domingo, julho 07, 2019

Maria Sovenko: a única pessoa que nasceu na zona de exclusão de Chornobyl

Mariyka (Maria) Sovenko é uma figura importante na história do desastre nuclear de Chornobyl que aconteceu em 1986 na Ucrânia. Foi a única pessoa que nasceu e viveu até aos 7 anos na zona contaminada pela radiação, mesmo após os habitantes de Pripyat terem sido evacuados. Hoje tem 19 anos, é estudante de turismo e está saudável.


por Ana Luísa Bernardino, MAGG.pt

Filha de Lydia e de Mykhaylo Sovenko, que era um dos bombeiros chamados ao IV reator da central na noite da explosão, cresceu numa área contaminada e que, até hoje, não é habitada, com exceção dos seus pais, que se recusaram a deixar a cidade, uma vez que a União Soviética não lhes deu uma nova morada, ou seja, uma casa onde pudessem viver.
Mariyka Sovenko e a mãe Lydia, na zona de exclusão
Foi só no momento do nascimento da filha [em 1999] que Lydia percebeu que estava grávida, tendo dado à luz com a ajuda do marido. Assim que a notícia do nascimento de um bebé em Chornobyl se tornou pública, Lydia foi tratada como “uma criminosa” porque teve um bebé naquela zona, tendo-se recusado a abandonar a sua casa, diz o Daily Mail.
Ignorando os avisos emitidos pelo governo, relativos aos perigos para a saúde do contacto com aquela radiação, Lydia educou Mariyka naquela cidade. A menina bebeu leite de vacas que pastavam em terras, potencialmente contaminadas pela radiação, assim como mergulhou em águas também infetadas.
“Se elas [as pessoas] acham que ela é uma mutante ou tem duas cabeças, estão completamente enganadas”, disse Lydia, pela altura em que Mariyka já tinha 5 anos. “Ela é uma criança adorável, absolutamente saudável, tanto quanto podemos ver.”
Numa entrevista que deu em 2006, a criança disse: “Eu gostava que houvesse apenas outra criança aqui. Eu podia mostrar-lhe a minha casa e a aldeia — podíamos divertir-nos muito”.
Apesar da pressão para mudarem de cidade por parte das autoridades, os pais de Mariyka não cederam. Preferiram continuar naquela casa. No entanto, aos 7 anos, mudaram-se, de modo a que a filha pudesse ir para a escola.

No sequência do sucesso da série, disponível na plataforma de streaming da HBO, que trouxe a história do desastre nuclear novamente para cima da mesa, Mariyka, agora com 19 anos, deu uma entrevista ao Sunday Express. Não querendo falar sobre o seu passado, avançou que está saudável, que é estudante de turismo e que trabalha num bar.  “Estou bem. Estou a trabalhar.”
Ainda que viva e trabalhe fora da zona de exclusão onde cresceu (está em Kyiv), a estudante — que frequenta numa instituição reputada — ainda consegue autorização para lá entrar, uma vez que a mãe, hoje com 66 anos, ainda vive lá.

A saúde e sucesso da jovem é encarado como um sinal, juntamente com o renascimento da vida animal e vegetal, hoje com mais alces, javalis, lobos, pássaros ou flores selvagens.
Os pais da jovem atualmente com 19 anos não sairam da zona de exclusão porque a União Soviética
não lhes atribuiu uma nova morada
“As pessoas daqui acreditam que Mariyka é um símbolo do renascimento de Chornobyl, um sinal de Deus que eles interpretam como uma bênção para viver aqui, de que a vida está a voltar para este lugar arruinado”.

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