domingo, julho 20, 2025

O terrorismo comunista dirigido à Rádio Europa Livre/Rádio Liberdade

Em 21 de fevereiro de 1981 o terrorista internacional Carlos, o “Chacal”, atacou a Rádio Europa Livre/Rádio Liberdade, contratado pela CIE/Securitate romena que lhe pagou em dinheiro e passaportes estrangeiros. 

por: Richard Cummings

Desde meados da década de 1970 até à sua deposição e execução em Dezembro de 1989, o ditador romeno Nicolae Ceausescu travou uma guerra vingativa contra o Serviço Romeno da Rádio Europa Livre/Rádio Liberdade. O seu regime debatia-se com intimidação, ameaças e ataques físicos; a rádio respondia com a verdade nos programas transmitidos para a Roménia. 

Instalações da Rádio Liberdade em resultado do ataque bombista

Embora tenham existido vários planos dos serviços secretos do bloco comunista ao longo dos anos para atacar a bomba a sede da Rádio Europa Livre/Rádio Liberdade em Munique, houve apenas um ataque físico: o atentado bombista de 21 de fevereiro de 1981. Esta foi uma das operações politicamente mais sensíveis, mas pouco conhecidas, de Carlos, o «Chacal»: foi o seu único alvo americano conhecido. Carlos chamava às suas operações terroristas de “Tangos”; este seria o seu “Tango de Munique”. 

O Ataque 

No dia 21 de fevereiro de 1981, às 21h50, ocorreu uma enorme explosão no centro de Munique, que se fez ouvir por toda a cidade. Uma equipa de quatro terroristas, sob a liderança do infame Carlos, o «Chacal», escondido em Budapeste, tinha acabado de detonar uma poderosa bomba, estimada em cerca de 15 quilos de nitropenta, um explosivo de fabrico romeno. 

Instalações da Rádio Liberdade em resultado do ataque bombista

Quatro funcionários da Rádio Europa Livre/Rádio Liberdade ficaram gravemente feridos: Maria Pulda (atingida no rosto, passou por mais de 20 operações de reconstrução facial), Rudolf Skukalek e Allan Antalis, do Serviço de Emissões da Checoslováquia, e Ingeborg Eberl, telefonista [outras fontes apontam entre 5 à 8 feridos]. Parte do edifício estava em ruínas. Os danos no edifício ultrapassaram os US$ 2 milhões. Este foi o único ataque direto ao edifício da sede da RFE/RL na história da estação.

1ª à esquerda, Maria Pulda no julgamento do terrorista Johannes Weinrich, 2003

A explosão da bomba causou grandes danos e terror nas imediações. Janelas foram partidas em 50% dos escritórios da RFE/RL (mais de 170) e também em prédios de apartamentos a mais de cem metros de distância da RFE/RL. 

Glen Ferguson, então presidente da RFE/RL, enviou uma mensagem aos funcionários na manhã seguinte. A mensagem dizia, em parte: «Quatro dos nossos colaboradores ficaram feridos, o nosso edifício foi danificado, mas a RFE/RL continuará a ser ouvida». 

Foto: DPA / Picture Alliance / Getty Images

Os grandes meios de comunicação internacionais e da Alemanha Ocidental cobriram o atentado bombista contra a RFE/RL na noite de sábado nas edições de domingo e segunda-feira. Os meios de comunicação social soviéticos e da Europa Oriental também divulgaram a história a partir da manhã de domingo. A televisão e a rádio da Alemanha Ocidental começaram a cobrir a história a partir das 23h de sábado e continuaram a cobertura durante todo o domingo e segunda-feira. 

Instalações da Rádio Liberdade em resultado do ataque bombista

Embora as provas já existam há muito tempo e os autores tenham sido identificados, [praticamente] ninguém foi e, muito provavelmente, nunca será processado por este acto terrorista. Carlos está preso com duas penas perpétuas em Paris. Dos quatro terroristas que estavam em Munique, Johannes Weinrich continua preso em Berlim, onde cumpre a pena de prisão perpétua pelo atentado bombista contra o Centro Cultural Francês em Berlim, em 1983. 

Bruno Breguet “Luka” tornou-se informador da CIA na Suíça em 1991, sob o pseudónimo FDBONUS/1, e era extremamente bem pago pelos seus serviços e informações sobre terroristas internacionais. Desapareceu, sem deixar rastos, em 1995. 

Agente do StB Pavel Minařík em 1976

[No entanto, o atentado de Munique poderia ter a cumplicidade de outros serviços secretos comunistas. Assim, o gente da secreta comunista checoslovaca, a StB, Pavel Minařík, serviu como agente na Radio Free Europe, em Munique, de 1969 a 1975. De acordo com o Comité de Documentação e Investigação de Crimes do Comunismo, Minařík enviou, pelo menos, três planos aos seus superiores para realizar uma explosão nas instalações da Rádio Europa Livre durante este período. Em 1993, pelo seu papel na explosão em Munique ele foi condenado aos 4 anos de prisão efetiva, mas não chegou de cumprir a pena, devido à revisão do caso. Em 2009 foi condenado à 6 (mais tarde reduzido para 4 anos), num caso de fraude na área de seguros]. 

Um dos terroristas bascos, José Maria Larretxea, morreu em Cuba a 29 de fevereiro de 1996 e o outro nunca foi identificado [outros dados apontam Juan Miguel Goiburu Mendizabal 'Goiherri' / 'Santiago’]. Morreu o general romeno Nicolae Pleșiță, o chefe do Centro de Informação Externa (Centrului de Informații Externe) a secreta romena externa, СIE, que ordenou o ataque, assim como morreu o oficial romeno da CIE, tenente coronel Sergiu Nica, que junto ao pessoal do «Chacal» se apresentava como “Andrei Vitescu”, que coordenou o ataque com Carlos. 

Além deste atentado bombista, Carlos foi destacado para invadir ou destruir a estação de monitorização da RFE/RL nos arredores de Munique, em Schleissheim, e obter documentos secretos. Em troca, os romenos deram a Carlos 34 passaportes italianos, alemães, franceses e austríacos, bem como passaportes diplomáticos romenos para Carlos, Johannes Weinrich («Steve») e Magdalena Kopp (terrorista alemã, a namorada do Weinrich e posteriormente esposa do Carlos). 

Ler o artigo completo sobre o atentado: «Carlos, o Chacal, e O Último Tango em Munique», do qual este texto foi extraído, aqui: https://coldwarvignettes.blogspot.com/2021/02/carlos-jackal-and-last-tango-in.html

Liviu Tofan que na altura, era o editor-chefe da secção romena da Rádio Europa Livre, reuniu as provas num livro, intitulado «O Chacal da Securitate», que contém documentos, testemunhos e pormenores sobre este ataque.

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Blogueiro: apesar deste atentado ser organizado e apoiado tecnicamente pela CEI/Secutitate, o general do KGB Oleg Kalugin, condenado pelo regime russo em 2002 aos 15 anos de cadeia, afirma que KGB sabia do plano, e o aprovou tacidamente:

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