quinta-feira, março 02, 2017

Rafael Lusvarghi: “na Donbas nos chamavam de macacos”

Numa entrevista exclusiva aos jornalistas da Rádio Svoboda, o terrorista brasileiro, agora o prisioneiro da SIZO de Lukyanivka em Kyiv, Rafael Lusvarghi, conta como veio à Ucrânia para matar os ucranianos e sobre os seus ex-camaradas, os fascistas.

por: Andriy Dikhtiarenko (a versão curta)

– Você não tinha a sensação de que a guerra é um pouco diferente, não é que aquela que lhe parecia antes?
– Sim. Isto é absolutamente verdadeiro. É muito difícil explicar para que [decorre] essa guerra. [...] Há também no Donbas as pessoas muito ruins. Posso dizer sem qualquer problema – [o terrorista russo] “Babay” em Luhansk era uma pessoa muito má, saqueador, bandido. [...] Havia pessoas que estavam [lá] pelo czar, estavam pelo comunismo, pelo novo mundo, pela Rússia, pela [ideia] de permanecer independentes no seu território. É difícil entender o porquê.

– Da parte das pessoas que lutaram na Donbas contra Ucrânia havia os crimes contra os civis, não é?
Um dos principais membros do bando "Rusiach" Alexey "Fritz" Milchakov
É verdade. Como, por exemplo, “Babay” em Luhansk. Ele já foi punido. Há um grupo, que tenho muita pena que me encontrei com eles. [O grupo neonazi russo] “Rusich”, eu trabalhei com eles, quando eu estava na primeira brigada eslava na “dnr”. Eles sentiam muito orgulho pelo que fizeram no aeroporto de Luhansk. Foi também barbárie.
As ações do bando "Rusich" e pessoalmente do Milchakov
​– Como você poderia lutar lado a lado com as pessoas que defendiam ideia da extrema-direita?
– Nós não estávamos lutando lado a lado. Os rapazes da minha unidade, de acordo com os de “Rusich” eram “macacos da América do Sul”. Mesmo entre os franceses havia fascistas, infelizmente. Mas eu descobri isso mais tarde, quando já tinha a [sua] amizade. E nós lutávamos lado a lado quando estávamos no aeroporto. Nós comíamos juntos, estávamos nas trincheiras, juntos ficávamos debaixo do fogo, ajudávamos uns aos outros. E então depois as “pessoas-fascistas” pensam que você é um “macaco”, porque nasceu em um outro país.
Outro neonazi russo nas fileiras dos "antifascistas" da Donbas: Anton Raevsky
Quando os brasileiros viram que lutam ao lado dos fascistas – “Rusich” – isso os ofendeu altamente. “Dima” (Caique Teles d´Anzhelo) é do [estado de] Amazonas, é índio. Quando ele viu isso, ele disse: “Rafael, eu vou embora”. Eu respondi: “Espere, eu também quero ir, me dá o tempo para preparar tudo”.
O brasileiro Caique d´Angelo ao lado da conhecida terrorista e neonazi Yulia "Nórdica" Cilinskaya-Harlamova
– Primeiro mataram Mozgovoy, depois Driomov. Recentemente, em Donetsk foi morto “Motorola” e “Givi”. Você segue esses eventos, o que falavam os combatentes?
– O meu pensamento – isso não foi ação dos serviços secretos ucranianos, foi uma coisa interna. Alguns comandantes eram muito corruptos.

– O que eles roubavam? Vendiam armas ou ajuda humanitária?
Lusvarghi e a sua participação na morte dos quatro militares ucranianos...
– Eles não apenas vendiam as armas e ajuda humanitária, vendiam as informações. Algumas vezes íamos atacar o posto de controlo ucraniano, eles [ucranianos] já sabiam da onde e como o iremos fazer.

Sobre a prisão

– Você foi preso no aeroporto quando, de facto, vem para trabalhar na Ucrânia. Por que você achou que é seguro para você? Você pensou que o conflito acabou?
Rafael Lusvarghi tenta debochar da Ucrânia e dos ucranianos...
– Quando recebi a proposta logo pensei que é uma armadilha. Mas conversamos durante quatro meses, eu telefonava para embaixada da Ucrânia, eles disseram que não procuram por nenhuns brasileiros. Eles disseram que na OSCE e Interpol não há o meu nome. Ei procurei e realmente não há. [...] Recebi uma carta convite de trabalho da Ucrânia, tudo oficial. [...] Não foi nenhum chefe na Donbas [...] simples carne de canhão.
Rafael e outros brasileiros, entre eles Ronan Passos, montam canhão de 120 mm no pátio dos prédios residenciais
– Suponhamos que para você tudo acabará bem, o seu advogado conseguirá rever o caso, ou você será trocado. Você voltará ao Donbas para tomar parte dos combates?
– Eu não quero mais participar em combates, sou contra a guerra. A guerra é o dinheiro gasto, os recursos e as vidas humanas. É melhor negociar, infelizmente as pessoas não sabem. Eu não quero mais a guerra.

– Suponhamos, você será libertado. Quais serão as primeiras ações, para onde irá? O que quer fazer na sua vida no futuro?
Mísseis "Grad" que Lusvarghi mandava aos ucranianos, dedicados à sua esposa Ana Clara e ao seu filho Lucas...
– O meu advogado me disse para não pensar no futuro, porquevocê ficará aqui por muito tempo”.  Mas eu quero ir para a Donbas, encontrar alguns amigos. Mas não para lutar, mas para ajudar. E então eu quero ir para casa para estar com o meu filho e continuar com a vida.

1 comentário:

Anónimo disse...

Não eram os "ucranianos os grandes nazistas" segundo os comunistas brasileiros e russos? kkkkkkk