quinta-feira, novembro 26, 2015

O preço humano do internacionalismo proletário

Os militares soviéticos na "estrada da morte" entre Menongue e Cuito Cuanavale, Angola, 1988
Desde a sua criação, a URSS participava ativamente na disseminação do “incêndio da revolução proletária” em redor do mundo. Até o fim da década de 1940, as suas ações se centravam, maioritariamente na Europa, depois o “internacionalismo proletário” espalhou-se pelo mundo em desenvolvimento. Os diversos países da Ásia, Americas e África levaram com a “ajuda fraterna” soviética que quase sempre significava a chegada das AK-47, blindados e RPG.

O custo humano dos países de acolhimento é contabilizado aos milhões de mortos, feridos e refugiados, o preço humano pago pela União Soviética é bastante menor, mas também existencial. A publicação russa “Slon” reuniu os dados dos conflitos internacionais em que a URSS participou desde 1945, usando as fontes oficiais para calcular o número dos seus mortos. Entende-se que os números reais podem ser maiores (sabe-se que desde 1946 à 1990 a URSS participou em pelo menos 32 guerras e conflitos regionais e em outras 6 conflitos após 1991, cujos veteranos são oficialmente reconhecidos pela lei federal russa Sobre os Veteranos”).

Guerra civil na China (março de 1946 — maio de 1950)
Perdas soviéticas: 936 mortos

Guerra na Coreia (25/6/1950 — 27/7/1953)
Perdas soviéticas: 315 mortos (1% do seu contingente militar)
Militar americano junto ao destruído blindado soviético, setembro de 1950, foto @AP/Gene Herrick
Invasão da Hungria (23/10 — 9/11/1956)
Perdas soviéticas: 669 mortos
Equipamentos militares soviéticos nas ruas de Budapeste, outubro de 1956, foto @AP
Guerra civil em Laos (1960–1975)
Perdas soviéticas: 5 mortos

Guerra no Vietname (1/11/1957 — 30/4/1975)
Perdas soviéticas: até 16 mortos (muito difícil de acreditar, tendo em conta que apenas oficialmente, o contingente militar soviético no Vietname era de 6.000 pessoas)
Os militares soviéticos da defesa antiaérea na cidade de Hanói, fevereiro de 1966, foto @Wikipédia
Desminagem da Argélia (1962–1964)
Perdas soviéticas: 25 mortos

Perdas soviéticas: 2 mortos

Guerras árabes – israelitas (1967–1974)
Perdas soviéticas: 49 mortos (outros dados apontam 51 oficiais e 1 general, contingente soviético até 10.000 pessoas)

Invasão da Checoslováquia (21/08 — 11/09/1968)
Perdas soviéticas: 98 mortos
Blindados soviéticos nas ruas de Praga, agosto de 1968, foto @Getty Images / Hilmar Pabel
Conflito fronteiriço sino-soviético (março – setembro de 1969)
Perdas soviéticas: 58 mortos e 98 feridos, a ilha Zhenbao / Damansky ficou na posse da China de facto e desde 1991/2004 de jure.
Soldados Petró Turchenko e Anatoliy Ivanov, foto @TASS
Guerra civil em Moçambique (1976–1992)
Contingente militar soviético em Moçambique
Militar soviético em Lichinga, 1987-1988
Perdas soviéticas: 8 mortos (os dados não oficiais apontam 11 mortes de militares e 21 entre os militares e civis; o contingente soviético que passou pelo país é avaliado em mais de 4000 militares).

Desminagem de Bangladesh (1972–1974)
Perdas soviéticas: 1 morto

Guerra civil em Angola (1975–1992)
Região de Cuando-Cubango, 1988, foto @União dos Veteranos de Angola
Angola, década de 1980, foto @arquivo O. Lavrentieva

Comissários políticos angolanos e soviéticos, 1981, foto @União dos Veteranos de Angola
Furriel soviético Nikolay Pestretsov, capturado em Angola pelo Batalhão Búfalo 32,
na foto último à esquerda, foto @União dos Veteranos de Angola
Perdas soviéticas: 54 pessoas (pelas contas da 10ª Direção Geral do Estado-maior das Forças Armadas da URSS, entre 1975 e 1991 pela Angola passaram 10.985 militares soviéticos. Morreram 54 cidadãos, entre eles 45 oficiais, 5 furriéis, 2 soldados e 2 funcionários civis; foram feridas 10 pessoas). Além disso, 1 militar soviético foi capturado pelas forças sul-africanas, furriel Nikolay Pestretsov, na última foto é último à direita.
Perdas não oficiais:
novembro 1975 – novembro 1979: 12 mortos
dezembro 1979 – dezembro 1992: 72 mortos
janeiro 1993 – dezembro 2006: 16 mortos

Guerra de Ogaden  (julho de 1977 — 15/3/1978)
Perdas soviéticas: 33 mortos (dados não oficiais avaliam o contingente soviético em 11.143 militares; dos quais morreram 79 pessoas, incluindo 2 generais e 69 oficiais).
Militar etíope junto ao cartaz que exorta a amizade soviética - etiópe contra Somália, fevereiro de 1978, foto @Getty Images
Guerra no Afeganistão (25/12/1979 — 15/2/1989)
Perdas soviéticas: 15.051 mortos
Helicóptero soviético Mi-17 abatido pela resistência afegã no Afeganistão
Retirada das tropas soviéticas do Afeganistão, 1989, foto @TASS
Guerra no Líbano (6/06 — setembro de 1982)
Perdas soviéticas: 35 mortos

A URSS desapareceu, mas a herdeira dos seus deveres e direitos, a federação russa, não parou de exercer o seu dever internacionalista fora das fronteiras nacionais...

Guerra de Alto Karabakh (1992 — 12/5/1994)
Perdas russas: 51 mortos
Combates em Hadrut, maio de 1992, foto @TASS
Guerra civil no Tajiquistão (5/5/1992 — 27/6/1997)
Perdas russas: 302 mortos
Militares russos transportam os membros da oposição de Tajiquistão, foto @Getty Images / Chuck Nacke
1ª e 2ª guerras na Chechénia (11/12/1994 – 15/4/2009)
Perdas russas: 11.600 mortos
Militares russos no centro de Grozny, praça Minutka, fevereiro de 2000, foto @Getty Images
Guerra na Geórgia (5 — 22/8/2008)
Perdas russas: 67 mortos
***
Invasão da Ucrânia (março de 2014 – até hoje)
Dorzhi Batomunkuev (20), 5ª unidade especial de blindados Nr. 46108 (cidade Ulan-Ude),
número de identificação 200220, caderneta militar 2609999 
Os dados do Ministério da defesa russo revelam que até 1 de fevereiro de 2015, as forças armadas russas perderam na Ucrânia mais de 2.000 militares mortos e outros 3.200 militares foram gravemente feridos (fonte).

Guerra civil na Síria (30/09/2015 – até hoje)

Perdas militares confirmadas: mais de 20 mortos (os primeiros três: o técnico de aviação Vadim Kostenko, que suicidou-se ou foi assassinado; piloto do Su-24, tenente-coronel Oleg A. Peshkov, abatido pela força aérea turca no dia 24/11/2015 e marinheiro (fuzileiro naval) Aleksandr Pozynich, que fazia parte da equipa de salvamento que tentava resgatar o 2º piloto do Su-24 abatido).
Vadim A. Kostenko (19), unidade militar Nr. 20926, morreu / suicidou-se na Síria 

1 comentário:

Anónimo disse...

Por favor, assine e divulgue:

https://petition.president.gov.ua/petition/1799