sexta-feira, agosto 08, 2025

Angola detêm dois russos acusados de associação criminosa e financiamento do terrorismo

Os russos detidos e os seus cúmplices angolanos. Cadeia de São Paulo em Luanda.

O Serviço de Investigação Criminal de Angola (SIC), deteve em Luanda, dois cidadãos russos, Ígor Racthin, de 38 anos e Lev Lakshtanov, de 64 anos, por fortes indícios da prática dos crimes de Associação Criminosa, Falsificação de Documentos, Terrorismo e Financiamento ao Terrorismo. 

O Serviço de Investigação Criminal, através das suas Direcções Nacionais de Combate aos Crimes de Corrupção e Central de Operações em coordenação com outros órgãos de defesa e segurança, na sequência investigativa, relativamente a detenção de três cidadãos nacionais, diligências feitas mediante cumprimento de Mandados de Detenção, emitidos pelo Ministério Público, procedeu a detenção, na cidade de Luanda, ainda no dia 7 de Agosto, de 2 cidadãos estrangeiros de nacionalidade supostamente russa, identificados por Ígor Racthin, tcp Ígor, 38 anos e Lev Lakshtanov, tcp Lev, 64 anos, por fortes indícios da prática dos crimes de Associação Criminosa, Falsificação de Documentos, Terrorismo e Financiamento ao Terrorismo, consubstanciado no recrutamento e financiamento de cidadãos nacionais para produção de matérias de propaganda e difusão de informações falsas nas redes sociais, promoção de manifestações e pilhagem. 

Referir que a detenção destes, decorre de uma aturada investigação em curso, que detectou que estes indivíduos estão ligados a organizações criminosas internacionais, que actuam em África e se dedicam a produção de estratégias de campanhas de desinformação e propaganda nas redes sociais nos países em fase de pré-campanhas ou mesmo em campanhas eleitorais, legislativas ou presidenciais, para mudança de regimes legalmente estabelecidos, através da alteração da ordem. 

Livros propagandistas apreendidos pela SIC. Dedicados à ditas «revolulões coloridas», alegadamente promovidas pelo Ocidente, poderiam ser usados como manuais de ação pelos «spin-doctors» russos

O SIC determinou a participação directa destes na Associação Criminosa com os nacionais, já detidos, sendo possível em sede da micro-operação realizada apreender diversos meios de prova, tais como: computadores de diversas marcas, cartões de memória, disco rígido externa, pendrives, vários telemóveis, cartões SIM, diversos documentos e recibos de transferências financeiras para prática da actividade criminosa. Foram também apreendidos valores monetários em dólares norte-americanos, kwanzas e rublos, moeda russa. 

Realçar que o SIC está no encalço de outros suspeitos já identificados, que receberam os montantes em dólares norte-americanos e kwanzas que seriam utilizados para financiamento de manifestações nas províncias de Luanda e Benguela. 

Salientar que cumpridas todas as formalidades, os cidadãos ora detidos serão presentes ao Ministério Público para ulteriores procedimentos legais, enquanto outras diligências prosseguem em torno deste processo. 

GABINETE DE COMUNICAÇÃO INSTITUCIONAL E IMPRENSA DA DIRECÇÃO GERAL DO SIC, EM LUANDA, AOS 8 DE AGOSTO DE 2025.- 

O DIRECTOR

MANUEL HALAIWA

//SUPERINTENDENTE-CHEFE DE INVESTIGAÇÃO CRIMINAL//

Sabe-se também, que aparentemente, no âmbito da mesma investigação, foram detidos em Luanda pelo Serviço de Investigação Criminal (SIC), o jornalista da Televisão Pública de Angola (TPA), Amor Carlos Tomé, também conhecido como Emiliano Carlos Tomé, de 38 anos, e dois outros cidadãos angolanos: Caetano Agostinho Muhongo Capitão («Caetano Capitão») de 58 anos e Oliveira Francisco («Oliveira») de 32 anos.  

Interessante, que na página oficial de SIC, alias, bastante desactualizada, não foi possível encontrar este comunicado, já o seu texto é largamente reproduzido e citado por várias publicações angolanas online:

Blogueiro

Podemos supor que, estamos aqui perante um caso em que Moscovo, não muito contente com a postura ponderada e independente de Angola, na situação da guerra ilegal russa na Ucrânia, tenta, desestabilizar a situação interna de Angola, para, de alguma forma beneficiar dessa mesma instabilidade, tal como a URSS/rússia já procedeu no passado histórico daquele país africano. Outro ponto importante, é o silêncio absoluto, na imprensa russa sobre o assunto. Muito vocal, quando se trata de detenção dos diversos agentes russos nos países ocidentias, Moscovo oficial e a sua imprensa mantêm o silêncio absoluto sobre a detenção de dois cidadãos seus em Luanda. Seguindo a máxima dos serviços secretos do que o segredo é a alma do negócio)

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