Recentemente, a sociedade ocidental ficou estupefacta, com a organização e receção pela Rússia de um congresso
neonazi, composto pelos diversos partidos da extrema-direita, vindos da
UE, que foram retratados no país do acolhimento de “nacional-conservadores
amigáveis”.
No entanto, a tradição moscovita
de criar e financiar as amizades com os neonazis é de longa data, embora nunca
conduzida tão abertamente como agora.
O caso mais notório dessa
amizade ideológica foi o apoio soviético dispensado ao ativista nazi Otto Ernst Remer,
o mais jovem general do Wehrmacht que notabilizou-se no apoio incondicional ao
Hitler durante a tentativa do golpe contra o fuhrer em julho de 1944. Já depois
do fim da II G.M., a secreta soviética MGB recrutou e financiou as atividades do
ex-general, famoso pelo seu discurso anti “imperialismo americano” e anti “sionismo”
e pela ideia da criação do estado alemão-russo GeRússia.
Remer chegou à ser
preso pelos aliados, mas não cumpriu qualquer pena, se dedicando de seguida à
carreira política. A secreta soviética não precisou de coagi-lo, o ex-general
realmente odiava liberalismo ocidental e os judeus. Foi a plataforma perfeita
para que MGB pudesse construir a sua 5ª coluna na nova Alemanha Federal.
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| Otto Ernst Remer na frente Leste na II G.M. |
Já em 1949 Remer cria o
Partido Socialista do Reich
(PSR),
uma organização neonazi que usa os fundos soviéticos para se apresentar às
eleições regionais e nacionais das zonas ocidentais da Alemanha, promovendo a
ideia da GeRússia, o estado pan-germânico em oposição aos EUA e ao “sionismo
mundial”.
Novamente preso e
depois libertado, Remer recebe a recomendação do MGB de deixar Alemanha,
movendo-se para África e para o Extremo Oriente, onde primeiro, trabalha para o
presidente egípcio Gamal Abdel Naser e depois para o governo sírio. Na Síria, o
seu companheiro de trabalho era Alois Brunner,
o ex-chefe do campo de concentração nazi de Drancy.
Brunner era um dos criadores dos serviços secretos sírios e até o fim foi
protegido pelo regime “progressista” do clã Assad, presumivelmente falecido em
2010.
No entanto, o Remer
voltou à Alemanha Federal nos anos 1980, criando o Movimento Alemão de
Liberdade, partido neonazi que servia de “guarda-chuva” para cerca de 23 organizações
neonazis clandestinas. No plano politico,
os seus inimigos continuaram os mesmos: EUA, NATO e “sionismo”. Apoiado
financeiramente pelo KGB, Remer explicava o seu apoio à URSS nos seguintes termos: “russos são brancos,
quando os EUA são muito contaminados pelas minorias raciais”.
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| "Destrua o que te destrói": a propaganda do Remer dos anos 1980 |
No seu “Manifesto do
Movimento Libertário Alemão” (1983), o ex-general defendia a saída da Alemanha
da NATO, a saída dos americanos da Alemanha e da Europa; além do
desenvolvimento das parcerias com Rússia (URSS). “Para Reagan e para os
sionistas”, – escrevia Remer, – “a URSS é encarnação do mal, mas para nós é uma
grande potência vizinha, com os seus próprios requisitos de segurança e uma
doutrina que lhes corresponde”.
Antes da sua morte,
Remer novamente defendeu a confederação da Alemanha e Rússia que deveria
absorver os países da Europa Central e do Leste sob o seu domínio conjunto. O
capital do novo Reich deveria se situar em Minsk, na atual Belarus.
Em 1994, as autoridades
alemãs o condenaram à 22 meses de prisão pelo incitamento do ódio e do racismo,
mas antes de ser preso, Remer fugiu para Espanha, onde acabou por falecer um
ano mais tarde.
Fontes:
http://windowoneurasia2.blogspot.com/2015/04/ex-nazi-general-backed-by-soviet-secret.html
(versão curta em inglês); http://ttolk.ru/?p=23592 (versão maior em russo)
RIP “Mariachi” (batalhão “Donbas”)
Neste sábado, dia 25 de abril, os terroristas russos
atacaram na localidade de Shyrokyne
as posições do batalhão da Guarda Nacional da Ucrânia, “Donbas”. Em resultado do
fogo dos morteiros de grande calibre e dos canhões auto-propulsados, foram
feridos pelo menos dois militares ucranianos. Um deles, “Mariachi”, foi
evacuado do campo da batalha, mas não chegou ao hospital de Mariupol, pois os
terroristas russos alvejaram a ambulância que transportava o combatente
ferido.
Pergunta-se novamente, quem são os neonazis desta
guerra?











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