sexta-feira, dezembro 01, 2017

Como URSS atacou Finlândia. Blitzkrieg soviético derrotado (24 fotos)

No dia 30 de novembro de 1939, 78 anos atrás começou a guerra soviético-finlandesa, também conhecida como Talvisota ou Guerra de Inverno. Durante todo o outono de 1939 a União Soviética negociava com Finlândia a cedência de uma parte do seu território, após receber uma recusa firme criou uma organização terrorista “república popular da Finlândia” e atacou o país militarmente.

Em 1917, após a desintegração do império russo, Finlândia se tornou um país independente. A propaganda da União Soviética chamava as autoridades finlandesas de “finlandeses brancos” e encarava o país como o seu território perdido. O termo “finlandeses brancos”, assim como “polacos brancos” usava-se pela propaganda soviética em alusão aos exércitos monárquicos russos, como antagonistas das forças “vermelhas”, bolcheviques soviéticos. Na realidade as forças monárquicas russas defendiam o império “uno e indivisível”, não reconhecendo as independências da Polónia e Finlândia. Como tal, o termo claramente fazia parte do esforço propagandista comunista de manipular a opinião pública soviética.

Na década de 1930 a URSS importunava as autoridades da Finlândia com pedidos de “empurrar a fronteira”, cedendo o território finlandês e permitir a criação das bases militares soviéticas no país. União Soviética exigia a entrega da Linha de Mannerheim, alegando o perigo (Sic!) desta linha puramente defensiva. A última ronda de negociações decorreu em 3 de novembro de 1939 em Moscovo e acabou em nada, Finlândia negou, categoricamente, comprometer a sua soberania.

Então, já no dia 26 de novembro de 1939, na URSS começa a campanha propagandista anti-finlandesa de grande envergadura. O jornal “Pravda” publica o artigo “Palhaço no posto do primeiro-ministro”, os finlandeses são chamados apenas de “finlandeses brancos”, “monárquicos não liquidados anteriormente”, inimigos da União Soviética e da “humanidade progressista”.

No dia 26 de novembro de 1939 ocorreu o Incidente de Mainila, Exército Vermelho (RKKA) alvejou a aldeia soviética de Mainila (casus belli), acusando as forças armadas finlandeses. A proposta da Finlândia em efetuar uma investigação neutra foi rejeitada pela URSS que 4 dias depois atacou o país militarmente. Na foto — os blindados soviéticos junto à Linha de Mannerheim:

02. A propaganda soviética não evocava muito o Incidente de Mainila, alias, quase não usava a palavra “guerra” — aos cidadãos soviéticos contaram que URSS começou uma “grande marcha libertadora” à Finlândia, para ajudar aos operários e camponeses finlandeses se libertar do jugo capitalista. Um dos exemplos desta propaganda desenfreada foi a canção “Receba-nos, Suomi-bonitona” com as seguintes frases-chave:

“Nós viemos ajudá-los em represálias (Sic!),
Retribuir à dobrar pela vergonha (Sic!)
***
Muitas mentiras criadas nestes anos,
Para confundir o povo finlandês.
Agora abra-nos de forma crédula (Sic!)
Partes largas dos [vossos] portões!

Canção menciona “o sol não alto de outono”, provavelmente a União Soviética planeava atacar nos meados de outono e não no último dia de novembro. O exército finlandês tinha apenas metade de efetivos da força de invasão soviética, mas era melhor treinado, equipado e principalmente muito mais motivado:

03. No dia 1 de dezembro de 1939 o jornal “Pravda” informa que na Finlândia foi criada “república popular da Finlândia”, encabeçada pelo “governo do povo finlandês”. Já no dia 2 de dezembro este mesmo “governo” foi convidado visitar Moscovo, onde imediatamente assinou todos os acordos propostos por Moscovo, incluindo “acordo de ajuda mútua e amizade” e concordou em entregar à URSS todos os territórios exigidos.

Ou seja, URSS criou uma “república” virtual com qual assinava todos os acordos no seu próprio interesse. Ao mesmo tempo, URSS começou criar “exército popular finlandês” que deveria “içar a bandeira vermelha em Helsínquia”. As autoridades soviéticas difundiam os rumores que Finlândia irá capitular muito em breve, que o seu governo “capitalista” irá fugir, se que ainda não fugiu [situação demasiadamente parecida com a criação das duas “repúblicas populares”, ditas “dnr” e “lnr” e as suas promessas de “tomar Londres e Lviv, Kyiv e Berlim”.]

Os finlandeses, no entanto, estavam defender a sua pátria com bastante sucesso; na foto — os operadores finlandeses de metralhadora na Linha de Mannerheim.

04. As unidades finlandesas de infantaria de montanha eram as forças especiais reais da época, destinadas às operações de reconhecimento e ataques pontuais.

05. Diversos voluntários, finlandeses e estrangeiros [entre eles o ator britânico Christopher Lee], se inscreviam no exército finlandês para defender Finlândia, muitos deles eram bons atiradores, além de conhecer todas as trilhas da linha da frente. Na foto – um autocarro/ônibus civil traz voluntários para a linha de frente, as pessoas vestem camuflados e entram em esquis:

06. Um veículo civil, adaptado pelos voluntários às necessidades militares. Para garantir um movimento mais discreto nas condições da floresta de inverno, a viatura foi pintada com tinta branca. Este tipo de viaturas transportavam os combatentes, alimentos e roupas quentes.

07. Dado que Finlândia e os finlandeses se defendiam de uma forma brava e eficiente, a URSS decide “esquecer” por si criada “república popular”, desde 25 de janeiro de 1940, a imprensa e governo soviético não mencionam mais a dita “rpf” e reconhecem o governo finlandês de Helsínquia como o governo legítimo da Finlândia.


Na foto — militares finlandeses nas posições defensivas na floresta:

08. Logística militar – os cidadãos finlandeses locais trazem provisões e roupas quentes para apoiar o seu exército.

09. As carroças usadas na logística militar:

10. As “unidades-fantasma” finlandesas, que apareciam “do nada”:

11. Em 30 de novembro de 1939, os aviões soviéticos sobrevoaram Helsínquia, espalhando os folhetos de propaganda com o seguinte texto: “Vocês sabem que temos pão – vocês não vão morrer de fome. A Rússia soviética não prejudicará o povo da Finlândia. O governo está levando vocês à uma catástrofe”. No mesmo dia, os aviões soviéticos voltaram, desta vez usando as bombas explosivas e incendiárias.

12. O centro de Helsínquia ardeu, incendiado pelas bombas soviéticas incendiárias. Cerca de 50 bombas caíram na rua Frederiksgatan, onde o enorme edifício do Instituto Tecnológico e vários prédios de quatro e cinco andares foram completamente destruídos, os carros estavam ardendo.

13. Os prédios ardidos da rua Frederiksgatan, os bombeiros desmantelam as ruínas fumegantes:

14. As pessoas se escondiam dos bombardeamentos soviéticos nas matas:

15. Uma mãe finlandesa com o seu filho na floresta num dos subúrbios de Helsínquia. [No decorrer da Guerra de Inverno, entre 30 de novembro de 1939 à 13 de março de 1940 a aviação soviética efetuou cerca de 2.075 bombardeamentos contra 516 cidades e localidades finlandesas. Em resultado, morreram pelo menos 957 cidadãos civis. A cidade de Viipuri, foi quase demolida, alvo de cerca de 12.000 bombas soviéticas (fonte). No total, a aviação soviética lançou 26.000 bombas e perdeu 348 aviões, destes, 296 fora do combate. Outros 87 aviões foram para a reparação (fonte)].

16. As ruínas de Helsínquia. Falando com a imprensa internacional, o ministro soviético dos negócios estrangeiros, Molotov, dizia que aviação soviética não atirava bombas, mas apenas os folhetos, “cestos de pão” e outra ajuda humanitária.

17. Até o fim de dezembro de 1939 foi claro, Blitzkrieg soviético falhou, RKKA não consegue avançar mais e passa à guerra posicional. Finlandeses usam a tática de guerrilha — atacam os soviéticos em pequenos grupos de esqiadores, depois disso, desaparecem na floresta. O RKKA também estava péssimo em logística miliar.

18. Voluntário finlandês numa bicicleta:

19. As fortificações finlandesas na Linha de Mannerheim, restos das fortificações da “primeira geração” (construídos no início da década de 1920).

20. O comissário político soviético despeja a propaganda comunista aos militares soviéticos. Os capacetes soviéticos — são todos SSh-36, “halkingolka”. Este tipo de capacetes era usado pelo RKKA na Finlândia e mesmo na II G.M., mas praticamente nunca eram mostrados no cinema soviético, possivelmente pela semelhança como os capacetes do Wehrmacht.

21. Os militares finlandeses nas suas posições defensivas:

22. Os soldados soviéticos mortos. Muitos deles, por sinal, não caíram na batalha, mas morreram de hipotermia.

23. Os prisioneiros soviéticos dos finlandeses, a estatística exata sobre o número dos soviéticos que decidiram ficar na Finlândia é desconhecida até hoje.

24. General Gustaf Mannerheim (mais alto), responsável pela defesa da Finlândia.

Como resultado do tratado de paz que pôs fim a esta guerra desnecessária, a URSS levou escassos territórios, tendo perdido 126,875–167,976 militares mortos ou desaparecidos (15.921 morreram nos hospitais e 14.043 desapareceram); 188.671 feridos e congelados; 5.572 capturados; no total as suas baixas humanas são avaliadas em 321,000-363,000 vítimas. Além disso, a URSS perdeu 1,200-3,543 blindados e 261–515 aviões [fonte]

Foto @GettyImages | Texto: Maxim Mirovich e [Ucrânia em África]

Blogueiro: os elementos pró-soviéticos costumam argumentar que “finlandeses podiam evitar as suas 70.000 baixas”, bastava, para isso, entregar os territórios exigidos pela URSS. Os mesmos omitem o que a União Soviética fez aos países Bálticos que efetivamente cederam ao ultimato soviético, permitindo a criação das bases soviéticas no seu território, podem conferir aqui: Estónia | Estónia; Estados Bálticos; museus da ocupação soviética; Lituânia.
A casa do filósofo alemão Immanuel Kant na atual cidade russa de Kaliningrado (ex-Königsberg)
Assim ficaria Finlândia se perdesse a Talvisota... 
     

2 comentários:

Anónimo disse...

Khrushchev disse que a URSS perdeu mais de 1 milhão de soldados contra a Finlândia. Uma verdadeira humilhação. Talvez a maior da história! Um povo defendendo seu país com bicicletas enquanto o invasor tinha aviões e carros motorizados! A Finlândia é o maior exemplo de resistência da história. Pena que tinha uma população que oscilava entre 6 milhões de pessoas. Se tivesse uma população 10 vezes maior, a URSS teria perdido boa parte do território da Karelia e Murmansk.
A Rússia já sofreu variadas humilhações desde Afeganistão, Japão, Polônia até Finlândia.

Anónimo disse...

A URSS somente assinou o armistício com a Finlândia, tendo em vista a posição britânica e francesa de intervir em favor de Helsinque. Aí a URSS teria que se alinhar descaradamente com a Alemanha Nazista, que tanto foi condenada durante a guerra civil espanhola.