quinta-feira, janeiro 08, 2026

Morreu traidor Aldrich Ames, ex-agente da CIA, que passou 32 anos na prisão


Aldrich Ames, ex-agente da CIA condenado à prisão perpétua por espionagem para Moscovo/ou, faleceu na prisão, passando lá 32 anos. Sua traição levou à morte de, no mínimo, 10 agentes americanos (entre eles um general e vários coronéis do GRU e do KGB), executados na URSS.

Aldrich Ames, ex-agente da CIA que atuou como agente para Moscovo/ou, morreu em uma penitenciária federal em Maryland. Ames tinha 84 anos. O Washington Post noticiou sua morte, citando o banco de dados de prisioneiros do Departamento Federal de Prisões.

Ames sob o nomes de código de “Alexander” e “Kolokol” (Sino) trabalhou para a inteligência soviética e, posteriormente, russa, de 1985 a 1994. Em juízo, ele admitiu ter fornecido à KGB os nomes de «praticamente todos os agentes da CIA e outros agentes americanos e do serviço exterior [na URSS] que eu conhecia», bem como «uma vasta quantidade de informações sobre política externa, defesa e segurança dos EUA». Por isso, Ames recebeu mais de um milhão de dólares (outros dados apontam de até 4,6 milões de dólares) em dinheiro e lhe foi prometido pelo menos mais um milhão de dólares e imóveis na rússia. Entre os agentes da CIA, que Ames entregou ao KGB e que foram executados estava o major-general do GRU Dimitri Polyakov e tenente-coronel Valery Martinov, o agente do KGB nos EUA, disfarçado do Adido Cultural da Embaixada soviética em Washington. Engraçado, que o neto do Martynov, Edward Coristine (2005), o famoso Big Balls, é um desenvolvedor de software, que ganhou a notoriedade em 2025 após ser nomeado para o Departamento de Eficácia Governamental (DOGE), comandado por Elon Mask.

O Washington Post relata que, quando Ames foi capturado, sua espionagem havia levado à morte de pelo menos 10 agentes e constituía o vazamento mais grave da história da CIA. Ames alegou que cooperou com a KGB não por considerações ideológicas (ele chamou o sistema soviético de «regime brutal e desumano»), mas por dificuldades financeiras.

Ames foi preso em fevereiro de 1994. Um dos principais fatores que levaram à sua exposição foram seus gastos exorbitantes. Na primavera de 1994, Ames foi condenado à prisão perpétua. Enquanto estava na prisão, ele processou o Serviço de Receita Federal (IRS), que exigia o pagamento de impostos atrasados sobre mais de um milhão de dólares que ele havia recebido por espionagem para Moscou. Amer perdeu o caso.

Entre as razões da sua descoberta foi o alto número dos oficiais do KGB – agentes da CIA, que foram executados na URSS em 1986-1988, além dos gastos financeiros, muito acima da média, praticados pelo Ames e pela sua esposa, a colombiana Maria del Rosario Casas Dupuy. Aparentemente, Maria Dupuy sofria de algum tipo de distúrbio mental, sendo compradora compulsiva.

Maria del Rosario Casas Dupuy, abandona o tribunal após Ames ter recebido
uma pena de prisão perpétua, Washington DC, 28 de Abril de 1994.
(Fotografia de Larry Downing/Sygma/Sygma via Getty Images)

Juntamente com Ames foi presa a sua esposa, Maria del Rosario Casas Dupuy, a 2ª secretária da Embaixada da Colômbia no México e também agente/informadora da CIA. Apos servir 5 anos na cadeia americana, ela foi expulsa para Colombia.

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