sexta-feira, agosto 15, 2025

Troca dos POW: Ucrânia resgata os heróis e entrega os traidores

Ucrânia trouxe de volta 84 cidadãos ucranianos do cativeiro russo – 33 militares e 51 civis, homens e mulheres, entre os defensores de Mariupol e civis raptados pela rússia durante vários anos, inclusive desde 2014 (!), quando começou a agressão russa contra Ucrânia. 

São prisioneiros políticos, médicos, membros das Forças Armadas da Ucrânia e do Serviço de Guarda-fronteiras. Há quem esteve em cativeiro desde 2014-2016, e o civil mais velho tem hoje 74 anos. Muitos deles têm ferimentos e doenças graves, o grupo necessita urgentemente de apoio médico e da reabilitação.

Bohdan Kovalchuk antes do seu rapto pelas forças russas

Um dos ucranianos libertados foi raptado na região de Donetsk em 2014 e passou 4.013 dias em cativeiro russo. Entre os libertos está Bohdan Kovalchuk, jovem que foi capturado pelos russos aos 17 anos e que passou 9 longos anos em cativeiro russo. A sua história é sobre indomabilidade e lealdade à Ucrânia. Em 2016, Bohdan tentou deixar Yasynuvata ocupada para visitar a sua avó em Toretsk para terminar os seus estudos e obter um diploma ucraniano.

Bohdan Kovalchuk após o seu rapto pelas forças russas

A viagem de regresso terminou em detenção – juntamente com outros cinco adolescentes, foi acusado de «terrorismo» e colaboração com o SBU. Em 2018, o pseudo-tribunal da dita «dnr» condenou Bohdan a 10 anos de prisão. Em 2019, os separatistas oereceram «perdão» aos prisioneiros ucranianos em troca da recusa em regressar à Ucrânia, todos concordaram, menos ele. Bohdan escolheu a liberdade na Ucrânia, mesmo sabendo que anos de tortura e prisões o aguardavam.

Ucrânia agradece aos Emirados Árabes Unidos por ajudarem a tornar possível esta troca, a todas as instituições ucranianas envolvidas e os militares das FAU pela coragem em capturar os POW russos, o que permite reforçar o “fundo de troca” da Ucrânia.

O defensor de Mariupol, marinheiro de guerra, Oleksandr Boychuk, desapareceu nas primeiras semanas da invasão russa de grande escala e não estava registado nas listas dos POW durante o primeiro ano do seu cativeiro, mas a sua mulher acreditou e esperou – finalmente, hoje foi libertado das masmorras russas.


Oleksandr Boychuk, é o lendário comandante do único caça-minas ucraniano (afundado pelos ocupantes russos em 2022), em 2014 ele resistiu aos ocupantes russos na anexação da Crimeia!

Cada ucraniano, seja militar ou civil, deve regressar vivo do cativeiro russo. Isto é fundamental para alcançar uma paz justa e duradoura.

No decorrer da 67ª troca de prisioneiros de guerra, ocorreu um acontecimento importante: um cidadão ucraniano condenado aos 12 anos de cadeia por traição foi entregue à rússia. Natural de Chernivtsi e morador da Crimeia, Mykola (Nikolai) Fedorian, foi detido por colaborar com o FSB e condenado nos termos da Parte 5ª do Artigo 111º do Código Penal da Ucrânia.

Para os traidores como Fedorian, Ucrânia criou um projeto especial chamado «Quero Estar com os Meus» (KKS). O projeto oferece aos colaboradores condenados a oportunidade de se mudarem à rússia, em troca da devolução de reféns ucranianos raptados pela federação russa. Fedorian fez uma declaração especial, expressando o seu desejo claro, de participar na troca dos POW no âmbito do projeto e foi entregue à federação russa. Graças à iniciativa, Ucrânia tem a oportunidade de salvar e libertar os civis ucranianos, detidos, raptados, ilegalmente condenados e mantidos no sistema carcerário russo no interior da rússia ou nos territórios temporariamente ocupados.

1 comentário:

Anónimo disse...

Até quando a Ucrânia não vai usar o chefe da Igreja Ortodoxa Ucraniana (MP) para trocar por prisioneiros de guerra? PS: o Vicky Vanilla vive na Ucrânia como voluntário?