![]() |
| Oleg Sokhanievich, década de 1970 |
![]() |
| Oleg Sokhanievich, arte, 1990 |
A sua carreira artística não se desenvolvia devido a posição não-conformista de criar fora dos padrões do realismo socialista. A arte de Sohanievich foi fortemente criticada pelas autoridades soviéticas por ser abstrata e não seguir as diretrizes artísticas soviéticas. A sua carreira e desenvolvimento artísticos não foram possíveis sob tais restrições. As autoridades negaram a permissão para exposição pública dos seus trabalhos. Sohanievich decidiu firmemente abandonar a URSS e, como não tinha meios legais para viajar para o estrangeiro, decidiu-se por uma fuga extremamente perigosa por mar.
Em 1965, fez uma tentativa falhada de chegar à Turquia a nadar, à partir de uma praia perto de Batumi, na Geórgia. Com apenas 17 quilómetros até à Turquia, aquela fronteira estava extremamente bem vigiada e guardada. Sohanievich escondeu as roupas debaixo de uma pedra na praia e começou a nadar, escondendo a cabeça com o capuz das luzes da patrulha fronteiriça que patrulhava a zona. Infelizmente, a forte corrente impediu o seu avanço, acabando por desistir e regressar à costa.
![]() |
| Sohanievich e sua escultura em técnica «Escultura de Stress» |
Este fracasso não diminuiu o seu desejo de escapar. A 7 de agosto de 1967, ele e o seu amigo, o artista de Leningrado Gennady “Cosmos” Gavrilov (1934-1990?), que decidiu fugir com ele, saltaram do navio de cruzeiro «Rossiya», que fazia a ligação entre Yalta e Novorossiysk. Na água, encheram o barco insuflável de borracha, escondido numa mochila e começaram a remar rumo ao sul. Ao nono dia, chegaram à costa turca, tendo nadado mais de 300 km em 119 horas. Em breve Sohanievich foi autorizado a emigrar para os Estados Unidos.
![]() |
| Navio soviético «Rossija», que serviu do ponto de fuga ao Ocidente |
O episódio marcante da biografia de Sokhanevich tornou-se conhecido, principalmente, graças à bravura da canção «A Glorificação de Oleg Sokhanevich», do poeta e tradutor russo Anri Volokhonsky e poeta e artista vanguardista Alexey «Khvost» Khvostenko (música e performance - Alexey Khvostenko):
Escapei do cativeiro,
Desejei a liberdade,
Naveguei na superfície das águas,
Eu não sou um bashi, muito menos um bazouk,
Não sou inimigo, nem o amigo,
Por favor, não me causem problemas.
![]() |
| Oleh Sohanievich, exposição em Nova Iorque, 1972 |
Nos EUA Sohanievich viveu em Nova Iorque. A aura de Nova Iorque, os seus arranha-céus e a cultura do East Village tiveram um impacto significativo na sua visão artística. Em 1972, segundo as suas próprias palavras, pegou num pedaço de metal da rua, começou a dobrá-lo com as mãos e criou uma escultura que, entre outras, foi feita por ele num curto espaço de tempo e demonstrada numa exposição coletiva no edifício Union Carbide em 1972.
Nos EUA, o artista, dotado pela natureza de uma força física notável, trabalhou desde meados da década de 1970 como estivador nas empresas de mudanças, para poder prosseguir o seu trabalho criativo artístico, se sustentando e criando arte que não dependesse do comércio. Sokhanevich escrevia poesia, fazia pinturas abstratas e arte gráfica. Mas o seu género mais reconhecível era a escultura de stress, ou escultura feita de metal tenso. O próprio artista referia-se ao estilo artístico das suas pinturas como «Minimalismo Abstrato» e às suas esculturas como «Escultura de Stress».
Oleg Sokhanevich declama a poesia, Nova Iorque, cerca de 1990:
A informação da morte do Oleg Sokhanevich (1935-2017) na sequência de uma doença foi publicada na página de Kamil Chalayev a 24 de outubro de 2017. O artista, escultor e poeta tinha 82 anos.
![]() |
| Uma das últimas fotos do artista |
Já Gennadiy Gavrilov pintava quadros para a antiga aristocracia russa e desenhava retratos personalizados de celebridades. O dinheiro fácil e, consequentemente, as bebedeiras prejudicaram a sua saúde. Gavrilov sofreu um acidente vascular cerebral e passou os seus últimos anos num casebre de pobre, num bairro social. Nos seus últimos dias, confessou aos amigos que o acontecimento mais marcante e importante da sua vida foi esta incrível, impressionante, fuga de 10 dias através do Mar Negro: “Era a minha causa. Eu fiz. Encontrei-me nisso como pessoa. Esta fuga é o acontecimento mais importanteda minha vida.”






.jpg)
Sem comentários:
Enviar um comentário