domingo, julho 28, 2024

A derrota épica dos mercenários russos no Mali

Em 27 de julho, um destacamento de milícias das tribos tuaregues “Defesa do Povo de Azawad” na área da cidade de Tin-Zawatin no Mali abateu entre 50 à 80 mercenários russos, de 10 à 15 russos foram capturados. Os tuaregues também abateram o helicóptero Mi-24P com tripulação russa.
O heli Mi-24P abatido (à confirmar)

A milícia Azawad publica diversas imagens da épica derrota da coluna do grupo «Wagner» no Mali, na fronteira com a Argélia. Os mercenários de Putin foram emboscados e vários engenhos explosivos foram plantados ao longo do percurso do comboio. Os blindados foram imobilizados, a maior parte do destacamento russo foi eliminado. Um helicóptero de ataque Mi-24 que tentava prestar apoio às forças terrestres foi também abatido por guerreiros do deserto. Os tuaregues, que lutam há décadas nas suas areias nativas, aproveitaram excelentemente o terreno para uma emboscada e castigaram um grupo russo fortemente armado.

A julgar pelo vídeo, os russos foram emboscados por milícias armadas com armas ligeiras. Provavelmente, dois ou três veículos poderiam ter sido explodidos por minas ou por um lança-granadas, mas não é visível qualquer cratera no local da batalha, os cadáveres dos russos não foram danificados pelas explosões, estavam amontoados à volta dos seus veículos, que é, conseguiram saltar para fora deles. O equipamento e as armas primitivas das milícias tuaregues são impressionantes. Os POW russos foram obrigados a dizer perante as câmaras: “Rússia - não, Wagner - não, Azawad!”

Obviamente, as forças mercenárias russas viajavam sem reconhecimento ou segurança, confiando na sua esmagadora superioridade em equipamento militar e armamento.

Neste momento, os TG canais russos reportaram a destruição de 80 e a rendição de 15 mercenários russos, pertencentes ao 13º destacamento de assalto “Wagner” no Mali. No ataque foi eliminado o comandante wagneleiro Anton «Lotus» Elizarov, que em 2023 comandou o assalto a cidade de Soledar na Ucrânia. Outro dos mercenários liquidados conhecidos é o wagneleiro e blogueiro militar do TG canal GREY ZONE, moscovita Nikita Fedyanin, conhecido como “Bely” ou «Quinhentos».

Os blogueiros russos costumam escrever com desdém sobre a forma como os houtis e os outros africanos confrontam os americanos e os franceses, mas as tropas ocidentais nunca sofreram derrotas tão severas e únicas. E a rússia, após o massacre perto de Hisham, em 2018, sofreu outra derrota humilhante numa das suas guerras coloniais.

«Mali em três dias»

Na primeira foto, os soldados russos Wagner posam em frente ao seu carro blindado no início de uma expedição punitiva contra os tuaregues. Na segunda foto, os tuaregues posam em frente ao carro blindado capturado. 


A diferença acentuada de equipamento é notável - os tuaregues praticamente não têm equipamento, lutam de mantos e chinelos, apenas dois deles possuem coletes capturados. Os mercenários de Wagner possuem o que há de mais moderno em armamento de infantaria - coletes à prova de bala e de carga, rádios, kits de primeiros socorros, munições, fardas, calçado. Para participar numa expedição punitiva em África, Wagner seleciona militares russos entre os que participaram na guerra contra Ucrânia. Obviamente, os russos não consideravam os tuaregues um inimigo sério; como o resultado há um feriado no deserto - nunca ninguém entregou troféus tão importantes aos pobres tuaregues nómadas.

Os rebeldes tuaregues que liquidaram os wagneleiros oferecem à Ucrânia a entrega dos prisioneiros da Wagner sobreviventes e rendidos.

Um dos wagneleiros capturados, aparentemente pertence aos kadirov boys

Fontes: ButusovPlus / @nevzorovtv

segunda-feira, julho 22, 2024

«O Cativeiro»: a história real da defensora de «Azovstal»

A história da Valeriya «Nava» Subotina, que durante 86 dias defendeu Mariupol e «Azovstal». Seguidos de 11 meses do inferno do cativeiro russo – primeiro em Olenivka, depois na prisão de Taganrog. 

Durante 86 dias, os militares ucranianos mantiveram defesas na cercada Mariupol e no território da fábrica de Azovstal. Para preservar a vida dos soldados e salvar os feridos, os defensores - por ordem do comando militar superior - deixaram de estar na defensiva, abandonaram o território da central e deveriam render-se ao chamado «cativeiro honroso» na presença de organizações internacionais e observadores, com condição de troca no prazo de 3 a 4 meses. 

Valeriya «Nava» Subotina fazia parte do serviço de imprensa do regimento «Azov». Foi obrigada a permanecer em cativeiro – primeiro em Olenivka, depois na prisão de Taganrog – durante mais de 11 meses. Neste livro, Valeriya descreveu todos os círculos do inferno por onde passou durante quase um ano. Vigilância constante, controlo, humilhação, condições de detenção desumanas, escassez crítica de alimentos e água, tentativas do inimigo de a quebrar físicamente e psicologicamente, subjugá-la, intimidá-la e empurrá-la para a traição – Valeriya teve de passar por tudo isso. Os interrogatórios e a tortura eram exaustivos. A impossibilidade de contactar com amigos e familiares, a desinformação e a propaganda inimiga retirariam a última esperança de intercâmbio e liberdade. No entanto, o cativeiro não quebrou a mulher intrépida; agora é testemunha dos crimes da federação russa.

Ler trecho em inglês

Blogueiro

Para apoiar a defensora da Ucrânia comprem o livro, em formato físico (em papel) ou em PDF, em formato digital. Ofereçam aos amigos e familiares para que o mundo saiba do heroismo ucraniano, para que saiba a dimensão do neofascismo russo em pleno século XXI.

quinta-feira, julho 11, 2024

O genocídio dos ucranianos na agenda da propaganda russa

O canal TV russo Tsargrad, que pertence ao oligarca «ortodoxo» Konstantin Malofeev, próximo de Putin, publicou um artigo admitindo que a rússia atingiu deliberadamente Okhmatdyt e apelando a mais assassinatos de civis.

No texto, o propagandista Andrei Perla escreve abertamente que a rússia atingiu deliberadamente Okhmatdyt e apela a mais assassinatos de civis. Pois, segundo ele, não há civis na Ucrânia, todos são inimigos, por isso todos precisam de ser mortos.

(...) A impiedosa lei da guerra é demasiado simples: tais inimigos não podem ser considerados humanos. Devemos ter consciência de que é simples e assustador: não há pessoas do outro lado. Nem uma única pessoa. Os nossos mísseis não matam pessoas. Nem uma única pessoa. Não há lá pessoas.

Se não tomarmos isto como um dado adquirido, se não nos proibirmos de os considerar pessoas, de sentir pena deles, de cuidar deles, enfraqueceremos. Vamos limitar a nossa capacidade de salvar os nossos filhos. Tornaremos difícil para nós próprios alcançar a Vitória.

(...) Não pode haver negociações com eles. Não há nada para falar. E não pode haver defesa contra o terrorismo, a não ser uma única solução: atacar as cidades inimigas com as armas mais poderosas de que dispomos. Por humanidade, podemos provavelmente sugerir o início da evacuação para a Polónia no prazo de 48 horas.

Portanto, é simples e assustador, mas não há necessidade de inventar desculpas por atingir um hospital pediátrico. Devemos dizer: querem que isto pare? Desistam. Capitulam. E então talvez possamos poupar-vos.

Felizmente ex-presidente e vice-presidente do Conselho de Segurança da rússia desde 2020 Dmitri Medvedev esclarece no seu TG canal o tipo de piedade que o regime russo está decidido oferecer à Ucrânia e aos ucranianos, no caso de «um regime político moderado emergirá das ruínas da parte restante da ex-Ucrânia».

«Mas este não será o fim da operação militar da Rússia. Mesmo depois de assinarem os papéis e de aceitarem a derrota, os restantes radicais,após um reagrupamento de forças, mais cedo ou mais tarde regressarão ao poder, inspirados pelos inimigos ocidentais da Rússia. E depois chegará a hora de finalmente esmagar o réptil.Espetar um longo prego de aço no caixão do quase-estado banderista. Destruir os restos do seu legado sangrento e devolver as restantes terras ao seio das terras russas».

No início da guerra de larga escala os propagandistas russos ainda eram tímidos, se referindo aos ucranianos como “gente fraterna”, embora eles próprios não acreditavam nisso. No terceiro ano da guerra os propagandistas russos clamam abertamente pelo genocídio. Como no 3º Reich clamavam abertamente pelo genocídio dos judeus ou em Ruanda, pelo genocídio dos tutsis.

Hoje em dia, a rússia é um verdadeiro estado gerido pela ideologia do neofascismo russo. Isto não é uma figura retórica. Diversas publicações da TV, rédio e redes sociais são uma prova clara disso mesmo.

Anatoly Dremov, um blogueiro militar russo, diz isto com clareza ainda em 2023:

«Para os humanistas e para as pessoas justas, repito, isto é a guerra! E na guerra todos os métodos são bons. Se nos não bombardearmos maternidades, escolas e casas comuns, não venceremos esta guerra. Só a pressão da população da (Ucrânia) sobre Zelensky poderá obrigá-lo a capitular.


TG canal do Anatoli Dremov

A reputação da Rússia e do seu exército está em causa. Devemos ganhar, não importa o custo!

E lembre-se, não pode dizer mal do seu país durante a guerra. Mesmo que ela esteja errada!»

Um dos mais importantes propagandistas russos, Vladimir Soloviev, pede em direto, na TV, a eliminação física e extermínio das cidades de Kyiv, Odessa, Mykolaiv e Kharkiv da face da terra:


Quanto à necessidade de a Ucrânia aderir à NATO

Ucrânia, que faz fronteira directa com a rússia, está sob constante ameaça de agressão russa, o que significa uma ameaça à segurança e estabilidade da Europa. Portanto, a solução inequívoca para o problema de segurança da Europa é a adesão da Ucrânia à NATO.

Um convite oficial para a Ucrânia aderir à NATO o mais rapidamente possível fortalecerá significativamente a posição negocial de Kyiv em quaisquer futuras negociações com Moscovo.

O actual nível de apoio militar dos países da NATO pode impedir a Rússia de atingir os seus actuais objectivos tácticos na Ucrânia, mas para garantir a independência e a segurança da Ucrânia no futuro, é necessária uma abordagem estratégica mais abrangente, cujo resultado deverá ser uma decisão sobre a adesão da Ucrânia à NATO.

Para os países localizados na região euro-atlântica, a Ucrânia é um exemplo de um dos parceiros mais próximos da OTAN, que está agora o mais próximo possível da Aliança no âmbito de projectos separados, como o órgão conjunto criado do Conselho Ucrânia-OTAN .

A guerra híbrida travada pela Rússia contra o Ocidente não consiste apenas na propagação da desinformação e da intimidação, mas também na sabotagem, na sabotagem e no assassinato. O objectivo de Moscovo não é apenas testar a capacidade e a coesão dos Estados membros da NATO, mas também moldar o futuro campo de batalha.

A Ucrânia é capaz de se tornar um catalisador para a reforma e renovação da Aliança. Tal actualização é absolutamente necessária, bem como uma revisão das estratégias de segurança do Ocidente como um todo, dados os poderosos desafios de segurança da Rússia (China).

A guerra na Ucrânia minou as estruturas de segurança estabelecidas, pelo que associações como a NATO devem ser significativamente actualizadas. O atraso na aceitação de novos membros, em particular da Ucrânia, com a sua experiência em travar guerras móveis e de alta tecnologia modernas, pode levar ao domínio militar da Rússia no continente e a um enfraquecimento significativo da segurança dos países ocidentais, que subestimam a experiência de operações de combate reais e o impacto de novas ameaças.

Ucrânia é uma barreira que impede a destruição da estabilidade e da segurança do mundo ocidental, uma salvaguarda contra a passagem das fronteiras europeias pelo exército russo. As ideias estereotipadas e os avisos sobre a plena participação dos países pós-soviéticos nas estruturas ocidentais, em particular na NATO, devem ser ultrapassados, porque a Ucrânia já provou a sua eficácia na contenção da agressão russa e, portanto, precisa da Aliança do Atlântico Norte para conter a expansão da Rússia.

A Rússia quer ganhar uma posição política na Eurásia, para fortalecer a sua presença militar (criação de bases militares russas, blocos de satélites). A NATO deve crescer e expandir-se para contrariar estas tendências. Uma NATO poderosa numa composição alargada é uma garantia contra a expansão da Rússia.

A cimeira de Washington deverá tornar-se um sinal claro para a adesão da Ucrânia à NATO. Este será mais um passo para alcançar uma paz sustentável na Ucrânia e na Europa.

Quantos soldados russos já morreram na Ucrânia?

A face do soldado russo morto. Kharkiv. Ucrânia. 2022. © Antoine d'Agata / Magnum Photos

The Economist procurou saber o número de russos mortos na Ucrânia, analisando vários fontes abertas, dado que a rússia não divulga o número de seus soldados mortos ou feridos desde o início da invasão em grande escala da Ucrânia em 2022. A resposta pode variar entre 150 mil mortos e entre 462 à 728 mil incapacitados. 

De acordo com informações das publicações russas «Mediazona» e «Medusa», até 21 de junho de 2024, morreram na Ucrânia entre 106.000 e 140.000 ocupantes russos. Esses números são baseados em obituários nas redes sociais e outras fontes abertas.

As fontes francesas apontam o número de 150.000 (até maio de 2024).

De acordo com estimativas da BBC Rússia, 139.000 soldados russos, contando com os efetivos da EMP Wagner e os separatistas da «ldnr» morreram (até junho de 2024).

Ao mesmo tempo, The Economist, com base nos documentos do Ministério da Defesa dos EUA, escreve que para cada russo morto em batalha, há 3-4 feridos.

“Isso significaria que entre 462 mil e 728 mil soldados russos ficaram incapacitados até meados de junho”.

The Economist também escreve que as perdas da Rússia na Ucrânia, a partir de 2022, excederam colectivamente o número de perdas em todas as guerras da URSS/Rússia desde a Segunda Guerra Mundial.

Apesar disso, é improvável que a Rússia tenha problemas com os combatentes no curto e médio prazo, escreve a publicação, apoiando-se em autoridades e analistas ocidentais. Segundo as últimas estimativas, a rússia é capaz de mobilizar de 25.000 a 30.000 soldados por mês.

Blogueiro

Por outro lado, Ucrânia consegue abater e/ou ferir, entre 25.000 à 35.000 militares russos por mês. O que obriga rússia, na tentativa de adiar a nova onda de recrutamento geral, esvasiar as cadeias, «apanhar» os emigrantes recém-naturalizados dentro da rússia ou tentar recrutar estrangeiros nos países do «sul global». 

Perdas russas totais (KIA, MIA, POW, feridos e desaparecidos) em 7-09-2024
Dados: Estado-maior General das FAU 


terça-feira, julho 09, 2024

Terror russo contra a população civil da Ucrânia

Em 8 de julho os ocupantes russos lançaram um ataque massivo de mísseis contra várias cidades ucranianas - Kyiv, Kryvyi Rih, Dnipro, Sloviansk, Kramatorsk. Hospitais, a infraestrutura civil e edifícios residenciais foram atingidos durante o ataque. 

Atualmente sabe-se que em resultado do ataque russo de 8 de Julho 38 pessoas morreram, entre eles quatro crianças, e 190 ficaram feridas: 64 pessoas estão em hospitais de Kyiv, 28 estão hospitalizadas em Kryvyi Rih e 6 pessoas em Dnipro. 

Um prédio residencial em Kyiv, no bairro de Shevchenkivskiy, após ser atingido pelo míssil russo:

Os ocupantes russos atingiram o centro clínico infantil «Okhmatdyt» (no momento do ataque russo no centro estavam cerca de 600 pacientes, médicos e pessoal auxiliar) e clínica «Adonis» (que resultou em 7 mortos) em Kyiv. 


«O foguete russo atingiu o departamento de terapia intensiva e intoxicação crônica. Parte do prédio foi totalmente destruída. Os tetos desabaram. Ouvimos pessoas gritando, pedindo ajuda», informou o Dr. Volodymyr Zhovnir, diretor do hospital «Okhmatdyt», discursando, via vídeo-conferência no Conselho de Segurança da ONU.

O momento, em slow motion, do impacto do míssil russo X-101 em Kyiv, na clínica «Okhmatdyt»:

A federação russa utilizou cerca de 40 mísseis de vários tipos contra Ucrânia: mísseis de cruzeiro dos bombardeiros estratégicos Tu-95, balísticos, Kh-22, mísseis Kinzhal, Kalibr. Fragmentos de foguetes atingiram cidadãos e infraestruturas civis em seis distritos da cidade de Kyiv (distritos de Solomianskyi, Holosiivskyi, Dniprovskyi, Darnytskyi, Desnianskyi).



Clínica «Okhmatdyt» após o ataque russo

As crianças com câncro/cancer são transferidos para outras unidades hospitalares de Kyiv

Os russos atacaram Kyiv em plena luz do dia para matar o maior número possível de pessoas. Sabe-se de cerca de 7 mortos e 11 feridos em Kyiv, 10 mortos e 31 feridos em Kryvyi Rih. O número de vítimas continua a aumentar.

O mais terrível foi o ataque russo contra Hospital Infantil de Okhmatdyt, onde médicos especialistas salvam a vida de centenas de crianças todos os dias. O exército russo luta contra as crianças doentes, a barbárie e o cinismo do regime russo não conhecem as fronteiras!

Os moradores de Kyiv se voluntariaram para ajudar na missão de salvamento de crianças, um dos ativistas é ex-militar ucraniano Artem Grot, ele pertencia às forças de operações especiais, perdendo perna numa das suas missões. 


Nas vésperas da Cimeira da NATO, Putin demonstrou mais uma vez a natureza bárbara desta guerra, o seu total desrespeito pela opinião da comunidade internacional e o seu forte desejo de tomar a Ucrânia e matar o seu povo, todos, até mesmo as crianças pequenas.

Se alguém duvida da necessidade de mais apoio à Ucrânia, então o bombardeamento de hoje é uma prova clara de que putin não planeia parar e que a próxima vítima poderá ser qualquer país europeu.

Ucrânia precisa de armas poderosas e de alta precisão e de permissão para destruir instalações militares russas que são utilizadas para ataques contra a Ucrânia. É necessário dotar a Ucrânia de sistemas de defesa aérea/mísseis e outras armas. Esta é a única opção para salvar cidades e aldeias ucranianas da destruição, para salvar as vidas dos cidadãos ucranianos.

É necessário o apoio a longo prazo dos parceiros ocidentais, o que proporcionaria estabilidade à Ucrânia. Isto é exactamente o que o povo ucraniano quer, recuperando-se mais uma vez do bombardeamento.


O bárbaro bombardeamento da Ucrânia em 8 de Julho de 2024 provou mais uma vez a relutância da rússia em apoiar a paz. Putin usa linguagem de ultimatos. O primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, fala de uma paz benéfica apenas para a rússia. Mas enquanto Orbán voa à volta do mundo fingindo ser um “pacificador”, a capital ucraniana e outras cidades estão a ser destruídas por mísseis russos Kinzhal. A União Europeia deveria finalmente prestar atenção às ambíguas actividades de “pacificação” do Primeiro-Ministro húngaro e privar a Hungria da presidência do Conselho da Europa.

As cidades e aldeias ucranianas estão sob ameaça de destruição total sem apoio militar e sistemas de defesa aérea e antimísseis. Só uma posição unida e consolidada dos países na Cimeira da NATO pode salvar a Ucrânia e demonstrar a disponibilidade do mundo civilizado para deter putin. Ucrânia precisa de uma paz justa e não de uma iniciativa vazia de “paz” de políticos populistas e ditadores.

Os ataques com mísseis da Rússia constituem um desafio para toda a comunidade civilizada. A comunidade internacional não deve ter ilusões sobre o caráter fictício das declarações de putin sobre negociações, um cessar-fogo e um “congelamento da guerra”.

Após ataques contínuos e brutais com foguetes contra cidades pacíficas da Ucrânia, não são possíveis negociações com a rússia. O terrorismo russo contra a população civil da Ucrânia tem de acabar.

Blogueiro

Os propagandistas russos estão absolutamente abertos quando o propósito do ataque: obrigar Ucrânia sentar na mesa de negociações para tentar negociar a sua rendição. Neste momento rússia não consegue obter a rendição incondicional, com a vista de destruição total do estado ucraniano. Este objetivo ficará na sua cartada para os próximos 2-3 anos.

quarta-feira, junho 19, 2024

“Macacos com granada”: dentro da central nuclear na linha da frente da Ucrânia

Nos primeiros dias da invasão de 2022, as forças russas ocuparam a maior central nuclear da Europa. Em Abril de 2024, um drone teria explodido no telhado de um dos reactores. Rafael Grossi, diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), alerta: “Estamos à beira de um perigoso incidente nuclear”, escreve The Economist 

Boris adorava o seu trabalho com técnicos na central nuclear de Zaporizhia. Nascido em 1968 em Poltava, cidade no centro da Ucrânia, estudou engenharia nuclear na universidade de Kharkiv antes de se mudar para Enerhodar, cidade no sul do país, construída para abrigar trabalhadores da central elétrica de Zaporizhia. Ele ingressou na fábrica em um momento emocionante. “O campo da energia nuclear representava progresso”, disse ele. «Algo novo». 

Em pouco tempo ele se apaixonou por uma colega chamada Ludmilla. O casal se casou e teve duas filhas. “Fiquei feliz…estudei novos equipamentos, me mantive atualizado com a evolução da minha profissão. Fui promovido na carreira. Eu tinha minha querida família, meu trabalho, minha dacha. E então a guerra começou.

Desde o verão de 2022, os observadores da AIEA estão estacionados em Zaporizhzhia, embora as restrições militares russas impeçam o seu acesso à estação. Petro Kotin, chefe da agência nuclear ucraniana Energoatom, teme que a má manutenção e a proximidade da linha de frente possam forçar o fechamento permanente da usina. A vida útil do combustível nuclear já expirou, levantando sérias preocupações sobre o futuro da central. 

O lançamento intermitente de foguetes freqüentemente interrompe o fornecimento de energia. Os geradores a diesel servem como reserva, mas seus suprimentos de combustível são incertos. Kotin alerta que se os geradores falharem durante a interrupção, isso poderá levar a um catastrófico “acidente semelhante ao de Fukushima”. Todos os seis reatores estão atualmente em modo de desligamento a frio, mas a manutenção dos sistemas de resfriamento é fundamental para evitar o superaquecimento do combustível irradiado. 

Antes da invasão, a usina empregava 11 mil pessoas. Agora restam apenas cerca de 4.000, com muitos dos funcionários originais substituídos por novas contratações subqualificadas. Aqueles que se recusaram a assinar contratos com a Agência Russa de Energia Atômica RosAtom foram banidos da usina/fábrica.

A princípio, os engenheiros da RosAtom observaram sem interferir. No entanto, à medida que a ocupação continuava, as forças russas começaram a controlar a fábrica de forma mais agressiva. Os trabalhadores ucranianos enfrentavam buscas constantes, buscas domiciliares aleatórias e a ameaça de detenção. Os telemóveis foram proibidos e a comunicação com a Energoatom foi cuidadosamente monitorizada. 

Os trabalhadores eram regularmente levados para interrogatório na "adega" da delegacia de polícia local. Muitos foram espancados e torturados. O próprio Boris foi detido depois que as autoridades russas encontraram mensagens pró-Ucrânia no seu telefone. Ele foi mantido em uma cela apertada, mas conseguiu evitar abusos físicos. 

À medida que as condições na usina se deterioravam, foram descobertos vazamentos de água e boro – produtos químicos usados ​​para controlar reações nucleares. A Energoatom ordenou o desligamento de dois reatores para evitar acidentes. Após um corte de energia em setembro de 2022, geradores a diesel foram utilizados pela primeira vez como reserva.

Boris ficou ainda mais tenso quando descobriu o nome de sua esposa em uma lista vazada de funcionários que assinaram contratos com a RosAtom. Como resultado, o relacionamento deles foi prejudicado e eles moravam separados no mesmo apartamento. Boris lutou contra sentimentos de traição e incerteza sobre o futuro. 

No final de 2023, quando a contra-ofensiva ucraniana não tinha feito progressos significativos, cada vez mais pessoas começaram a fugir do Energodar. A única rota de fuga viável era uma rota complicada através da Ucrânia ocupada, da Rússia e depois através dos Bálticos e da Polónia de volta à Ucrânia. 

Em setembro de 2023, agentes do FSB invadiram o apartamento de Boris e Ludmila. Boris foi detido e torturado com choques eléctricos. Seus itens pró-ucranianos escondidos foram descobertos, levando a novas perseguições. 

A situação na central nuclear de Zaporizhzhia continua perigosa. Devido à má manutenção, à falta de pessoal qualificado e às constantes ameaças do conflito em curso, existe um elevado risco de desastre nuclear. A guerra prolonga-se e o destino da maior instalação nuclear da Europa está em jogo, com os seus trabalhadores envolvidos numa ocupação perigosa e divisiva.

Os POW ucranianos após a sua libertação do cativeiro russo

As fotos dos militares POW ucranianos após a sua libertação do cativeiro russo. Imagens mais difíceis dos últimos tempos. Não é nada facil recuperar o equilíbrio mental após ouvir as suas histórias. 

As fotos são publicados com a permissão dos próprios militares. Um deles disse: devemos fazer tudo para que isso nunca mais aconteça, com os outros. Mas tudo se repete, todos os dias. Muito mais ucranianos permanecem em cativeiro russo. Não há fim para isso. 

Algumas destas fotos foram para a Suíça para a Cimeira da Paz, onde foi levantada a questão da troca de todos por todos. Esperamos que estes retratos documentais daqueles que passaram pelo pior inferno encorajem os parceiros e aliados da Ucrània a agir de forma decisiva, pelo menos nesta questão. 

Não se pode repetir tudo o que contaram estes homens. Mas essas fotos falam por si. Isso apesar de, na época do nosso encontro, os meninos já terem ganho 10 kg de peso em uma semana em casa. Para entender o que é perder 40-50 kg de peso (é o quanto perderam no cativeiro) - veja as fotos onde os rapazes mostram suas fotos na véspera do cativeiro.



Mas o que é importante é que eles não conseguiram quebrar. E isso foi repetido por cada um deles: eu não fui quebrado. Conversamos com os médicos do centro de reabilitação onde os meninos estavam no momento do nosso encontro. Segundo eles, a maioria dos capturados se recupera com o tempo. As primeiras semanas em casa são um estado de euforia ao perceber que sobreviveram. Nesse caso, além de reabilitadores realmente profissionais e com uma atitude incrivelmente humana para com os meninos, também trabalham com eles psicólogos profissionais. 

Já foi dito muitas vezes, mas vamos repetir aqui mais uma vez. O século XXI, o centro da Europa, a era das tecnologias de ponta e da inteligência artificial. E aqui e agora, está a ocorrer o maior genocídio desde a Segunda Guerra Mundial. Estas fotos são a prova disso. 

Os fotógrafos ucranianos Kostiantyn e Vlada Liberovy. 

Ver mais fotos: https://instagram.com/p/C8UDBQrIcdP 

As novas provas terríveis da política criminosa da federação russa, que visa a destruição dos ucranianos. Recebemos as informações de que os comandantes russos deram ordens para não capturar militares ucranianos, mas sim matá-los com crueldade desumana – por decapitação. A decapitação de um defensor ucraniano foi registrada na região de Donetsk, informa o Procurador-geral da Ucrânia, Dr. Andriy Kostin.


Os resultados finais da Cimeira da Paz na Suíça

A cimeira demonstrou a ausência de medo da comunidade internacional em relação ao putin e, mais que é perfeitamente possível contrariar os ultimatos de Kremlin com base na forte posição consolidada de países em todos os continentes.

Ucrânia, como nenhuma outra, conseguiu unir os países do “Norte global” (Ocidente) e os países do “Sul global” (África, Ásia, América Latina) para discutir problemas de segurança no sentido global da palavra. Desde questões de segurança alimentar e nuclear (o funcionamento de infra-estruturas críticas, em particular, a restauração do controlo ucraniano sobre a central nuclear de Zaporizhia) até à segurança de um indivíduo específico (respeito pelos direitos humanos, em particular, a manutenção e troca de prisioneiros; o regresso de crianças raptadas).

Esta abordagem permite que os países que enfrentam crises e ataques considerem o formato da cimeira suíça como uma espécie de modelo para criar condições de enquadramento para o agressor quando este já não puder continuar a guerra e for forçado a recuar sob pressão da comunidade internacional. comunidade. Este é um modelo não apenas de sobrevivência, mas de desenvolvimento e de estabelecimento de numerosas conexões ramificadas.

A organização em rede da sociedade civil, bem como abordagens inovadoras às armas, estratégias e tácticas da sua utilização, ajudam a Ucrânia a sobreviver na guerra com um enorme império organizado verticalmente. 

A flexibilidade e elasticidade dos contactos bilaterais e a ampla participação de representantes internacionais são especialmente valiosas em tempos de crise nas instituições internacionais responsáveis ​​pela manutenção da segurança global. 

O facto de as consequências humanitárias da guerra e da crise terem sido o foco da cimeira também pode ser considerado um sinal de um regresso às normas civilizadas de coexistência internacional. As normas que Putin violou brutalmente com a invasão da Ucrânia, lançando um processo de “desumanização” comparável aos horrores do nazismo. 

Finalmente, a cimeira é um lembrete para aqueles que gostam de lucrar com os territórios de outras pessoas que, no século XXI, esta é uma estratégia extremamente mal sucedida e não lucrativa. A Rússia é um grandioso “império de retalhos”, mas isto claramente não é suficiente para entrar na ordem mundial moderna, o que, de facto, demonstra a crise de desenvolvimento que se aproxima da Rússia como resultado de sanções.

Os laços bilaterais flexíveis e as alianças locais proporcionam estabilidade a todo o sistema internacional. E, como mostra o exemplo da Ucrânia, podem contribuir para a sustentabilidade de um país que foi vítima de agressão. Tanto as autoridades ucranianas como a diplomacia ucraniana compreendem isto, pelo que a organização de uma cimeira de tão grande escala acabou por estar dentro das suas capacidades. 

A cimeira mostrou a variabilidade de oportunidades para diferentes países. Para a Europa, a reunião tornou-se uma ocasião para demonstrar a sua posição consolidada e expressar o apoio à Ucrânia como um Estado que obedece às regras ocidentais civilizadas. Para os países do “Sul global”, surgiu uma oportunidade para destacar os seus problemas no cenário mundial, provando que as vozes dos povos da Ásia, África e América Latina são muito importantes para o estabelecimento de uma nova e justa ordem mundial. 

Para as organizações internacionais cuja reputação foi prejudicada pela guerra de Putin, a cimeira tornou-se uma “tábua de salvação” que lhes permitiu ser incluídas na actual agenda de ajuda à população civil e de reconstrução da Ucrânia.

Ucrânia, sitiada pelo exército de putin, declarou mais uma vez que, apesar de todas as maquinações do Kremlin, foi e continua a ser um sujeito da política mundial, um Estado soberano que luta por uma paz justa, pelo desenvolvimento e pela boa vizinhança com países de todos os continentes. 

domingo, junho 16, 2024

Os resultados do primeiro dia da Cimeira da Paz na Suíça

A cimeira abriu e atraiu um grande número de participantes, incluindo líderes mundiais e representantes de organizações internacionais. Isto pode, sem dúvida, ser considerado uma vitória para a diplomacia ucraniana, que, desde o início da guerra, estendeu-se não só ao Ocidente, mas também aos países do Sul Global, cuja influência no mundo moderno está a aumentar constantemente. 

A cimeira é uma vitória sobre a propaganda russa, que não conseguiu impedir os países de expressarem a sua posição sobre as políticas revanchistas do Kremlin. 

No contexto da crise da ONU e de outras estruturas internacionais, que perderam efectivamente a sua influência nos processos globais desde o início da guerra contra a Ucrânia, tal reunião tem um grande significado positivo. 

Este é um diálogo entre líderes de países de vários continentes, destacando a sua compreensão da fragilidade e interligação da paz global. 

Há uma possibilidade de que autarquias ao estilo de putin não tenham sucesso no cenário mundial. Ultimatos e exigências de cessão de territórios ricos serão vistos como manifestações de um pensamento abertamente feudal, moralmente ultrapassado e inaceitável no século XXI. 

Na verdade, a reunião na Suíça transformou-se numa discussão aberta sobre as realidades modernas das relações internacionais e as perspectivas da comunidade internacional face ao ressurgimento das ideologias imperiais, do neocolonialismo e da propaganda generalizada demonstrada por regimes como o de putin. 

Devido à agressão russa contra Ucrânia, muitos países já não se sentem seguros e estão preocupados com a perspectiva de a guerra se espalhar. 

Há uma compreensão crescente no mundo de que a rússia não pode parar na Ucrânia e já está a tomar medidas ameaçadoras para desestabilizar a situação económica e sócio-política nos países ocidentais. 

Os países do Sul Global compreendem de forma única o que significa estar no foco dos interesses russos. A pressão sobre a vida política, a pilhagem flagrante dos recursos nacionais sob o disfarce de empresas militares privadas, o incitamento a grupos terroristas contra populações pacíficas e a destruição de estruturas da sociedade civil são as marcas do neocolonialismo russo, cujo peso total a Ucrânia suporta actualmente. 

Foi Ucrânia, que luta contra a agressão russa há três anos, que iniciou uma conversa aberta sobre a pressão das autarquias sobre a ordem mundial e as formas de as neutralizar. Isto dá esperança de que muitos conflitos locais e regionais, que têm atormentado o Sul Global durante décadas, também se tornarão temas de discussão e resolução. 

O mundo moderno não deve basear-se em ultimatos, mas na estrita adesão aos princípios do direito internacional, da boa vizinhança e do respeito mútuo. É exactamente isto que Ucrânia pretende ao iniciar uma reunião global na Suíça.