terça-feira, junho 23, 2026

Ministro queniano é acusado de recrutamento dos mercenários para exército russo

Moses Muyela and Josephine Ngoya hold photos of their son, who reportedly died in Ukraine
© Brian ONGORO / AFP

O Ministro do Trabalho e da Protecção Social da Quénia, Alfred Mutua, é acusado no seu país de estar envolvido no recrutamento e envio de mercenários quenianos para combater na guerra neolocolonial russa na Ucrânia. 

Os familiares dos quenianos mortos viraram-se contra o ministro – muitos dos homens foram parar à rússia graças a um programa estatal de emprego, o que levantou várias questões, incluindo por parte das autoridades policiais, segundo a AFP, citada pela France24. 

Mutua dirige este programa desde agosto de 2024. Ajudou aproximadamente 400 mil quenianos a emigrar. Até há pouco tempo, a rússia era um destino popular para a migração laboral. Por exemplo, o ministro chegou a publicar fotos nas suas redes sociais de pessoas que o Estado tinha enviado para trabalhar naquele país distante. Os activistas locais de direitos humanos estimam que a maioria destas pessoas morreu há muito tempo nos campos de batalha da Ucrânia. 

O envolvimento do Ministro Mutua no esquema criminoso para enviar compatriotas a uma morte certa é confirmado por dados do Serviço Nacional de Informações do Quénia (NIS). Fontes da AFP nas agências de segurança do país confirmam que o envolvimento do responsável foi para além de «simplesmente político». Alfred Mutua ainda não foi formalmente acusado, mas o caso gerou repercussões significativas. 

Recorde-se que as autoridades quenianas já tinham conseguido que a Rússia interrompesse o recrutamento dos seus cidadãos. Posteriormente, foi noticiado que o comando russo transferiu, com urgência, 518 cidadãos quenianos, anteriormente mantidos em campos de treino do exército russo, para a linha da frente, a fim de os «zerar», ou seja, sacrificar e encobrir a sua presença, camuflando as suas mortes como baixas habituais da guerra. De acordo com as estimativas dos serviços de informação quenianos, o número de cidadãos quenianos que se juntaram ao exército russo pode ultrapassar os 1.000. 

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