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| Imagem: Alesha Stupin (Igor Ponochevniy) |
Isto aplica-se não apenas aos moscovitas étnicos e não apenas aos portadores do passaporte russo. O autor destas linhas observou uma reacção semelhante na Crimeia, ainda completamente ucraniana, em 2004, na reacção dos ditos «pequenos burgueses», a populaça da Crimeia (incluindo as mulheres) em relação aos rumores de que o presidente da Ucrânia, Viktor Yanukovych era um violador, na sua juventude. As emoções eram nem tanto de negação (embora as exigências ritualísticas «queremos as provas contundentes!» estavam presente, mas de forma bastante frouxa), mas sim, de apoio («com quem isso não aconteceu!»; «bem, foi uma violação ou foi por amor, quem sabe agora, é sempre difícil de dizer!»; e até «tantas pessoas fizeram isso na vida!»)
Esta é uma nuance importante na propaganda.
O moscovita não rejeita os crimes de guerra em Bucha, aprova-os.
Moscovita sabe perfeitamente que «algo alí aconteceu», e para uma parte significativa da população russa isto é um mero lapso e não um escândalo, alias, mais um incentivo para assinar o seu próprio contrato militar: se os soldados russos podem fazer isso, então eu também quero ser um soldado russo!
O mitologema já bem antigo (em parte historicamente correcto) sobre a omnipotência do NKVD-KGB funcionava de forma semelhante.
No moscovita médio, este enredo não causa horror e rejeição, mas horror misturado com deleite e um forte desejo de se aliar aos mais fortes.
Os factos comprovados sobre as violações em massa (incluindo menores, incluindo com subsequente tortura e assassinato) de mulheres alemãs em Berlim, NUNCA causaram a condenação do moscovita médio, mas apenas aumentaram o orgulho e o desejo de «podemos repetir».
Numa palavra, mensagens sobre atrocidades, agressões, tortura e violação — talvez (o autor não o afirma) são eficazes entre o público ocidental, mas definitivamente ineficazes para um público moscovita e pró-russo.
Não causam nenhuma desmoralização do inimigo.
A sua desmoralização é causada somente frente as situações e enredos em que os «seus meninos» se mostram indefesos, tornam-se vítimas e, mais importante, demonstram fraqueza, e não a força.
A agressão e a força são identificadores dos moscovitas.
A força impõe o maior respeito entre todas as outras qualidades humanas.
Além disso, na cultura popular russa, as vítimas de violência são sujeitas a humilhação. Como afirma um ditado russo, que normaliza o estupro: «Se cadela não querer — o cão não salta!» Mais ou menos o mesmo se afirma na sociedade moscovita sobre os homens estuprados (e assim humilhados e rebaixados) na hierarquia do sistema prisional russo. Onde o violador é visto claramente com aprovação, como uma pessoa forte e proativa. Já a sua vítima é vista com forte repulsa e, mais importante, como sendo eternamente disponível para mais violência e mais abusos. Físicos e emocionais. Assim de um tubarão que assim reage ao sangue no mar.

1 comentário:
Uma sociedade sem ética e padrões morais. Aqui no Brasil, dizer q um político rouba não escandaliza a sociedade. Tem até gente q diz q no lugar deles faria o mesmo. Os padrões morais dessas sociedades são rebaixados. Esses povos não evoluíram para possuírem uma sociedade moral e valores mais avançadas. São sim bastante tolerantes com corrupção e violência. Os pobres continuam votando no Lula ainda q ele roube. Não mudam.
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