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| Yuli Rybakov. «O Meu Tempo», São Petersburgo, 2010, Editora DEAN |
A 3 de agosto de 1976, dois dissidentes russos, Yuli Rybakov e Oleg Volkov, escreveram no muro da Fortaleza de Pedro e Paulo, em Leninegrado: «Vocês crucificam a liberdade, mas a alma
humana não conhece grilhões!» O jovem KGBista putin participou na repressão aos artistas.
O jovem tenente do KGB, Putin, na altura de apenas 23 anos, participou nas buscas nas casas dos visados. Os dissidentes foram condenados aos 7 e 6 anos de prisão, respetivamente, formalmente acusados de «hooliganismo agudo» e «destruição e danos à propriedade estatal», mas na realidade por
aqueles 42 metros da inscrição na Fortaleza de Pedro e Paulo.
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| Protocolo de buscas ao domicílio: um dos participantes é tenente putin |
Engraçado, que quando os agentes do KGB descobriram a frase pintada, logo pela manhã começaram a tentar cobrir as letras com tampas de caixões, tiradas de uma oficina
próxima. Naquele momento foram impedidos pelo rio Neva, que em agosto, o que normalmente não acontece, subiu o nível das suas águas repentinamente. Só era possível aproximar-se da
inscrição com botas de borracha de cano alto ou de barco. Só algumas horas depois conseguiram apagar a frase.
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| Foto do Yuliy Rybakov no seu processo no KGB. Fonte: Paperpaper.ru |
A principal atividade «criminal» do Yuli Rybakov era a divulgação da literatura proibida, por exemplo o «Arquipélago GULAG» do Alexander Solzhenitsin.
Alem disso, pintor não conformista, ele costumava pintar as frases antisoviéticas, nos diversos locais públicos de Leninegrado. Por exemplo, no Outono de 1968, foi feita a seguinte inscrição na parede do Tribunal Militar Distrital de Leninegrado: «Não se esqueçam do sangrento 1937!» A 6 de
abril de 1976, no decorrer do julgamento do dissidente Andrei Tverdokhlebov, Yuli Rybakov, entrando no território do parque de elétricos/bôndes na ilha Vasilievsky à noite, escreveu em três
elétricos ali estacionados: «Liberdade para os presos políticos!», «Liberdade para Andrei Tverdokhlebov!»
Noutras ocasiões, na marginal do rio Neva, em frente à Fortaleza de Pedro
e Paulo, foi feita a inscrição «URSS — prisão dos povos». No edifício da Escola Superior do Partido comunista: «PCUS — inimigo do povo». Noutros locais:
«Abaixo a burguesia partidária», «Ouçam a Voz da América», e por aí fora.
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