leste da Ucrânia novamente se deteriorou seriamente nas últimas semanas da primavera e nos primeiros dias de verão. Em combates novamente são usados os equipamentos pesados que deveriam ser retirados da linha de contacto, em conformidade com o acordo de Minsk-2. De acordo com relatos não confirmados oficialmente, várias vezes, os separatistas abriam o fogo usando até os sistemas de mísseis “Grad”. Os combates com uso de armas ligeiras e morteiros ocorrem diariamente em quase todas as direções – desde Donetsk até Mariupol. Os pontos mais quentes são a área industrial de Avdeevka, aldeia de Zaytsevo, a aldeia Opytne nos arredores do aeroporto de Donetsk. E a lista não é completa...

Brian Boehringer passou quase por todos estes pontos quentes, vindo à Ucrânia para realizar pessoalmente o compromisso dos Estados Unidos ao abrigo do memorando de Budapeste. Passando por algumas unidades voluntárias, em abril de 2016, ele assinou um contrato oficial com as Forças Armadas da Ucrânia (FAU). O Decreto presidencial que permite aos estrangeiros ou cidadãos apátridas servir nas FAU foi assinada pelo Petró Poroshenko ainda em novembro de 2015.
Da esquerda para a direita: Brian Boehringer, voluntário georgiano (atrás) e Craig Lang
As fotos do Brian Boehringer e do outro ex-militar americano, Craig Lang, fizeram o furor na Internet, quando eles, na companhia de voluntários georgianos e de mais um cidadão americano, Dave Claman, receberam oficialmente as cadernetas militares emitidas pelo Ministério da Defesa da Ucrânia. Ação, que poderia ser vista como campanha das RP do comando militar ucraniano é encarada diferentemente pelos voluntários americanos: eles vieram a Ucrânia para ensinar os militares ucranianos e para proteger as vidas da população civil.

Na realidade, para Brian Boehringer a guerra já acabou, na Ucrânia ele conheceu uma jovem mulher ucraniana, o casamento está nos planos de ambos: “ela disse: ou eu ou a guerra e eu escolhi ela”.

O serviço russo da rádio Liberdade conduziu uma entrevista com Brian Boehringer que pode ser ouvida AQUI (15´03´´) em tradução russa. A seguir é a sua breve transcrição em português, exclusiva do nosso blogue.
A caderneta militar ucraniana do Brian Boehringer
Brian Boehringer (28) nasceu aos 24 de setembro de 1987 na família do militar americano numa base americana na Alemanha Federal. Os seus pais e uma irmã vivem nos EUA no estado da Carolina de Norte. Todos os homens da sua família, de uma ou de outra forma, são ligados ao exército dos EUA, por isso, Brian sempre sonhava com a carreira militar. Após terminar a escola secundária ele se alistou no exército onde serviu por quatro anos. No exército, Brian passou pela infantaria, depois se tornou franco-atirador e servia como batedor na 101ª Divisão Aerotransportada.

Apesar de não ser de descendência ucraniana ou eslava, após o início da guerra russo-ucraniana, em abril de 2014, ele decidiu que deveria ajudar Ucrânia. Através de uma rede de contactos, Brian achou os responsáveis ucranianos que trataram da sua vinda à Ucrânia, onde ele ajudou na formação dos militares do DUK PS (Setor da Direita), dos batalhões “Donbas” e “Dnipro-1”, da 80ª Brigada aerotransportada e 54ª Brigada especial mecanizada das FAU.   

Brian veio à Ucrânia com a sua própria mira ótica, recebendo no país as armas bem modernas, casos de Weatherby Vanguard e Winchester Magnum, em 2016 ele usava uma Barret e SVD.
O contrato com as FAU foi celebrado apenas por dois meses, este até já expirou. O seu amigo, Craig Lang, e mais 10 cidadãos não ucranianos (georgianos, cidadãos da UE e um australiano), continuam servindo na zona de Operação Antiterrorista (OAT), em diversas unidades, formando os militares ucranianos. Acusados por propagandistas russos e separatistas de serem “mercenários”, Brian e o seu pessoal recebem o salário padrão do militar ucraniano (cerca de 150-200 dólares mensais).

Brian comenta a acusação separatista de forma muito objetiva: – se [acreditar] que eu combato pelo dinheiro, sou o mercenário pior pago desta planeta. Eu poderia ir à guerra pelo “Blackwater” (até 2009 é o nome de uma das maiores empresas militares privadas americanas, atualmente se chama “Academi”) e ganhar centenas de milhares de dólares por ano. Mas eu fui para Ucrânia e durante o 2015 combati de forma gratuita. Mesmo aconteceu neste ano, além dos últimos dois meses, quando ganhei algumas centenas de dólares. Nos Estados Unidos, eu posso ganhar mais em 24 horas num emprego de salário mínimo.
Brian e Craig no refeitório militar ucraniano com insígnias da Legião Georgiana 
Desde a independência da União Soviética, Ucrânia era um amigo e aliado dos EUA. Os seus soldados ajudavam-nos, morriam nas nossas guerras, auxiliavam-nos na guerra global contra o terrorismo. Seríamos os maus amigos, se depois de [ucranianos] nos terem ajudado, não os ajudaríamos [...] Ucrânia ajudou os Estados Unidos quando renunciou as suas armas nucleares no âmbito do Memorando de Budapeste. O mundo inteiro, e não apenas a América, disse à Ucrânia: desistem de armas nucleares, e nós vamos ajudar-vos se alguém vos atacará. Os nossos políticos falam por nós. Se eles dão uma promessa – nos também damos essa promessa. Se você não pode cumprir a promessa – não deve a dar.

RS: – A guerra na Ucrânia é a guerra civil ou a guerra da Rússia com Ucrânia? Você pessoalmente viu os soldados russos no leste da Ucrânia?
BB: – Ambas. No Donbas existem as unidades regulares do exército russo. Eles usam equipamentos de alta tecnologia e os equipamentos caros. Eles são usados durante as operações ofensivas de grande escala. Quando não se trata de uma ofensiva séria, eles passam para a retaguarda. – Vi, sim.

– Quais são as diferenças e as semelhanças entre a guerra no Iraque e na Ucrânia?
– A guerra na Ucrânia é mais parecida com a guerra convencional entre dois lados opostos do que a guerra no Iraque. Combatemos os tipos que vestem as uniformes militares. Você consegue determinar, de uma distância bastante grande, quem é o inimigo e quem não é. Ou, pelo menos, supor, com um grau razoável de certeza. Praticamente não se usam nenhuns dispositivos explosivos improvisados, mas há minas modernas. A diferença é pequena, ambas as guerras matam as pessoas, mas a guerra na Ucrânia é muito mais parecida como uma guerra tradicional.
Brian na posição do franco-atirador
– Muita gente, pelo contrário, a chama de novo tipo de guerra, a “guerra híbrida”.
– Ela é “híbrida” no sentido de que a Rússia está tentando fazer parecer que não participa nesta guerra e lá combatem apenas os “milicianos”. Em relação aos métodos diretos de guerra é muito mais convencional do que a guerra no Iraque ou no Afeganistão. [...] A guerra na Ucrânia é uma espécie de mistura de I e a II G. M. Aqui existem trincheiras, as áreas residenciais, você sabe onde está o inimigo e o inimigo sabe onde você está. Esta é uma guerra muito convencional. [...] Aqui, quase todos vestem as uniformes, embora muitas vezes diferentes, mas certamente possuem as faixas coloridas para determinar quem é amigo, e quem não é.

– Como você avaliaria o estado e a nível de preparação das partes desta guerra? Do exército ucraniano, dos militares russos e das chamadas “milícias”?
– [...] Em geral, falando das “milícias” é um pesadelo completo, embora alguns das suas unidades são melhor preparadas do que as outras. Se falamos sobre as unidades do exército russo [...] eles são muito melhor treinados, melhor equipados e combatem muito melhor do que os exércitos das ditas “dnr” e “lnr”. Até certo ponto isso é verdade para os combatentes da Ucrânia. Algumas das unidades são melhor equipadas do que outras, algumas unidades possuem mais recrutas e, nas outras a maior parte são profissionais. Mas, em geral, o lado ucraniano parece muito mais profissional do que os seus adversários.

– Que momento na guerra você se lembra mais?
– Quando combatíamos nos arredores de Mariupol, uma vez ficamos sob o fogo muito intenso. Contra o nosso jipe dispararam 8 ou 9 morteiros. Graças à Deus ninguém morreu, mas a viatura ficou completamente perfurada. Eu tenho as fotos. Milagrosamente, apenas o nosso motorista foi ferido por estilhaços no ombro.
– A guerra na Ucrânia já dura o seu terceiro ano. Quando e como, na sua opinião, essa guerra poderá acabar? Acha que a ajuda americana à Ucrânia ao nível oficial deve ser continuada e expandida?
– Na verdade, Ucrânia tem militares suficientes, e esses militares possuem bastante entusiasmo e coragem para vencer. Mas quando se trata de política, esses conflitos podem levar bastante tempo. – Quero observar que os Estados Unidos, mesmo assim, ajudar Ucrânia – no domínio do equipamento técnico do exército e de outras formas, por exemplo através do envio de instrutores para treinar os militares. É claro, é uma questão de honra para os Estados Unidos – ajudar Ucrânia e continuar a fazê-lo na medida do possível.

– Voltemos à sua noiva ucraniana. Como vocês se conheceram?
– Logo no início, no consulado ucraniano me deram os números de telefones de pessoas que me poderiam ajudar com contatos na Ucrânia. Incluindo a gente da diáspora ucraniana dos Estados Unidos – temos muitos ucranianos que recolhem a ajuda financeira enviando-a ao exército e aos batalhões voluntários. Numa destas reuniões, um ucraniano me disse: “Eu tenho a irmã na Ucrânia, você irá gostar dela”. Começamos nos comunicar on-line, depois a conheci pessoalmente, estamos indo muito bem, e em breve vamo-nos se casar. Quando o meu contrato terminou, ela disse: “Tudo bem, agora ou sou eu, ou a guerra”. Eu escolhi ela. Por enquanto estamos na Ucrânia, mas eu espero que iremo-nos mudar. A sua família vive na mesma cidade que a minha. Assim, o casamento, certamente será celebrado nos Estados Unidos.
Agora Brian Boehringer reúne os documentos necessários para pedir o visto à sua futura esposa e pensa, onde irá passar a sua lua-de-mel. Se não fosse a guerra russo-ucraniana, este lugar poderia ser até na Rússia: “Ei gostaria muito de subir o monte Elbrus e pescar na península de Kamchatka, um dos últimos lugares no mundo, intocados pelo homem” (fonte @rádio Svoboda).

Blogueiro: a propaganda anti-ucraniana tentou usar do facto de três (!) cidadãos americanos assinarem os contratos oficiais com as FAU como um grande factóide que supostamente deveria provar a suposta aliança malévola entre Ucrânia e os EUA. Todos aqueles que têm a memória curta e juízo curto, deveriam se lembrar da placa que nos meados de maio de 2016 foi oficialmente inaugurada no espaço público do mosteiro de São Trindade da Igreja Ortodoxa Russa (IOR) em Moscovo. A placa, apenas e só, menciona os nomes dos 39 cidadãos da federação russa que vieram ilegalmente à Ucrânia para matar os ucranianos. Por azar deles, foram eliminados pelas forças ucranianas, em um único combate à decorrer em 26 de maio de 2014, pelo controlo do novo terminal do aeroporto de Donetsk.   

A Brigada LitPolUkrBrig participa nos exercícios militares “Anaconda 2016”

A brigada da infantaria Lituano-polaco-ucraniana (LitPolUkrBrig) começou o seu treino de campo de simulação da operação de estabilização no âmbito dos exercícios militares “Anaconda 2016”, que estão à decorrer na base militar Nowa Deba na Polónia até o dia 17 de junho de 2016.
A cerimónia de abertura dos exercícios foi realizada sob a orientação de comandante da Brigada, o brigadeiro-general do exército polaco Adam Joks. Durante o discurso de abertura o brigadeiro-general Adam Joks salientou a importância da participação das forças multinacionais nos exercícios “Anaconda 2016”. Segundo ele, estes exercícios abrem as oportunidades para o aprofundamento da cooperação entre os países parceiros, podem aumentar o nível de formação e reforçar o entendimento entre os militares.
Os exercícios “Anaconda 2016” oferecem ao comando militar da Brigada a possibilidade de confirmar a interoperabilidade, assim como desenvolver a cooperação com parceiros já existentes e potenciais, – disse o general Adam Joks.
O Vice-Comandante da Brigada, coronel das Forças Armadas da Ucrânia (FAU), Volodymyr Yudanov salientou que para a Brigada este o primeiro grande evento de treino de combate desde a sua criação formal em 26 de janeiro de 2016. O comando militar da Brigada implantou no terreno e usa o centro militar operacional que permite gerir as unidades durante as simulações de operações de estabilização.
Vale à pena ressaltar que os exercícios “Anaconda 2016” decorrem num dos maiores polígonos das Forças Armadas da República da Polónia e envolvem mais de 31.000 militares dos 23 países. Durante a execução dos exercícios será verificada a aplicação de uso das forças multinacionais ao nível tático (fonte e fotos1; Facebook).

Sobre a LitPolUkrBrig
O comando militar da Brigada é chefiado pelo tenente-coronel lituano Eligius Senulis, outras posições de chefia são ocupados pelos militares dos países fundadores na base rotativa. Quando a Brigada atingirá o pico da sua capacidade operativa, o comando militar será composto por cerca de 100 funcionários civis e militares, a número dos efetivos da unidade chegará aos 4.000 – 4.500 efetivos.
Lituânia, Polónia e Ucrânia irão contribuir com um batalhão de infantaria (Ucrânia já contribuiu na formação da Brigada com a 80ª Companhia especial de pára-quedistas de assalto), as unidades da Brigada poderão serem usadas nas missões da manutenção da Paz sob o mandato do Conselho de Segurança da ONU. A decisão de usar a Brigada nas operações militares internacionais será tomada pelos países participantes sob acordo mútuo. Os batalhões da Brigada serão aquartelados nos respetivos territórios nacionais, da onde se dirigem aos locais dos exercícios militares ou às operações de combate (fonte).

Bónus

A estratégia russa e a ameaça envolvente na área de não acesso na Europa


A trajetória da política nacional da Rússia combinada com o seu programa de rearmamento em curso representa uma ameaça crescente à segurança Euro-Atlântica. As ações russas na Geórgia, em 2008, na Ucrânia desde 2014 e a escala e o âmbito dos seus exercícios militares “repentinos”, especialmente o seu foco em alta intensidade convencional – e, em alguns casos, [capacidades] nucleares – as operações contra a NATO e países aliados (nomeadamente a Finlândia e a Suécia), destacam a crescente beligerância e afirmação da Rússia. Isto é baseado em profunda insatisfação de Moscovo com o acordo [global] pós-Guerra Fria, em particular no que diz respeito à Europa Oriental e [os países] da antiga União Soviética, e um desejo de reconhecimento como uma grande potência. Além disso, o objectivo fundamental de longo prazo para a política nacional russa é a afirmação da primazia sobre a antiga União Soviética, em especial em termos estratégico-militares.

Ler o artigo original em inglês “Russian strategy and the evolving anti-access/area denial threat in Europe”: http://www.defenceiq.com/air-land-and-sea-defence-services/articles/russian-strategy-and-the-evolving-anti-accessarea