quinta-feira, março 17, 2016

O monumento ao gato estuprado é inaugurado na Crimeia

O monumento conhecido popularmente como "estuprador hidrocéfalo"
Para comemorar o 2º aniversário da ocupação ilegal da Crimeia, os adoradores do anschluss inauguraram na cidade de Bakhchysarai o monumento ao gato estuprado, embora dizem eles, que a obra é dedicada aos militares russos.
"A multidão feliz na inauguração da obra"
A propaganda de zoofilia se situa no parque “Crimeia em miniatura na palma da mão”, sob a iniciativa da administração do mesmo. Apesar das evidências visuais, os adeptos do “mundo russo” teimam em dizem que a escultura se chama “os homens educados” e é dedicada à “primavera de Crimeia”.
No passado recente outros donos dos outros parques já pagaram pela sua adoração da “primavera de Crimeia”. Caso do Oleg Zubkov, dono do “Parque dos leões Taygan”, que em 2014 apoiou a ocupação militar da península com “mundos e fundos” e atualmente vê o seu empreendimento fechado, esperando a ordem de despejo. E embora a história ensina apenas que não ensina absolutamente nada, propomos aos adoradores do “mundo russo” seguir o conselho da página ucraniana  Petr i Mazepa, exibindo a sua criatividade apenas em formato de “tudo tapado”.

A resposta dos gatos ucranianos
Bónus
A noite nas vésperas do "referendo popular" na Crimeia, cidade de Simferopol, hotel Moscovo (faça click para ver vídeo)
A neta do Estaline
A norte americana Chreese Evans (44) pode parecer tudo, menos a neta legítima de um dos ditadores mais sangrentos da história de humanidade, Iosif (Josef) Estaline. Sabe-se que a menina vive no estado de Oregon, nos EUA e é filha do 5º casamento da sua mãe, Svetlana Alliluyeva.
De acordo com algumas fontes Chrese Evans parou de se comunicar com a mãe depois do retorno desta à União Soviética em 1984. As suas relações não melhoraram substancialmente mesmo quando Svetlana voltou aos Estados Unidos em 1986 (fonte).

quarta-feira, março 16, 2016

Império moribundo: Kyiv em 1984

No ano mítico de 1984, nas vésperas da Perestroika e apenas 7 anos antes do fim da URSS, a capital da Ucrânia Soviética foi visitada por turista comunista (?) italiano Iro Bazzanti que filmou a cidade e os arredores, no seu quotidiano meio-sonolento da 3ª cidade mais importante do Império. Também semi-moribundo, embora sem perceber ainda que o seu destino já foi traçado pela história...

O que podemos ver no filme?

As estradas semidesérticas: pouquíssimas viaturas privadas, algumas de serviço, autocarros de passageiros, na sua maioria os ucranianos “LAZ” e muitos camiões, as filmagens são feitas de forma semiclandestina (a câmara abruptamente para quando vê uma viatura 4x4 do Ministério do Interior).

A propaganda: um mural com as letras garrafais: “Com nome de Lenine trabalhar e vencer”; dístico (na atual Praça de Independência – Maydan): “As decisões do XXVI congresso do partido, dos plenários sucessivos do Comité Central do PCUS – realizaremos!”; “Viva a amizade fraternal e a unidade inabalável de todas as nações e povos da União Soviética!” (toda a propaganda é feita apenas em russo);

No vídeo também aparecem:

O complexo turístico “Prolisok” (funciona até hoje!); palácio dos casamentos (conhecido pela forma do edifício e não só, como “triângulo das Bermudas”), avenida Khreshatyk com os troleicarros checoslovacos, simples e duplos; Maydan (na altura praça de Revolução de Outubro), dominada  pela enorme estátua do Lenine, secundada pelo povo soviético alegórico, a tripla de revolucionários: a camponesa, o operário e soldado  (demolidos quase imediatamente após a proclamação da Independência da Ucrânia em 24/08/1991); acima do monumento hotel “Moscovo” (hoje “Ucrânia”); relógio no edifício dos sindicatos (ardeu parcialmente durante os confrontos entre a polícia e manifestantes no inverno de 2014); segue-se bazar e padaria; monumento do Lenine na avenida Khreshatyk (derrubado em dezembro de 2013); caixa retangular azul (9´55´´) é a máquina de venda de água mineral, o copo de água sem sabor custava 1 copeque e com sabor 3 copeque, os copos eram um nojo; inscrição “Bazar escolar” (10´38´´´), a única em ucraniano, no local se vendiam diversas coisas escolares (pastas, fardamentos, lápis, cadernos, etc.); o edifício com telhado em forma de arco (11´05´´) é Circo de Kyiv, construído no local do histórico Yevbaz (Bazar Judaico); a rua Uzviz (11´20´´) e igreja de São André (inoperacional até agora); praça de Sofia e monumento de Bohdan Khmelnytsky (11´54´´), construído em 1888, hoje com um aspeto original, protegido pelas grades de ferro; os Portões de Ouro (12´00´´), reconstruídas em 1982; o edifício “vermelho” da Universidade Taras Shevchenko (12´13´´), fundada em 1870 e o monumento ao poeta-mor da Ucrânia; monumento de “Amizade russa – ucraniana” (14´45´´), em forma de arco gigante, chamado popularmente de “jugo”, pela forma e pelo simbolismo, no anfiteatro subjacente costumava tocar a música e por vezes havia as representações de palhaços ou leitura de textos humorísticos politicamente corretos; rio Dnipro (15´35´´), filmado da colina do Volodymyr (o monumento do São Volodymyr foi construído em 1853 sobreviveu a fúria comunista, mas antes de 1991 a cruz na sua mão não era iluminada); a ponte pedestre (15´45´´) entre a margem direita do rio Dnipro e a ilha Trukhaniv; a atual praça da Europa e o Museu do Lenine (16´08´´), hoje a Casa da Ucrânia, NENHUM (!) artefacto supostamente histórico e relacionado ao Lenine daquele museu era real, tudo apenas réplicas dos objetos exibidos em Moscovo; a atual rua Hrushevsky e estádio do clube desportivo Dynamo (atual estádio do FC Dynamo Kyiv), o local dos piores confrontos durante a Revolução de Dignidade no inverno de 2014, foi aqui que polícia “Berkut” assassinou o primeiro herói da Centena Celestial, o ucraniano-armênio Serhiy Nihoyan; Conselho dos Ministros da Ucrânia Soviética (16´46´´), hoje desempenha a mesma função; o restaurante “Salyut” (17´10´´), situado no raro em Kyiv edifício redondo; Mosteiro de Kyiv – Pechersk (17´19´´), possui as famosas grutas com os restos dos monges, hoje pertence à Igreja Ortodoxa da Ucrânia – Patriarcado de Moscovo, o mesmo que desrespeita Holodomor e apoia a invasão russo-terrorista; o monumento da Mãe-Pátria e museu subjacente da “Grande Guerra Patriótica” de 1941-1945 (a URSS não “considerava” a sua participação na partilha da Polónia como participação na II G.M.); em baixo, na marginal do rio Dnipro (19´50´´), fica o monumento aos míticos fundadores de Kyiv, irmãos Kiy (Deixa), Shek e Khoryv e a sua irmã Lybid (Cisne), o projeto inicial previa juntar o museu da Guerra ao monumento pela escada enorme, guardada nos laterais pelas figuras alegóricas (os invariáveis marinheiro, camponês, soldado, etc.), felizmente o projeto foi encurtado; ao seu lado direito se vê a ponte Paton, construída em 1953, totalmente usando a tecnologia de soldadura, desenvolvida pela família dos cientistas ucranianos Paton; o ninho da cegonha num poste de eletricidade (20´25´´), na Ucrânia as cegonhas eram vistas como símbolo de felicidade, mesmo durante o Holodomor as pessoas se recusavam à comer as cegonhas.
https://www.youtube.com/watch?v=3BwPaONjXdI
Altura do ano: a temperatura +17º, folhas verdes nas árvores e aparecimento do “Bazar escolar” pode significar o mês de agosto de 1984, pois o ano escolar começava na Ucrânia Soviética invariavelmente no dia 1 de setembro de cada ano.

Bónus
Kyiv na década de 1950, início da avenida Khreshatyk, a praça Besarabska (em frente do mercado homónimo), com um ponto de táxis. A avenida será alargada e o fontanário, visível à esquerda será levado cerca de 1,5 km à frente. Quase não há carros. Se vê TsUM (Loja Universal Central, o prédio mais alto da foto, à esquerda) de Kyiv, que sobreviveu a guerra e o comunismo e foi demolida apenas em 2013 para dar lugar ao novo centro comercial do bilionário Rinat Akhmetov. As árvores ainda são jovens, 30 anos depois eles formarão aquilo que irá se chamar “Khreshatyk verde” (fonte).

segunda-feira, março 14, 2016

O terrorista é preso tentando receber a reforma na Ucrânia

Recentemente, a nova polícia da Ucrânia deteve o separatista e terrorista “Died” (Velhote) quando este se dirigia à Ucrânia para receber da “junta sangrenta” a sua pensão (Sic!). Na primavera de 2014, este ex-militar traiu Ucrânia, tornando-se responsável pela logística do grupo terrorista russo, que ocupou a cidade de Sloviansk, comandado pelo cidadão russo Igor “Strelkov” Girkin.
O terrorista importante, próximo do Girkin, “Died” (em algumas publicações chamado de “Batia” / Paisão), foi detido pela Polícia Nacional de Sloviansk, que se dedica à procura e ao desmantelamento dos terroristas e dos seus esconderijos das armas ilegais.
Um outro terrorista, mercenário russo Yevgeni Tiniansky, participante ativo nas ações anti-ucranianas em 2014-15, que antes da guerra russo-ucraniana era dono de algumas empresas na Ucrânia, conta sobre o sucedido: 
Levaram o vovô ao estado miserável, mostraram que ele é um Zé ninguém na Rússia. Este é realmente um vovô heróico, corajoso e decidido. [...] Um homem de temperamento forte, um oficial da reserva. “Batia” decidiu ir à Ucrânia para [receber] a pensão. E foi preso. Vocês apenas imaginem até que ponto levaram o velho oficial e combatente para que ele optar por isso!!!

Ou seja, a criatura que tudo fez para aniquilar Ucrânia e o estado ucraniano, que apoiava os terroristas, afinal não conseguia sobreviver sem a pensão ucraniana, escreve o jornalista ucraniano Yuri Butusov.

Mas os terroristas russos conheciam muito bem o estado miserável em que vivia o seu comparsa após a libertação de Sloviansk pelas forças ucranianas e a sua fuga ao território da Rússia. Ainda em agosto de 2015, o propagandista russo El-Murid (Anatoliy Nesmiyan) escreveu:
Os veteranos [vivem] a situação extremamente complicada – agora, por exemplo, em alguma aldeia remota vive o ex-responsável da logística do “Strelkov”, “Batia” [...] doente e desempregado sobrevive num casebre numa aldeia [na região] de Belgorod. Ele recebe ajuda, mas o principal problema é a dificuldades em obter a cidadania russa, sem a qual ele é apenas um vagabundo. E estórias como esta já são centenas.

Outro conhecido terrorista russo, Igor Druz, comentou o seguinte:
Caso que se deu com o vice-chefe da logística do senhor “Strelkov”, como alcunha de “Batia”. [...] No fim, ele foi para Rússia. Um homem idoso, ele estava completamente sem meios, mesmo tendo na Ucrânia uma grande pensão do tenente-coronel. De vez em quando ele foi ajudado pelos amigos, mas eles também são pessoas pobres. [...] No fim, aconteceu que, finalmente ele ficou tão mal que, aparentemente, o sistema nervoso cedeu um bocado e por isso ele foi à Ucrânia para [receber] a sua pensão. Nestas condições tão difíceis estão as pessoas que defendiam o mundo Russo.
O seu chefe direto, terrorista Girkin não comenta a situação, embora continua à recolher os fundos monetários oferecidos pelos pobres coitados apoiantes da “novoróssia”. “Died” / “Batia” foi a carne para o canhão aos terroristas que levaram a guerra à Ucrânia. O idiota útil com 64 anos de idade, que ainda recentemente gritava “Rús-sia! Rús-sia!” e participava nos assassinatos e raptos dos patriotas da Ucrânia, agora conta com interesse do apenas seu país natal, Ucrânia. E mesmo assim, somente ao abrigo do processo penal baseado no artigo 260, 2ª parte (participação em actividades das unidade paramilitares ou armadas não previstas na lei) do Código Penal da Ucrânia que prevê uma pena efetiva de até 8 anos de cadeia.  

Vivendo às custas do SBU e do estado ucraniano, “Batia” / “Died” diz as palavras que deveriam conhecer todos os ingénuos que acreditam / acreditavam que federação russa pretendia trazer à Ucrânia paz e algum tipo de prosperidade: 
Quero-me dirigir à todos os milicianos com pedido de parar a guerra. [...]  Deponham as armas. Não acreditem na propaganda russa. Todos vocês são usados contra a vossa vontade e contra os nossos interesses.

domingo, março 13, 2016

FAU passam à controlar mais uma “zona cinzenta”

De acordo com moradores locais e as informações avançadas pelos separatistas, as Forças Armadas da Ucrânia entraram nos arredores da aldeia Kruta Balka (305 moradores antes do início da guerra russo-ucraniana), ao noroeste de Yasynuvata, empurrando as formações terroristas da dita “dnr” cerca de 2 km fora da “zona cinzenta”.

Na manha deste domingo decorriam os tiroteios nos arredores do 3º lago, mas perto do meio-dia começaram surgir os relatos de que as FAU entraram na aldeia. Por causa dos combates parou o funcionamento da estação de tratamento de água de Donetsk, os terroristas dispararam morteiros contra as forças ucranianas na zona dos lagos, a mesma zona onde se situa e estação das águas. Sem água ficaram quase 400 mil cidadãos.

De acordo com o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, as forças russo-terroristas formaram na área de Yasynuvata o agrupamento militar que continha cerca de 800 pessoas, 10 tanques e veículos blindados, 30 canhões e canhões autopropulsados, 13  morteiros de 120 mm e 20 morteiros de 82 milímetros, 4 lançadoras de mísseis “Grad” (fonte).

O jornal governamental russo Gazeta.ru, que se mantêm nas posições moderadamente anti-ucranianas, chama a situação atual de “Março negro de Donbass” e explica porque.
1. As FAU se aproximaram ao cruzamento na auto-estrada Donetsk – Horlivka o que futuramente poderá significar o cerco de Horlivka e bloqueio do Debaltseve  e Yenakieve. Neste momento as FAU possuem a oportunidade de controlar as movimentações dos terroristas pela auto-estrada.
2. Anteriormente, as FAU recuperaram uma parte da “zona cinzenta” perto da Yasynuvata, entrincheiraram-se na zona industrial e agora conseguem alvejar os alvos terroristas que se movem pela auro-estrada Donestsk-Horlivka.
3. Na própria “dnr” decorre uma luta sem quartel entre fuhrer Zakharchenko e líder militar, ex-chefe do agrupamento “Alfa” do SBU de Donetsk, líder do bando “Vostok”, Aleksandr Khodakovsky. Na TV da “dnr” pedem às populações denunciar as “ações contrárias à lei” do Khodakovsky, nomeadamente apropriação indevida e ilegal dos bens alheios... Os líderes dos grupos terroristas, leais ao Khodakovsky são expulsos do “exército da dnr”.  
4. Os avanços para o controlo das “zonas cinzentas” não são contrários ao acordo de “Minsk-2”.
5. Para contrariar a ofensiva ucraniana, os terroristas precisariam de uma ofensiva de larga escala [entende-se que com uso das forças armadas russas] e neste momento não existem condições para tal.

Blogueiro: tudo indica que Kremlin não está preparado ao pacote das novas sanções e como tal “os separatistas” não poderão contar com o seu envolvimento direto. Podem e recebem ajuda em forma dos equipamentos militares, combustível e alimentos, vinda nos habituais “comboios humanitários”. Os mesmos que de momento os terroristas sentem dificuldades de levar até Horlivka, graças ao controlo das “zonas cinzentas” pelas FAU.
Ajudar às FAU / ao Projeto “Vollte com a Vida”
PayPal: perguntar aqui

Os momentos de puro ódio da propaganda russa

O pivô da TV russa NTV conta aos telespectadores sobre “atrocidades efetuadas por tropas turcas contra a população pacífica do sudeste da Ucrânia”:

sábado, março 12, 2016

“Do outro lado da Lua”: o fim dos idiotas úteis

O cineasta belaruso, radicado na Ucrânia, Leonid Kanfer, passou em 2015 os três dias da sua vida numa unidade terrorista no leste da Ucrânia, autodenominada “companhia especial Zoria”, à atuar na região de Luhansk.

Leonid, acompanhou os seus efetivos, na sua grande maioria de nacionalidade russa, em diversas situações antes, durante e após os combates com as forças ucranianas, em diversas localidades nos arredores de Slovianoserbsk.

Dado que, infelizmente, este filme documental não possui as legendas, embora as merece, eis as histórias daqueles, à quem a desenfreada propaganda russa empurrou à Ucrânia com intuito de matar os ucranianos, isso é “defender o mundo russo contra os americanos”...
Os terroristas da Letónia: Valik (Valentim) e Margó (Elina) à saída de Moscovo
A primeira estória é de Valentim Milyutin (Valik) e Elina (Margó), os ativistas do partido nacional-bloshevique (NBP), pertencentes ao seu núcleo ilegal da Letónia. Os dois são à favor do “mundo russo” e como tal, não se conseguiram integrar na Letónia, na sua terra natal. Natural de Riga, Valentim percebe que a sua opção ideológica estragou lhe a vida e a carreira, especialista em TI, atualmente ele é procurado pela polícia letã de segurança pelas atividades mercenárias e por ser integrante das “unidades armadas ilegais” (no fim de 2015, o casal recebeu o asílio temporário na Rússia). 
Depois segue a imagem um blindado queimado (6´55´´), pertencente aos terroristas e aniquilado pelas forças ucranianas. Os terroristas e separatistas o transformaram no local de culto. Os dois terroristas, pertencentes ao posto de controlo na auto-estrada Luhansk-Kharkiv pisaram a sua própria mina (8´45´´). Um deles morreu, era o seu primeiro dia na linha da frente, os comparsas nem conheciam o seu nome (Sic!), a presença da aliança apenas indicava que ele era casado... Outro terrorista foi ferido nas pernas e barriga, mas dizem que irá sobreviver. O chefe da unidade é conhecido pela alcunha de Mingol (15.08), ele é cidadão russo, após o ferimento na perna ficou aleijado. O calado terrorista Yura, conhecido como Pchela (Abelha), provém do Cáucaso, provavelmente é um osseta. Diz que “perseguir os diabos é uma causa santa” (16.03). Quando é perguntado pelo Leonid porque pensa que os ucranianos são “os diabos, responde que não pensa (Sic!), apenas sabe. Pelo meio, as filmagens mostram que os terroristas de Luhansk usam as tácticas do Hamas, se colocando e alvejando as forças ucranianas à partir dos bairros residenciais.

A segunda estória é do jovem Andrey (21), natural de Cherepovets, onde deixou a família e a namorada. Apenas disse à um único amigo que iria combater na Ucrânia.
O jovem Andrey, com o ranho no nariz, mas ainda com a vida...
LK: – Você entende que se a Rússia não vos apoiasse, se vocês (os russos) não vinham, não haveria guerra aqui?
Andrey: –  Sim, mas assim, então, os ucranianos ocupariam o Donbas...
LK: – tu percebes que essa guerra é artificial, se a Rússia não apoiasse, não haveria a guerra?
Andrey: – sim, claro... a Rússia ajuda pelo menos um pouco...
LK: – achas que faz bem? É um outro país, eles [os ucranianos] devem resolver isso sozinhos...
Andrey: – América apoia Ucrânia!

O filme mostra os instrutores profissionais russos à treinarem os separatistas locais e terroristas vindos da Rússia (24´/25´). Em algum momento, à noite, o grupo leva todo o seu armamento e quase todos os homens que restam, cerca de dez,  à linha da frente. Valentim partiu a mão numa rixa de rua em Moscovo, talvez isso lhe salvou a vida. Pois, dos que partiram à linha da frente volta apenas a metade. Dos 6 blindados ligeiros, os terroristas conseguiram colocar em funcionamento apenas um.
A terceira estória é do Victor (terrorista com um facalhão que aparece aos 31´30´´). Vem da cidade russa de Voronezh, é jurista, veio à Ucrânia porque “gosta, mas é, da guerra”, está desiludido pelo facto de que poucos comparsas vieram para matar os ucranianos pela ideia (as razões mais habituais evocadas pelos terroristas: “tenho que pagar o crédito ao banco”, “fugi das circunstâncias da vida”, etc.)


LK: – se Rússia não [vós] apoiasse e não assegurasse [o vosso funcionamento], vocês aguentariam?
Valentim: – eu..., eu não sei... talvez não... (29´)
Um terrorista tártaro: “essa guerra é a última fronteira da 3ª guerra mundial”.

As posições terroristas vão sendo alvejadas pelas FAU. Mas o chefe Manguço (38´) está convencido do que eles são vítimas do “fogo amigo”, a realidade posterior mostrou que ele estava errado...
Os terroristas e separatistas voltam de combate, dos dez, apenas cinco se safaram com a vida (44´), outros foram feridos. Yura Pchela (43´), está com uma contusão, tem a fuça toda preta e apanhou um estilhaço na mão. O chefe Mingol o manda para hospital, para ser observado pelo médico, Pchela (foto em baixo) balbucia em resposta: “então abre a minha mão para ver se tenho lá o estilhaço”.
Horas mais tarde a separatista Yulia recebe a notícia do que o seu namorado Cossaco (separatista local, foto em baixo) foi morto em combate (47´10´´), eles começaram à namorar um mês atrás. Outra separatista local, a Irina, também é informada sobre a morte do namorado Igor, o Soldado.
O separatista Cossaco, um dos poucos cidadãos ucranianos, horas antes da sua morte
LK: – por que [razão] morreu o seu marido?
Irina (fumando, já bêbada): – dizer que foi pela pátria não posso, pois essa não existe como tal...
LK: – achas que essa guerra vale à pena todas estas mortes?
Irina: – acho que não (48´20´´, imagem em baixo)
Irina, a rapariga separatista local
Naquela mesma tarde, um outro terrorista conta ao cineasta que todos os restantes terroristas e separatistas que defendiam as posições alvejadas pelas FAU (na aldeia sem nenhum morador civil) e que não saíram do cerco, acabaram por morrer. O puto Andrey, levado às trincheiras de Donbas pela propaganda russa, também. Não se sabe se a sua família alguma vez receberá o seu corpo ou se este simplesmente apodrecerá numa trincheira anónima numa vila ucraniana...

Ver o filme no YouTube (49´52)

Blogueiro

O gamer brasileiro, Rodrigomk2 (Rodrigo Gomes), escreveu ao nosso blogue para informar que “dia 16 de abril chego em lughansk como um voluntário novorusso e tanto eu como os outros 8 camaradas vamos derrubar o facismo”.
Rodrigo, fofo, agradecemos a gentileza da sua informação, os seus dados foram passados aos órgãos competentes do seu país natal e de acolhimento, assim como aos ucranianos. No entanto, o aconselhamos veemente de assistir o filme documental que acabamos de apresentar, os dragões e outros brojobs amigáveis são passatempos muito mais prazerosos do que a participação nas atividades ilegais que seguramente não acabarão bem. Quem o diga é o jovem Andrey da cidade russa de Cherepovets... 

sexta-feira, março 11, 2016

“Aeroporto” do Sergei Loiko. Capítulo VIII: Mishka – Professor (2ª parte)

O texto do romance “Aeroporto” do jornalista e fotógrafo russo Sergei Loiko que apresentamos aos nossos leitores em português é o mais completo, escrito até agora, possuindo as partes inexistentes na edição russa, ucraniana e holandesa (De Luchthaven), publicadas até agora.

@Sergei Loiko Todos os direitos reservados
Tradução portuguesa @Ucrânia em África

Às dezasseis menos um quarto, Sasha bebeu um copo de vodca, fumou um par de cigarros, pegou a garrafa selada, deu as coordenadas do encontro aos operadores dos morteiros, deixou a sua pistola ao comandante do batalhão e caminhou lentamente através da linha da frente.
Eles se encontraram na estação semidestruída de bombagem de água, bastante dilapidada, construída de forma bruta de tijolo vermelho, muito fustigada pelas balas e estilhaços.
Abraços... As memórias, aos formigueiros dobravam a espinha. De pé, acabaram a garrafa, sem se engasgar, sem tirar os olhares um do outro, incapazes de acreditar nos seus olhos. Não pode ser! Isso, car.lho, não deveria acontecer. Isso, p.ta vida, é anormal.

Falaram sobre a vida, sobre as esposas, filhos, gajas, sobre o salário miserável, sobre a vida malfeita. Nem eles próprios conseguiam articulá-lo, mas inconscientemente, ambos sentiam serem atingidos pelos estilhaços na armadura das suas almas, tiveram o mesmo sentimento – alguém os tinha traído, e não havia como escapar.
Sasha, porque eu vim, de facto, – Kolya finalmente acabou com os preliminares. – Vamos trocar. Eu tenho os seus dois – um ferido e um morto. Aplicamos os primeiros socorros ao puto. Ferimento perfurante no ombro. Mas irá sobreviver.
Kolya, hoje estou com a reserva de troca bem baixa, – respondeu Sasha, sentindo quase a desconfortável sensação de culpa, perante amigo, pois não matou, nem feriu os seus.
Leve de fiado. Depois devolves...
Novamente olharam olhos nos outros. Os olhares deles já estavam diferentes. As altas margens do intemporal rio Oka das suas memórias, estavam cobertos de neve.
Cada um chamou o seu grupo com as macas. Desarmados.
Uns trouxeram, outros levaram aos seus o principal produto de troca numa guerra – mortos e feridos.

Dois dias depois, já Sasha ligava ao Kolya. Os seus homens trouxeram um russo morto e dois feridos. Ele estava pronto à pagar a sua dívida.
Tido foi como da primeira vez, mas sem a vodca, sem lágrimas, nem abraços.
– Eu te entreguei um ferido e você me traz dois.
Estou devolver com os juros.
Nem um, nem o outro se riram dessa piada.
Ah, e ainda, – disse Kolya na hora de adeus, como se lembrar de algo pouco importante. – Artilharia irá trabalhar hoje. Três mil obuses. Começamos às 22 zero-zero. Vocês se preparem para o caso.
Não vou conseguir, mudei de quase todas as posições – Sasha respondeu sobriamente.
Bem, vamos pensar em algo.
Toda a noite a artilharia russa alvejava a deserta floresta negra. Kolya lhes forneceu as novas coordenadas – “de acordo com os mais recentes dados de inteligência...”
De manhã, à partir de um número desconhecido, Kolya recebeu a mensagem curta: “Obrigado”.
Desde então, eles não se encontraram mais, não falaram um com outro.

* * *

Foi a única vez em que Kolya desobedeceu uma ordem e cometeu a desobediência.
Em agosto, nos arredores de Ilovaysk tudo foi diferente.
Kolya, pessoalmente combinou com os ucranianos que eles saíssem do cerco em colunas, à pé, sem os equipamentos militares. Mas os ucranianos precisavam de transportar os seus feridos, usando os camiões, ou, pelo menos, os blindados ligeiros MTLB. Kolya concordou.
Quando os ucranianos, alguns milhares, exaustos pelos combates no caldeirão, marcharam, em coluna infinita no "corredor", ao quartel-general da brigada, de rompante, veio o general.
Mas que desfile é este, Sivko? Perdeste a noção, o pombo da paz de car.lho?!
– Mas nós combinamos as condições... Eu relatei à si, camarada general.
É você que combinou com eles! Eu não dei essa ordem!
Você não se opôs. Me disse isso mesmo!
Eu não sei o que eu disse! O Supremo está contra! Pessoalmente! Essa é a sua ordem! Os ucranianos devem, car.lho, perceber, compreender de vez, car.lho, que não vamos brincar mais, é o fim da amizade fraternal f.dida com os fascistas. Compreendeu?
Entendido.
– Ainda mais, eles saem com os seus equipamentos.
– Mas eles precisam de retirar os feridos. Eles têm centenas de feridos. Morreriam no caminho.
Isso é um problema deles. E tu, Sivko, – não és a Madre Teresa. Fogo, car.lho, com todo o armamento!
Sim, camarada general!
E Sivko ordenou o fogo de todas as armas.

Uma terrível imagem veio aos seus olhos no dia seguinte, quando ele e a sua comitiva foram inspecionar o local da "grande vitória". Crateras sobre as crateras. Os restos mortais em toda a parte, até em cima das árvores. Mãos, pés, cabeças, vísceras... Centenas de mortos. Dezenas de blindados BMP, BTR, os camiões queimados. Mais de duas centenas de prisioneiros – quase todos feridos.
Pela operação de sucesso em Ilovaysk, Sivko recebeu o título de herói da Rússia. Em segredo, sem nenhuma pompa.
Os colegas brincavam, dizendo que ele agora é o primeiro herói da Novoróssia – Sivko-Ilovayskiy.

* * *
– Odeio, repete em voz alta Sivko, limpando os lábios.
Acalmando-se um pouco, tira o telefone celular, lê a última mensagem: "Mais uma vez indisponível. Assim as crianças vão esquecer o pai. Que tipo de exercícios infinitos são estes? Amo, beijo, espero. "
Ele toma mais um gole, e não arranja o tempo suficiente para teclar uma resposta. Na entrada da cidade, dois mísseis “Uragan”, um após o outro, dos cinco lançados, transformam o “Tigre” do coronel numa pilha de metal retorcido fumegante.
O coronel “morreu no decorrer dos exercícios no campo de treino na região de Rostov." Uma semana depois, o camião, do assim chamado “comboio humanitário” levará à localidade de Chervoniy Kamin as munições e provisões à linha da frente. E levará para casa o corpo mutilado, meio queimado do coronel e mais noventa corpos de militares russos. O “comboio humanitário” será composto por sete camiões. Três deles com equipamentos de congelação.
Enquanto isso, na pista de aeroporto, o blindado MTLB, com a velocidade do carro fúnebre, transporta aos seus, sobre e na sua blindagem, catorze (não, já quinze) mortos e dezoito feridos. Esta é a última “gaivota”. Não haverá mais...
Os pára-quedistas russos se levantam, quase totalmente de pé, nas suas trincheiras e efetuam, uns um, outros dois tiros, e outros, uma rajada no ar, de todos os tipos de armas.
O mecânico Semenych, se benze sem cessar, dentro do MTLB, com a mão livre. Ele não sabe que os tiros eram apenas as “saudações”.
* * *
O primeiro-sargento Svetlov, com o nome de código Nalim, até o fim permaneceu na torre, substituindo o comandante. Escuro, cheio de fuligem, como todo o mundo. Sob a fuligem não são visíveis as sardas, nas suas bochechas e nariz. Sem o capacete, com o cabelo ruivo sujo e despenteado.
Ele lançou o seu olhar em redor da mesa, contemplando todos, incluindo o jornalista e palavra por palavra repetiu a sua história incrível, parece que relatava de forma resumida o conteúdo do “Viy” de Gogol.
– O primeiro batalhão, a terceira companhia – são treze, certo? – O dedo escuro parou no primeiro dígito da folha que Nalim erguida acima da mesa, mais perto da lâmpada. – Depois o primeiro pelotão, o terceiro grupo. Mais um treze! Agora o BTR número 131, o líder do pelotão sargento Zlatko, “Z” parece “três”. Então? Mais duas vezes aparece treze. No total – quatro vezes! Mais! Ao sair, eu tinha treze carregadores – já são cinco vezes! A torre de treze andares – já são seis! O quarto em que dormimos, de manha vejo, a porta é o número treze! O que é mais interessante, o número treze é repetido sete vezes! Sete! Nós temos exatamente sete mortos. Tivemos. É assim!
Todos ficaram em silêncio. Eles já ouviram essa estória duas ou três vezes. No grupo do Bander, ficou trinta e uma pessoa, sem contar com o fotógrafo. Treze ao contrário.
– Porque tu não foste? Stepan leva Oleksiy ao lado. – Era uma ordem!
Eu não sou seu subordinado, Stepan. Tu viste, naquela carreira todos os lugares eram ocupados.
– O que faço consigo, tio Liosha? Nіka me comerá vivo! Eu lhe prometi!
O prometido se espera por três anos.
Três anos! Agora seria ótimo aguentar por três horas!
– Vão conseguir. Eles não sabem quantos de nós ficamos. Isso é, quantos de vocês, – se corrige Oleksiy.
A capa final da edição polaca / polonesa
Continua...